Dados do emprego e adiamento do Supremo sobre tarifas dão recorde a S&P 500
Os três principais índices norte-americanos terminam a última sessão da semana com ganhos, ainda impulsionados pelas ações de tecnologia.
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As bolsas nova-iorquinas terminaram a última sessão da primeira semana completa de negociação do ano com valorizações, ainda que abaixo de 1%, com os investidores aliviadas pelo facto de o Supremo Tribunal dos EUA ter adiado uma decisão sobre a legalidade das tarifas impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, em abril do ano passado.
Por isso, a subida dos índices para recordes não surpreendeu os analistas. "Esta manhã, muitas pessoas ficaram hiperfocadas na decisão do Supremo Tribunal e talvez tenham descartado rapidamente os dados de emprego com um 'tanto faz'", disse Mark Malek, diretor de investimentos da Siebert Financial, à Bloomberg. “Assim que soubemos que não haveria uma decisão, muitos podem ter voltado a atenção para os números do emprego e tê-los interpretado como ligeiramente positivos. Nem maus, nem bons, mas ligeiramente positivos”, acrescentou.
Além disso, uma subida das ações de tecnologia e inteligência artificial também impulsionaram Wall Street.
O S&P 500 subiu 0,65% para 6.966,28 pontos, tendo tocado durante a sessão nos 6.978,36 pontos, o valor mais elevado de sempre. O tecnológico Nasdaq Composite somou 0,81% para 23.671,35 pontos e o industrial Dow Jones ganhou 0,48% para 49.504,07 pontos.
Os investidores estiveram também a reagir aos dados do mercado laboral da maior economia mundial, publicados esta sexta-feira. No mês passado, foram criados 50 mil novos empregos, abaixo das estimativas dos analistas. Já a taxa de desemprego caiu para 4,4%. Os números cimentaram as apostas dos "traders" de que a Reserva Federal vai manter as taxas de juros na reunião deste mês.
“Continuamos a ter um ambiente em que as empresas estão mais receosas em contratar e lentas a demitir. A principal conclusão do relatório de hoje é que há mais boas notícias do que más neste que é o primeiro relatório de emprego [completo] divulgado em três meses", afirmou Art Hogan, estratega-chefe de mercado da B. Riley Wealth, à Bloomberg.
David Lebovitz, da JPMorgan Asset Management, tem uma visão mais otimista para o próximo ano. “O mercado estável deve permitir que as previsões de crescimento acima da tendência se materializem e que haja maior desinflação. Nem muito quente, nem muito frio, na medida certa”, disse, acrescentando que não acredita "que a inteligência artificial seja uma bolha" e espera que a aplicação dessa tecnologia - e os lucros associados - se expandam ao longo do ano.
Entre os principais movimentos do mercado, a Meta Platforms subiu 1,08% para 653,06 dólares por ação, depois de a dona do Instagram e Facebook ter anunciado que vai começar a usar energia nuclear para potenciar o negócio da inteligência artificial, num negócio com a Vistra - cujas ações saltaram 10,56%.
Já a General Motors cedeu 2,63% numa altura em que a empresa se depara com encargos na ordem dos seis mil milhões de dólares, relacionados com cortes na produção dos veículos elétricos. A Ford corrigiu os ganhos de quinta-feira, e recuou 1,32% para 14,2 dólares por ação.
As ações da Intel disparam 10,9% após Donald Trump ter dito que se reuniu com o CEO da empresa.
Nas ações de semicondutores, a Broadcom saltou 3,77% e a Lam Research somou 8,66% para 218,36 dólares, a última depois de a Mizuho ter elevado o preço-alvo da criadora de ferramentas para semicondutores para 220 dólares.
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