Sonaecom ganha mais de 5% para máximos de cinco anos após OPA (act.)
As acções da Sonaecom atingiram esta quarta-feira o valor mais elevado desde Maio de 2008. A empresa já valorizou 6,12% após ter sido anunciado que irá lançar uma OPA sobre as acções detidas pelos accionistas minoritários.
Em apenas uma hora de negociação, a Sonaecom já negociou 871.467 títulos, quase o dobro da média diária dos últimos seis meses.
Os títulos seguem agora (09h00) a ganhar 5,51% para os 2,412 euros mas já valorizaram um máximo de 6,12% para os 2,426 euros – este é o valor mais elevado desde o início de Maio de 2008. Este valor compara com os 2,45 euros, que correspondem à contrapartida equivalente da oferta da Sonaecom.
Esta valorização ocorre depois da empresa ter lançado uma oferta pública de aquisição (OPA) parcial sobre 24,16% do seu próprio capital, oferecendo como contrapartida acções da Zon Optimus, que correspondem a 2,45 euros por acção. Tendo em conta este valor, o montante da oferta é de 216 milhões de euros.
Segundo o comunicado com o lançamento da oferta, publicado, esta terça-feira à tarde, na CMVM, a oferta incide sobre um máximo de 88.479.803 acções da Sonaecom, representativas de 24,16% do capital da empresa. Ou seja, sobre as acções que não são detidas pelos dois maiores accionistas da empresa, ambos do grupo Sonae (Sonae SGPS com 20,94% e a Sontel com 52,99%).
Em troca a Sonaecom oferece as 37.489.324 acções que detém de forma directa na Zon Optimus, que equivalem a 7,28% do capital da empresa que resultou da fusão entre a Zon Multimédia e a Optimus.
Num outro comunicado, a Sonaecom justifica esta oferta com objectivo de “conferir a opção aos seus accionistas de alienar, em condições de igualdade”, as suas acções na Sonaecom,
trocando-as por acções da Zon Optimus, permitindo assim aos seus accionistas “a exposição directa dos accionistas à Zon Optimus, activo de referência do portfólio da Sonaecom”.
As acções que a Sonaecom venha a comprar aos seus accionistas serão depois alvo de amortização, através de uma redução de capital social. No anúncio da oferta a Sonaecom não o refere, mas o objectivo da operação deverá também passar pela saída de bolsa da empresa actualmente liderada por Ângelo Paupério.
Esta possibilidade é admitida pelo analista do Caixa Banco de Investimento, José Mota Soares, na nota de análise à OPA lançada ontem pela Sonaecom. O analista refere que "caso a oferta anunciada resulte na aquisição de mais de 90% das acções objecto da oferta, a Sonae acabará por deter uma participação superior a 90% na Sonaecom". "Neste caso", prossegue José Mota Soares, "a Sonae poderá lançar uma oferta potestativa pelas acções sobrantes, deixando o caminho livre para uma futura incorporação das actividades da Sonaecom na Sonae".
"Caso contrário, na eventualidade de os resultados da oferta ficarem abaixo do limiar dos 90%, a Sonae irá provavelmente apresentar uma nova proposta de compra sobre o free float remanescente da Sonaecom, dado que só nesse caso a Sonae poderá utilizar a actual posição de cash da Sonaecom (103 milhões de euros, de acordo com as nossas estimativas preliminares) para pagar a participação de 20% da Sonaecom recentemente adquirida", conclui o Caixa Banco de Investimento.
O banco atribui às acções da Sonae um preço-alvo de 1,25 euros e uma recomendação de acumular. Os títulos do grupo liderado por Paulo Azevedo seguem a valorizar 2,93% para 1,054 euros, tendo já sido negociadas mais de 2 milhões de acções.
Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.
(Notícia actualizada às 09h58 com a análise do Caixa Banco de Investimento)