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Declarações de Ulrich e Jardim levam BCP ao maior ganho desde a OPA

As acções do Banco Comercial Português fecharam a valorizar 5,71% para os 3,70 euros, registando a maior valorização percentual diária desde 15 de Março de 2006, dois dias depois do lançamento da OPA ao BPI. A valorização foi sustentada pelas declarações

30 de Julho de 2007 às 16:47

As acções do Banco Comercial Português fecharam a valorizar 5,71% para os 3,70 euros, registando a maior valorização percentual diária desde 15 de Março de 2006, dois dias depois do lançamento da OPA ao BPI. A valorização foi sustentada pelas declarações de Jardim Gonçalves e Fernando Ulrich, que levaram o mercado a especular sobre um possível movimento de consolidação.

Depois de ter avançado, publicamente, com o apoio às propostas da facção que apoia Jardim Gonçalves, os investidores estão a especular que o banco de Fernando Ulrich possa estar a posicionar-se para um movimento de consolidação que envolva o BCP. Sobretudo porque Jardim Gonçalves não fecha as portas a este cenário.

As acções do Banco Comercial Português (BCP) [BCP] fecharam a subir 5,71% para 3,70 euros, tendo atingido ao longo da sessão um ganho máximo de 8% para 3,78 euros e negociado quase 40 milhões de acções.

Esta subida representa um ganho de capitalização bolsista de 722 milhões de euros num só dia e desde 15 de Março de 2006 que os títulos não fechavam com um ganho tão acentuado. Nesse dia, dois depois do banco lançar uma OPA ao BPI, as acções treparam 8,27%.

O banco está a recuperar parte da queda registada ao longo das últimas quatro semanas, sendo que na última sofreu um revés de 10%.

O BPI também esteve animado em bolsa com um ganho que chegou a situar-se nos 3,03% para 6,80 euros. Os títulos fecharam a sessão a subirem 0,3% para 6,62 euros.

Operadores contactados pelo Jornal de Negócios Online justificam a valorização de hoje com as especulações de que o BPI poderá estar a posicionar-se para participar num eventual movimento de consolidação que envolva o BCP.

Isto porque na sexta-feira, aquando da apresentação dos resultados, Fernando Ulrich disse que vai votar contra a alteração dos estatutos  e contra todas as propostas avançadas pela facção de accionistas que apoia o CEO, Paulo Teixeira Pinto.

Com esta tomada de posição, o BPI coloca-se, pelo menos na próxima AG, ao lado dos accionistas que apoiam o fundador do banco, Jardim Gonçalves.

Numa entrevista hoje ao "Público", questionado sobre a possibilidade do BCP e do BPI se juntarem amigavelmente, Jardim Gonçalves afirmou que é a favor "de alguma concentração no sector". "Qual? A máxima", acrescenta.

Indagado se existem condições para que esta concentração em parceria avance, afirma que "esta matéria depende das duas instituições".

John dos Santos da Lisbon Brokers disse ao Jornal de Negócios Online que o

"comportamento das  acções do BCP está em linha com a volatilidade das últimas semanas", acrescentando que as notícias sobre a tomada de uma posição do BPI na AG "vêm aumentar ainda mais essa volatilidade".

Sobre a possibilidade de uma fusão amigável, afirma que é um cenário que "depende de muita coisa" e acrescenta que até ao início da próxima semana as acções do BCP deverão continuar com fortes oscilações em bolsa.

Luís Duarte do CaixaBI sublinha esta ideia e afirma que o recente reforço do BPI para 8,5% no capital do BCP e a tomada de posição na AG de 6 de Agosto são factores que estão a contribuir para que "o mercado volte a falar de uma fusão amigável" entre os dois bancos.

A mesma fonte acrescenta, no entanto, que este cenário dificilmente irá concretizar-se devido à hostilidade que se criou recentemente com a OPA hostil do BCP sobre o BPI.

Além disso, recorda que as "condições de mercado não se alteraram muito desde então e que os accionistas do BPI são os mesmo e chegaram mesmo a reforçar durante a OPA".

A suportar a evolução dos títulos do BCP poderá estar ainda o final do prazo para a compra de acções com vista a participação na AG de Agosto.

Segundo a Reuters, para os investidores que façam a liquidação financeira, através de um intermediário em "real time", o prazo para a tomada de posições para a AG de 6 de Agosto terminou hoje às 12h00.

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