Crude sobe e ouro cai após ataque ao Irão. Investidores aguardam inflação nos EUA
Ouro cai abaixo dos 4.200 dólares com novos confrontos entre EUA e Irão a testar tréguas
O ouro ampliou a queda depois de os EUA terem lançado ataques contra o Irão em retaliação pelo abate de um helicóptero militar, pondo em risco os esforços para pôr fim à guerra que abalou os mercados globais e aumentou os riscos de inflação.
O metal precioso caiu até 2,1% para cerca de 4.173 dólares por onça na quarta-feira, depois de ter recuado 1,6% na sessão anterior. A par do ouro, a prata recua 2,5% para 63,75 dólares e a platina cai mais de 4%, enquanto o paládio também perde.
O ouro está cerca de um quinto abaixo do valor a que era negociado antes do início da guerra com o Irão, no final de fevereiro. A recente queda do metal abaixo da sua média móvel de 200 dias — uma medida amplamente observada do “momentum” de longo prazo — desencadeou vendas, uma vez que é visto como um nível importante acompanhado pelos investidores institucionais.
"Esperamos que o movimento do preço se torne mais vulnerável no curto prazo", à medida que a perspetiva de um aumento da taxa de juro aumenta, disse Suki Cooper, líder global de análise de “commodities” do Standard Chartered Plc, numa nota citada pela Bloomberg. Indicou ainda que o próximo nível de suporte técnico para o ouro ronda os 4.100 dólares por onça.
A equipa de analistas de matérias-primas do Citigroup também cortou recentemente o preço-alvo para o ouro nos próximos três meses de 4.300 dólares para 4.000 dólares por onça. Os especialistas apontaram a melhoria das condições macroeconómicas e um cenário de procura menos favorável como os principais motivos.
Dólar à espera da inflação. Subida de juros no Japão vista como quase certa
O dólar negoceia em ligeira baixa esta quarta-feira, com os mercados a permanecerem tensos com o mais recente confronto entre os EUA e o Irão e enquanto aguardam que os dados da inflação dos EUA possam dar algumas pistas sobre a trajetória da taxa de juro da Reserva Federal (Fed) norte-americana.
Os militares norte-americanos atacaram alvos iranianos depois de o Presidente Donald Trump ter prometido, na terça-feira, responder à queda de um helicóptero de ataque Apache. A Guarda Revolucionária do Irão disse ter realizado ataques com mísseis e drones contra bases militares dos EUA na Jordânia, Kuwait e Bahrein já esta quarta-feira.
Face à renovada escalada, o índice do dólar, que mede o valor da moeda norte-americana face a um cabaz de moedas recua 0,08% para 99,917 pontos. O euro aprecia-se menos de 0,1% para 1,15516 dólares, enquanto a libra esterlina ganha 0,08% para 1,3388 dólares.
Os investidores parecem em modo de espera para ver os números da inflação nos EUA, que serão conhecidos às 13:30 (hora de Lisboa) e se posicionarem em relação ao próximo passo da Fed. Em simultâneo o iene japonês continua em foco, numa altura em que um aumento da taxa de juro por parte do Banco do Japão na reunião de política monetária de 16 de junho é já praticamente dado como certo.
A perspetiva reforçou-se depois de dados divulgados esta quarta-feira mostrarem que a inflação no Japão acelerou para o nível mais elevado em três anos, atingindo 6,3% em maio. A moeda nipónica manteve-se na sessão asiática praticamente estável face ao dólar, cotada a 160,36 por dólar, continuando a oscilar em torno do nível dos 160, um nível que é amplamente considerado como um limite para a intervenção oficial.
Ataques dos EUA ao Irão mantêm petróleo em alta
Os preços do petróleo seguem em alta esta quarta-feira, com o retomar das hostilidades entre os EUA e o Irão a obscurecer a direção dos preços. Os contratos futuros do Brent - referência para a Europa - somam 0,2%, para 91,62 dólares por barril, enquanto o crude West Texas Intermediate (WTI) dos EUA ganha 0,1%, para 88,20 dólares por barril.
A valorização acontece após os ataques dos Estado Unidos ao Irão e apesar de Chris Wright, secretário da Energia dos EUA ter assegurado que o tráfego de petróleo no estreito de Ormuz está a recuperar e vai continuar a subir nos próximos tempos. Admitiu, contudo, que o número de navios que atravessa a importante via marítima está ainda muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito no Irão.
Numa entrevista à CNBC, à margem de uma conferência do setor energético, o responsável foi questionado sobre o nível atual das exportações de crude que passam pelo estreito. “Diria que estão a subir muito significativamente”, referiu Wright.
O foco dos investidores está, contudo, na retaliação norte-americana pelo abate de um helicóptero do país ao largo da costa de Omã, poucas horas depois de Presidente dos EUA, Donald Trump, ter prometido uma retaliação contra o regime de Teerão.
Numa publicação nas redes sociais, o Comando Central dos EUA referiu que a ação militar foi “uma resposta proporcional à injustificada agressão iraniana”, tendo “lançado ataques em auto-defesa contra o Irão às 17:00 [hora de Washington] por ordem do comandante em chefe”.
Europa no verde após queda da tecnologia pressionar Ásia
Os ataques dos Estados Unidos ao Irão estão a gerar volatilidade nos mercados financeiros, enquanto a queda das ações tecnológicas prolongou-se, com os investidores a reduzirem posições antes da divulgação de dados que deverão mostrar que a inflação nos EUA atingiu o nível mais elevado em mais de três anos.
Depois de Wall Street ter fechado no vermelho, a sessão asiática foi igualmente negativa durante a madrugada. O índice de referência do Japão, Nikkei, caiu 2%, enquanto o sul-coreano Kospi (um importante barómetro de inteligência artificial) perdeu cerca de 6%.
Ainda assim, o índice europeu Stoxx 600 avança 0,2% face à rotação para ações mais sensíveis à economia, com 15 dos 20 setores a subir. O alemão DAX ganha 0,05%, o francês CAC 40 avança 0,4%, o espanhol IBEX sobe 0,5%, o italiano FTSE MIB 0,9% e o britânico FTSE 100 soma 0,08%.
Os mercados bolsistas estão a viver momentos de incerteza, à medida que os investidores lidam com uma lista crescente de riscos: elevadas avaliações das ações tecnológicas, tensões crescentes no Médio Oriente e expectativas cada vez mais elevadas de que a Reserva Federal (Fed) tenha de aumentar as taxas de juro para combater a inflação acelerada. O relatório sobre a inflação dos EUA desta quarta-feira pode fornecer o sinal mais claro até agora sobre se o novo presidente do banco central, Kevin Warsh, vai manter as taxas elevadas durante mais tempo.
"Não estamos apenas a oscilar entre um acordo ou nenhum acordo com os EUA e o Irão, mas os mercados também estão a oscilar entre a euforia da IA ao estilo de 1999 e os receios de uma crise tecnológica do tipo 2000", afirmou Jim Reid, do Deutsche Bank AG, à Bloomberg. "Tudo o que precisamos agora é de um índice de preços no consumidor (IPC) volátil nos EUA hoje para manter o padrão".
Os economistas consultados pela Bloomberg esperam que o IPC anual acelere para 4,2% em maio, face aos 3,8% do mês anterior. A inflação subjacente, que exclui a alimentação e a energia, deverá subir para 2,9%, face aos 2,8%.
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