Comentários do Irão sobre fecho de Ormuz penalizam bolsas europeias. Banca afunda 3,5%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
- 15
- ...
Comentários do Irão sobre Ormuz prolongam descidas das bolsas europeias. Banca afunda 3,5%
As bolsas europeias continuaram a trajetória de queda por mais uma sessão, com o pessimismo a adensar-se depois de o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, ter dito que o estreito de Ormuz vai continuar encerrado, aumentando as preocupações dos mercados financeiros sobre uma disrupção mundial sobre abastecimento energético - o Brent chegou esta tarde a voltar a negociar acima dos 100 dólares por barril.
O estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo mundial - e cerca de 20 milhões de barris por dia - continua efetivamente fechado e levou os principais produtores do Golfo a reduzirem a produção.
Neste contexto, o índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cedeu 0,61%, para os 598,86 depois de ter chegado a cair mais de 1% durante a sessão.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 0,21%, o espanhol IBEX 35 caiu 1,22%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 0,71%, o francês CAC-40 recuou igualmente 0,71%, ao passo que o britânico FTSE 100 registou perdas de 0,47%. O neerlandês AEX acompanhou a tendência e cedeu 0,23%.
A banca continua a ser um dos setores mais prejudicados pela guerra no Irão. Nesta sessão perdeu 3,5%, pressionado sobretudo pelo Deutsche Bank, que registou a maior queda, de 5,3% depois de o credor ter sinalizado uma exposição de 26 mil milhões de euros ao crédito privado, uma classe de ativos que está a enfrentar limitações aos resgates de fundos.
"As preocupações com o crédito privado, que surgiram bem antes dos ataques dos EUA ao Irão, estão a adensar o clima negativo, apesar do facto de os bancos europeus terem pouca exposição a essa classe de ativos", disse Jerome Legras, diretor de research da Axiom Alternative Investments, à Bloomberg.
Noutras ações, a Zalando subiu 9,5% depois de ter divulgado os resultados e anunciado que a Levi Strauss & Co. será o primeiro cliente norte-americano do seu software business-to-business.
Noutros lugares, as ações de materiais de construção caíram depois de a Comissão Europeia ter afirmado que está a considerar flexibilizar as regras de fornecimento de licenças de emissão de carbono e permitir mais ajuda estatal como parte de um plano de emergência para reduzir os preços da energia em alta. A Heidelberg Materials tombou 4,5%, enquanto a Holcim caiu 3,7% e a Buzzi SpA 3,1%.
Juros agravam-se na Zona Euro. "Yield" das Bunds toca no nível mais alto desde 2023
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro registaram novamente um agravamento, enquanto os investidores continuam a vender as suas obrigações, uma vez que ainda há preocupações contínuas de que o aumento dos preços do petróleo vai alimentar uma subida na inflação no bloco.
Os mercados veem um risco crescente de que os preços do petróleo, que continuam a subir nos mercados internacionais, levem o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra a aumentar as taxas de juro nas próximas reuniões.
De acordo com os estrategas do Morgan Stanley, citados pela Bloomberg, os investidores estão a sobrestimar as hipóteses numa subida dos juros, ao reagir "exageradamente" aos recentes comentários dos membros da entidade monetária. Ao mesmo tempo, assumem que o conflito no Irão não vai abrandar antes da reunião do banco liderado por Christine Lagarde, na próxima semana. O banco norte-americano recomendou, assim, para que o mercado se posiciona para menos aumentos das taxas este ano.
“A médio prazo, acreditamos que o BCE e os investidores provavelmente prestarão atenção ao impacto dos preços mais altos da energia sobre a atividade, e não apenas sobre a inflação”, escrevem Luca Salford e Maria Chiara Russo, numa nota citada pela agência financeira.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, aumentaram em 5,3 pontos-base, para 3,392%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade seguiu a mesma tendência e acelerou 5,2 pontos, para 3,457%. Já os juros da dívida soberana da Itália agravaram-se em 7,9 pontos, para 3,744%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa subiu 5,6 pontos, para 3,623%, ao passo que a yield das Bunds alemãs, referência para a região, registou um aumento de 2,5 pontos, para os 2,954% - o nível mais alto desde outubro de 2023.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, registaram o maior agravamento, de 8,7 pontos-base, para 4,773%.
Dólar ganha força com subida do crude e menor expectativa de corte de juros nos EUA
O dólar segue a registar ganhos nesta quinta-feira, aproximando-se dos seus níveis mais altos deste ano, à medida que o aumento dos preços do crude gera preocupações sobre a economia europeia, dependente das importações de energia, e leva os investidores a reforçar apostas na “nota verde” enquanto ativo-seguro. Também uma menor expectativa em relação a um corte de juros pela Reserva Federal norte-americana durante este ano segue a impulsionar a divisa norte-americana.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – sobe 0,40%, para os 99,629 pontos.
Os preços do petróleo subiram acentuadamente, com o Irão a intensificar os ataques a instalações petrolíferas e de transporte pelo Médio Oriente, alimentando preocupações em relação a um conflito prolongado e uma potencial interrupção do fluxo de petróleo. O novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, prometeu na quinta-feira manter o Estreito de Ormuz fechado.
Nesta linha, os maiores importadores mundiais de energia viram as suas moedas registarem as maiores perdas em relação ao dólar desde o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão. A rupia indiana e o iene japonês perderam mais de 1,5% cada, enquanto o euro e o won coreano já perderam cerca de 2% e 3%, respetivamente.
A esta hora, o dólar valoriza 0,16%, para os 159,210 ienes.
Já pela Europa, a libra perde 0,48%, para os 1,335 dólares e o euro recua 0,46%, para os 1,151 dólares. Os "traders" estão agora focados nas reuniões da próxima semana da Fed, do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra para avaliar como é que os decisores de política monetária reagirão à perspetiva de um choque nos preços da energia.
Ouro e prata perdem terreno com dólar mais forte
O ouro está a negociar com desvalorizações esta tarde, depois de os dados da inflação vindos dos EUA terem diminuído as perspetivas de cortes nas taxas de juro, alimentando uma recuperação do dólar, à medida que os preços do crude continuam a escalar devido à guerra no Médio Oriente.
A esta hora, o metal amarelo recua 0,85%, para os 5.132,460 dólares por onça.
Mesmo que a inflação subjacente nos EUA referente a fevereiro tenha permanecido moderada, as preocupações com futuras subidas dos preços relacionadas com o conflito no Médio Oriente levaram os “traders” a reduzir algumas das suas apostas em relação a cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal este ano, fator que pressiona o ouro, que não rende juros.
Desde o início da guerra, o volume de ouro detido por fundos negociados em bolsa diminuiu, com as participações da semana passada a registarem a maior queda em mais de dois anos, divulga a Bloomberg. “Acho que o que vamos ver é uma maior procura por ouro a partir disso”, disse à agência de notícias financeiras Jeff Currie, da Carlyle Group.
O ouro já valorizou quase 20% desde o início deste ano, com os ganhos a serem sustentados pela procura pelo metal amarelo enquanto ativo-refúgio, à medida que as tensões geopolíticas aumentam. Ainda assim, o impulso ascendente do ouro estagnou desde o início da guerra, a 28 de fevereiro.
No que toca à prata, o metal precioso negoceia com perdas de 1,17%, para os 84,735 dólares por onça.
Brent volta a bater os 100 dólares depois de declarações de Khamenei
Os preços do petróleo continuam a valorizar nesta quinta-feira, à medida que aumentam os ataques a navios no Estreito de Ormuz e já depois de o novo líder supremo do Irão ter dito que quer manter a via marítima fechada. O crude volta agora a ultrapassar os 100 dólares por barril, depois de ter reduzido alguns dos ganhos que vinha a registar na sessão.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – sobe 9,44%, para os 95,49 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – pula 8,94% para os 100,20 dólares por barril.
O tráfego de navios através do Estreito de Ormuz está maioritariamente interrompido desde o início da guerra e o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou hoje que era improvável que as escoltas militares a embarcações começassem antes do final do mês. Teerão intensificou os ataques a navios e portos no Golfo Pérsico na quinta-feira, alimentando as crescentes ameaças ao abastecimento de energia e ofuscando a decisão da Agência Internacional da Energia (AIE) de libertar um número recorde de reservas de “ouro negro” para tentar conter a escalada dos preços.
Nesta linha, a AIE alertou que a atual interrupção no abastecimento é a maior da história do mercado global de petróleo. A contribuir ainda para a subida dos preços está o facto de as refinarias chinesas terem começado a cancelar exportações previamente acordadas de combustível refinado, incluindo de gasolina e gasóleo.
O Goldman Sachs alertou que os preços do petróleo podem exceder o pico de 2008 se os fluxos através de Ormuz permanecerem sob pressão durante o mês de março.
“A única coisa que realmente fará os preços do petróleo voltarem a cair é se realmente virmos o Estreito de Ormuz reaberto”, disse à Bloomberg Neil Beveridge, da Sanford C. Bernstein. As taxas de fluxo das reservas estratégicas são “nada comparadas com os 20 milhões de barris” por dia de interrupção causada pelo fecho de Ormuz, acrescentou.
Escalada do conflito no Irão atira Wall Street para o vermelho. Morgan Stanley afunda 4%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quinta-feira em território negativo, pressionados por uma nova escalada nos preços da energia, que levaram o petróleo a negociar próximo dos 100 dólares por barril. Os investidores estão agora mais pessimistas em relação a um novo corte nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana, apontado para um alívio apenas para setembro.
A esta hora, o S&P 500 recua 1,09% para 6.703,45 pontos, enquanto o industrial Dow Jones cede 1,19% para 46.853,42 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite perde 1,36% para 22.407,34 pontos. A incerteza em torno do conflito no Irão já tinha deixado os três principais índices dos EUA a navegar sem rumo na sessão anterior, com o "benchmark" norte-americano a encaminhar-se para o terceiro dia consecutivo de perdas.
O conflito prepara-se para completar duas semanas e, até agora, os únicos sinais de que estará próximo do fim vêm de Donald Trump. As hostilidades continuam, infraestrutura energética está a ser atingida, mas o Presidente dos EUA continua a insistir que a guerra vai terminar "muito em breve" - apesar de a mensagem ser contraditória ao que as autoridades israelitas têm vindo a dizer, prevendo que o conflito dure, pelo menos, mais duas semanas. Esta quinta-feira, Trump desvalorizou a subida nos preços da energia, afirmando que o seu objetivo principal é "parar o Irão".
"O que se está a ver é o mercado a incorporar um cenário duradouro de preços elevados do petróleo", explica Karen Georges, gestora de fundos de ações da Ecofi, à Bloomberg. "A segurança do transporte marítimo na região é uma grande preocupação, enquanto a libertação das reservas de petróleo de emergência só pode proporcionar um alívio temporário", acrescenta, referindo-se à decisão dos 32 países que compõe a Agência Internacional de Energia de introduzir 400 milhões de barris no mercado.
No seu relatório mensal, a AIE afirma que "a guerra no Médio Oriente está a criar a maior perturbação de abastecimento na história do mercado petrolífero mundial", com o conflito a afetar diretamente 7,5% da oferta global de petróleo. Estima-se que sejam produzidos menos oito milhões de barris de petróleo por dia a nível global, com o relatório a apontar ainda que o tráfego no Estreito de Ormuz foi reduzido em 90% – por onde no ano passado passaram 20 milhões de barris de petróleo por dia.
Entre as principais movimentações de mercado, o Morgan Stanley cai 4,01%, após limitar os resgates num dos seus fundos de crédito privado, na sequência de movimentos semelhantes por parte da Blackstone e da BlackRock no início deste mês. O JPMorgan Chase também decidiu reduzir o valor de alguns empréstimos a fundos de crédito privado, caíndo agora 2,32%.
Barril de Brent volta a superar os 100 dólares
O barril de Brent, a referência europeia para a negociação de petróleo, voltou a ultrapassar os 100 dólares. Após a promessa de Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irão, de manter o Estreito de Ormuz encerrado, a matéria-prima ganhou novo ímpeto.
Pelas 15:00 horas (de Lisboa), o preço do barril de Brent sobe mais de 10% para 101,22 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), a referência de petróleo americana, avança 10,3% para os 96,23 dólares por barril.
(Notícia atualizada às 15:05 horas)
Novo líder supremo diz que Irão vai continuar a retaliar e quer Estreito de Ormuz fechado
Naquela que é a sua primeira mensagem pública como novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei promete que o país vai continuar a retaliar os ataques sofridos e também indica que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado.
Mojtaba Khamenei diz que o país não vai desistir de procurar vingança por um ataque contra uma escola primária de raparigas no país, atribuindo a autoria desse ataque aos EUA.
"Vingaremos o sangue dos nossos mártires", disse Mojtaba Khamenei.
Khamenei disse também que acredita na amizade com os países vizinhos, mas promete continuar a atacar as bases americanas instaladas na região e aconselha ao encerramento das mesmas.
O novo líder supremo considerou ainda que o Estreito de Ormuz, um ponto nevrálgico para o transporte de matérias-primas energéticas a nível global, deverá manter-se fechado. "A vantagem de fechar o Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada", cita a agência de notícias financeiras Bloomberg.
Euribor sobe a três, a seis e 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quinta-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,150%, continuou abaixo das taxas a seis (2,225%) e a 12 meses (2,456%).
A b, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,225%, mais 0,052 pontos do que na quarta-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a janeiro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,93% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,78% e 24,98%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou para 2,456%, mais 0,087 pontos do que na quarta-feira. Em 10 de março a Euribor a 12 meses foi fixada em 2,552%, um novo máximo desde janeiro de 2025.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses avançou ao ser fixada em 2,150%, mais 0,028 pontos do que na quarta-feira.
AIE fala na "maior perturbação de abastecimento do mercado petrolífero mundial"
O relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE) pinta um cenário negativo sobre o impacto do conflito do Médio Oriente no mercado global de petróleo. A organização diz mesmo que "a guerra no Médio Oriente está a criar a maior perturbação de abastecimento na história do mercado petrolífero mundial".
Leia a notícia completa aqui.
Europa pinta-se de vermelho com investidores a apontarem para aperto da política monetária
As principais praças europeias arrancaram mais uma sessão no vermelho, num dia em que a escalada do conflito no Irão - com o ataque a infraestruturas energéticas e a petroleiros na região - fez com que o preço do petróleo de referência para a Europa voltasse a ultrapassar os 100 dólares por barril. Na quarta-feira, a União Europeia já tinha avisado que, caso o crude continuasse a negociar perto desta marca, a inflação poderia chegar aos 3% ainda este ano.
A esta hora, o Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, recua 0,49% para 599,61 pontos. A banca e o setor automóvel lideram as perdas esta manhã, com a subida do setor químico e mineiro a não ser suficiente para puxar o principal índice europeu para o verde. Desde o arranque do conflito, a volatilidade nas praças europeias tem aumentado em força e está agora em máximos de abril do ano passado.
"O que se está a ver é o mercado a precificar um cenário prolongado de preços elevados do petróleo", explica Karen Georges, gestora de fundos da Ecofi Investissements, à Bloomberg. "A segurança do transporte marítimo na região é uma grande preocupação, enquanto a libertação das reservas de petróleo de emergência só pode proporcionar um alívio temporário", acrescenta.
Na quarta-feira, os países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram libertar 400 milhões de barris das suas reservas de emergência, de forma a conter a subida nos preços do crude. Trata-se da maior libertação da história da organização, superando os 182 milhões de barris que foram introduzidos no mercado na sequência da crise energética de 2022, provocada pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia.
A mais recente escalada nos preços do petróleo está a levar os investidores a aumentarem as probabilidade de subidas nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). O mercado já incorporou um aperto de 25 pontos-base, com os "traders" a apontarem para junho, mas há ainda em cima da mesa uma nova subida na mesma magnitude até ao final do ano, à medida que se vai sentido o impacto da subida nos preços da energia na inflação.
Entre as principias movimentações de mercado, a Zalando dispara 10,74%, depois de a plataforma alemã de moda ter apresentado resultados ao mercado e revelado que a Levi's vai tornar-se o seu primeiro cliente norte-americano. Já a Abivax escala 16,93%, após ter sido noticado que a empresa de biotecnologia concedeu à AstraZeneca acesso exclusivo a informações confidenciais até 23 de março, com o objetivo de formalizar uma oferta.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,37%, o espanhol IBEX 35 recua 1,09%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,41%, o neerlandês AEX recua 0,22%, enquanto o francês CAC-40 cede 0,27%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,48%.
Juros agravam-se na Zona Euro. "Yield" alemã atinge máximos de 2023
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se pela segunda sessão consecutiva, embora em menor magnitude do que a registada na quarta-feira, numa altura em que os investidores se mostram cada vez mais pessimistas em relação ao futuro da política monetária da Zona Euro.
O mercado já tem incorporado uma subida nas taxas de juro em 25 pontos-base para este ano, que poderá chegar já em junho, mas as probabilidades de um segundo aperto têm vindo a aumentar à medida que os preços do petróleo escalam. Esta quarta-feira, a União Europeia (UE) avisou que, caso o barril de crude continue a negociar em torno dos 100 dólares, a inflação poderá ultrapassar os 3%.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 0,8 pontos-base para 2,937%, atingindo máximos de outubro de 2023. Já a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade ganham 1,9 pontos para 3,586%, enquanto a das obrigações italianas saltam 2,6 pontos para 3,691%.
Pela Península Ibérica, mantém-se a tendência, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a subirem 1,6 pontos-base para 3,354% e os da dívida espanhola a crescerem 1,7 pontos para 3,3422%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas também a dez anos registam um agravamento de 4,1 pontos-base para 4,727%.
Conflito no Médio Oriente volta a dar força ao dólar
O dólar está a valorizar face à grande maioria dos seus principais concorrentes, exceto o iene, beneficiando da posição de ativo de refúgio face à escalada do conflito no Irão. O ataque a dois petroleiros em águas iraquianas e a ameaça às infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico estão a fazer com que os preços do petróleo voltem a escalar esta quinta-feira, tendo o Brent - crude de referência para a Europa - chegado a ultrapassar os 100 dólares por barril.
Para conter os preços, os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) ainda anunciaram uma libertação recorde de reservas estratégicas de petróleo e destilados, mas o impacto mal se fez sentir nos mercados. Apesar de os 400 milhões de barris que devem vir a ser introduzidos no mercado ultrapassarem por larga margem o movimento de 2022, quando foram libertados 182 milhões, o valor é ainda diminuto comparado com os 20 milhões de barris por dia que estão a ficar por produzir.
"Os mercados provavelmente perceberam que a libertação sem precedentes das reservas de petróleo também significa um choque sem precedentes no abastecimento de petróleo, pesando sobre o sentimento de risco", explica Carol Kong, estratega do Commonwealth Bank of Australia, à Bloomberg. "As moedas continuam à mercê dos preços do petróleo, com o dólar ainda considerado um refúgio preferencial".
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face a uma série de concorrentes - avança 0,14%, tendo chegado a ganhar 0,3% esta madrugada. A "nota verde" encaminha-se, assim, para a segunda sessão consecutiva de ganhos, invertendo em parte as perdas registadas nas primeiras sessões da semana, elevando o seu saldo mensal para 1,47%. A esta hora, o euro recua 0,13% para 1,1552 dólares, enquanto a libra cede 0,21% para 1,3385 dólares.
A queda da moeda comum europeia está a ser levemente amparada pela perspetiva de uma subida nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). Com a União Europeia a alertar para um aumento da inflação acima de 3%, caso os preços do barril de petróleo continuem em torno dos 100 dólares, os mercados já dão como certo um aperto em 25 pontos-base este ano e começam a equacionar um segundo.
Ouro estabiliza apesar de crescente pessimismo em torno da política monetária
O ouro está a negociar praticamente inalterado esta quinta-feira, tendo conseguido inverter as perdas de mais de 1% registadas na madrugada, apesar da mais recente subida nos preços do petróleo, que levou o barril de crude a negociar momentaneamente acima dos 100 dólares. Caso este aumento nos preços da energia seja sustentado, a inflação pode tornar-se mais difícil de domar e os bancos centrais por todo o mundo podem vir a ser obrigados a adotar uma posição mais "hawkish" - o que tende a ser negativo para o metal amarelo.
A esta hora, o ouro ganha 0,10% para 5.184,73 dólares por onça, isto depois de ter perdido cerca de 0,3% na sessão anterior. Apesar de a inflação nos EUA até ter estabilizado no mês passado, antes do conflito no Irão escalar, as perspetivas para a evolução dos preços não são as melhores e os investidores têm reduzido em grande escala a probabilidade da Reserva Federal (Fed) norte-americana cortar nas taxas de juro este ano.
"As expectativas de pressão sobre os preços reavivaram o dólar e colocaram a flexibilização da Fed no curto prazo de volta na gaveta, pressionando brevemente o ouro num mercado que só pode ter um porto seguro de cada vez", explica Hebe Chen, analista da Vantage Markets, à Bloomberg. Pela Europa, uma subida nas taxas de juro é cada vez mais certa e os avisos de vários membros do Banco Central Europeu (BCE) têm-se multiplicado.
A complicar o cenário para o metal precioso, os investidores estão ainda a usar o ouro como uma fonte de liquidez para compensar perdas noutros ativos - como é o caso das ações, que têm vivido sessões bastante negativas com a perspetiva de uma nova crise energética. Desde o início da guerra, o volume de ouro detido por fundos negociados em bolsa (ETF) diminuiu, embora tenham sido registados novos fluxos na terça-feira, após as participações terem caído na semana passada no maior volume em mais de dois anos.
Mesmo assim, o ouro já valorizou mais de 20% desde o arranque do ano, beneficiando de um aumento das tensões geopolíticas a nível global, das políticas erráticas da Administração Trump (principalmente em torno da questão da Gronelândia) e ainda das ameaças à independência do banco central norte-americano.
Dois petroleiros atacados ao largo do Iraque, terminais paralisados
Dois petroleiros foram atacados em águas iraquianas, o que levou à paragem dos terminais petrolíferos do país.
O Iraque identificou os dois navios de transporte de crude como tendo bandeiras das Ilhas Marshall e de Malta, de acordo com a Organização Estatal para o Mercado de Petróleo (SOMO na sigla em inglês).
Em reação aos ataques a Empresa dos Portos do Iraque decidiu parar as operações nos seus terminais petrolíferos, apesar de não terem sido diretamente afetados pelos ataques.
"Este evento impacta negativamente a segurança e a economia do Iraque, e representa uma ameaça à segurança da navegação marítima e atividades petrolíferas nas águas iraquianas", sublinhou a SOMO, citada pela agência de notícias financeiras Bloomberg.
Petróleo ultrapassa os 100 dólares. Investidores ignoram reservas estratégicas
O barril de petróleo voltou a ultrapassar, embora de forma momentânea, os 100 dólares esta quinta-feira, num dia em que os preços do crude estão a ser impulsionados pelos ataques a petroleiros no Médio Oriente e pela decisão da China de reforçar as restrições à exportação da matéria-prima. Esta subida acontece apesar de os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) terem decidido libertar 400 milhões de barris das suas reservas estratégicas, com os EUA a representarem quase metade desse valor.
O barril de Brent - crude de referência para a Europa - chegou a disparar 10,45% nesta sessão para 101,59 dólares, tendo entretanto reduzido as subidas para 4,62%, nos 96,23 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, chegou a escalar 9,99% para 95,97 dólares, tendo reduzido para 4,03%, nos 90,77 dólares. A infraestrutura energética dos países do Golfo Pérsico continua sob ameaça e os investidores estão a preferir focar-se nos impactos da guerra no transporte e comercialização do petróleo - em vez de olharem para a quantidade disponível no mercado.
As refinarias chinesas começaram a cancelar a exportação de combustíveis refinados, como gasóleo e gasolina, com o país focado em preservar o crude que tem para fazer face à escalada de preços. Já na semana passada as principais petrolíferas do país tinham sido instruídas a parar de assinar novos acordos, numa altura em que o Estreito de Ormuz - por onde passa 20% do petróleo e gás natural mundial - está praticamente paralisado.
"A única coisa que realmente fará com que os preços do petróleo voltem a cair é se realmente assistirmos à reabertura do Estreito de Ormuz", explica Neil Beveridge, diretor de pesquisa da Sanford C. Bernstein, numa entrevista à Bloomberg TV. Os fluxos das reservas estratégicas são "nada comparados com os 20 milhões de barris" por dia que deixaram de ser produzidos devido ao encerramento deste ponto crítico do comércio de crude global, acrescentou o analista.
A somar à pressão, o Omã decidiu evacuar todos os navios de Mina Al Fahal como medida de precaução, um dos poucos portos restantes através dos quais o petróleo bruto do Médio Oriente pode ser enviado para os mercados globais. O Iraque também decidiu suspender as operações nos seus terminais petrolíferos depois de dois navios terem sido alvo de ataques, depois de ter sido um dos primeiros países da região a reduzir a produção de crude.
Escalar do conflito no Irão atira Ásia e Europa para o vermelho
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira em território negativo, uma tendência que deve ser seguida pela Europa, num dia em que as ações mundiais estão a ser pressionadas pela escalada do conflito no Médio Oriente e a subida dos preços de petróleo - que voltaram, mais uma vez, a ultrapassar os 100 dólares. Na quarta-feira, dois petroleiros foram atacados em águas iraquianas, tendo o Bahrein acusado o Irão de atacar os seus reservatórios de combustível e Omã decidido evacuar um terminal de exportação de crude chave para o comércio global.
O MSCI Asia Pacific encerrou a sessão com perdas de 1,3%, enquanto os futuros do Euro Stoxx 50 apontam para uma abertura com uma desvalorização em torno dos 0,6%. Uma possível crise energética continua a centrar as atenções dos investidores e a União Europeia já antecipa que a inflação possa ultrapassar os 3% ainda este ano, caso o barril de petróleo continue a negociar em torno dos 100 dólares - o que deverá pôr em cima da mesa múltiplas subidas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE).
"Os ataques no Iraque reforçam mais uma vez que não se trata apenas de uma questão de abastecimento. Trata-se cada vez mais da segurança dos fluxos e do choque dos custos de transporte", explica Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. As hostilidades que afetam as atividades de carregamento e as operações portuárias "tornam o transporte de petróleo bruto e condensados mais incerto e mais caro", acrescentou.
A guerra entra agora no seu décimo terceiro dia e, apesar das garantias de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que a guerra vai terminar "muito em breve", os investidores estão agora a apostar num conflito mais demorado. O Irão já veio avisar que, para alcançar um acordo de cessar-fogo, Washington terá de garantir que nem os EUA nem Israel vão continuar a atacar o país no futuro.
Neste contexto, as principais praças asiáticas voltaram a conhecer o vermelho. O japonês Nikkei 225 caiu mais de 1% esta quinta-feira, enquanto o mais abrangente Topix cedeu 1,32%. Por sua vez, os chineses Hang Seng e Shanghai Composite terminaram a sessão com perdas de 0,76% e 0,10%, respetivamente, enquanto o sul-coreano Kospi - um dos índices mais bem sucedidos do ano passado - desvalorizou 0,48%.
Últimos eventos
Últimos eventosMais lidas
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.