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Petróleo em máximos de um ano com ajuda da OPEP+, estímulos pandémicos e vacinas

Os preços do crude continuam a ganhar terreno nos principais mercados internacionais, sustentados pelo facto de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (OPEP+) terem decidido manter a sua política de redução da oferta.

petroleo crude plataforma offshore
petroleo crude plataforma offshore Darrin Zammit Lupi/Reuters
04 de Fevereiro de 2021 às 17:29

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, para entrega em março avança 0,47% para 55,95 dólares por barril, patamares que já não visitava há um ano.

Já o contrato de março do Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, soma 0,24% para 58,60 dólares. Já esteve hoje a negociar nos 59,04 dólares, o valor mais alto desde 21 de fevereiro do ano passado.

A contribuir para animar o mercado está o facto de os membros da OPEP+ terem ontem decidido manter o acordo de redução da oferta (que têm estado a cumprir, deixando para trás os tempos de prevaricação nas suas quotas de produção), nos atuais níveis, o que sugere que os produtores estão satisfeitos por verem que os cortes estão a diminuir os inventários em todo o mundo.

Foi o caso dos EUA, que ontem anunciaram um recuo de 994.000 barris nas reservas norte-americanas de crude na semana passada, para 475,7 milhões de barris – o nível mais baixo desde março do ano passado.

Além do esforço de retirada de crude do mercado por parte da OPEP+, que diminuiu de 7,7 para 7,2 milhões de barris por dia em janeiro, a Arábia Saudita decidiu reforçar esse corte em um milhão de barris diários, o que está a ajudar.

"O corte adicional de um milhão de barris diários por parte de Riade entrou em vigor este mês, o que implica mais reduções de stocks até pelo menos ao final do primeiro trimestre, comentou à Reuters um analista da PVM Oil Associates, Tamas Varga.

UBS recomenda aposta no petróleo

Já o UBS, no seu relatório a que o Negócios teve acesso, diz estar convicto de que a OPEP e os seus aliados "mantêm o pleno controlo do mercado petrolífero".

"Com a OPEP+ a esforçar-se por manter a produção mundial de crude abaixo da procura, projetamos que os inventários de crude continuem a diminuir este ano. E a distribuição das vacinas contra a covid-19 deverá sustentar a procura global por petróleo ao longo dos próximos meses, o que permitirá que os preços subam ainda mais", sublinha o "research" liderado por Giovanni Staunovo, analista de matérias-primas do UBS.

Atendendo a este cenário, o UBS estima um preço médio do Brent nos 63 dólares por barril no segundo semestre deste ano. "Continuamos a aconselhar os investidores com elevada tolerância ao risco no sentido de continuarem a apostar no Brent e a assumirem posições longas" neste ativo, sublinha a equipa de análise de "commodities" do banco suíço.

Por outro lado, o otimismo em torno de um novo pacote de estímulos pandémicos nos EUA e os programas de vacinação contra a covid-19 em todo o mundo são fatores que estão também a impulsionar as cotações.

"Há 10 meses, o WTI desabou para -40 dólares por barril, numa sessão em que fechou nos -37 dólares. Agora está a ser negociado cerca de 90 acima desse valor, embora a pandemia não tenha terminado. Os investidores estão a apostar numa recuperação económica relativamente rápida, apoiada por estímulos dos bancos centrais, e isso aumentou ainda mais o preço do petróleo nas últimas horas, marcado por um maior apetite geral pelo risco no sentimento dos mercados", aponta Carlos Alberto de Casa, analista chefe da ActivTrades, na sua análise diária.

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