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OPEP recua no aumento da produção em fevereiro e petróleo dispara

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (grupo conhecido por OPEP+) decidiu manter em fevereiro os atuais níveis de produção, o que animou as cotações da matéria-prima.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 05 de Janeiro de 2021 às 16:49
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A OPEP+, composta pelos 13 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e pelos seus 10 aliados, decidiu que em fevereiro não vai alterar as atuais quotas de produção, depois de no mês passado ter definido um aumento da oferta na ordem dos 500.000 barris por dia para o mês de janeiro. Resultado: as cotações da matéria-prima estão a subir, com o crude negociado nos EUA a superar os 50 dólares pela primeira vez em quase um ano.

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, para entrega em fevereiro, que negociou no vermelho na primeira sessão do ano, segue a escalar 4,41% para 49,72 dólares por barril, mas já esteve no patamar dos 50 dólares, onde não tocava desde fevereiro do ano passado.

 

Já o contrato de fevereiro do Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, valoriza 3,72% para 52,99 dólares.

 

A decisão tomada hoje pela OPEP+ foi a de manter a atual produção em fevereiro, podendo eventualmente vir a aumentá-la em março – tudo dependendo da retoma da atividade económica e consequente procura por combustível, algo que tem gerado maior expectativa desde que foram iniciados os programas de vacinação contra a covid-19.

Apesar de haver a expectativa de que os grandes produtores de crude mantivessem os atuais níveis de oferta no mercado, a Rússia era favorável a um aumento da produção no próximo mês, o que estava a gerar alguns receios. No entanto, Moscovo acabou por aceder à vontade da maioria.

O entendimento não foi fácil, tendo a reunião, que estava agendada para ontem, acabado por ser protelada para esta terça-feira.

 

Algumas fontes próximas do processo comentaram ao The Wall Street Journal que o novo aumento da produção fica assim adiado, mas talvez não por muito tempo, já que em março poderá haver mais entrada de crude no mercado.

Mas há mais: segundo alguns delegados da OPEP, em declarações à Bloomberg, em fevereiro a Arábia Saudita vai cortar voluntaroamente a sua produção - como já fez outras vezes -, na ordem de um milhão de barris por dia, para ajudar a sustentar os preços. Resta saber que efeito terá no mercado, já que alguns membros do cartel costumam prevaricar e produzir acima das quotas que lhes foram estipuladas.

Já há mais meio milhão de barris diários no mercado

 

No passado dia 3 de dezembro, os 23 membros da OPEP+ chegaram a acordo quanto ao nível de oferta em janeiro, tendo decidido aumentar a entrada de crude no mercado em meio milhão de barris por dia.

 

Os mercados estavam a antecipar que a a OPEP+ prolongaria, pelo menos por mais três meses, os níveis de corte da produção de dezembro, mas não foi isso que aconteceu.

 

Recorde-se que a OPEP+ acordou reduzir a oferta em 7,7 milhões de barris por dia entre agosto e dezembro, para depois aliviar esse corte em cerca de dois milhões de barris diários a partir de janeiro de 2021 mas esperava-se que decidisse adiar a entrada de mais crude no mercado.

 

Mas a Rússia (que não queria adiar a entrada de crude no mercado) e a Arábia Saudita (que era favorável à manutenção do nível de produção) puseram de lado o plano de deixar tudo na mesma durante mais três meses, já que não estavam a chegar a um entendimento, e trabalharam num acordo de mais curto prazo, o que resultou. Decidiram assim aumentar a oferta em 500.000 barris por dia, em vez dos dois mil milhões diários anteriormente definidos. O corte total ficou assim nos 7,2 milhões de barris diários.

 

Nesta reunião, os membros da OPEP+ decidiram que iriam passar a reunir-se mensalmente para reverem as suas quotas de produção, em vez de estabelecerem metas a três ou seis meses. Isto porque as vacinas contra a covid-19 poderão vir a reabrir mais cedo as economias, ajudando assim a um maior consumo de combustível – pelo que os produtores poderão não teriam de fazer um esforço de corte da oferta durante tanto tempo quanto inicialmente pensavam.

 

Esta decisão de as reuniões passarem a ser mensais tem o seu senão para os mercados, já que reuniões mensais significam uma maior volatilidade na evolução dos preços, com os investidores renovadamente na expectativa.

(notícia atualizada às 17:007)

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