Ouro avança mais de 1% apoiado por queda dos preços do crude. Dólar mantém-se estável
Dólar mantém-se estável com "traders" a aguardar avanços nas negociações de paz no Médio Oriente
O dólar está a negociar com ligeiras desvalorizações nesta terça-feira, com a “nota verde” a ser pressionada por um recuo dos preços do petróleo nos mercados internacionais, após o Presidente dos EUA ter avançado ontem que as negociações com o Irão continuam de pé.
Neste contexto, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – cede 0,11%, para os 99,089 pontos.
Os investidores têm encarado com cautela as notícias de quaisquer progressos no para pôr fim ao conflito com o Irão, dada a fragilidade do cessar-fogo entre Washington e Teerão alcançado no início de abril. Durante esta terça-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA divulgará dados do emprego, que poderão dar aos “traders” perspetivas mais sólidas sobre o rumo de política monetária na maior economia mundial.
Pelo Japão, a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou na terça-feira que as autoridades do país estavam prontas para intervir no mercado cambial, se necessário, à medida que a divisa nipónica se aproxima dos 160 ienes por dólar - nível que levou à intervenção do Governo e Banco do Japão no final de abril para apoiar a desvalorização do iene.
Os mercados aguardam também um discurso do governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, na quarta-feira, à procura de possíveis sinais sobre se o banco central irá avançar com um aumento das taxas na sua reunião da próxima semana.
Face ao iene, o dólar soma agora 0,03%, para os 159,710 ienes.
Já por cá, o euro regista uma subida de 0,15%, para 1,165 dólares, enquanto a libra soma 0,13%, para 1,347 dólares.
Ouro avança mais de 1% apoiado por queda dos preços do crude
O ouro está a registar ganhos na sessão de hoje, à medida que os "traders" avaliam sinais contraditórios dos Estados Unidos e do Irão sobre uma resolução diplomática para a guerra no Médio Oriente, sendo que uma queda dos preços do petróleo está a impulsionar o metal amarelo nesta manhã.
A esta hora, o ouro avança 1,08%, para os 4.533,330 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso soma 2,46%, para os 76,684 dólares por onça.
Num contexto de novos confrontos perto do estreito de Ormuz durante o fim de semana, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irão continuavam “a um ritmo acelerado”, contrariando as ameaças anteriores de Teerão de suspender as negociações indiretas com Washington e encerrar totalmente o estreito de Ormuz, em resposta aos avanços militares de Israel no Líbano.
O petróleo registou uma ligeira descida na terça-feira, após ter fixado o maior ganho em cerca de um mês. “O petróleo está a ser negociado em baixa após a subida de preços de ontem, o que impulsionou uma nova subida do ouro”, disse à Bloomberg Ole Hansen, do Saxo Bank. “O ouro continua a dançar ao som do petróleo, dada a ligação à inflação e, com isso, aos movimentos nas taxas, rendimentos e no dólar”, resumiu o especialista.
O metal amarelo caiu acentuadamente após o início do conflito no final de fevereiro e permanece cerca de 14% abaixo do valor anterior à guerra. Normalmente visto como um ativo-refúgio em tempos de crise, o ouro tem-se movido em grande parte numa relação inversa com o petróleo, já que a crise energética alimenta os receios de uma inflação mais elevada que poderá levar, por sua vez, a um aumento das taxas diretoras – o que costuma pressionar o metal amarelo, que não rende juros.
Petróleo regista ligeira descida após maior subida em um mês devido a impasse entre os EUA e Irão
Os preços do petróleo estão a negociar nesta terça-feira com desvalorizações pouco expressivas, depois de terem registado na sessão de ontem a maior subida em cerca de um mês.
O Brent – de referência para a Europa –, recua 0,64%, para os 94,37 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – cede 0,71%, para os 91,48 dólares por barril.
A incerteza em relação às negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão aumentou o risco de que o fluxo de energia proveniente do golfo Pérsico pudesse ser restringido por mais tempo, depois de ontem o Irão ter ameaçado suspender as negociações indiretas com Washington após novos ataques de Israel no Líbano.
Ainda assim, o petróleo acabu por reverter parte dos ganhos depois de o Presidente Donald Trump ter afirmado que as negociações continuavam de pé. O líder norte-americano disse que um memorando de entendimento com o Irão para reabrir o estreito de Ormuz poderia ser assinado na próxima semana, de acordo com uma conversa telefónica que teve com a ABC News. Washington ainda tinha “de resolver mais alguns pontos” antes de assinar um acordo, afirmou o republicano, citado pela Bloomberg.
A falta de clareza sobre o potencial prolongar do atual cessar-fogo entre Teerão e Washington tem abalado os preços do petróleo, que caíram no mês passado devido ao otimismo de que um acordo poderia ser alcançado. A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim referiu também que Teerão e aliados regionais do regime - como os grupos armados Hezbollah e Hamas - colocaram na agenda o encerramento total de Ormuz, bem como do estreito de Bab al-Mandab, na extremidade sul do Mar Vermelho — uma alternativa crítica para as exportações de petróleo de alguns países da região, como a Arábia Saudita.
“Enquanto o tráfego pelo estreito de Ormuz não se normalizar totalmente e o processo de negociação entre os EUA e o Irão continuar incerto, é provável que os preços do petróleo se mantenham elevados e voláteis”, disse à Bloomberg Linh Tran, da XS.com em Ho Chi Minh, no Vietname.
Para aumentar a confusão sentida pelos “traders”, Trump e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apresentaram versões divergentes sobre uma conversa telefónica relativa aos combates no Líbano. Um cessar-fogo mediado pelos EUA entre Telavive e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, deverá ser alargado para incluir a totalidade do território libanês - e não só Beirute -, com mais negociações a decorrerem na terça e na quarta-feira, afirmou a presidência libanesa numa publicação.
Ásia encerra dividida com apetite pela IA intacto. Tencent dispara quase 10%
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão desta terça-feira divididos entre ganhos e perdas, numa sessão em que as valorizações voltaram a ser impulsionadas por cotadas ligadas à área da inteligência artificial (IA), que beneficiaram do anúncio de que a Anthropic já apresentou um pedido confidencial para entrar em bolsa, à medida que os investidores continuam a seguir de perto os novos desenvolvimentos em torno da guerra no Médio Oriente.
Por Taiwan, o TWSE ganhou 0,48%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong somou 2,04%, enquanto o Shanghai Composite subiu 0,48%. Na Coreia do Sul, o Kospi cedeu 0,19%. Já quanto ao Japão, o Nikkei recuou 0,43% e o Topix perdeu de 0,54%.
A apoiar o sentimento dos investidores esteve, também, uma queda dos preços do petróleo, com o Brent a registar agora perdas de cerca de 1%, para perto de 94 dólares por barril.
Isto após os preços do crude terem registado ganhos na sessão de segunda-feira, depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, terem apresentado versões divergentes sobre uma chamada telefónica entre os dois líderes relativa aos combates israelitas no Líbano. As versões contraditórias acrescentaram uma nova camada de incerteza nos mercados, ainda que Trump tenha mais tarde dito que as negociações com o Irão continuavam de pé, dando algum alívio aos investidores.
“O comércio de IA não está quebrado, mas após uma recuperação tão prolongada, tornou-se extremamente sensível a qualquer notícia que possa reacender a reação em cadeia petróleo-inflação-rendimentos da qual o mercado passou três meses a tentar escapar”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime. O entusiasmo sem paralelo pelo comércio de IA tem vindo a impulsionar as ações globais para máximos históricos, compensando a volatilidade do mercado causada pelas tensões no Médio Oriente.
E embora os investidores ainda antecipem que um acordo entre os EUA e o Irão poderá vir a ser alcançado, as condições frágeis no estreito de Ormuz mantêm os preços da energia no centro das atenções como um fator-chave para as perspetivas de curto prazo em relação à inflação e às taxas de juro no arranque de um mês que contará com novas decisões de vários bancos centrais.
Entre os movimentos do mercado, a tecnológica chinesa Tencent Holdings disparou quase 10%. Já a tecnológica taiwanesa Foxconn ganhou mais de 2%, num dia em que anunciou uma parceria estratégica com a empresa francesa Bull para desenvolver infraestruturas de IA e computação na nuvem destinadas ao mercado global a partir da Europa.
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