Balanço do Banco de Portugal atinge recorde de 219 mil milhões. "É semelhante ao PIB português", diz Centeno
A valorização do ouro e os mega programas de compra de dívida contribuíram para o aumento do balanço do banco central nacional.
O balanço do Banco de Portugal já é tão grande como a economia portuguesa. O banco central fechou o ano passado com 219 mil milhões de euros em ativos, no valor mais elevado de sempre, que é superior em cerca de 27 mil milhões de euros ao de 2020, em larga medida devido à dívida comprada nos mega programas de estímulos monetários.
"O balanço é de 219 mil milhões de euros, semelhante, em dimensão, ao PIB português", afirmou o governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, na apresentação do Relatório do Conselho de Administração de 2021. "Tivemos um aumento do balanço explicado pelo aumento da política monetária e depósitos das instituições de crédito".
O incremento dos ativos de política monetária em 27 mil milhões de euros, deve-se a um aumento da carteira de títulos detidos para fins de política monetária de 17,1 mil milhões de euros, resultado das aquisições de títulos do novo programa de compras de emergência pandémica (PEPP) e de títulos do programa de compra de ativos do setor público em mercados secundários (PSPP).
Além disso, registou-se também um aumento de 9,6 mil milhões de euros das operações de refinanciamento. Os depósitos das instituições de crédito junto do Banco de Portugal refletiam no final do ano de 2021, um aumento de 26,9 milhões de euros face ao período homólogo, "em consequência da significativa injeção de liquidez resultante das referidas medidas de política monetária".
Em 2021, a evolução das demonstrações financeiras do Banco de Portugal continuou a ser impactada pela resposta ao prolongamento da crise pandémica, como explica o banco central liderado por Mário Centeno, no documento.
"O ouro teve também um efeito positivo no alargamento da dimensão do balanço do banco e são as grandes tendências", sublinhou Centeno, sobre o metal precioso, que valorizou 4,3% (o equivalente a 808 milhões de euros) para um total de 19,8 mil milhões de euros. O Banco de Portugal levou ainda a cabo uma recomposição dos ativos de gestão, decorrente do "aproveitamento de oportunidades de rentabilização" oferecidas pelo mercado.
(Notícia em atualização)