Índia quase triplica tarifas sobre ouro e prata para proteger economia
O Governo da Índia aumentou esta quarta-feira as tarifas sobre as importações de ouro e prata de 6% para 15%, uma medida de emergência para conter a desvalorização da rupia e a drenagem das reservas cambiais, agravadas pelo conflito no Irão.
A decisão, anunciada na noite de terça-feira, responde à preocupação de Nova Deli com a queda das reservas devido à subida global dos preços do petróleo, consequência direta da guerra e das perturbações logísticas no estreito de Ormuz.
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No domingo, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi já tinha pedido à população, que, no seu conjunto, constitui o segundo maior consumidor mundial de metais preciosos, que suspendesse as compras de ouro durante um ano para proteger a balança de pagamentos do país.
Na terça-feira, a moeda indiana caiu brevemente para o nível histórico mais baixo em relação ao dólar norte-americano - 95,73 rupias por dólar - antes de recuperar.
A rupia perdeu quase 5% desde os primeiros ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, um dos piores desempenhos entre as moedas asiáticas.
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O anúncio, juntamente com a restrição tarifária, aprofundou a queda das ações do setor da joalharia, que estão a ser negociadas em terreno negativo desde o início da semana.
Às 11:00 (06:30 em Lisboa), os gigantes do setor ampliavam as perdas na Bolsa Nacional de Valores da Índia. A Kalyan Jewellers liderava as quedas com um recuo de 5,5%, enquanto a Titan caía 0,81% e a Senco Gold, 0,48%.
A Índia representa 22% da procura global de joias. O ouro é particularmente valorizado para casamentos e celebrações religiosas no país, onde ocupa o segundo lugar em termos de importações, apenas atrás do petróleo e gás natural.
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Segundo o Conselho Mundial do Ouro, os gastos neste setor atingiram um recorde de 11 mil milhões de dólares (9,38 mil milhões de euros) no primeiro trimestre de 2026, um número impulsionado pela subida dos preços internacionais, apesar de uma queda de 19% no volume de compras físicas face ao ano anterior.
De acordo com os dados do Observatório da Complexidade Económica, em 2024 a Índia importou ouro principalmente da Suíça (19,6 mil milhões de dólares ou 16,7 mil miilhões de euros) e Emirados Árabes Unidos (16,1 mil milhões de dólares ou 13,7 mil milhões de euros).
Sendo o terceiro maior importador mundial de hidrocarbonetos, a Índia enfrenta sérias dificuldades no fornecimento de petróleo e gás devido ao conflito no Médio Oriente.
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As persistentes dificuldades de navegação no estreito de Ormuz, por onde transitam o petróleo e o gás importados pela Índia, estão a aumentar a pressão sobre os preços dos combustíveis, que Nova Deli se tem recusado terminantemente aumentar.
Também no domingo, Modi tinha pedido aos indianos que reduzissem o consumo de gasolina, promovendo a partilha de automóveis e a utilização dos transportes públicos.
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