Depósitos das famílias em recorde. Crédito ao consumo dá maior salto desde fim de 2024
Os clientes guardaram mais poupanças nos bancos em Portugal e pediram mais crédito em fevereiro.
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As famílias voltaram a reforçar o aforro que têm parado nos cofres dos bancos em fevereiro, apesar da contínua quebra na remuneração que rende. O "stock" de depósitos de particulares nos bancos residentes totalizava 201,1 mil milhões de euros no mês passado, mais 434 milhões do que em janeiro, segundo dados divulgados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal.
Esta subida - que atirou o total para um novo máximo de sempre - refletiu um aumento de 132 milhões de euros nas responsabilidades à vista (maioritariamente depósitos à ordem) e de 302 milhões nos depósitos a prazo (que incluem depósitos com prazo acordado e depósitos com pré-aviso). Em termos homólogos, o stock de depósitos de particulares manteve a taxa de crescimento observada em janeiro, de 4,4%.
Já no caso das empresas, o stock de depósitos nos bancos residentes atingiu 73,8 mil milhões de euros no final de fevereiro, mais 508 milhões do que no final do mês anterior. A taxa de crescimento anual aumentou para 7,9%, acima dos 7,7% registados em janeiro.
Os dados do Banco de Portugal indicam ainda que, em fevereiro de 2026, o montante total de empréstimos concedidos a particulares cresceu 9,8%, à semelhança do observado em janeiro. Para a habitação houve um aumento de 747 milhões de euros, atingindo 112,4 mil milhões de euros no final de fevereiro - o que significa um crescimento homólogo de 10,4%.
O montante de empréstimos ao consumo e outros fins subiu 159 milhões de euros em fevereiro, totalizando 34,0 mil milhões de euros. A taxa de variação anual manteve-se em 7,9%, refletindo uma descida, para 8,7%, nos empréstimos para outros fins e uma subida, para 7,5%, nos empréstimos para consumo. A taxa de variação anual dos empréstimos para consumo foi a mais elevada desde dezembro de 2024.
O crédito a empresas, por seu turno, atingiu 74,5 mil milhões de euros, mais 442 milhões do que no final de janeiro. Em comparação com o mês homólogo, observou-se um crescimento de 4,1%, acima dos 3,7% registados em janeiro. Os empréstimos às microempresas e às pequenas empresas continuaram a crescer relativamente ao período homólogo, enquanto as médias e grandes empresas mantiveram taxas de variação anuais negativas.
Em termos setoriais, a construção e atividades imobiliárias voltaram a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 10,1% (8,7% em janeiro). Nos setores do comércio, transportes e alojamento, a taxa de variação anual aumentou para 4,4% (3,8% em janeiro). O crédito ao alojamento e restauração e ao comércio cresceram 5,3% e 6,0%, respetivamente, em termos homólogos, enquanto o crédito ao setor dos transportes e armazenagem diminuiu 1,4%. O setor das indústrias e eletricidade apresentou uma taxa de variação anual de -2,3% (-2,1% em janeiro).