Petróleo e gás afundam mais de 10% e voltam a negociar abaixo dos 100 dólares
O preço do petróleo no mercado europeu chegou a cair abaixo dos 90 dólares por barril esta terça-feira, enquanto o gás natural liquefeito (GNL) afundou mais de 16%, após a promessa de Donald Trump, Presidente dos EUA, de terminar a guerra no Irão "muito em breve". Após dez dias de conflito, o líder norte-americano acalmou os investidores ao dizer que a ofensiva no Médio Oriente até estava adiantada face ao cronograma inicial, introduzindo ainda algumas medidas para conter os avanços do crude.
Tanto o Brent - de referência para a Europa - como o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - chegaram a cair mais de 10% durante a madrugada, tendo entretanto reduzido levemente as perdas. A esta hora, o Brent perde 8,54% para 90,61 dólares por barril, enquanto o WTI cede 8,49% para 86,75 dólares, isto depois de terem chegado a disparar mais de 30% na sessão anterior, quase tocando nos 120 dólares. Já o gás negociado na Europa mergulha 14,87% para 47,55 euros por megawhatt-hora.
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A promessa de um fim do conflito a curto prazo - embora não já esta semana -, aliada à decisão de fazer com que a Marinha norte-americana escolte os petroleiros no Estreito de Ormuz, aliviaram as preocupações dos investidores em relação a uma disrupção no comércio global de petróleo e GNL. É de relembrar que por este ponto crítico passa cerca de 20% da energia consumida a nível global e, desde que o conflito estalou, a passagem viu a tráfego afundar quase na totalidade.
A grande escalada dos preços da energia estava a deixar os mercados ansiosos em relação a uma nova crise energética no mundo, após a registada em 2022 com a invasão da Ucrânia pela Rússia. Os ministros das Finanças do G7 consideraram mesmo utilizar as suas reservas estratégicas de crude para conterem o disparo nos preços - embora, após uma reunião, tenham dito que o grupo "ainda não chegou lá".
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Com o conflito a entrar no décimo primeiro dia, vários países do Médio Oriente foram obrigados a cortar na produção de petróleo, uma vez que viram o seu espaço de armazenamento esgotado devido às dificuldades em escoar os "stocks". O Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e o Iraque reduziram a produção da matéria-prima até 6,8 milhões de barris por dia desde o estalar do conflito, noticia a Bloomberg.
Mesmo com as promessas do Presidente dos EUA, o mercado petrolífero foi bastante abalado pela guerra e, quando o conflito chegar ao fim, ainda deverá demorar semanas para a produção normalizar. Também o estreito continuará com navegação reduzida até esse momento. "Mesmo que Trump diga que a guerra com o Irão vai terminar muito em breve, dificilmente é a garantia que fará com que os petroleiros voltem a navegar normalmente para dentro e para fora do Estreito de Ormuz", explica Vandana Hari, fundadora da empresa de análise Vanda Insights, citada pela Bloomberg.
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