Petróleo dispara mais de 8% e gás natural 25% com disrupções no Estreito de Ormuz
Tráfego de petroleiros pelo estreito foi praticamente interrompido, depois de o Irão já ter atacado três embarcações na região à medida que o conflito se alastra. Casas de investimento reveem em alta preços do "ouro negro" para os próximos tempos.
Os preços do petróleo estão a registar fortes aumentos nesta segunda-feira, depois de terem escalado já cerca de 13% no arranque da sessão, registando a maior subida em quatro anos, à medida que os “traders” seguem de perto o conflito no Médio Oriente.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – soma 8,61%, para os 72,79 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 9,18% para os 79,56 dólares por barril.
O Irão é responsável por bombear cerca de 3,3 milhões de barris por dia, ou 3% da produção global, mas é a sua localização estratégica ao longo do estreito de Ormuz que está a exercer maior influência sobre os preços do crude. Neste momento, o tráfego de petroleiros pelo estreito – por onde passa cerca de um quinto do petróleo produzido ao nível global, assim como grandes volumes de gás – foi praticamente interrompido, depois de o Irão já ter atacado três embarcações na região à medida que o conflito se alastra.
Também os contratos de futuros de gás natural europeu dispararam 25% – a maior subida desde agosto de 2023 – após o escalar do conflito no Médio Oriente. Em Amesterdão, às 08:52 horas os futuros de gás natural negociavam nos 38,72 euros por megawatt-hora.
Noutros pontos do Golfo, sabe-se agora que a Saudi Aramco terá interrompido as operações na refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, após um ataque com drones ter atingido a área, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto citadas pela Bloomberg.
A guerra alargada no Médio Oriente marca uma nova fase para o mercado global de petróleo, e este era um cenário que já vinha a ser levantado por vários analistas ao longo das últimas semanas. Se o tráfego de petroleiros “retomar rapidamente, ou se houver uma desaceleração credível ou algumas negociações diplomáticas nos bastidores, então veremos alguma estabilização”, disse à agência de notícias financeiras Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, em Chicago. “Caso contrário, provavelmente consolidaremos em níveis elevados”, acrescentou.
Em reação ao agravamento do conflito, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) – que inclui países como o Irão, a Arábia Saudita e a Rússia – concordou, numa reunião pré-agendada no fim de semana, em aumentar a produção de “ouro negro” no próximo mês em 206 mil barris por dia.
“Prevemos que o petróleo Brent seja negociado na faixa de 80 a 90 dólares por barril no nosso cenário base durante pelo menos a próxima semana”, afirmaram analistas do Citigroup numa nota a que a Bloomberg teve acesso. “A nossa visão de base é que a liderança iraniana mude, ou que o regime mude o suficiente para parar a guerra dentro de uma a duas semanas, ou que os EUA decidam diminuir a tensão após verem uma mudança na liderança e atrasarem os mísseis e o programa nuclear do Irão no mesmo período”, acrescentaram. Entretanto, o Morgan Stanley elevou a sua previsão para os preços do Brent no segundo trimestre de 62,50 dólares por barril para 80 dólares por barril.
Já a consultora Wood Mackenzie prevê que, caso o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz não seja restaurado rapidamente, o petróleo poderá ultrapassar os 100 dólares por barril. Isto visto que mesmo com a OPEP+ a aumentar a produção em abril, os volumes adicionais e a capacidade excedente do bloco ficarão inacessíveis se o Estreito de Ormuz permanecer fechado. Caso a via marítima permaneça encerrada durante 25 dias, os principais produtores de petróleo do Médio Oriente poderão ser forçados a suspender a produção, uma vez que os tanques de armazenamento e os armazéns offshore atingirão os seus limites, de acordo com analistas do JPMorgan.
(Notícia atualizada para inclui a cotação dos contratos futuros de gás natural na Europa)
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