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BCP fecha a subir 1,9% e transacciona mais de 100 milhões de acções (act3)

No dia seguinte a ter apresentado resultados que ficaram abaixo das estimativas e em que foram várias as casas de investimento a baixarem a avaliação do BCP, as acções do banco registaram uma sessão de forte volatilidade. Chegaram a cair mais de 4%, mas f

25 de Julho de 2007 às 16:39

No dia seguinte a ter apresentado resultados que ficaram abaixo das estimativas e em que foram várias as casas de investimento a baixarem a avaliação do BCP, as acções do banco registaram uma sessão de forte volatilidade. Chegaram a cair mais de 4%, mas fecharam o dia a subir 1,9%, transaccionando mais de 100 milhões de títulos.

Foram pelos menos quatro as casas de investimento que baixaram hoje o preço-alvo e as estimativas de resultados para o BCP. As acções do Banco Comercial Português (BCP) [bcp] estiveram a negociar em queda de mais de 4%, mas inverteram essa tendência a maior da sessão para fecharem com um ganho de 1,9% para 3,75 euros.

Os investidores terão aproveitado a queda de quase 10% acumulada em cinco sessões para voltarem a entrar no papel, que continuam a beneficiar de especulação e da proximidade da Assembleia geral de 6 de Agosto.

No total, foram movimentadas 107 milhões de acções do BCP, um valor que só foi suplantado pelos 134 milhões de títulos transaccionados a 27 de Junho. As acções hoje transaccionadas representam quase 3% do capital do banco.

Na sessão de ontem, as acções tinham recuado 3,92% para os 3,68 euros, com os investidores a anteciparem fracos resultados no trimestre, o que se veio a confirmar após o fecho do mercado.

Os resultados líquidos do BCP desceram 22,2% no semestre para os 307,9 milhões de euros, um valor que inclui os custos de 65 milhões de euros com a OPA ao BPI, mas que ficaram muito longe do que os analistas estavam à espera.

Analistas contactados pelo Jornal de Negócios aguardavam lucros de 365,5 milhões de euros, menos 7,7% que o registado no mesmo período do ano passado.

Já a antecipar estes números, a Espírito Santo Research (ESR) veio ontem recomendar aos seus clientes que vendessem as acções do banco. O alemão Dresdner também veio recomendar a venda das acções do BCP, já que estas estão caras e após a assembleia geral (AG), alguns dos actuais accionistas poderão inundar o mercado com os títulos que compraram para participar na reunião de accionistas.

Accionistas poderão inundar mercado com acções após a AG

Esta também é a opinião do Keefe, Bruyette & Woods (KBW) que hoje veio rever em baixa as estimativas de resultados do BCP para 2007 e 2008 em 13% e 14%, respectivamente.

A equipa de analistas liderada por Antonio Ramirez classificou os resultados do BCP do segundo trimestre de "decepcionantes" e reduziu o preço-alvo dos 3,90 euros para os actuais 3,30 euros.

A recomendação também foi revista em baixa de "market perform" para "underperform" já que, segundo o KBW, o BCP está a negociar com um prémio "injustificado" face ao sector.

Ramirez recorda que parte da subida do BCP nos últimos meses deveu-se ao reforço da posição dos accionistas que querem participar na AG de 6 de Agosto. "Achamos que há um risco do mercado poder vir a ser inundado com acções do BCP depois do final da AG, quer o vencedor seja Paulo Teixeira Pinto ou Jardim Gonçalves".

Termina período para compra de acções para participar na AG

As acções que vão estar presentes na AG de 6 de Agosto terão de ser bloqueadas a 30 de Junho, pelo que hoje é o último dia para a compra de acções com vista a participar na AG. Isto porque, nas transacções feitas em bolsa e entre intermediários financeiros distintos, a liquidação (recebimento das acções e pagamento em dinheiro) só se processa passados três dias.

Já para os negócios realizados fora de bolsa ou que sejam feitos em nome de clientes que tenham o mesmo intermediário financeiro, a liquidação poderá ser feita em "real time", ou seja, a compra de acções para participar na AG poderá ocorrer até ao dia 27 de Julho.

Finda a AG, as acções do banco deixam de estar bloqueadas e os analistas prevêem então que alguns dos actuais accionistas comecem a desfazer-se de parte das acções compradas.

O Deutsche Bank, numa nota emitida ontem ao final do dia, partilha desta opinião. "Esperamos uma queda adicional nas acções do BCP a curto prazo, devido aos números apresentados hoje [ontem] e antes da AG crítica de 6 de Agosto".

O banco alemão cortou o "target" do BCP de 3,80 euros para os 3,70 euros, reiterando a recomendação de "manter". As estimativas de resultados para 2007 e 2008 foram revistas em baixa de 7% e 3,3%, respectivamente.

O Citigroup também apelidou os resultados do BCP de "decepcionantes", sobretudo a actividade do retalho em Portugal.

O banco norte-americano cortou as previsões dos resultados para este ano e para 2008 em 11% e 8%, respectivamente.

O analista Kato Mukuru reiterou a recomendação de "manter", mas cortou o preço-alvo dos 3,99 euros para os 3,75  euros.

"Luta interna impede BCP de regressar ao trilho"

O banco suíço UBS refere igualmente que os resultados do segundo trimestre foram "decepcionantes", ficando 20% abaixo do previsto.

"Numa altura em que o foco está na luta interna pelo poder, o BCP não consegue regressar ao trilho no período pós OPA do BPI e, por isso, consideramos que as nossas estimativas possam estar a ser optimistas".

Como tal, o analista Simon Chiavarini reduziu as estimativas para os resultados anuais do BCP entre 2007 e 2009 em cerca de 5%.

A UBS reduziu o preço-alvo das acções dos 4,20 para os actuais 4,00 euros, sugerindo uma recomendação "neutral".

John dos Santos, analista da Lisbon Brokers, mostra-se mais optimista em relação aos resultados apresentados ontem pelo BCP. Apesar dos lucros terem ficado abaixo do esperado pela casa de investimento, o analista realça a melhoria dos níveis de eficiência do banco.

A Lisbon Brokers estimava que os lucros, ajustados dos encargos de 65,5 milhões de euros resultantes da OPA sobre o BPI, aumentassem para 383,8 milhões de euros, 3% acima dos resultados apresentados pelo banco liderado por Paulo Teixeira Pinto.

A casa de investimento manteve a recomendação de "manter" e o preço-alvo de 4,00 euros, mas ressalva que "de acordo com as nossas matrizes de ‘rating’, as acções do BCP estão aproximar-se rapidamente de uma revisão".

O Dresdner também manteve a recomendação de "vender" e o preço-alvo de 3,16 euros para as acções do BCP. Os números ontem apresentados ficaram 5% abaixo das estimativas da casa de investimento alemã. O analista Millan Gudka salienta que depois da AG as acções deverão registar uma pressão maior.

"Pensamos que a especulação de fusões e aquisições está esgotada" e "a acção pode sofrer uma pressão adicional depois da AG", diz a nota de análise hoje divulgada.

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