Ouro nos cofres do Banco de Portugal valoriza 4,3% para 19,8 mil milhões
Ao longo do ano passado, o país mudou o ouro que detinha em Nova Iorque para França para "melhorar a rendibilidade".
O ouro parado nos cofres do Banco de Portugal continua a ganhar valor ano após ano. Em 2021, as 382,6 toneladas do metal precioso detidas pelo país valorizaram 4,3% para um total de 19,8 mil milhões de euros, tendo o Banco de Portugal mudado parte das reservas de Nova Iorque para França para melhorar a rendibilidade.
"A reserva de ouro do Banco de Portugal ascendia a 19 796 milhões de euros no final de 2021, um acréscimo de 808 milhões de euros face ao valor registado em 2020, devido à evolução positiva da cotação da onça de ouro em euros. Esta evolução deveu-se ao efeito da valorização do dólar norte-americano face ao euro (+7,7%), uma vez que se verificou uma desvalorização do preço do ouro em dólares (-3,8%)", anunciou o banco central liderado por Mário Centeno, no Relatório do Conselho de Administração de 2021, divulgado esta terça-feira.
O aumento do valor do ouro em euros teve como contrapartida uma variação de balanço, de igual montante, na rubrica relativa a diferenças de reavaliação. No final de 2021, as diferenças de reavaliação do ouro totalizavam 16.763 milhões de euros. Em 2021, o Banco de Portugal continuou a efetuar aplicações em ouro, com o intuito da rentabilização deste ativo, que se traduziam, a 31 de dezembro, em empréstimos colateralizados.
Com o mesmo objetivo de maximizar os ganhos, em 2021, foi deslocalizado o ouro português depositado na Reserva Federal de Nova Iorque - um total de 3,7 toneladas - para o Banco de França. "Esta transferência foi efetuada com o objetivo de melhorar a rendibilidade do ouro sito no exterior e passar a respetiva localização para o Eurosistema", explica o Banco de Portugal.
O administrador do Banco de Portugal Hélder Rosalino avançou na apresentação do relatório que "os ativos físicos estão sujeitos a risco e o ouro para ser aplicado tem de estar em determinadas praças internacionais", enquanto também custos de custódia são tidos em conta. No complexo no Carregado estão 173 toneladas, enquanto no Banco de Inglaterra estão outras 186 toneladas. Há ainda outra pequena parte no Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).
O ouro detido por Portugal tem-se mantido inalterado já que, até final de 2019, havia um acordo entre bancos centrais - incluindo o europeu e o português - que impedia a venda do metal precioso. Portugal é, assim, um dos países do mundo com maiores reservas: o 14º a nível mundial e o sexto na Europa ocidental.
Sendo este o ativo-refúgio por excelência, a tendência de valorização deverá reforçar-se no período de guerra, antecipa Hélder Rosalino. "O ouro não é gerador de rendimento. Há uma estabilização. Temos 383 toneladas e é um valor estável", referiu, acrescentando que as reservas do país ganharam relevância a partir de 2016 com o contexto de taxas de juro negativas.
(Notícia atualizada)