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Preço de conversão do BCP fixado em 2,449 euros (act)

O preço de conversão do BCP 2005 ficou fixado nos 2,449 euros, e se a subscrição for de 100%, o BCP encaixará 700 milhões, emitindo 285,83 milhões de acções em 2005, revelou ao Negocios.pt fonte do banco.

Negócios negocios@negocios.pt 23 de Dezembro de 2002 às 18:01
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O preço de conversão do BCP 2005 ficou fixado nos 2,449 euros, e se a subscrição for de 100%, o BCP encaixará 700 milhões, como pretendido, emitindo 285.830.951 de acções em 2005, revelou ao Negocios.pt fonte do banco. Os analistas prevêem que a cotação caia no longo prazo, adiantando que as cláusulas do produto protegem o BCP.

O preço de conversão da emissão de valores obrigatoriamente convertíveis pelo Banco Comercial Português (BCP) [BCP] resultou da cotação média ponderada das acções do banco desde o dia 18 de Dezembro até à sessão de hoje. O banco ainda não confirmou os resultados finais da subscrição

Tendo em conta que a emissão foi subscrita a 100%, o valor a ser encaixado pelo BCP, até ao final do ano, será de 700 milhões de euros. Quanto mais baixo fosse o preço de conversão, maior seria o número de acções necessárias para reembolsar os accionistas.

Uma emissão de risco; cláusulas protegem BCP

A Standard & Poor"s (S&P) atribuiu à emissão do BCP 2005 um «rating» de longo prazo de «BBB-».

A atribuição deste «rating», três lugares abaixo da classificação de «A-1» atribuída às responsabilidades de longo prazo, é justificada pela agência «com o risco associado ao recebimento dos cupões fixos até ao período de maturidade e de respectiva conversão».

A emissão do BCP 2005 garantirá aos detentores um juro anual nominal bruto de 9%, com pagamentos trimestrais, ainda deduzido de montantes ficais.

Segundo um analista de banca contactado, «o juro de 9% é alto, mas é o preço ou o prémio que o BCP teve de pagar para convencer os investidores da estratégia futura do banco».

No entanto, e segundo informação do banco, «o pagamento dos juros está dependente da existência de lucros distribuíveis no exercício anterior e de o rácio de solvabilidade em base consolidada , reportado ao final do semestre anterior e com prévia dedução ao valor dos fundos próprios do montante dos juros dos Valores, não ser inferior ao fixado pelo banco de Portugal».

Segundo a S&P, esta cláusula permitirá ao banco «preservar o cash» caso se encontre em dificuldades, acrescentado que os fundos agora encaixados «vão ser permanentes», e incluídos nos capitais próprios, o que «melhorará a qualidade dos seus capitais».

A possibilidade de conversão antecipada, sob determinadas condições, concede ainda maior flexibilidade ao banco, e neste caso, o actual preço de conversão será ajustado por um desconto em função do prazo remanescente.

Para um investidor contactado, «estas cláusulas dão alguma segurança e protegem o BCP, em caso de dificuldades».

Risco de queda suportado pelos investidores; última dívida a ser paga

Para a S&P, «os investidores do BCP 2005 irão suportar na integra o risco de queda das acções do BCP».

A emissão «assemelha-se a um activo híbrido, que se comportará fortemente como uma acção ordinária, à excepção do facto de pagar um cupão fixo».

O cupão fixo destes valores convertíveis na liquidação não terão prioridade sobre outras dívidas subordinadas do banco, bem como outras emissões «senior» emitidas pelo banco, ou seja, serão as últimas a serem contempladas com o reembolso.

O rácio de solvabilidade do BCP, um dos itens cuja queda poderá permitir suspender o pagamento dos juros, bem como antecipar a conversão, no final dos primeiros nove meses do ano, era de 8,5%, contra o limite e 8% imposto pelo Banco de Portugal.

O banco irá solicitar à Euronext Lisbon a admissão à negociação dos títulos BCP 2005, pelo que a partir dessa data, poderão ser negociados livremente em Bolsa, um factor que, segundo um analista, «garantirá a liquidez aos títulos, passando estes a ter uma correlação positiva com a cotação das acções ordinárias do banco».

Cotação do BCP em 2005 determina rendibilidade do investimento

Um investidor com 10 mil acções do banco, teve direito anteriormente a mil direitos, ou seja, com a possibilidade de subscrever 603 valores convertíveis, dado ter sido estabelecido um arredondamento por defeito.

Este investidor, dado o preço de subscrição de 5 euros, terá um investimento de 3.015 euros. Em Dezembro de 2005, e dado o preço de conversão de 2,449 euros, terá o direito a ter 1.231 acções ordinárias do BCP, neste caso, dado a inexistência de casa fraccionárias, não receberá valor em «cash».

No vencimento, caso o BCP esteja a cotar em 2,80 euros, as acções então recebidas renderiam um valor ao investidor de 3.172,4 euros, contra um investimento inicial de 3.015 euros. Se o BCP, na data, cotar a 2,20 euros, ficaria a perder 17%, descurando o valor dos juros até então recebidos. O comportamento do BCP 2005 assemelha-se desta forma a um investimento em acções, já que os 5 euros de valor nominal investidos não são garantidos.

BCP com tendência de queda no longo prazo

Para Vasco Balixa da OK2Deal, a tendência técnica das acções do BCP é de queda contínua no longo prazo.

No curto prazo, o banco está com uma tendência de subida, iniciada em finais de Outubro, «estando actualmente a consolidar essa subida».

Desde o mínimo anual de 1,77 euros firmado a 23 de Outubro, o BCP já recuperou cerca de 40%.

O papel tem uma resistência «forte» no curto prazo nos 2,83 euros, mas quebrando os 2,52 euros, poderá testar esse patamar. O analista sugere um suporte de 2,38 euros, e ultrapassando este limiar, poderá escorrer até aos 2,20 a 2,21 euros.

As acções do BCP encerraram nos 2,35 euros, a desvalorizar 2,08%.

Por Pedro Carvalho.

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