Bolsa Forte queda no fecho atira BCP para novo mínimo de sempre

Forte queda no fecho atira BCP para novo mínimo de sempre

As acções do BCP estiveram durante quase toda a sessão a recuperar do tombo da véspera. Mas uma forte pressão vendedora no último minuto atirou as acções para novo mínimo histórico. O banco já vale menos 100 milhões que o BPI.
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As acções do Banco Comercial Português voltaram a perder valor na sessão desta quinta-feira, devido a uma forte pressão vendedora no último minuto de negociação em bolsa.

 

As acções fecharam a cair 2,24% para 0,0267, mais do que anulando um ganho que durante a sessão chegou a ser de 5,81%. O banco atingiu assim um novo mínimo histórico, depois de ontem ter fechado o dia a cair mais de 10%.

 

Os títulos estiveram a negociar em terreno positivo durante toda a sessão até que, no período de consolidação de ofertas, uma forte pressão vendedora levou a cotação dos 0,028 euros para 0,0267 euros. Uma evolução que é bem evidente no gráfico da Bloomberg em baixo.

Esta voltou a ser uma sessão de liquidez forte, tendo sido transaccionadas mais de 500 milhões de acções. Muitas delas trocaram de mãos neste último minuto turbulento de negociação para o maior banco privado português.
 

Depois de ontem terem igualado o mínimo histórico de 2012 nos 0,0267 euros, na sessão de hoje os títulos atingiram um mínimo de sempre, que avalia o banco liderado por Nuno Amado em 1.576 milhões de euros. Uma capitalização bolsista que fica já mais de 100 milhões de euros atrás da registada pelo BPI, que esta quinta-feira avançou 0,09% para 1,154 euros (capitalização bolsista de 1.681 milhões de euros).

 

A queda abrupta do BCP no fecho da sessão aconteceu mesmo depois de ontem a CMVM ter determinado a proibição da venda a descoberto das acções do banco, na sequência da descida superior a 10% da véspera.

 

E se ontem todo o sector da banca europeia tinha fechado em terreno negativo (o Stoxx Banks caiu 1,68%), esta quinta-feira o índice sectorial desvalorizou apenas 0,13%.

 

Esta foi a sexta sessão consecutiva de perdas para o BCP, período em que as acções desceram 19,1%. Desde o início do ano as acções recuam 45,37%.  

 

"Não vamos alterar este rumo"

 

Nuno Amado justificou, ao Negócios, a forte descida das acções do banco na quarta-feira com o facto de o BCP ter sido despromovido do índice MSCI Global, passando a integrar o índice para as pequenas capitalizações. "Como há pouco tempo houve uma subida de 12% por termos entrado no MSCI Global, esta queda é essa correcção", explicou o líder do maior banco privado português.


O presidente do BCP garantiu ainda que o banco está a ir no caminho certo. "Apresentámos 47 milhões de euros de lucros no trimestre e não vamos alterar este rumo de rentabilidade consistente e recorrente", explicou.

 

Muitos assuntos por resolver


Apesar das justificações de Nuno Amado, o mercado continua a temer que o banco seja obrigado a avançar com um aumento de capital, sobretudo após o anúncio surpresa da operação de reforço de capitais do espanhol Popular. Numa análise divulgada esta quarta-feira, o Goldman Sachs considerou que o BCP está entre os bancos mais vulneráveis a comparações com o Banco Popular.

 

Já esta quinta-feira o BCP foi alvo de mais uma análise negativa por parte de um banco de investimento internacional. O Société Générale (SG) reduziu o preço-alvo do BCP de 5 para 3,2 cêntimos, enquanto a recomendação passou de "comprar" para "neutral".

 

Numa nota a que o Negócios teve acesso, o analista Carlos Garcia-Gonzalez explica que há ainda muitos assuntos por resolver no sistema bancário, que podem pressionar as acções do banco.

 

A transferência das obrigações do Novo Banco para o BES, o aumento de capital na CGD e a ausência de uma solução no BPI são alguns dos assuntos por resolver citados pelo SG. Já "a proposta para um banco mau é positiva para a estabilidade financeira, mas não necessariamente para os accionistas", explica o "research".

 

O banco francês reviu em baixa ainda as expectativas para os resultados do BCP. "Enquanto as nossas estimativas para os lucros por acção para 2016 estão inalteradas em 0,004 euros, baixamos as nossas previsões para 2017 e 2018 para 0,004 e 0,007 euros, respectivamente", face aos anteriores 0,006 e 0,008 euros, diz a mesma nota.

 

O Económico noticiou esta quinta-feira que o BCP já enviou ao Banco Central Europeu o pedido de autorização para devolver 235 milhões de euros em ajudas públicas, dos 700 milhões que estão por entregar das subscrições feitas pelo Estado em forma de obrigações contingentes convertíveis (CoCo’s).   

 

(notícia actualizada pela última vez às 17:20 com mais informação)



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