Europa negoceia no vermelho. "Benchmark" da Hungria contraria e atinge recorde com derrota de Orbán
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Dólar valoriza com maior procura enquanto ativo-refúgio
Ouro perde terreno com dólar mais forte e "traders" menos otimistas sobre cortes de juros
Petróleo volta a disparar com receios de nova escalada do conflito no Médio Oriente. Brent acima dos 100 dólares
Bloqueio de Ormuz pelos EUA começa esta segunda-feira. Só abrange passagem por portos iranianos
Ásia fecha no vermelho com incerteza sobre rumo do conflito no Médio Oriente
Europa negoceia no vermelho. "Benchmark" da Hungria contraria e atinge recorde com derrota de Orbán
Os principais índices europeus negoceiam praticamente todos no vermelho, pressionadas por uma subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais depois de os Estados Unidos (EUA) e o Irão não terem chegado a um acordo nas negociações deste fim de semana no Paquistão, o que levou o Presidente norte-americano a ordenar o bloqueio do estreito de Ormuz para navios que entrem ou saiam de portos iranianos. Em contramão, o “benchmark” da Hungria segue a somar mais de 3% e negoceia em máximos históricos, após a derrota de Viktor Orbán nas eleições deste domingo.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – cede 0,68%, para os 610,68 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,88%, o espanhol IBEX 35 recua 1,16%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,72%, o francês CAC-40 cede 1,10%, ao passo que o neerlandês AEX cai 0,40% e o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,39%.
E numa altura em que a Europa se prepara para o arranque da divulgação de contas do primeiro trimestre deste ano – com a LVMH (-1,89%) a apresentar resultados já hoje -, “é difícil imaginar como os mercados poderão registar uma recuperação sustentável sem uma solução sustentável para esta crise [no Médio Oriente]”, disse à Bloomberg Gilles Guibout, do BNP Paribas Asset Management.
E dado os novos desenvolvimentos, as cotadas que estão mais expostas ao conflito seguem a marcar a negociação desta segunda-feira. Um índice do UBS Group composto por ações de companhias aéreas europeias cede mais de 3%, enquanto o petróleo Brent avança mais de 7%, para cerca de 102 dólares por barril.
A Deutsche Lufthansa (-4,36%) e a EasyJet (-4,01%) estão entre as que mais desvalorizam. Por outro lado, o setor energético regista o melhor desempenho e é mesmo o único no verde, com as ações das gigantes petrolíferas Shell Plc e BP Plc a valorizarem acima de 1%.
Noutros movimentos, o índice bolsista húngaro BUX soma perto de 3% e atingiu um máximo histórico no arranque da sessão acima dos 137 mil pontos, após a vitória esmagadora de Péter Magyar nas eleições de domingo, que pôs fim ao período de liderança de 16 anos de Viktor Orbán.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se, alimentando as subidas registadas na sexta-feira, à medida que os mercados reforçam as apostas num aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu (BCE), com os preços da energia a voltarem a escalar após as negociações entre Washington e Teerão terem fracassado e o Presidente Donald Trump ter ordenado o bloquio do estreito de Ormuz para embarcações que entrem ou saiam de portos iranianos.
Nesta linha, os “swaps” apontam para um aumento de 12,5 pontos-base por parte do BCE ainda este mês, acima dos 9 pontos-base de subidas que era antecipado na sexta-feira.
Neste contexto, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 0,9 pontos-base, para 3,464%. Em Espanha, a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e sobe 1 ponto, para 3,524%.
Já os juros da dívida soberana italiana escalam 2 pontos, para 3,859%. Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 1,2 pontos, para 3,715%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, somam 1,1 pontos, para os 3,056%.
Já fora da Zona Euro, os juros das “gilts” britânicas, também a dez anos, avançam 2,8 pontos-base, para os 4,861%, numa altura em que os "traders” esperam mais 2 pontos-base de subidas das taxas do Banco de Inglaterra este ano, o que implica um aumento total de 47 pontos-base até ao final do ano.
Petróleo volta a disparar com receios de nova escalada do conflito no Médio Oriente. Brent acima dos 100 dólares
Os preços do petróleo voltaram a negociar com fortes valorizações nesta segunda-feira, depois de no conjunto da semana passada terem registado uma queda de mais de 10%. A impulsionar os preços está o facto de os Estados Unidos (EUA) e o Irão não terem conseguido chegar a um acordo durante as negociações em Islamabad, capital do Paquistão, o que levou Donald Trump a anunciar que as forças americanas vão começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir das 10h, hora de Nova Iorque, desta segunda-feira (15h em Lisboa).
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Dólar valoriza com maior procura enquanto ativo-refúgio
O dólar segue a valorizar na sessão desta segunda-feira, apoiado por um aumento da procura enquanto ativo-refúgio e por uma nova valorização do petróleo nos mercados internacionais, depois de as negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, que decorreram este fim de semana em Islamabad, capital do Paquistão, terem chegado ao fim sem nenhum acordo entre as partes.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – avança 0,26%, para os 98,906 pontos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse no domingo que a Marinha dos EUA vai iniciar um bloqueio aos portos iranianos. O Comando Central dos EUA afirmou que as forças norte-americanas vão começar a implementar este bloqueio a partir das 15 horas de Lisboa desta segunda-feira.
Face ao iene, o dólar valoriza 0,22%, para os 159,620 ienes. Isto num dia em que as taxas de rendibilidade das obrigações japonesas com maturidade a 10 anos subiram 5,5 pontos base, para 2,49%, o nível mais alto em quase três décadas.
Nesta linha, os "traders" aguardam por um discurso do governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, ainda esta segunda-feira, que poderá dar pistas sobre a forma como o banco central irá reagir ao choque energético causado pela guerra no Irão, sendo a àsia uma das principais regiões afetadas pelo corte no abastecimento.
Por cá, o euro cai 0,22%, para 1,169 dólares. Da mesma forma, a libra esterlina perde 0,21%, para 1,343 dólares.
Entretanto, o florim húngaro disparou depois de Viktor Orbán ter perdido o poder para o partido de centro-direita Tisza, nas eleições nacionais de domingo, após 16 anos no cargo.
A moeda do país chegou a valorizar 1,7% face ao dólar, para 314,55 florins — o seu nível mais forte desde janeiro — e subiu 2% face ao euro, atingindo o seu valor mais alto em três anos.
Ouro perde terreno com dólar mais forte e "traders" menos otimistas sobre cortes de juros
O ouro está a perder terreno nesta segunda-feira, à medida que uma escalada dos preços do crude, na sequência do fracasso das negociações entre Washington e o Irão, segue a alimentar os receios de uma subida da inflação, o que está a levar os “traders” a atenuar as expectativas de cortes nas taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o ouro recua 0,39%, para os 4.731,250 dólares por onça, já depois de ter atingido mínimos de cerca de uma semana nos 4.643 dólares por onça no arranque da sessão. No que toca à prata, o metal precioso perde 1,67%, para os 74,609 dólares por onça.
O metal amarelo já caiu mais de 11% desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão começou, a 28 de fevereiro. Embora a inflação e os riscos geopolíticos normalmente aumentem o apelo do ouro enquanto ativo-refúgio, taxas diretoras mais elevadas pesam sobre o metal, que não rende juros.
Nesta linha, os "traders" consideram agora que há poucas hipóteses de um corte das taxas de juro nos EUA este ano, uma vez que os preços mais elevados da energia ameaçam alimentar uma inflação mais generalizada e limitar a flexibilização monetária. Antes do início da guerra no Médio Oriente, havia expectativas de dois cortes das taxas de juro pela Reserva Federal ao longo deste ano.
Um dólar mais forte também está a pressionar a procura por ouro, já que o metal se torna mais caro para detentores de outras divisas.
Ásia fecha no vermelho com incerteza sobre rumo do conflito no Médio Oriente
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão no vermelho, com o sentimento dos investidores a ser pressionado por uma nova escalada do crude, depois de os Estados Unidos (EUA) e o Irão não terem alcançado um acordo nas negociações deste fim de semana em Islamabad. Dado o falhanço das conversações, Donald Trump, Presidente norte-americano, ordenou o bloqueio do estreito de Ormuz, adicionando uma nova camada de incerteza sobre o futuro do conflito no Médio Oriente.
Pelo Japão, o Topix caiu 0,47%. O Nikkei seguiu a mesma tendência e perdeu 0,81%. Já por Taiwan, o TWSE avançou 0,11%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi desvalorizou 0,99%. No que toca à China, o Hang seng de Hong Kong caiu 1,17% e o Shanghai Composite recuou 0,0055%.
A Samsung Electronics (-2,43%) e a TSMC (-0,50%) estiveram entre as empresas que mais contribuíram para a descida dos índices. Isto num dia em que o preço do petróleo voltou a disparar devido a receios de que a medida dos EUA de bloquear o estreito de Ormuz a partir das 15 horas de Portugal Continental, possa agravar o corte do fluxo de energia através da importante via.
“Isto é muito perigoso porque, neste momento, estamos a transformar um conflito regional num conflito potencialmente global”, referiu à Bloomberg Jorge Montepeque, da Onyx Capital Group.
E com alguns navios a transportar petróleo com destino à China, “irá a Marinha dos EUA bloquear esses navios, provocando assim uma crise nas relações entre os EUA e a China?”, questionou Michael Ratney, antigo embaixador dos EUA na Arábia Saudita. Em março, o Irão continuava a exportar petróleo através do golfo Pérsico, sendo a China o principal destino, embora os fluxos tenham diminuído em relação ao mês anterior, de acordo com estimativas preliminares compiladas pela Bloomberg.
Também o colapso das negociações de paz com o Irão durante o fim de semana suscita preocupações quanto a um conflito prolongado. “Pensamos que o risco de conflito continuará a dominar, pelo que os preços do petróleo permanecerão mais elevados durante mais tempo, os preços das matérias-primas também permanecerão mais elevados durante mais tempo, e isso causará um pouco de inflação”, disse à agência de notícias financeiras Isaac Thong, da Aberdeen Investments. Ainda assim, “continuamos otimistas em relação aos semicondutores e aos setores impulsionados pela IA”, acrescentou.
Os índices de referência em Taiwan e na China oscilaram no dia seguinte à maior economia da Ásia ter anunciado medidas políticas para demonstrar “boa vontade” para com a ilha no domingo, na sequência de uma reunião histórica entre o Presidente Xi Jinping e a líder da oposição de Taiwan, Cheng Li-wun.
Bloqueio de Ormuz pelos EUA começa esta segunda-feira. Só abrange passagem por portos iranianos
As forças americanas vão começar a bloquear todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos a partir das 10h, hora de Nova Iorque, desta segunda-feira (15h em Lisboa), anunciou o Comando Central dos EUA, depois de o Presidente Donald Trump ter dito que o iria fazer após negociações de paz falhadas este fim de semana, em Islamabad.
"O bloqueio vai ser aplicado de forma imparcial a todas as embarcações, de todas as nações, que entrem ou partam de portos iranianos e zonas costeiras, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Arábico e no Golfo de Omã", pode ler-se num comunicado citado pela Bloomberg.
As forças americanas esclarecem que não vão impedir a navegação de embarcações que façam a travessa do estreito de Ormuz sem se dirigirem a portos irianianos.
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