Época de resultados leva bolsa de Paris e Stoxx 600 a novos recordes. Schroders dispara 30%
"Earnings season" pela Europa leva Stoxx 600 a novo recorde. Schroders dispara 30%
Juros aliviam na maioria da Zona Euro. Alemanha destoa
Iene a caminho de maior valorização semanal em mais de um ano
Preços do ouro e prata recuam com dados do mercado laboral dos EUA
Petróleo valoriza com Médio Oriente em foco. Aumento dos "stocks" nos EUA limita ganhos
Ásia tem melhor início de ano face ao S&P 500 neste século. Japão e Coreia do Sul com novos recordes
CAC 40 ultrapassa os 8.400 pontos e fixa máximo histórico
O CAC 40, índice de referência da bolsa de Paris, ultrapassou esta quinta-feira pela primeira vez os 8.400 pontos, na sequência da divulgação de resultados positivos de várias empresas francesas antes da abertura dos mercados.
Pelas 09:00 horas hora de Lisboa, o CAC 40 ganhava 1,09% para 8.403,74 pontos, superando o recorde anterior, de 8.396,72 pontos, definido a 14 de janeiro.
O índice parisiense recupera assim as suas perdas causadas em meados de janeiro pelas ameaças alfandegárias do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os países europeus, que se recusaram a apoiar a sua vontade de anexar a Gronelândia, o que fez cair as bolsas. O CAC também beneficia de uma situação política estabilizada em França, com a aprovação do orçamento de 2026 pela Assembleia Nacional, a abstenção do Partido Socialista permitiu manter o Governo de Sébastien Lecornu.
Antes da abertura, várias empresas publicaram os seus resultados financeiros, como a EssilorLuxottica, o fabricante de pneus Michelin, o fabricante de componentes elétricos Legrand e o grupo de luxo Hermès.
A cotação continuou a subir nos minutos seguintes e chegou a atingir os 8.437,35 pontos.
"Earnings season" pela Europa leva Stoxx 600 a novo recorde. Schroders dispara 30%
Os principais índices europeus estão a negociar com ganhos em praticamente toda a linha na sessão desta quinta-feira, com o Stoxx 600 a fixar um novo recorde já perto dos 626 pontos, à medida que resultados trimestrais robustos seguem a impulsionar o sentimento dos investidores por cotadas da região. A gestora de ativos Schroders é o grande destaque da sessão de hoje.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – ganha 0,44%, para os 624,31 pontos, tendo fixado um novo máximo histórico de 625,90 pontos no arranque da sessão.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX pula 1,35%, o espanhol IBEX 35 ganha 0,06%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,39%, o francês CAC-40 avança 0,66%, o neerlandês AEX cede 0,76%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,26%.
À medida que a “earnings season” das cotadas do Velho Continente continua a centrar atenções, dados compilados pela Bloomberg Intelligence mostram que as empresas do índice regional MSCI Europe registraram um aumento de 2,9% nos lucros trimestrais até agora, superando o aumento esperado de 1,3%.
Nesta linha, as ações da EssilorLuxottica chegaram a disparar 10% no início da sessão - sendo que a esta hora somam cerca de 2% -, depois de a fabricante de óculos ter reportado vendas melhores do que o esperado para o quarto trimestre, impulsionadas por uma crescente procura por óculos com tecnologia de inteligência artificial. Já a Siemens negoceia com uma valorização de mais de 6%, com a empresa industrial alemã a elevar o seu "outlook".
O grande destaque, ainda assim, vai para a gestora de ativos Schroders, que dispara quase 30%, após a norte-americana Nuveen ter apresentado uma proposta de compra pela britânica por 9,9 mil milhões de libras (cerca de 11,3 mil milhões de euros ao câmbio atual). É um meganegócio no setor da gestão de ativos e que, depois de concretizado, deverá criar uma das maiores empresas do setor com cerca de 2,5 biliões de dólares em ativos sob gestão.
Entre os setores, o dos serviços financeiros (+1,27%) lidera os ganhos, seguido pelo dos recursos naturais (+1,01%). Do lado das perdas, as “utilities” (-1,29%) registam as perdas mais expressivas, à medida que o setor do imobiliário (-0,60%) também pressiona a negociação.
Juros aliviam na maioria da Zona Euro. Alemanha destoa
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar uma maioria de alívios na sessão desta quinta-feira.
Os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, aliviam 0,3 pontos-base, para 3,139%, depois de Portugal ter emitido na quarta-feira 1.381 milhões de euros em obrigações do Tesouro (OT) que vencem dentro de três e dez anos. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e cai 0,1 pontos, para 3,159%.
Já os juros da dívida soberana italiana recuam 0,4 pontos, para 3,392%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa cede 0,7 pontos, para 3,370%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, contrariam a tendência e agravam-se em 0,2 pontos, para os 2,793%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, recuam 1 ponto-base, para 4,465%.
Iene a caminho de maior valorização semanal em mais de um ano
O iene está a caminho de registar o seu maior ganho semanal em mais de um ano. Caso a tendência de valorização se mantenha na sessão de amanhã, pode vir a ter a sua melhor semana desde novembro de 2024. A divisa nipónica já valorizou cerca de 2,8% em relação ao dólar desde que o Partido Liberal Democrático da primeira-ministra Sanae Takaichi conseguiu uma vitória expressiva nas eleições de domingo.
A quarta sessão consecutiva de ganhos está a empurrar a divisa nipónica para um valor já abaixo dos 153 ienes por dólar, sendo que a esta hora a “nota verde” desvaloriza 0,22%, para os 152,930 ienes.
Pelos EUA, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - segue a ceder 0,05%, para os 96,782 pontos, com a divisa norte-americana a ser influenciada por dados económicos. Os valores referentes aos pedidos de subsídio de desemprego nos EUA serão divulgados ainda hoje, antes dos dados sobre a inflação serem conhecidos na sexta-feira.
Por cá, o euro sobe 0,13%, para os 1,189 dólares. Também a libra ganha terreno e valoriza 0,15%, para os 1,365 dólares, num dia em que os dados mostraram que a economia do Reino Unido teve um crescimento bastante reduzido, de apenas 0,1%, no último trimestre de 2025.
Preços do ouro e prata recuam com dados do mercado laboral dos EUA
O ouro e a prata estão a negociar com perdas na sessão de hoje, depois de dados robustos do mercado laboral dos EUA conhecidos ontem terem reduzido as expectativas de cortes de juros pela Reserva Federal (Fed) norte-americana.
A esta hora, o metal amarelo cai 0,54% para os 5.057,050 dólares por onça.
O número de empregos nos EUA teve o maior aumento em mais de um ano e a taxa de desemprego caiu inesperadamente em janeiro, sugerindo que o mercado laboral da maior economia mundial terá estabilizado no início de 2026. Os dados podem reforçar a inclinação dos responsáveis da Fed para manter as taxas de juro inalteradas por enquanto, com muitos “traders” a adiarem as suas previsões para o próximo corte nas taxas diretoras de junho para julho. Taxas de juro mais baixas são um fator favorável para os metais preciosos, que não rendem juros, sendo que neste caso a previsão de manutenção das taxas de juro como estão por mais tempo estão a pressionar a negociação dos metais preciosos.
Apesar da queda, o ouro mantém-se acima dos 5 mil dólares por onça e já recuperou cerca de metade das perdas sofridas durante uma queda histórica no final do mês passado.
A prata, por sua vez, cede 1,14%, para os 83,322 dólares por onça. A retração desta quinta-feira nos preços do metal branco acontece depois de um salto de mais de 4% na sessão anterior, quando um relatório do Silver Institute mostrou que o mercado da prata continuará a experienciar por um défice de oferta pelo sexto ano consecutivo.
Petróleo valoriza com Médio Oriente em foco. Aumento dos "stocks" nos EUA limita ganhos
Os preços do petróleo estão a negociar com valorizações nesta quinta-feira, à medida que os “traders” continuam a seguir de perto os desenvolvimentos das conversações entre os EUA e o Irão, enquanto um aumento expressivo registado nos “stocks” de crude dos EUA segue a limitar a subida dos preços do “ouro negro”.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – sobe 0,25%, para os 64,79 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – soma 0,27% para os 69,59 dólares por barril.
Os preços do petróleo subiram na manhã de quinta-feira, com os investidores preocupados com o novo aumento das tensões sentido entre Washington e Teerão, fator que levou também a que ambos os índices de referência tivessem fechado em alta na quarta-feira.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ontem, após se ter reunido com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que não chegaram a um acordo “definitivo” sobre como proceder em relação ao Irão, ainda que tenha insistido que as que as negociações continuariam.
Na terça-feira, o republicano disse que estava a considerar enviar um segundo porta-aviões para o Médio Oriente se não fosse alcançado um acordo com Teerão sobre o programa nuclear do país.
Noutros pontos, um aumento significativo registado nas existências de petróleo bruto dos EUA segue a limitar o avanço dos preços. Os "stocks” norte-americanos aumentaram em 8,5 milhões de barris, para 428,8 milhões de barris na semana passada, informou a Administração de Informação Energética, superando em larga escala as expectativas do mercado, que apontavam para um aumento de cerca de 800 mil barris.
Ásia tem melhor início de ano face ao S&P 500 neste século. Japão e Coreia do Sul com novos recordes
Os principais índices asiáticos avançaram na sua maioria pela quinta sessão consecutiva, à medida que avaliações relativamente mais baixas de cotadas da região e perspetivas de crescimento económico sólido continuam a atrair os investidores. Seguindo a tendência dos últimos dias, o índice MSCI Ásia-Pacífico subiu 0,6%, atingindo um novo recorde. Este indicador já subiu cerca de 13% até agora desde janeiro, marcando o seu melhor início de ano em relação ao S&P 500 neste século. Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 avançam 0,7% e apontam para uma abertura em alta.
No Japão, o Nikkei cedeu ligeiros 0,019% e o Topix subiu 0,70% e atingiu um novo máximo histórico nos 3.888,94. Também o sul-coreano Kospi registou um novo recorde nos 5.522,27 pontos, tendo terminado a sessão a pular 3,13%, sendo o "benchmark" com o melhor desempenho do mundo desde o arranque do ano, com uma valorização de cerca de 30%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong cedeu 0,88% e o Shanghai Composite somou 0,049%. Por Taiwan, os índices estiveram encerrados para negociação devido a um feriado nacional.
Os mercados asiáticos estão a superar os seus pares dos EUA e Europa, atraindo investidores globais, que se estão a posicionar para beneficiar do “boom” da inteligência artificial, à medida que as empresas canalizam milhares de milhões de dólares para a tecnologia. “É isso que 2026 será: diversificação entre regiões, mas também entre setores”, disse à Bloomberg Elfreda Jonker, da Alphinity Investment Management.
Grande parte do foco na quarta-feira esteve nos dados sobre o emprego nos EUA, que levaram os analistas a reduzirem as suas apostas quanto a cortes de juro pela Fed, sendo que esperam agora que o próximo se materialize em julho, em vez de junho, como previsto anteriormente, depois de a economia dos EUA ter criado 130 mil empregos em janeiro, o dobro do que se previa. O próximo teste para os mercados será o relatório sobre a inflação do lado de lá do Atlântico, conhecido na sexta-feira, que poderá reforçar a necessidade de manter as taxas mais altas por mais tempo, caso as pressões sobre os preços não diminuam.
Entre os movimentos do mercado, as ações da japonesa de cosmética Shiseido subiram quase 16%, depois de as suas previsões de lucros para este ano fiscal terem superado as estimativas. Já as ações da Mitsubishi Gas Chemical dispararam 20%, enquanto a JX Advanced Metals pulou 18%. Pela Coreia do Sul, a Samsung somou mais de 6%.
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