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Petróleo dispara mais de 8% e gás natural 25% com disrupções no Estreito de Ormuz

Tráfego de petroleiros pelo estreito foi praticamente interrompido, depois de o Irão já ter atacado três embarcações na região à medida que o conflito se alastra. Casas de investimento reveem em alta preços do "ouro negro" para os próximos tempos.

Petroleiros no Estreito de Ormuz enfrentam disrupções.
Petroleiros no Estreito de Ormuz enfrentam disrupções. Morteza Akhoondi/Tasnim News Agency/AP
08:34

Os preços do petróleo estão a registar fortes aumentos nesta segunda-feira, depois de terem escalado já , registando a maior subida em quatro anos, à medida que os “traders” seguem de perto o conflito no Médio Oriente.

O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – soma 8,61%, para os 72,79 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 9,18% para os 79,56 dólares por barril.

O Irão é responsável por bombear cerca de 3,3 milhões de barris por dia, ou 3% da produção global, mas é a sua localização estratégica ao longo do estreito de Ormuz que está a exercer maior influência sobre os preços do crude. Neste momento, o tráfego de petroleiros pelo estreito – por onde passa cerca de um quinto do petróleo produzido ao nível global, assim como grandes volumes de gás – foi praticamente interrompido, depois de o Irão já ter atacado três embarcações na região à medida que o conflito se alastra.

Também os contratos de futuros de gás natural europeu dispararam 25% – a maior subida desde agosto de 2023 – após o escalar do conflito no Médio Oriente. Em Amesterdão, às 08:52 horas os futuros de gás natural negociavam nos 38,72 euros por megawatt-hora.

Noutros pontos do Golfo, sabe-se agora que a Saudi Aramco terá interrompido as operações na refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, após um ataque com drones ter atingido a área, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto citadas pela Bloomberg.

A guerra alargada no Médio Oriente marca uma nova fase para o mercado global de petróleo, e este era um cenário que já vinha a ser levantado por vários analistas ao longo das últimas semanas. Se o tráfego de petroleiros “retomar rapidamente, ou se houver uma desaceleração credível ou algumas negociações diplomáticas nos bastidores, então veremos alguma estabilização”, disse à agência de notícias financeiras Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital, em Chicago. “Caso contrário, provavelmente consolidaremos em níveis elevados”, acrescentou.

Em reação ao agravamento do conflito, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) – que inclui países como o Irão, a Arábia Saudita e a Rússia – concordou, numa reunião pré-agendada no fim de semana, em aumentar a produção de “ouro negro” no próximo mês em 206 mil barris por dia.

Prevemos que o petróleo Brent seja negociado na faixa de 80 a 90 dólares por barril no nosso cenário base durante pelo menos a próxima semana”, afirmaram analistas do Citigroup numa nota a que a Bloomberg teve acesso. “A nossa visão de base é que a liderança iraniana mude, ou que o regime mude o suficiente para parar a guerra dentro de uma a duas semanas, ou que os EUA decidam diminuir a tensão após verem uma mudança na liderança e atrasarem os mísseis e o programa nuclear do Irão no mesmo período”, acrescentaram. Entretanto, o Morgan Stanley elevou a sua previsão para os preços do Brent no segundo trimestre de 62,50 dólares por barril para 80 dólares por barril.

Já a consultora Wood Mackenzie prevê que, caso o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz não seja restaurado rapidamente, o petróleo poderá ultrapassar os 100 dólares por barril. Isto visto que mesmo com a OPEP+ a aumentar a produção em abril, os volumes adicionais e a capacidade excedente do bloco ficarão inacessíveis se o Estreito de Ormuz permanecer fechado. Caso a via marítima permaneça encerrada durante 25 dias, os principais produtores de petróleo do Médio Oriente poderão ser forçados a suspender a produção, uma vez que os tanques de armazenamento e os armazéns offshore atingirão os seus limites, de acordo com analistas do JPMorgan.

(Notícia atualizada para inclui a cotação dos contratos futuros de gás natural na Europa)

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