Bolsas dos EUA descem cinco dias seguidos e perdem 4% na semana
Republicanos e democratas não se entendem para aumentarem o tecto de endividamento do país e o PIB norte-americano cresceu abaixo do esperado no segundo trimestre. Estas são as razões para que o S&P 500 tenha hoje completado uma semana de cinco quedas, o que não acontecia desde há, precisamente, um ano.
A falta de um acordo para o aumento do limite do endividamento na maior economia do mundo continua a pressionar os investidores, facto agravado pela notícia de que o crescimento do PIB dos EUA foi inferior ao previsto pelos economistas.
O Standard & Poor’s 500 desceu 0,65% e terminou uma semana de cinco quedas, o que não se verificava desde o início de Julho de 2010. A desvalorização semanal foi de 3,9% para 1.292,28 pontos. O Dow Jones registou a mesma tendência e perdeu 0,79% para 12.143,24 pontos. Foi o índice que mais perdeu esta semana: 4,2%.
Por sua vez, o Nasdaq retraiu 3,6% desde o fecho de sexta-feira, tendo hoje deslizado 0,36%. Terminou nos 2.756,38 pontos.
Barack Obama falou hoje aos norte-americanos para dizer que ainda é possível chegar a um acordo antes de 2 de Agosto, o dia em que vencem obrigações que os EUA poderão não ter dinheiro para pagar caso não seja acordado o aumento do limite do endividamento entre os partidos republicano e democrata.
Esta é uma questão que tem penalizado as bolsas e até a confiança na economia norte-americana, já que as agências de notação financeira, que dão indicações aos investidores sobre a qualidade da dívida emitida pelo país, ameaçaram descer o “rating”, se o referido tecto não for elevado. E mesmo que seja, lançaram dúvidas quanto à manutenção da notação máxima de "AAA".
A contribuir para o pessimismo estiveram também os dados do Departamento do Comércio norte-americano, que anunciou hoje um crescimento dos Estados Unidos abaixo do esperado. A economia norte-americana avançou 1,3%, quando a mediana indicada pelos economistas consultados pela Bloomberg era de 1,8%. A evolução representa, ainda assim, uma subida face aos 0,4% marcados no primeiro trimestre.
Em termos empresariais, destacou-se a Merck. A farmacêutica anunciou hoje um programa de reestruturação, que implica a eliminação de 12 a 13 mil postos de trabalho até 2015, o que representa quase um quarto dos seus funcionários. Marcou uma das maiores quedas do Dow Jones, de acordo com a Bloomberg, ao deslizar 2% para 34,24 dólares.
Por sua vez, a Apple fechou a semana no vermelho, ao perder 0,34% para 390,48 dólares. Isto depois de três dias seguidos de deslizes, após ter fechado pela primeira vez acima da “barreira” dos 400 dólares.
(notícia corrigida: o S&P não registava uma semana -de segunda a sexta-feira- preenchida por cinco dias de quedas desde Julho de 2010. Contudo, desvalorizou seis vezes seguidas -divididas entre duas semanas distintas- em Junho deste ano.)