Dados económicos franceses pressionam bolsas europeias. Juros aliviam na Zona Euro
Juros negoceiam com alívios em toda alinha na Zona Euro
Dólar sobe e mantém-se perto de máximos de seis semanas. "Traders" à espera de desenvolvimentos no Irão
Ouro perde terreno com dólar mais forte e expectativas de subida dos juros este ano
Brent e WTI negoceiam em contramão. EUA registam maior redução de sempre das reservas estratégicas de crude
Ásia fecha em alta com entusiasmo pela IA de volta. LG e SoftBank disparam 20%
Economia venezuelana cresce 2,5% no 1.º trimestre. Atividade petrolífera regista queda
Europa negoceia com maioria de perdas. Dados económicos vindos de França pressionam investidores
Os principais índices europeus negoceiam com uma maioria de perdas na sessão desta quinta-feira, após três dias consecutivos de valorizações. A pressionar as praças bolsistas do Velho Continente estão dados sobre a atividade empresarial em França que se revelaram mais fracos do que o esperado, alimentando preocupações sobre o crescimento económico da região.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,02% para os 611,48 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cede 0,03%, o italiano FTSEMIB ganha 0,10%, o francês CAC-40 soma 0,32%, o espanhol IBEX valoriza 0,19%, ao passo que o neerlandês AEX sobe 0,40%, num dia em que o britânico FTSE 100 desliza 0,28%.
O Índice Composto de Gestores de Compra (PMI, na sigla em inglês) da S&P Global para França registou uma queda acentuada para 43,5 pontos em maio de 2026, face aos 47,6 registados em abril, ficando este valor bastante abaixo das previsões do mercado, que apontavam para 47,7 pontos, de acordo com estimativas preliminares. Os dados mais recentes revelaram que o setor privado francês registou uma contração pelo quinto mês consecutivo, ao ritmo mais acentuado desde novembro de 2020, impulsionado por uma desaceleração mais rápida nos serviços e por uma renovada fraqueza na indústria transformadora.
Os dados juntam-se às preocupações com o impacto económico da guerra no Irão e do fecho do estreito de Ormuz, sendo que as ações europeias têm ficado aquém das congéneres nos Estados Unidos e na Ásia desde o início do conflito, a 28 de fevereiro, devido, também, à falta de um maior número de cotadas ligadas à inteligência artificial no Velho Continente, à maior dependência das importações de energia e à crescente perspetiva de subidas das taxas de juro pelo Banco Central Europeu neste ano.
Entre os setores, o do turismo (-0,77%), o da banca (-0,59%) e o do aeroespaço e defesa (-0,48%) registam as maiores quedas. Por outro lado, o automóvel (+0,50%), o da saúde (+0,25%) e o das seguradoras (+0,23%) lideram as valorizações.
Quanto aos movimentos do mercado, a empresa britânica de telecomunicações BT Group cede cerca de 2%, depois de ter previsto uma diminuição das receitas para 2027, ficando aquém das estimativas dos analistas.
Juros negoceiam com alívios em toda alinha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar alívios em toda a linha na sessão desta quinta-feira, com um ligeiro recuo dos preços do crude, registados sobretudo ontem, a aliviar as preocupações quanto a uma escalada da inflação na região.
Isto num dia em que foi revelado que o Índice Composto de Gestores de Compra (PMI, na sigla em inglês) da S&P Global para França registou uma queda acentuada para 43,5 pontos em maio de 2026. Os dados mais recentes revelaram que o setor privado francês registou uma contração pelo quinto mês consecutivo, ao ritmo mais acentuado desde novembro de 2020, impulsionado por uma desaceleração mais rápida nos serviços e por uma renovada fraqueza na indústria transformadora.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam 2,2 pontos-base para os 3,071%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cede 1,6 pontos-base para 3,700%. Já em Itália, os juros recuam 2 pontos-base para 3,807%.
Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos cai 1,7 pontos-base, para 3,440%, com a “yield” das obrigações espanholas a ceder 1,6 pontos, neste caso para 3,501%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam de forma mais expressiva e caem 2,5 pontos para 4,962%.
Ouro perde terreno com dólar mais forte e expectativas de subida dos juros este ano
O ouro está a negociar com desvalorizações nesta manhã, com a subida dos juros das “Treasuries” norte-americanas e uma valorização do dólar a pesarem sobre o metal amarelo nesta quinta-feira, enquanto as esperanças de uma resolução do conflito entre os EUA e o Irão limitam as perdas.
A esta hora, o ouro cede 0,60%, para os 4.516,820 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso perde 1,21%, para os 74,976 dólares por onça.
O metal amarelo avançou mais de 1% na quarta-feira, após ter caído para o seu valor mais baixo desde 30 de março no início da sessão de ontem.
O ouro já perdeu mais de 14% desde o início da guerra no Médio Oriente no final de fevereiro, uma vez que o metal, que não rende juros, tende a perder terreno face às expectativas de taxas de juro mais elevadas.
Neste contexto, os mercados estão cada vez mais a precificar as possibilidades de a Reserva Federal apertar a política monetária este ano, com uma probabilidade de 39% de um aumento de 25 pontos-base previsto para dezembro, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group. A ata da reunião de abril da Fed revelou que a maioria dos decisores de política monetária considerava que “algum endurecimento das taxas diretoras seria provavelmente apropriado” se a inflação se mantivesse persistentemente acima da meta de 2% do banco central.
No plano geopolítico, o Irão afirmou estar a analisar a mais recente posição de Washington sobre o fim da guerra, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter sugerido que estava disposto a esperar alguns dias para “obter as respostas certas” de Teerão.
Dólar sobe e mantém-se perto de máximos de seis semanas. "Traders" à espera de desenvolvimentos no Irão
O dólar está a registar valorizações nesta manhã, mantendo-se perto de máximos de seis semanas, à medida que os investidores pesam a possibilidade de taxas de juro mais elevadas para combater a inflação causada pela guerra no Irão.
Neste contexto, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – soma 0,23% para os 99,317 pontos, mantendo-se abaixo do pico de 99,472 atingido na quarta-feira, o nível mais forte desde 7 de abril.
A “nota verde” ganha 0,06% para os 159,020 ienes. Isto depois de ter caído pela primeira vez em oito sessões face à divisa nipónica na quarta-feira. Junko Koeda, membro do conselho de política monetária do Banco do Japão, reforçou o apoio ao iene com comentários "hawkish” na quinta-feira, afirmando num discurso que o banco central precisa de continuar a aumentar as taxas, com a inflação subjacente já a rondar a meta de 2%.
Por cá, o euro regista uma descida de 0,19% para 1,160 dólares, enquanto a libra cai 0,11% para 1,342 dólares.
Noutros pontos, o dólar australiano regista desvalorizações na sequência de um aumento inesperado da taxa de desemprego no país para o nível mais alto desde 2021, o que reduziu os argumentos a favor de uma subida das taxas de juro.
O dólar australiano caiu 0,55% para 0,7111 dólares, à medida que os "traders” reduzem as apostas num aperto monetário do Banco Central da Austrália este ano. Dados do Gabinete Australiano de Estatísticas revelaram que a taxa de desemprego subiu para 4,5%, acima das expectativas dos analistas, que apontavam para um valor estável de 4,3%.
Brent e WTI negoceiam em contramão. EUA registam maior redução de sempre das reservas estratégicas de crude
Os preços do petróleo estão a negociar entre ganhos e perdas nesta manhã, à medida que os investidores acompanham as negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, enquanto a escassez de oferta e a redução dos “stocks” norte-americanos proporcionaram algum apoio aos preços do crude.
Nesta medida, o Brent – de referência para a Europa –, ganha 1,31% para os 106,40 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – perde 0,82%, para os 107,77 dólares por barril. Na sessão anterior, os contratos de futuros recuaram mais de 5%, atingindo o valor mais baixo em mais de uma semana, depois de o Presidente Donald Trump ter afirmado que as negociações com o Irão se encontravam na fase final, ainda que tenha ameaçado com novos ataques caso Teerão não concordasse com um acordo de paz.
O Irão advertiu contra novos ataques e revelou medidas para consolidar o seu controlo sobre o estreito de Ormuz, que permanece praticamente encerrado. Na quarta-feira, Teerão anunciou uma nova “Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico”, afirmando que haveria uma “zona marítima controlada” pelo país no estreito de Ormuz.
E as perdas de abastecimento provenientes da principal região produtora do Médio Oriente devido à guerra têm obrigado países a recorrer aos seus inventários comerciais e estratégicos a um ritmo acelerado, suscitando preocupações quanto ao esgotamento destes “stocks”.
A Administração de Informação Energética dos EUA (EIA) anunciou na quarta-feira que o país retirou quase 10 milhões de barris de petróleo da sua reserva estratégica de crude na semana passada, a maior redução de sempre nas reservas de “ouro negro” norte-americanas.
Ásia fecha em alta com entusiasmo pela IA de volta. LG e SoftBank disparam 20%
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão desta quinta-feira em alta e aproximaram-se de novos máximos - à exceção das praças bolsistas chinesas -, num dia em que os investidores voltaram a apostar em força em cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) após os resultados da Nvidia e à medida que uma série de futuras ofertas públicas iniciais (IPO) manteve elevado o entusiasmo pelo setor tecnológico.
Neste contexto, o índice regional MSCI Ásia-Pacífico pulou mais de 2%, enquanto os futuros do norte-americano S&P 500 negoceiam sem grandes alterações e os do Euro Stoxx 50 perdem 0,20%.
Por Taiwan, o TWSE ganhou 3,37%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,73%, enquanto o Shanghai Composite desvalorizou 1,48%. Na Coreia do Sul, o Kospi disparou 8,36% para fixar o maior ganho desde o início de abril. Já quanto ao Japão, o Nikkei avançou 3,09% e o Topix subiu 1,77%.
No plano geopolítico, o Presidente Donald Trump afirmou que os EUA se encontravam na “fase final” das negociações com a República Islâmica, aumentando as expectativas de um reinício a curto prazo dos fluxos de energia através do estreito de Ormuz. As declarações do republicano ajudaram o petróleo a registar uma descida na quarta-feira, fator que atenuou as preocupações com a inflação.
“Os mercados tecnológicos da Ásia estão a surfar hoje numa clara onda de alívio, com os resultados espetaculares da Nvidia a pressionarem efetivamente o botão de reinício do sentimento regional”, disse à Bloomberg Hebe Chen, analista da Vantage Global Prime. “A diminuição da tensão geopolítica contribuiu para o clima de apetite pelo risco, ajudando a reavivar o apetite que tinha sido reprimido pelo aumento das taxas de rendimento das obrigações e pela persistente incerteza macroeconómica”, acrescentou o especialista.
Nesta linha, a LG Electronics disparou quase 20% e a Hyundai Mobis pulou mais de 25% em Seul depois de o CEO da Nvidia, Jensen Huang, ter destacado a IA física e a robótica como “a segunda categoria” que apresentará maior crescimento nos próximos tempos. A gigante dos chips Samsung Electronics subiu 8% após evitar uma greve.
A própria Nvidia não beneficiou do clima, com as ações da cotada norte-americana a caírem 1,3% no pré-mercado, mesmo depois de os resultados terem superado as estimativas.
Por outro lado, o SoftBank Group avançou mais de 20% em Tóquio, com a OpenAI a preparar-se para apresentar um pedido de oferta pública inicial, enquanto a SpaceX já apresentou o seu pedido de IPO.
Economia venezuelana cresce 2,5% no 1.º trimestre. Atividade petrolífera regista queda
A economia da Venezuela cresceu 2,51% no primeiro trimestre, em termos homólogos, apesar de a atividade petrolífera ter registado uma queda de 2,12%, de acordo com dados oficiais divulgados. O produto interno bruto (PIB) não petrolífero cresceu 3,11%, divulgou ainda o Banco Central da Venezuela (BCV) na quarta-feira.
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