Ofereça ganhos com chocolate no Dia dos Namorados
O maior produtor mundial de cacau está a ferro e fogo. Um especulador tornou-se demasiado guloso. As alterações climáticas limitam a capacidade produtiva das plantações. Conclusão: investir no chocolate pode dar muito cacau.
A turbulência política na Costa do Marfim, as dificuldades produtivas resultantes das alterações climáticas e a usurpação de uma grande parte das reservas europeias por um único investidor apontam o sentido ascendente para o preço do cacau. Em 2010, o preço nos mercados internacionais deslizou ligeiramente.
O "Financial Times" não podia ter explicado melhor: "A indústria do cacau parou numa altura em que deveria ser o período mais intenso de colheita." Este é o resultado da crise política na Costa do Marfim, onde, apesar das eleições terem nomeado Alassane Ouattara, o presidente cessante, Laurent Gbagbo, não abre mão do poder, argumentando fraude eleitoral. A pressão internacional, que inclui o fechar das portas ao comércio costa-marfinense, passa ao lado de Gbagbo, mas não do mercado de mercadorias. Está em causa o envio de um terço da produção mundial de cacau para as fábricas dos criadores de chocolate.
A gula de Anthony Ward
Em Julho, o "New York Times" contou que existe "um Willy Wonka da vida real", referindo-se ao excêntrico chocolateiro da história "Charlie e a Fábrica de Chocolate". Através da sociedade Armajaro, Anthony Ward, um gestor de activos especializado no mercado das mercadorias, comprou a quase totalidade das reservas de cacau da Europa. Foram 240 mil toneladas da matéria-prima, o equivalente a quase 7% da produção anual do mundo e mais do que a capacidade produtiva dos Camarões, o quinto maior exportador de cacau.
Muitos intervenientes na praça de Londres, onde Ward investiu, defenderam que o especulador queria pressionar a cotação do cacau para a subida, vendendo posteriormente com um apetitoso ganho. A associação alemã de comerciantes de cacau chegou a escrever à bolsa londrina a reclamar. Contudo, algumas vozes mais próximas de Anthony Ward dizem que ele está a apostar na quebra da oferta.
Enquanto a procura continua a crescer, em resultado de uma cada vez mais numerosa classe média em todo o mundo, a oferta está a descer: nos dois últimos anos, a produção mundial caiu quase 4%, segundo a Organização Internacional do Cacau. As alterações climáticas colocam as plantações à mercê das pestes e doenças, como a frequente doença fúngica da podridão-parda, e encurtam a vida útil dos cacaueiros. Além disso, as plantações esgotam rapidamente os nutrientes da terra, reduzindo progressivamente a sua produtividade.
Graças à forte procura, os fabricantes de chocolate deverão conseguir passar a escalada dos preços do cacau para os consumidores finais, tornando-se, assim, boas apostas para os investidores. Contudo, o mercado chocolateiro é tendencialmente familiar ou disperso por grandes grupos económicos de actividade diversificadas. Desde que a Cadbury foi adquirida pela Kraft Foods, há um ano, restou apenas uma grande empresa dedicada quase exclusivamente à produção de chocolate: a norte-americana The Hershey Company, conhecida simplesmente por Hershey's. Esta empresa, responsável pela marca Kit Kat nos Estados Unidos da América através de um contrato que celebrou com a Nestlé, vale actualmente mais do que a Portugal Telecom ou do que a Jerónimo Martins.
A escassez de cacau no mercado - bem como de outras matérias-primas como o açúcar, o gás e o milho - não é uma grande preocupação para a Hershey's. A todo o momento, a administração do grupo tem contratos que lhe garantem entre três e 24 meses de necessidades produtivas. A sociedade gasta 2,4 mil milhões de euros por ano na produção de chocolates, o que representa cerca de 57% do valor das vendas.
Além da Hershey's, há outros produtores de chocolates listados na bolsa, mas o negócio chocolateiro representa pouco na sua facturação. É o caso da americana Kraft Foods e da Suíça Nestlé, cujas divisões dos chocolates e doces representam 28% e 10% das receitas, respectivamente. A Kraft é a dona das marcas Cadbury e Milka e a Nestlé dos chocolates Kit Kat e Smarties.
Líder problemático
A Costa do Marfim, o maior produtor de cacau, está envolvida num conflito político. A sua produção caiu 14% nos dois últimos anos. Estas são as quotas de mercado da produção mundial, que se cifrou em 3,6 milhões de toneladas na época 2009-2010, o suficiente para produzir 75 mil milhões de barras de chocolate. 
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Não precisa de ir ao supermercado comprar algumas saquetas de cacau em pó para apostar na subida da matéria-prima. Consegue especular na alta através da bolsa
Através de um intermediário financeiro ligado a uma das duas maiores bolsas de derivados de mercadorias - a Nymex, em Nova Iorque, e a Ice, em Londres -, é possível investir em contratos de futuros sobre o cacau, isto é, especular sobre o preço que esta matéria-prima terá nos próximos meses. Foi na Ice que o gestor Anthony Ward adquiriu 7% das reservas globais de cacau. Contudo, como estas praças são destinadas a investidores muito sofisticados, a maioria que quer apostar na escalada do bem deve optar por fundos de investimento expostos ao cacau.
É possível encontrá-los na bolsa de Londres. O veículo mais popular para apostar na subida do cacau é o ETFS Cocoa. Este organismo investe indirectamente em contratos de futuros sobre o cacau, mas é preciso ter cuidado com as comissões que lhe podem cobrar - directa e implicitamente. Sem contar com as comissões de bolsa dos intermediários financeiros, a aposta no ETFS Cocoa "rendeu" um prejuízo de 1,78% em 2010, apesar da perda dos contratos sobre o cacau não ir além dos 0,04%, segundo a Bloomberg.
A entidade gestora do ETFS Cocoa, a ETF Securities, facilita, ainda, a aposta na queda do cacau e especulação alavancada na subida. O ETFS Short Cocoa deverá perder o equivalente aos ganhos do ETFS Cocoa e ganhar o que ETFS Cocoa perde. O ETFS Leverage Cocoa deverá ganhar (ou perder) diariamente o dobro do ETFS Cocoa. Se a versão não alavancada é tão volátil como as acções da Hershey's, a opção alavancada pode tirar a respiração aos investidores mais agressivos devido aos numerosos saltos da sua cotação. Estes instrumentos financeiros podem ser negociados como se fossem acções.
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Além de chocolates, é normal dar flores, jóias e jantares românticos no Dia dos Namorados. Embora possa fazer feliz a sua cara- -metade, as flores murcham, as jóias perdem o brilho e os jantares românticos duram pouco. Neste ano, ofereça investimentos para o futuro.
Ouro fica sempre bem
Gold Bullion Securities
Os metais preciosos reluzem nos olhos de muitas namoradas e namorados por esse mundo fora. Se isso acontece com o seu parceiro(a), pondere trocar os habituais anéis, brincos, colares e relógios em ouro pelo investimento na própria matéria-prima. Contudo, não vá a uma joalharia: compre acções do Gold Bullion Securities. Ao adquirir títulos deste veículo de investimento está na verdade a comprar uma porção de ouro. Por menos de 100 euros, cada unidade do Gold Bullion Securities, que pode ser negociada nas bolsas de Londres e de Paris, representa cerca de três gramas de ouro.
Ao volante de uma bomba
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Conduzir um automóvel de luxo é um dos maiores desejos da sua cara-metade, mas não está ao alcance de todos poder gozar a velocidade de uma bomba. Neste Dia de S. Valentim, se não pode oferecer o carro que não pára de buzinar nos sonhos do beneficiário do seu presente, dê-lhe acções do construtor automóvel desse veículo. Se tiver dúvidas, opte pelos Mercedes da alemã Daimler.
É o fabricante de automóveis de luxo que os analistas mais apreciam.
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