Europa encerra sem rumo em dia de turbulência no mercado de dívida. IG Group dispara 11%
Juros da Zona Euro são apanhados em "sell-off" global e voltam a disparar
Dólar reforça ganhos com juros da dívida a longo prazo em máximos de 2007
Ouro cai com investidores atentos à inflação. Prata em mínimos de duas semanas
Petróleo desce depois de Trump cancelar novos ataques
Juros das "Treasuries" a 30 anos em máximos de 2007
Tecnológicas arrastam Wall Street para o vermelho. Home Depot cede mais de 2% após resultados
Taxa Euribor sobe a seis meses para máximo desde janeiro de 2025
Europa ganha terreno com impulso de setor da defesa. Britânica Curry dispara 11%
Juros aliviam na Zona Euro e acompanham queda dos preços do petróleo
Dólar soma valorizações após Trump suspender ataque contra Irão
Ouro e prata perdem terreno com Médio Oriente em foco
Petróleo cede com aparente aproximação entre EUA e Irão. Washington volta a aliviar sanções à Rússia
Ásia fecha sessão em baixa com tecnológicas a pressionarem. Nintendo salta mais de 5%
Economia do Japão cresceu 0,5% entre janeiro e março impulsionada por consumo e exportações
Europa encerra sem rumo em dia de turbulência no mercado de dívida. IG Group dispara 11%
As principais praças europeias terminaram a sessão desta terça-feira divididas entre ganhos e perdas, com uma série de resultados trimestrais positivos a dar força às ações da região e a permitir que os investidores conseguissem ignorar, em parte, um "sell-off" no mercado da dívida global.
O Stoxx 600 - "benchmark" para a negociação europeia - conseguiu encerrar a negociação no verde, avançando 0,19% para 611,34 pontos, com o setor da defesa, da saúde e o alimentar a animarem a sessão. Do outro lado da tabela, as perdas foram encabeçadas pelo setor mineiro, num dia de perdas para os metais preciosos - a prata está a afundar cerca de 4%. Também as ações ligadas à construção pesaram sob a negociação.
Apesar de o setor da tecnologia até ter conseguido avançar, a ASML Holdings acabou por ser apanhada num "sell-off" de ações de fabricantes de semicondutores. A empresa neerlandesa caiu 1,22% para 1.249 euros, num dia em que as tecnológicas norte-americanas estão a arrastar os principais índices do país para território negativo.
A guerra no Médio Oriente permaneceu em foco, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que pode ter de voltar a atacar o Irão outra vez. Na segunda-feira, o líder norte-americano anunciou que decidiu cancelar uma nova investida contra o país do golfo Pérsico, que estaria planeada para esta terça-feira.
Entre as principais movimentações de mercado, a Evolution AB disparou mais de 7%, depois de a empresa de tecnologia para casinos online sueca ter aprovado um programa de recompra de ações no valor de dois mil milhões de euros. Já o IG Group disparou 11% para um novo máximo histórico, após a corretora ter registado receitas no primeiro trimestre que ficaram acima das expectativas dos analistas e ter revisto em alta o "outlook" para o resto do ano.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX avançou 0,38%, o neerlandês AEX somou 0,31% e o britânico FTSE 100 registou ganhos de 0,07%. Já o italiano FTSEMIB perdeu 0,65%, o francês CAC-40 desvalorizou 0,07% e o espanhol IBEX perdeu 0,48%,
Juros da Zona Euro são apanhados em "sell-off" global e voltam a disparar
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro encerraram a sessão desta terça-feira com agravamentos, embora em menor mangitude dos que os registados nos EUA, num dia os mercados globais de dívida enfrentaram um "sell-off". A persistência dos preços da energia em níveis elevados, aliada à falta de desenvolvimentos nas negociações de paz entre Washington e Teerão, está a levar os investidores a aumentarem as probabilidades de os bancos centrais terem de avançar com mais subidas nas taxas de juro.
Esta terça-feira, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, admitiu que o Banco Central Europeu (BCE) possa vir a ter de "fazer alguma coisa" para lidar com "o choque no abastecimento energético persistente" que a Zona Euro está a enfrentar. "A probabilidade de assistirmos a um aumento da inflação em todo o lado está a aumentar", afirmou, não descartando a hipótese da autoridade monetária avançar com uma subida nas taxas de juro já em julho.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleraram 4,4 pontos-base para 3,190%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade subiu 5,2 pontos para 3,828%. Já os juros da dívida italiana registaram a maior subida da Zona Euro, ao crescerem 5,9 pontos para 3,962%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida soberana portuguesa a dez anos saltaram 5,2 pontos-base para 3,559%, enquanto os da espanhola na maturidade de referência aceleraram 5,4 pontos para 3,624%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas agravaram-se em 3 pontos-base para 5,128%, enquanto os das "Tresuries" norte-americanas na maturidade de referência disparam 9,1 pontos para 4,678%. No arranque da sessão, a "yield" da dívida dos EUA no prazo mais longo atingiu máximos de quase duas décadas.
Dólar reforça ganhos com juros da dívida a longo prazo em máximos de 2007
O dólar está a conseguir avançar contra os seus principais rivais, mesmo depois de Donald Trump ter anunciado que ia cancelar um ataque que estava previsto para esta terça-feira contra o Irão, num dia em que os juros da dívida norte-americana a longo prazo atingiram máximos de quase duas décadas.
A "yield" das "Tresurires" dos EUA a 30 anos tocou nos 5,19% pela primeira vez desde 2007, em vésperas de uma crise financeira global que abalou economias pelo mundo todo. A pressão da venda global de dívida continua assim a aumentar, numa altura em que persistem os receios de um choque inflacionário devido ao bloqueio do estreito de Ormuz, que levou os preços da energia a dispararem.
A esta hora, o euro recua 0,51% para 1,1596 dólares, enquanto a libra cede 0,32% para 1,3391 dólares. Por sua vez, a "nota verde" acelera 0,17% para 159,09 ienes, tendo chegado a atingir o valor mais elevado face à divisa nipónica desde finais de abril e aproximando-se, mais uma vez, dos 160 ienes - considerado pelo mercado como o nível de intervenção por parte das autoridades japonesas.
Já o dólar australiano chegou a ceder 1,2% para 0,7085 dólares norte-americanos, atingindo mínimos de um mês, mesmo depois de o banco central da Austrália ter dito que subir as taxas de juro pela terceira reunião consecutiva daria ao conselho margem para acompanhar o impacto da guerra no Médio Oriente nas famílias e empresas.
Pelos EUA, os mercados estão agora a incorporar nos preços uma probabilidade de 37,4% de um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juro na reunião de dois dias do banco central dos EUA a 9 de dezembro, em comparação com uma probabilidade quase nula há um mês, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
Ouro cai com investidores atentos à inflação. Prata em mínimos de duas semanas
O ouro está a registar uma queda esta tarde, numa altura em que as preocupações com a subida da inflação persistente estão a fazer soar os alarmes do mercado, que acreditam que os bancos centrais serão obrigados a aumentar as taxas de juro, em vez de procederem aos cortes que os investidores esperavam antes de os EUA e Israel terem começado a guerra contra o Irão.
As preocupações com as pressões sobre os preços decorrentes da guerra no Irão ajudaram a alimentar uma onda de vendas nos mercados obrigacionistas a nível mundial, com os juros a 30 anos a subirem níveis vistos pela última vez durante a crise financeira global de 2007.
Além disso, também a força do dólar está a retirar gás ao ouro. O metal amarelo tomba 1,5% para 4.497,49 dólares por onça, tendo registado perdas de quase 15% desde o início do conflito.
"Continuamos a considerar o ouro como uma cobertura útil contra as incertezas globais, tendo em conta as significativas mudanças políticas e económicas que se verificam a nível mundial, as quais parecem destinar-se a acelerar nos próximos anos", disse Vasu Menon, estratega da Oversea-Chinese Banking Corp., à Bloomberg.
Esta segunda-feira, o Presidente dos EUA cancelou os novos ataques planeados ao Irão, cedendo a pedidos feitos pelos aliados, que garantem que estão a haver sérias negociações. Também as recentes declarações de Donald Trump alimentaram as esperanças de um entendimento que permita normalizar a situação no estreito de Ormuz.
"Este cenário retiraria de cima da mesa o pior cenário para a inflação, podendo enfraquecer o dólar e apoiar os preços do ouro. Neste contexto, é expectável que os preços do ouro permaneçam próximos dos níveis atuais no curto prazo, enquanto os investidores acompanham atentamente quaisquer desenvolvimentos suscetíveis de influenciar o impasse entre os Estados Unidos e o Irão e alterar as expectativas relativamente à política monetária da Reserva Federal, com impacto subsequente nos preços do ouro", disse Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, numa nota que a Negócios teve acesso.
Noutros metais, a prata mergulha 4,54% para 74,19 dólares por onça, caindo para mínimos de duas semanas. O metal branco registou fortes oscilações este mês, tendo, na semana passada, a chegar a quase 90 dólares.
Petróleo desce depois de Trump cancelar novos ataques
Os preços do petróleo estão a cair nos mercados internacionais, depois de o Presidente dos EUA ter cancelado novos ataques ao Irão, na sequência de um apelo de aliados regionais, os líderes da Arábia Saudita, do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.
Donald Trump tem ameaçado por várias vezes atacar Teerão se não for alcançado um acordo "aceitável", sem estabelecer um prazo, enquanto decorrem "negociações sérias", disseram os aliados.
O West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, perde 1,11% para 107,45 dólares por barril, enquanto o Brent, que serve de referência para a Europa, recua 1,83% para 110,05 dólares por barril.
"Estas intervenções verbais vazias de Trump costumavam ter um forte impacto negativo nos preços, mas agora parecem ter cada vez menos efeito, a menos que sejam apoiadas pela realidade", afirmou Bjarne Schieldrop, analista-chefe de commodities da SEB AB, à Bloomberg, acrescentando que o mercado ainda não viu progressos reais nas negociações entre as duas partes, que ainda lutam pelas exigências que têm feito.
Entretanto, o bloqueio da travessia marítima dos navios que cheguem e saiam dos portos iranianos deixou o terminal petrolífero da ilha de Kharg inativo durante, pelo menos, 10 dias. O encerramento acabou por enfraquecer financeiramente o Teerão, altamente dependente das receitas com o crude, e retirou milhões de barris do mercado mundial. Ainda esta segunda-feira, a Agência Internacional de Energia deixou o alerta que dentro de semanas a "almofada" de reservas de petróleo vai esgotar-se dentro de semanas.
Juros das "Treasuries" a 30 anos em máximos de 2007
Os juros da dívida soberana dos EUA – as chamadas "Treasuries" – no prazo a 30 anos atingiu nesta terça-feira valores que já não eram vistos desde meados de 2007 – período que antecedeu a grave crise financeira que abalou o mundo. A pressão sobre a venda global de dívida continua a aumentar, numa altura em que persistem os receios de um choque inflacionário.
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Tecnológicas arrastam Wall Street para o vermelho. Home Depot cede mais de 2% após resultados
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira em território negativo, pressionados por um "sell-off" no setor tecnológico, numa altura em que os investidores aproveitam os máximos mais recentes nas ações ligadas à inteligência artificial (IA) para procederem à retirada de mais-valias.
A esta hora, o S&P 500 recua 0,55% para 7.362,46 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite perde 0,66% para 25.919,55 pontos e o industrial Dow Jones cai 0,67% para 49.353,60 pontos. Os três índices encerraram a sessão anterior divididos entre ganhos e perdas, num dia marcado por grande volatilidade, com os investidores a avaliarem sinais mistos vindos do Médio Oriente sobre o futuro das negociações entre EUA e Irão-
A uma hora do fecho de Wall Street, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que decidiu cancelar um ataque contra o Irão que estaria programado para esta terça-feira. Numa publicação nas redes sociais, o líder norte-americano afirmou que "estão a decorrer negociações sérias" e que, na opinião dos seus aliados locais, “será alcançado um acordo bastante aceitável para os EUA, assim como para todos os países do Médio Oriente e não só”.
O anúncio permitiu aos três principais índices recuperarem parcialmente das perdas - com o Dow Jones a conseguir acelerar mesmo para território positivo -, mas hoje o otimismo já não se faz sentir. O agravamento das "yields" norte-americanas, com os juros a 30 anos a atingirem máximos de 2007, aliado aos receios com uma inflação descontrolada e aos preços do petróleo elevados estão a eliminar o apetite pelo risco dos investidores.
"Os investidores estão ansiosos para que o conflito no Médio Oriente chegue ao fim, uma vez que isso deveria, em teoria, ajudar a fazer baixar os preços do petróleo, atenuar os rumores sobre subidas das taxas de juro e voltar a centrar o debate no crescimento económico", explica Dan Coatsworth, diretor de mercados da AJ Bell, à Bloomberg. "Por enquanto, o conflito continua a agitar-se e os investidores mantêm-se ligeiramente cautelosos", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Home Depot cai 2,60% para 292 dólares, depois de as vendas comparáveis da empresa ter ficado aquém das expectativas dos analistas. A atividade do negócio tem sido não só afetada pelas taxas de juro em terreno restritivo e pelos preços elevados da habitação, mas também pela decisão dos consumidores de adiar grandes projetos devido ao clima de incerteza económcia que se vive.
Por sua vez, no setor tecnológico, a Nvidia cede 0,37% para 221,50 dólares, numa altura em que os investidores reajustam posições na cotada à espera dos seus resultados trimestrais, que vão ser apresentados na quarta-feira após o fecho da sessão. Já a Micron Technology consegue contrariar o pessimismo do setor e avança 0,77%.
Taxa Euribor sobe a seis meses para máximo desde janeiro de 2025
A taxa Euribor desceu, de novo, a três meses e subiu a seis e 12 meses, no prazo mais curto para um novo máximo desde janeiro de 2025.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que baixou para 2,201%, continuou abaixo das taxas a seis (2,619%) e a 12 meses (2,848%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou, ao ser fixada em 2,619%, mais 0,025 pontos do que na segunda-feira e um novo máximo desde janeiro de 2025.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a março indicam que a Euribor a seis meses representava 39,41% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,62% e 24,65%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também subiu, para 2,848%, mais 0,018 pontos do que na sessão anterior.
Em sentido contrário, a Euribor a três meses baixou, pela quarta sessão consecutiva, ao ser fixada em 2,201%, menos 0,018 pontos do que na sessão anterior e depois de ter subido na passada quarta-feira para um novo máximo desde abril de 2025 (2,283%).
A média mensal da Euribor subiu nos três prazos em abril, mas de forma mais acentuada nos mais longos e menos do que em março.
A média mensal da Euribor em abril subiu 0,066 pontos para 2,175% a três meses.
Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor avançou 0,132 pontos para 2,454% e 0,182 pontos para 2,747%, respetivamente.
Juros aliviam na Zona Euro e acompanham queda dos preços do petróleo
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar alívios contidos em praticamente toda a linha na sessão desta terça-feira, com um ligeiro recuo dos preços do crude a aliviar as preocupações quanto a uma escalada da inflação na região.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, contrariam a tendência e agravam-se em 0,1 pontos-base, para os 3,147%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade alivia 0,3 pontos-base, para 3,773%. Já em Itália, os juros cedem 1,7 pontos-base, para 3,886%.
Pela península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos cai 0,5 pontos-base, para 3,503%, com a “yield” das obrigações espanholas a ceder 0,3 pontos, neste caso para 3,567%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam de forma mais expressiva e caem 4,2 pontos, para 5,055%.
Europa ganha terreno com impulso de setor da defesa. Britânica Curry dispara 11%
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos pela segunda sessão consecutiva. O sentimento dos investidores está a ser impulsionado por declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que ontem anunciou que iria suspender um ataque militar planeado para esta terça-feira contra o Irão com o objetivo de chegar a um acordo com Teerão, depois de a República Islâmica ter feito chegar a sua mais recente contraproposta para pôr fim à guerra a Washington.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,79%, para os 614,96 pontos, já depois de ter atingido mínimos de duas semanas mais perto do arranque da sessão.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX pula 1,29%, o italiano FTSEMIB ganha 0,18%, o francês CAC-40 avança 0,88%, o espanhol IBEX valoriza 0,48%, ao passo que o neerlandês AEX soma 0,87%, num dia em que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,71%.
Neste contexto, os investidores estão a reforçar posições em ativos de risco, à medida que o petróleo negoceia em queda, ainda que o Brent - preço de referência do barril para o Velho Continente – ainda se fixe ligeiramente acima dos 110 dólares.
Existe alguma esperança de que “o mais recente adiamento do conflito conduza a um acordo e à reabertura do estreito de Ormuz”, disse à Bloomberg Roger Lee, da Cavendish. Ainda assim, as ações europeias têm apresentado um desempenho inferior ao das suas congéneres norte-americanas desde o início da guerra no Médio Oriente, uma vez que os investidores temem que o crescimento da região venha a ficar sob pressão devido aos preços mais elevados da energia e à dependência da União Europeia de importações de matérias-primas como o “ouro negro” e o gás natural.
Neste contexto, os mercados apresentam agora o maior nível de pessimismo quanto às perspetivas de crescimento europeu desde outubro de 2024, de acordo com um inquérito a gestores de fundos europeus feito pelo Bank of America.
Quanto aos setores, praticamente todos negoceiam com valorizações, sendo que o do aeroespaço e defesa (+2,83%) regista a maior subida, seguido dos media (+1,52%) e dos serviços financeiros (+1,38%). Do lado das perdas, apenas o setor dos químicos (-0,09%) e o dos recursos naturais (-0,80%) perdem terreno.
Entre os movimentos do mercado, a multinacional britânica Currys segue a disparar mais de 11%, depois de a retalhista de produtos elétricos ter revisto em alta as suas previsões de lucros para o ano inteiro. Já a BAE Systems soma quase 3%, após o Financial Times ter noticiado que o Reino Unido irá estabelecer uma parceria com o Japão e a Itália para injetar 6 mil milhões de libras num projeto de fabrico de caças. Cotadas do setor da defesa estão a acompanhar esta valorização, com empresas como a Rheinmetall (+4,91%) e a Leonardo (+3,42%) a avançarem.
Dólar soma valorizações após Trump suspender ataque contra Irão
O dólar está a registar valorizações nesta manhã, à medida que os "traders" assimilam o anúncio do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que tinha suspendido um ataque planeado contra o Irão para permitir negociações para chegar a um acordo que ponha fim à guerra.
Neste contexto, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – soma 0,10% para os 99,076 pontos, depois de ter registado na semana passada o seu melhor desempenho semanal dos últimos três meses, num contexto de escalada da guerra no Médio Oriente e de uma onda de vendas que assolou os mercados obrigacionistas globais, à medida que os investidores reavaliavam o risco de os bancos centrais terem de restringir a política monetária para conter a inflação, com o estreito de Ormuz a permanecer fechado.
Os mercados estão agora a precificar uma probabilidade de 37,4% de um aumento de 25 pontos-base nas taxas de juro na reunião de dois dias do banco central dos EUA a 9 de dezembro, em comparação com uma probabilidade de 0,50% há um mês, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.
A “nota verde” valoriza 0,13% para os 159,030 ienes. A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, disse a jornalistas na segunda-feira que o Japão está pronto para agir contra a volatilidade excessiva do mercado cambial, garantindo ao mesmo tempo que qualquer intervenção para apoiar o iene e vender dólares seja conduzida de forma a evitar o aumento das taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA.
Os investidores têm estado atentos a novos sinais de intervenção das autoridades nipónicas para apoiar o iene, que se encontra ligeiramente mais forte do que antes de as autoridades japonesas terem iniciado, no mês passado, a sua primeira intervenção no mercado em quase dois anos. Nesta linha, Tóquio poderá ter gastado quase 10 biliões de ienes (63 mil milhões de dólares) desde o lançamento da sua mais recente ronda de compra de ienes, a 30 de abril, segundo dados do banco central.
Por cá, o euro regista uma descida de 0,16% para 1,1644 dólares, enquanto a libra cai 0,22% para 1,341 dólares.
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