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Já capitulou a aposta do mercado de mundo de taxas de juro negativas em 2021

"Bancos centrais que ainda não têm juros negativos serão muito cautelosos ao cruzar essa linha", disse James Ashley, responsável pela estratégia para mercados internacionais na Goldman Sachs Asset Management.

Bloomberg 19 de Dezembro de 2020 às 14:00
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No auge da pandemia, parecia apenas uma questão de tempo até que os juros negativos — último recurso dos bancos centrais — governassem os mercados globais.

A estratégia controversa gerou resultados mistos na Zona Euro e no Japão. Mas os operadores de mercado apostavam no início do ano que bancos centrais da Nova Zelândia, Reino Unido e até mesmo dos EUA estavam destinados a seguir o exemplo. Os três países foram os que cortaram as suas taxas de juros de forma mais agressiva durante a fase mais restritiva do confinamento exigido pelo coronavírus. Porém, nenhum dos três chegou aos juros negativos.

 

Agora os traders acham improvável um movimento dos juros abaixo de zero, com as autoridades a favorecerem amplamente uma nova combinação "convencional" de compras de títulos de dívida e programas de ajuda a setores específicos. Claro que biliões de dólares em dívidas vão continuar a ser negociadas com rendibilidades negativas, garantindo perdas para quem mantiver os títulos em carteira até à maturidade. Mas com o regresso do otimismo em relação ao crescimento global, os investidores preveem que os rendimentos vão subir e não cair.

"Bancos centrais que ainda não têm juros negativos serão muito cautelosos ao cruzar essa linha", disse James Ashley, responsável pela estratégia para mercados internacionais na Goldman Sachs Asset Management. Se as autoridades precisarem impulsionar o crescimento económico, "seria mais prudente simplesmente contarem com ferramentas não convencionais, como compras de ativos em grande escala".

 

Experiência Ousada

No que foi uma das esperiências monetárias mais ousados do Século XXI, os juros negativos foram implementados após a crise financeira para reduzir os custos de captação e penalizar bancos que acumulam em vez de emprestar dinheiro. As consequências para os mercados de dívida foram amplas e duradouras: o ritmo de negociações e os rendimentos afundaram. O stock mundial de dívidas com rendimento negativo subiu para um recorde de mais de 18 biliões de dólares neste mês. As taxas das obrigações espanholas a 10 anos caíram para abaixo de zero pela primeira vez. O mesmo aconteceu com as portuguesas. 

Mesmo com a estratégia de juros abaixo de zero, tanto a Europa como o Japão têm um crescimento fraco e não conseguiram impulsionar a inflação para atingir as metas definidas pelos bancos centrais. De facto, as taxas negativas podem ter corroído os lucros das instituições financeiras e prejudicado os aforradores. Jerome Powell, presidente Reserva Federal, o banco central americano, afirmou em maio que "as evidências sobre as taxas negativas são ambíguas".

"A Fed estudou políticas do Banco do Japão e do Banco Central Europeu", lembra Kenta Inoue, economista sénior de mercado da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities em Tóquio. "Neste momento, não há evidências sugerindo que a política de taxas negativas tenha impacto positivo na economia e nos mercados."

De certa forma, os bancos centrais que não tomaram este rumo foram poupados da decisão de levar os juros para território negativo graças ao sucesso de políticas alternativas e à melhoria no cenário económico global. Liderada pelo Fed, o fluxo de liquidez para o sistema financeiro reduziu os custos de captar financiamento. Além disso, o rápido progresso no desenvolvimento de vacinas antecipou as previsões de retorno à normalidade.


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