Petróleo e gás avançam com mercados desagradados com ultimato de Trump a Teerão

Presidente dos EUA deu 48 horas a Teerão para reabrir o estreito de Ormuz e mercados temem escalada nos ataques a infraestruturas energéticas da região. WTI já negocia acima dos 100 dólares, enquanto gás natural escala mais de 4%, num dia em que o Goldman Sachs aproveitou para elevar a sua previsão para o Brent ao longo deste ano.
Petróleo.
Jacob Ford / AP
João Duarte Fernandes 08:22

Os preços do petróleo negoceiam com valorizações na sessão desta segunda-feira, 23 de março, com os investidores a avaliarem o ultimato imposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Irão para reabrir o estreito de Ormuz e a ameaça de represálias por parte de Teerão,

O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – sobe 3,47%, para os 101,57 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu e que na última sessão atingiu máximos de fecho de meados de 2022 – sobe 1,60% para os 113,99 dólares por barril.

PUB

Trump afirmou que o Irão deve “abrir totalmente” o estreito de Ormuz no prazo de 48 horas, sob pena de ver as suas centrais elétricas bombardeadas. Teerão advertiu que atacaria infraestruturas-chave em todo o Médio Oriente caso o republicano levasse a cabo a sua ameaça.

O crude já escalou cerca de 70% desde que os ataques dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irão começaram no final de fevereiro. E o conflito não tem dado sinais de abrandamento, com os principais mercados de produtos petrolíferos a registarem subidas ainda mais acentuadas do que o crude, fator que ameaça desencadear uma onda de subida da inflação ao nível global.

“Agora, com este prazo de 48 horas, Trump colocou-se numa situação difícil”, diz à Bloomberg Rory Johnston, da Commodity Context. “É altamente improvável que Teerão concorde com os termos de Trump num prazo tão curto e sob a ameaça de um ataque. E o Irão está claramente capaz e disposto a responder a qualquer escalada”, acrescenta o especialista.

PUB

Já noutras matérias-primas, o gás natural negociado no Velho Continente avança agora mais de 4%, para os 61,725 euros por megawatt-hora, depois de já na semana passada ter registado fortes aumentos, devido à escalada dos ataques a infraestruturas energéticas na região, incluindo à maior refinaria de GNL do mundo,

Nesta medida, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou num evento na Austrália que o impacto das atuais perturbações era equivalente às duas grandes crises petrolíferas da década de 1970 e à crise do gás natural de 2022 - após a invasão da Ucrânia pela Rússia - “todas juntas”.

O Goldman Sachs aproveitou para elevar a sua previsão para o Brent em 2026 de 77 para 85 dólares por barril, afirmando que se espera agora que os fluxos através do estreito de Ormuz sejam 5% dos níveis normais durante seis semanas, antes de uma recuperação gradual. “Do ponto de vista físico, o maior choque de abastecimento de petróleo de sempre continua a ser, na sua maioria, um choque local, levando a quedas extremas no petróleo em trânsito e a uma escassez na Ásia” escreveram analistas numa nota enviada à agência de notícias financeiras.

PUB
Pub
Pub
Pub