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CMVM suspende ações do FC Porto em dia de assembleia de obrigacionistas para adiar pagamento

O regulador do mercado anunciou a suspensão da negociação das ações e obrigações do Futebol Clube do Porto, SAD a partir de hoje e sem prazo para término, num dia em que será votado em assembleia de obrigacionistas, o adiamento do pagamento aos detentores de títulos do clube.

Manuel Araújo/Cofina
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A CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) anunciou a suspensão da negociação em bolsa das ações do Futebol Clube do Porto, SAD, - bem como das obrigações do clube - num dia em que está agendada a assembleia de detentores de títulos da sua emissão de dívida e em que será discutido o adiamento do reembolso aos obrigacionistas. 

"O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) deliberou, nos termos do artigo 214º e da alínea b) do n.º 2 do artigo 213º do Código dos Valores Mobiliários a suspensão da negociação das ações e obrigações da Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado", pode ler-se na nota divulgada pelo regulador de mercado. 

Num ano atípico, com a atual pandemia a obrigar a uma suspensão do campeonato nacional de futebol, entretanto relançado, as contas do clube foram pressionadas. Agora, a empresa tentará adiar por um ano o pagamento a todos os que subscreveram obrigações no valor de 35 milhões de euros e que vencem a 9 de junho deste ano.

Caso o pedido de adiamento seja reprovado em assembleia, o Porto será obrigado a obter outro financiamento e vender um jogador, segundo diz Fernando Gomes, administrador financeiro do clube, ao jornal ECO

Nesta assembleia, 
inicialmente agendada para 19 de maio e adiada para 5 de junho por falta de quórum, será necessário obter uma maioria de dois terços dos votos presentes, independentemente do número de obrigacionistas presentes ou representados, para que o pedido de adiamento seja aprovado. 

A SAD portista defendia, aquando da convocatória para a assembleia obrigacionista, que a proposta da administração tem por base os "enormes impactos nas atividades da FC Porto SAD e do Grupo FC Porto provocados pelo atual contexto de pandemia internacional e estado de emergência nacional".

A sociedade anónima desportiva dos "dragões" identificava algumas das consequências da pandemia, destacando "o adiamento (e potencial cancelamento) inesperado dos jogos de futebol do FC Porto e perda substancial de receitas que lhe estão associadas (bilheteira e conexas), bem como a acentuada falta de atividade do mercado de transferências de jogadores que se tem mantido até ao momento e não apresenta previsões de rápida retoma", que, defende "alterou substancialmente a base negocial objetiva da emissão obrigacionista".

"Ademais, estes profundos e inesperados impactos não só afetam as atividades em curso da FC Porto SAD e do Grupo FC Porto, como, inevitavelmente, afetam todo o planeamento projetado para os exercícios económicos e épocas desportivas em curso e futuras", acrescentava o comunicado.

"Um adiamento do prazo de reembolso contribuirá para este quadro de recuperação financeira e potenciará o sucesso e termos da nova emissão obrigacionista projectada", reforçava a SAD.
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