Perguntas & Respostas sobre o IPO da EDP renováveis
O Jornal de Negócios ajuda-o a "ler" os pormenores da operação de dispersão em bolsa da EDP Renováveis. Saiba em que lotes pode investir, quantas acções pode comprar ou como será definido o preço.
O Jornal de Negócios ajuda-o a "ler" os pormenores da operação de dispersão em bolsa da EDP Renováveis. Saiba em que lotes pode investir, quantas acções pode comprar ou como será definido o preço.
Porque está a EDP a fazer a operação?
Tendo em conta o preço médio do intervalo fixado para a venda das acções, a EDP Renováveis estima encaixar 1,78 mil milhões de euros (o valor assume a venda do lote suplementar e o desconto com o pagamento de comissões). O encaixe será utilizado para financiar a estratégia de negócio da EDP Renováveis, que passa por crescer de forma orgânica e através de aquisições, mas também para proceder ao reembolso de grande parte da dívida contraída junto do Grupo EDP, que, no final do primeiro trimestre, era de 2,37 mil milhões de euros.
Porque optou a EDP por aplicar um desconto de mais de 20% no preço das acções?
Os bancos de investimento responsáveis pela operação avaliaram a empresa num valor médio de 9,55 mil milhões de euros, mas o ponto médio do intervalo de preços definido pela Renováveis aponta para 7,5 mil milhões de euros. O desconto elevado é explicado pelo actual momento de turbulência que se vive nos mercados, que apesar de ter aliviado nas últimas semanas (o que permitiu à empresa avançar com o IPO) ainda persiste. Para assegurar o sucesso da maior operação de colocação em bolsa da Europa até à data este ano, a Renováveis optou por um preço que os analistas classificam de atractivo.
Nas últimas OPV, da REN e Martifer, as acções subiram bastante no primeiro dia de negociação. Espera-se o mesmo para a EDP Renováveis?
As entradas em bolsa destas duas cotadas ocorreram numa altura em que os mercados viviam uma fase estável (antes da crise do "subprime" rebentar no Verão passado). As acções tiveram uma estreia positiva, acompanharam depois a correcção dos mercados, mas, quer a Martifer, quer a REN, transaccionam hoje com uma cotação superior à da venda dos títulos aos investidores. No historial mais recente da bolsa portuguesa, as OPV têm sempre sido bem sucedidas, dado a forte procura de acções por parte dos investidores. Para a Renováveis estes dados não são ainda conhecidos (o período de subscrição arranca hoje), pelo que é ainda cedo para se perceber o interesse dos investidores e como se comportarão os títulos nos primeiros dias de negociação.
A Renováveis vai entrar no PSI-20?
É quase certo que a empresa terá lugar assegurado no principal índice da bolsa portuguesa. Resta saber quando. Pode ser incluída logo na estreia, se a Euronext tomar a mesma decisão aquando da estreia da Galp Energia. Ao abrigo da regra Inclusão Extraordinária de Novas Emissões, a Euronext decidiu integrar a Galp no PSI-20 logo uma semana depois da estreia em bolsa, em 2006. A petrolífera tinha uma capitalização bolsista de 4,8 mil milhões de euros na altura do IPO, pelo que, se a Euronext tiver o mesmo critério, dará também "luz verde" para a entrada directa da Renováveis na bolsa (a avaliação mínima é de 6,7 mil milhões de euros). Já a REN entrou numa revisão extraordinária efectuada em Setembro de 2007, cerca de três meses depois de ter entrado em bolsa. Neste contexto, mesmo que a Renováveis não entre directamente no PSI-20, deverá ingressar no índice quando houver a próxima revisão (em Setembro de 2008), já que será uma das cinco maiores empresas da bolsa portuguesa.
Quantas acções posso subscrever?
Depende que tipo de investidor é. Os trabalhadores podem dar ordens de compra até 1.200 acções e têm a garantia de que as suas ordens serão satisfeitas na totalidade. Os accionistas da EDP podem subscrever um máximo de 60 mil acções, mas depende do número de acções da eléctrica que tiverem em carteira (ver próxima resposta). O público, em geral, pode subscrever um máximo de 30 mil acções.
Sou accionista da EDP. Tenho vantagens?
Sim. Tem preferência no rateio das acções que serão atribuídas na oferta, face às transmitidas no público. Se tiver menos de 7.000 acções da EDP, pode subscrever um máximo de 60 acções da EDP Renováveis e à partida tem a garantia que as receberá. Se possuir mais de 7.000 acções, pode subscrever acções da renováveis equivalentes a 1% do total de acções da EDP detidas, sujeitas a um máximo de 60.000. Por exemplo, se na passada quinta-feira controlava 50 mil acções da EDP, poderá subscrever 500 acções da Renováveis. Tem a garantia que lhe serão atribuídas pelo menos 60, excepto se o número de acções a atribuir aos accionistas da EDP for superior ao número de títulos disponível para a oferta pública de subscrição (5% do capital da empresa).
Sou accionista da EDP. Posso dar mais do que uma ordem de compra?
Sim. Pode dar ordem no segmento B (dirigido a accionistas) e também no segmento C (para o pública em geral). Contudo, mesmo que tenha as suas acções da EDP em várias contas bancárias, só pode dar uma ordem no segmento B. Esta pode ter em conta o número total de acções que detém na EDP. Por exemplo, se tem 10 mil acções da EDP no banco A, e mais outras 10 mil nos bancos B, C e D, poderá dar uma ordem máxima de 200 acções, tendo que provar no banco que fizer a subscrição a titularidade de todas as acções que possui.
Não sou accionista. Posso dar mais do que uma ordem de compra de acções?
Não. Só poderá dar uma ordem de compra na tranche do público em geral.
E se for trabalhador e accionista?
Poderá dar três ordens, uma para cada segmento (Trabalhadores, Accionistas e Público em geral).
Vai haver desconto para os pequenos investidores?
Só os trabalhadores beneficiam de um desconto de 5%, tendo que manter as acções em carteira até 17 de Julho.
Qual a vantagem de fazer a subscrição durante esta semana (até 26 de Maio)?
No caso de as acções subscritas excederem as disponíveis haverá lugar a rateio. As ordens dadas esta semana beneficiam de um coeficiente de atribuição de acções 100% superior aos que apresentarem na segunda fase (entre 27 a 30 de Maio).
Até quando posso anular as ordens de subscrição?
As ordens são irrevogáveis a partir de 27 de Maio, pelo que pode anular as ordens de subscrição de acções apenas até 26 de Maio, ou seja, na primeira fase do período de subscrição.
Vou subscrever acções da primeira fase. Posso dar ordens também para a segunda?
Não. Para cada segmento só pode fazer uma subscrição de acções, independentemente da fase em que escolher.
Como vai ser fixado o preço de venda das acções?
O preço vai ser definido pela EDP Renováveis e terá em conta o método conhecido por "bookbuilding". Este resulta da "consulta alargada efectuada a determinados investidores qualificados, nacionais e estrangeiros, com vista a apurar o interesse na subscrição/aquisição de acções permitindo, desta forma, que o preço reflicta o resultado dessa consulta alargada". Será assim o mercado a ditar o preço de venda das acções (que será o mesmo para os investidores institucionais e pequenos investidores). Mas será sempre a EDP Renováveis a tomar a decisão final, que será conhecida a 2 de Junho, dia da sessão especial de bolsa para apurar os resultados da operação. O preço terá sempre que ficar dentro do intervalo pré-definido (entre 7,40 e 8,90 euros).
E quando vou poder começar a negociar as acções?
Logo no dia de estreia em bolsa, que está agendada para 4 de Junho. Só os trabalhadores têm uma inibição de 45 dias.
As acções atribuídas aos investidores institucionais também serão admitidas a 4 de Junho?
Não. As acções da venda institucional só serão admitidas a 6 de Junho, dois dias depois das vendidas na oferta pública de subscrição, destinada aos pequenos investidores.
Qual a dimensão do lote suplementar?
29.403.646 acções representativas de 3,26% do capital social da EDP Renováveis podem ser alienadas pelo emitente e oferente em virtude do exercício da opção de compra pelo sindicato de venda institucional no âmbito da distribuição do lote suplementar de acções, opção conhecida por "greenshoe". Este exercício poderá ser efectuado nos 30 dias posteriores à admissão das acções em bolsa.
Quando vou receber dividendos da EDP Renováveis?
Só em 2011 a empresa prevê pagar dividendos, referentes ao exercício de 2010. A companhia pretende direccionar pelo menos 20% dos lucros obtidos nesse ano para remunerar os accionistas. Mas alerta que pode ajustar esta política de dividendos, caso seja necessário, de modo a reflectir, entre outros aspectos, alterações à estratégia de negócio e às necessidades de capital, dependendo eventuais dividendos futuros das condições verificadas no momento.
Haverá algum banco a estabilizar o preço das acções depois da estreia?
Sim. A Morgan Stanley poderá realizar operações com vista a estabilizar o preço das acções a um valor superior àquele que poderia de outro modo resultar do funcionamento do mercado. Dito de outra forma, se as acções da EDP Renováveis apresentarem um desempenho negativo após a estreia, este banco de investimento poderá travar a queda dos títulos. Estas operações podem ser realizadas durante 30 dias a partir de 4 de Junho, mas não há garantia que venham a ser realizadas.