Fed arranca ano sem mexer nos juros
O “status quo” era já esperado. A equipa de Jerome Powell quer mais sinais sobre o andamento da economia, com destaque para a inflação e para o emprego.
A Reserva Federal (Fed) norte-americana terminou a sua primeira reunião do ano sem mexer nos juros diretores, com a taxa dos fundos federais a manter-se num intervalo entre 3,5% e 3,75%.
O comunicado do Comité Federal do Mercado Aberto (FOMC) refere que houve 10 membros a favor da manutenção do atual nível da taxa de referência, ao passo que dois – os governadores Stephen Miran e Christopher Waller – defenderam um corte de 25 pontos base. Ainda segundo o documento, a Fed sinaliza uma "estabilização" da taxa de desemprego e sublinha que a atividade económica tem estado a expandir-se a um ritmo "robusto".
Na conferência de imprensa após o anúncio da decisão, Powell aludiu à fraqueza do mercado do imobiliário residencial, mas sublinhou - tal como no comunicado - a expansão da atividade económica, a um ritmo sólido, bem como a resiliência dos gastos dos consumidores e a prossecução do investimento por parte das empresas.
Powell também falou sobre a importância da independência da Fed. “A razão pela qual a independência é importante tem a ver com o facto de que permitir que os bancos centrais não sejam perfeitos, de um modo geral, mas sirvam bem as pessoas”, disse aos jornalistas.
Questionado sobre os seus planos para o futuro, Powell disse que não iria falar agora sobre o assunto. O seu mandato como presidente da Fed termina em maio, mas como governador só termina em 2028 – e Powell ainda não disse se pretende levar este mandato até ao fim.
O banco central dos Estados Unidos regressou em setembro de 2024 a uma fase de maior flexibilização da sua política monetária, tendo cortado a taxa dos fundos federais seis vezes desde então – a última das quais em dezembro passado. O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem insistido para que haja mais cortes, e de maior dimensão – o que ajudaria o republicano a colher mais frutos para as eleições intercalares de novembro –, mas o líder da Fed, Jerome Powell, tem resistido às tentativas da Casa Branca de mexer com a independência da autoridade monetária. E hoje a decisão foi a de um “status quo”.
Este era um anúncio já grandemente antecipado. “Diria que a decisão do FOMC será um pouco irrelevante”, já que “deverá fazer uma pausa para avaliar o impacto que os três cortes de 25 pontos-base realizados na parte final do ano passado tiveram na economia, à luz dos sinais preliminares de que o mercado de trabalho pode estar a estabilizar”, comentou Michael Brown, estratega sénior da Pepperstone, num “research” a que o Negócios teve acesso.
Ainda assim, Brown esperava que Powell e a sua equipa dessem sinais de haver mais margem para novos cortes, se bem que o timing para essas reduções dos juros dependa dos dados da inflação e do emprego – que constituem o duplo mandato da Fed.
A Administração Trump tem colocado uma pressão sem precedentes sobre Powell, no sentido de baixar os juros, com o chefe da Casa Branca a lançar ataques pessoais ao líder da Fed e com o Departamento da Justiça a abrir uma investigação criminal à forma como Powell geriu as obras nos edifícios do banco central. Foi o próprio Powell que o anunciou a 11 de janeiro, tendo deixado de lado a discrição habitual e acusado a Administração Trump e a investigação ser um pretexto para intimidar o banco central no sentido de cortar a taxa diretora.
A próxima reunião de política monetária da Fed decorre a 17 e 18 de março e nesse encontro serão também apresentadas as projeções económicas trimestrais, bem como o “dot plot” – mapa trimestral que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores. No “dot plot” de dezembro, a Fed sinalizou uma única descida, de 25 pontos-base, da taxa diretora em 2026.
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