Petróleo avança quase 2% após intervenção dos EUA na Venezuela
Com os EUA a "governarem" a Venezuela, como Trump indicou, abre-se a porta à entrada de empresas norte-americanas no país. O barril de petróleo reagiu com uma subida de quase 2%.
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A captura do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e a investida dos EUA contra o país estão a fazer com que os preços do petróleo valorizem quase 2% esta segunda-feira. Os investidores estão agora a tentar perceber qual será o impacto deste ataque no abastecimento mundial de crude, com Donald Trump, líder norte-americano, a preparar terreno para as grandes empresas do país voltarem a extrair petróleo na nação que tem as maiores reservas do mundo.
A esta hora, o barril de Brent, referência para a Europa, para entrega em março avança 1,65%, para 61,75 dólares, enquanto os contratos de fevereiro do West Texas Intermediate (WTI), negociados nos EUA, aceleram 1,73%, negociando nos 58,31 dólares. Os dois "benchmarks" estão a enfrentar uma "montanha-russa" de preços esta segunda-feira, tendo arrancado a sessão a perder cerca de 1%.
Apesar de os EUA prepararem-se para "governar" o país, como Trump indicou na conferência de imprensa que se seguiu ao ataque, as sanções às exportações de petróleo venezuelano continuam em prática. Mesmo tendo as maiores reservas de crude do mundo - cerca de 303 mil milhões de barris, a grande maioria presente na região de Orinoco -, a Venezuela produz apenas, em média, um milhão de barris por dia, aproximadamente 1% da produção global desta matéria-prima.
Daí os analistas não anteciparem grandes disrupções no mercado petrolífero com esta intervenção militar. "O mercado petrolífero enfrenta um excedente não relacionado com a Venezuela. Compreendemos por que razão o mercado pode concentrar-se na perspetiva pessimista de mais barris provenientes da Venezuela, mas não vemos isso a acontecer rapidamente", afirmaram os analistas da Bernstein, citados pela Reuters.
Na década de 2000, e após a Revolução Bolivariana liderada por Hugo Chávez, Caracas decidiu expropriar os ativos de algumas petrolíferas internacionais que se recusaram a conceder à empresa estatal Petróleos de Venezuela maior controlo operacional sobre as suas operações. A Chevron foi uma das empresas que conseguiu negociar "joint-ventures" com a empresa pública, enquanto rivais como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips abandonaram o país.
A Venezuela é ainda um dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que, após uma reunião este domingo, afirmaram que vão manter a produção nos níveis atuais - pelo menos, até abril. A confirmação da OPEP ocorreu sem que o organismo tenha reagido a eventuais turbulências que possam advir da detenção de Maduro pelos EUA.
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