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Risco está nos produtos mais "simples"

O pós-crise trouxe um ambiente de taxas de juro historicamente baixas e novos "riscos". Segundo Carlos Tavares, presidente da CMVM, há agora novas zonas de risco nos produtos mais simples.

Pedro Elias/Negócios
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 07 de Novembro de 2016 às 16:51
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O ambiente de baixas taxas de juro está a ter impacto na forma de investir. Sem alternativas de retornos nos produtos mais conservadores, os investidores estão a ser forçados a apostar noutro tipo de activos e a assumir mais risco. Para Carlos Tavares, presidente da CMVM, esta nova conjuntura criou "novas zonas de risco, desta vez em produtos mais simples".

Com os Estados endividados, têm sido os bancos centrais mundiais a assumir as rédeas, através da implementação de medidas monetárias pouco convencionais, que conduziram a taxas de juro historicamente baixas. Um ambiente que, segundo um paper realizado pelo presidente da CMVM, está, por um lado, a inflacionar os preços dos activos e, por outro, a mudar a forma de investir.

"Novas zonas de risco surgiram, desta vez em produtos mais simples - como os riscos de crédito e taxa de juro no mercado obrigacionista – ou em novos produtos complexos (ex. ETF, opções binárias) e mesmo como consequência não desejada da nova regulamentação", explica Carlos Tavares. Há cada vez mais investidores a apostarem em activos como os ETF, mas nem sempre reconhecem a complexidade destes produtos, que podem assumir outras características como a possibilidade de alavancar o investimento e apostar na queda.

Estes novos riscos surgem assim num momento em que "alguns mercados accionistas, cujos preços não encontram fundamento evidente no desempenho das respectivas empresas emitentes", um comportamento que remete para o que acontecia no período pré-crise financeira. Já na dívida, tem-se vindo a registar "uma persistente e forte expansão dos preços, traduzida em taxas de retorno cada vez mais baixas, incluindo a situação peculiar de 'yield' negativo nas emissões de alguns estados soberanos".

"Note-se que a procura de rendimentos mais elevados tem também arrastado uma maior exposição ao risco de crédito, através de um aumento muito significativo das obrigações ‘high yield’ (e alto risco)", acrescenta o mesmo documento, onde o presidente da CMVM reflecte sobre o que aprendemos com a crise financeira. E no sector imobiliário, a situação também tem "revelado indicadores avançados relevantes das crises financeiras".

Bancos menos expostos ao risco

Com tantos comportamentos de risco semelhantes ao que acontecia na crise de 2007 e 2008, Carlos Tavares nota uma mudança: "tudo indica que os bancos terão gerido razoavelmente a sua exposição directa aos activos com maiores riscos (acções, obrigações de empresas, imobiliário)". Já os investidores institucionais e individuais deverão ser os mais penalizados em caso de crise.

À excepção da dívida soberana, que continuará maioritariamente nas mãos dos bancos, "os fundos de investimento e outras entidades financeiras não bancárias deterão hoje importantes posições em acções, obrigações ‘high yield’ e de longa duração e activos imobiliários, decorrentes dos já assinalados comportamentos de ‘search for yield’".

Por outro lado, "nova é também a situação de parte significativa dos riscos (sobretudo de taxa de juro) acumulados no mercado obrigacionista estarem nos balanços muito ampliados dos bancos centrais, o que, para além do mais, representa um constrangimento à prossecução dos seus próprios objectivos".

Carlos tavares conclui, assim, que apesar das refoemas implementadas desde a crise, estas ficaram aquém do desejável. Pelo que, "as políticas de gestão de riscos e os comportamentos de diversas variáveis trazem-nos muitas vezes a indesejável memória dos anos que precederam 2007/2008".
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