De cético a investidor, CEO do Goldman Sachs já tem bitcoins na carteira
Os tempos em que David Solomon, o CEO do banco norte-americano Goldman Sachs, via a bitcoin como um "investimento especulativo" já lá vão. Em apenas dois anos, o diretor-executivo de uma das maiores instituições financeiras do mundo passou de cético a "observador", revelando que detém uma quantia "muito, muito limitada" de bitcoins na sua carteira de investimentos.
Numa conferência sobre ativos digitais da World Liberty Financial, empresa da família Trump com grandes ligações ao setor, Solomon assegurou não ser um "grande prognosticador da bitcoin", optando por se descrever mais como um "observador" dos movimentos da criptomoeda original - anteriormente tinha dito que a mesma não tinha qualquer "caso de uso real". Mas mais do que uma mudança na opinião pessoal de um dos líderes mais acompanhados de Wall Street, os comentários refletem uma tendência de aproximação, embora atribulada, da banca tradicional ao setor - muito devido ao impulso dado por Donald Trump desde que assumiu as rédeas da maior economia do mundo.
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Para já, e devido a impedimentos regulatórios, Solomon afirma que o Goldman Sachs vai continuar a ter uma exposição apenas indireta às moedas digitais, que, no final do último trimestre de 2025, se fixava nos 2,3 mil milhões de dólares. A mesma é feita através de produtos como fundos negociados em bolsa (ETF), mas, caso as regras acabem por mudar, o CEO não exclui que o banco possa vir a deter diretamente bitcoin.
A aproximação ganha contornos ainda mais curiosos considerando o "sell-off" que se vive no mercado dos criptoativos. Desde que atingiu máximos em outubro do ano passado nos 126 mil dólares, a moeda digital mais famosa do mundo já viu o seu valor ser reduzido a quase metade, estando agora a negociar próximo da marca dos 66 mil dólares. A queda abrupta despertou uma "crise de fé" no criptoativo, com os investidores a pararem de olhar para a bitcoin como uma proteção contra a escalada da inflação, a desvalorização do dólar ou a grande volatilidade que se assiste nos mercados.
Mesmo assim, a mudança de posição entre os grandes líderes de Wall Street face ao universo dos ativos digitais não é propriamente uma novidade. Também Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, tem vindo a adotar uma postura muito mais branda em relação às critpomoedas, passando de descrever a bitcoin como uma " fraude que eventualmente vai explodir" para levar o seu banco a equacionar conceder empréstimos garantidos por este tipo de ativos. Os analistas do JPMorgan até já veem a bitcoin a ser mais atrativa do que o ouro no longo prazo.
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Tudo isto acontece numa altura em que se desenha um braço de ferro entre a banca norte-americana e o setor dos criptoativos. Um dos objetivos da conferência da World Liberty Financial, realizada em Mar-a-Lago, passa mesmo por conseguir aliviar as tensões entre as duas partes e construir as pontes prometidas nos primeiros meses da administração Trump. Em causa está a possibilidade - ou não - das "stablecoins" (criptomoedas indexadas a um ativo mais estável, na maior parte das vezes o dólar) poderem vir a conferir juros aos seus detentores - uma medida que a banca dos EUA antecipa que poderá roubar milhares de milhões de dólares aos depósitos bancários.
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