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Primeira semana de guerra deixa Wall Street mergulhada em pessimismo. Índices já desvalorizam no ano

As bolsas norte-americanas terminaram a última sessão da semana com desvalorizações, à medida que a crise energética decorrente da guerra no Médio Oriente continua a levantar receios de uma escalada da inflação.

Primeira semana de guerra no Irão deixa Wall Street mergulhada em pessimismo. Índices já desvalorizam no ano.
Primeira semana de guerra no Irão deixa Wall Street mergulhada em pessimismo. Índices já desvalorizam no ano. AP/Richard Drew
06 de Março de 2026 às 21:17

Uma semana depois de ter estalado a guerra no Irão, os principais índices norte-americanos estão mergulhados em pessimismo e volatilidade, tendo terminado a sessão desta sexta-feira com perdas de mais de 1%. 

A escalada dos preços do petróleo - o WTI nos 91 dólares por barril e o Brent nos 92,67 dólares -  está a fazer soar os alarmes do mercado quanto a uma crise energética sem precedentes, o que pode ainda fazer disparar a inflação. O ministro da Energia do Catar avisou que o conflito pode levar a que os países do Golfo Pérsico parem com as exportações de energia, o que pode levar a que o barril suba até aos 150 dólares. 

O sentimento pessismista agravou-se depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter descartado as negociações para a paz e um acordo sobre o programa nuclear iraniano, dizendo que quer a “rendição incondicional do Irão”. Mas, a inflação não é a única a preocupar os analistas e investidores. O mercado de trabalho norte-americano também não dá sinais positivos: em fevereiro a maior economia do mundo cortou 92 mil empregos e a taxa de desemprego subiu para 4,4%. Ora, sendo estes os dois mandatos da Reserva Federal, os números podem levar a um adiamento da descida de taxas de juro - ou até mesmo a uma subida - dependendo se a estabilidade dos preços se sobrepõe à saúde do mercado laboral. 

“Se eu fosse um investidor não estaria nada entusiasmado em ter um monte de ações sensíveis à economia durante um fim de semana de guerra com o Irão, com a volatilidade e imprevisibilidade de Trump. Quanto mais isto se prolongar, mais vai afetar o comportamento do mercado de ações", disse Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, à CNBC.

O S&P 500 tombou 1,33% para 6.740,02 pontos, acumulando uma perda semanal de 2,05%, com três em cada quatro ações a caírem. O tecnológico Nasdaq Composite também recuou 1,59% para 22.387,68 pontos e cedeu 1,6% na semana. O industrial Dow Jones desvalorizou 0,95% esta sexta-feira para 47.501,55 pontos, tendo, na semana, perdido 2,87%. 

No ano, o primeiro perde 1,83%, o segundo tomba 3,65% e o terceiro cede 1,82%.

“O relatório sobre o emprego foi péssimo e pode até reacender uma nova ronda de conversas sobre como as más notícias podem ser boas notícias”, disse Chris Zaccarelli, diretor de investimento da Northlight Asset Managment, à Bloomberg. Afirmou ainda que se o mercado está a reagir bem ao relatório é apenas porque isso faria com que a Reserva Federal estivesse mais propensa a cortar as taxas de juro, tendo em conta as más notícias do mercado de trabalho.

“Ambas as partes do duplo mandato estão a deteriorar-se e não terão ideia de como equilibrá-las em termos do que fazer no curto prazo", disse ainda Derek Holt, vice-presidente e responsável pela economia dos mercados de capitais do Scotiabank à agência financeira. 

Já Mark Malek, diretor de investimento da Muriel Siebert & Co., considera que a "velocidade da oscilação nos mercados reflete o quão não-preparados estavam para um conflito que escalou gradualmente, em vez de através de um choque repentino". 

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