Martifer - Estruturas metálicas promovem crescimento ameaçado por biocombustíveis

A Prio pode condicionar a expansão da companhia de Oliveira de Frades.
Raquel Godinho e Patrícia Abreu 17 de Junho de 2008 às 07:00

“É uma empresa que está numa fase de crescimento muito acentuado. A visibilidade dos resultados vai aumentar e parecem correctos os investimentos que está a fazer na área de ‘energy systems’”, realçou Bruno Almeida da Silva, analista do BPI, ao Jornal de Negócios, via e-mail, recentemente.

Esta visão é, também, partilhada pelo Caixa BI, que considera que a Martifer é “uma história escrita em crescimento com a ambição de ser a cor dominante”. Esta expansão poderá ser favorecida pelos projectos a serem adjudicados em Portugal, na área de estruturas metálicas.

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Numa análise de “research” recente, o Millennium bcp adianta que a geração de electricidade, apesar de parecer atractiva, “não é o ‘core business’ e pode distrair a gestão”. Quanto aos biocombustíveis, a Prio “é, provavelmente, a decisão da administração mais difícil de explicar”, afirmação que é explicada pelo analista António Seladas com base na forte pressão sobre a rentabilidade e devido a um conjunto de aspectos, como “o excesso de capacidade, falta de subsídios do Governo e forte subida nos preços das matérias-primas”.

As “commodities” já atingiram vários máximos históricos, o que tem penalizado o negócio dos biocombustíveis, gerando uma discussão em torno da viabilidade da utilização de alimentos para a produção de combustíveis. “Do nosso ponto de vista, a gestão deve tentar vender a unidade (Prio), em vez de aumentar o capital investido”, conclui António Seladas, na mesma nota.

Depois de resultados no primeiro trimestre de 2008 aquém das expectativas dos analistas, a empresa volta-se agora para os objectivos fixados para este ano. A Martifer prevê que os proveitos consolidados totalizem 965 milhões de euros, mais 86,11% que em 2007, e que o EBITDA atinja os 80 milhões, mais 116,22% que no ano anterior, com a energia e os biocombustíveis a serem apontados pela companhia como os principais catalisadores para este desempenho.

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Para Teresa Caldeira, analista do Caixa BI, o plano de crescimento da Martifer é “muito agressivo e ambicioso, implicando uma imensa injecção de capital da empresa, que vai precisar de investir fortemente nos próximos anos e isso pode adicionar alguma pressão ao desempenho da companhia no curto prazo”, refere num “research” recente. Ainda no final da semana passada, a empresa anunciou a construção de uma central eléctrica termo-solar híbrida nos Estados Unidos da América, num investimento no valor de 450 milhões de dólares.

Evolução da Martifer desde o início do ano.

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A estreia da empresa foi em Junho do ano passado e, apesar de o preço de referência ter sido fixado nos oito euros, a primeira cotação registada foi nos 12 euros por acção. Desde então, a empresa acumula uma perda de 40%, acentuada pela queda de 11,66%, em 2008. O título acompanha as quedas generalizadas dos mercados de capitais, mas, ainda assim, recua menos que o PSI-20 (21,85%). O plano de crescimento da Martifer poderá impulsionar o título.

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O resultado líquido atribuível ao grupo caiu quase 70% nos primeiros três meses do ano, penalizado pelos elevados investimentos e pelo crescimento da dívida líquida.

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