Cenário de derrota do Irão pelos EUA em breve anima Wall Street
As bolsas norte-americanas registaram valorizações no arranque da sexta semana de guerra no Irão, em reação aos mais recente discurso do Presidente dos EUA sobre o conflito.
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As bolsas nova-iorquinas registaram avanços esta segunda-feira, ainda que tenham reduzido os ganhos iniciais depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que o Irão poderia ser derrotado já na noite desta terça-feira, sinalizando também a possibilidade de um acordo.
Trump voltou a ameaçar Teerão, assinalando que "o país inteiro pode ser destruído apenas numa noite e isso pode acontecer amanhã à noite", aludindo ao prazo dado - marcado para a 01:00 de quarta-feira (hora de Lisboa) - para a destruição das centrais energéticas e outras infraestruturas do país, caso o estreito de Ormuz não seja reaberto à navegação.
O discurso aconteceu depois de o Irão ter recusado a proposta de cessar-fogo de 45 dias apresentada pelos mediadores do conflito. Teerão considera-a "ilógica", realçando que quer mesmo o fim definitivo da guerra e não "uma pausa".
Neste contexto, o índice de referência S&P 500 subiu 0,44% para 6.611,83 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite ganhou 0,54% para 21.996,34 pontos e o industrial Dow Jones somou 0,36% para 46.669,88 pontos.
"Em comparação com a semana passada, as opções do índice S&P 500 estão a incorporar uma maior volatilidade no curto prazo, em função do prazo de Trump divulgado durante o fim de semana prolongado", disse Chris Murphy, co-chefe de estratégia de derivados do Susquehanna International Group, à Bloomberg.
As ações norte-americanas podem estar a atingir o "fundo do poço", de acordo com o Morgan Stanley, que recomenda começar a aumentar a exposição, especialmente em setores cíclicos e ações de crescimento de elevada qualidade. “Acreditamos que o S&P 500 está a formar uma 'depressão' e pensamos que faz sentido começar a aumentar as posições longas em ações cíclicas e de crescimento de qualidade, onde os lucros permanecem fortes, a avaliação comprimiu e o sentimento é negativo”, escreveram os estrategas, incluindo Michael Wilson, numa nota citada pela agência financeira.
Em paralelo, os investidores digeriram os dados económicos mais fracos do que o esperado. A economia de serviços dos EUA expandiu-se em março a um ritmo mais lento, com o emprego a encolher na maior proporção desde 2023.
Para Kevin Brocks, diretor da 22V Research, não é surpresa que a guerra com o Irão esteja a afetar o sentimento empresarial. "Há poucas novidades para a Fed", disse.
A atenção vira-se agora para os próximos dados económicos, com a divulgação do índice de preços no consumidor (IPC) de março na sexta-feira. Os economistas esperam um aumento mensal de 1%, o que representaria o maior ganho desde 2022.
Entre os principais movimentos individuais, as ações da Carvana Co. caíram até 2,2% antes de reduzirem as perdas, depois de os analistas do Bank of America terem revisto em baixa a recomendação da retalhista para neutral, citando os recentes desenvolvimentos macroeconómicos e do setor.
Já as ações da Soleno Therapeutics subiram 32,43% depois de o Financial Times ter noticiado que a Neurocrine Biosciences está em negociações avançadas para adquirir a empresa.
As ações da Seagate Technology subiram 5,54% após o Morgan Stanley elevar o seu preço-alvo.