Petróleo ganha 3% após novos ataques no Médio Oriente. Dólar em máximos de uma semana
Dólar atinge máximos de uma semana à boleia da guerra no Irão
Ouro cai para mínimos de dois meses e negoceia abaixo dos 4.400 dólares
Preços do petróleo saltam 3% após nova troca de ataques no Médio Oriente
Escalada de tensões no Médio Oriente atira Ásia para pior sessão em semanas
Juros agravam-se na Zona Euro com nova subida nos preços do petróleo
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com agravamentos esta quinta-feira, num dia marcado por uma nova escalada nas tensões entre o Médio Oriente, que estão a levar os preços do petróleo a acelerarem e a aproximarem-se dos 100 dólares por barril.
Face a este cenário, os investidores ajustam as expectativas em torno da política monetária e veem agora uma maior probabilidade de o Banco Central Europeu (BCE) avançar com três subidas de taxas de juro de 25 pontos base ainda este ano. Tanto a presidente da autoridade, Christine Lagarde, como Isabel Schnabel e Philip Lane vão discursar em público esta quinta-feira.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, estão a acelerar 1,9 pontos-base para 3,004%, enquanto a "yield" das obrigações francesas salta 2,4 pontos para 3,620%. Em Itália, a subida é ainda mais acentuada, de 3,4 pontos-base, para 3,736%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações do Tesouro português a dez anos agrava-se em 2,6 pontos-base para 3,373%, num dia em Portugal avança com uma emissão sindicada de dívida a 20 anos, enquanto Espanha acompanha a tendência, com os juros da dívida na maturidade de referência a acelerarem 2,5 pontos para 3,429%.
Fora da Zona Euro, no Reino Unido, a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,859%, uma subida de apenas 0,1 pontos-base.
Dólar atinge máximos de uma semana à boleia da guerra no Irão
O dólar norte-americano está a negociar em alta pelo terceiro dia consecutivo, numa altura em que as tensões no Médio Oriente voltam a escalar e o petróleo a subir - levando os investidores a anteciparem um impacto mais sustentando dos preços da energia na inflação e, consequentemente, na política monetária.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da "nota verde" face aos seus principais rivais - acelera 0,11%, atingindo máximos de uma semana. O euro recua uns ligeiros 0,09% para 1,1615 dólares, enquanto a libra cede 0,16% para 1,3406 dólares. Já a "nota verde" desliza 0,03% para 159,48 ienes, mantendo-se bastante próxima do nível que os mercado consideram de intervenção por parte das autoridades japonesas.
"Não há argumentos sólidos para uma tendência baixista do dólar, uma vez que a Reserva Federal se afasta cada vez mais de uma postura de flexibilização", escreve Moh Siong Sim, estratega cambial da Oversea-Chinese Banking Corp, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "O apoio aos termos de troca do dólar americano deverá diminuir apenas gradualmente", uma vez que os danos nas infraestruturas, a renovação das reservas estratégicas e um prémio de risco estrutural mais elevado irão provavelmente manter os preços do petróleo elevados, acrescenta.
Os investidores centram agora atenções no indicador favorito da Reserva Federal (Fed) norte-americana para avaliar a inflação, cuja evolução vai ser conhecida esta quinta-feira. Os economistas preveem que o índice de preços com despesas no consumo pessoal (PCE) tenha acelerado de 3,5% para 3,8% em termos homólogos em abril.
Ouro cai para mínimos de dois meses e negoceia abaixo dos 4.400 dólares
O ouro caiu para mínimos de dois meses esta quinta-feira, após uma nova troca de ataques entre EUA e Irão ter ameaçado descarrilar as negociações de paz no Médio Oriente e ter levado os preços do petróleo a acelerarem mais uma vez. Num cenário em que um acordo que termine a guerra parece estar mais longe, os investidores receiam que o choque inflacionário seja cada vez mais duradouro.
O metal amarelo chegou a cair cerca de 2% esta madrugada, tendo entretanto conseguido reduzir as perdas para 1,58%, negociando nos 4.385,90 dólares por onça. Apesar de tradicionalmente o ouro ganhar com uma escalada nas tensões geopolíticas, o metal precioso está a ser penalizado pelas perspetivas de um ambiente monetário mais restritivo - uma vez que não rende juros.
Ainda na quarta-feira, a governadora da Reserva Federal (Fed) norte-americana Lisa Cook afirmou que a inflação se encaminha na direção errada e indicou que está preparada para subir as taxas de juro, caso a pressão nos preços persista. Na semana passada, os investidores incorporaram pela primeira vez uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro este ano por parte do banco central dos EUA.
"Os investidores estão a perder a confiança na narrativa do ouro como porto seguro e têm melhores formas de aplicar o seu dinheiro", explica Justin Lin, estratega de investimentos da Global X ETFs Australia, à Bloomberg. O ouro deverá "procurar apoio na faixa dos 4.000-4.250 dólares, caso o petróleo seja negociado a preços mais elevados", acrescentou.
A troca de ataques acontece numa altura em que as negociações de paz entre EUA e Irão voltaram a entrar num impasse. Já na quarta-feira, Donald Trump utilizou as redes sociais para dizer que não estava satisfeito com o estado das negociações com Teerão, depois de a Casa Branca ter negado a existência de um rascunho de acordo que dava o controlo de Ormuz a Teerão e a Omã. "O estreito vai estar aberto a todos", disse, acrescentando que vão ser os EUA a "vigiar a via marítima".
Preços do petróleo saltam 3% após nova troca de ataques no Médio Oriente
Os preços do petróleo chegaram a saltar mais de 3% esta quinta-feira, levando o crude de referência para a Europa a aproximar-se dos 100 dólares por barril, depois de uma nova escalada de tensões no Médio Oriente. As forças norte-americanas realizaram uma nova série de ataques contra o Irão ao final do dia de ontem, depois de o Presidente dos EUA ter afirmado que Teerão está a "negociar em lume brando".
A esta hora, o Brent - crude de referência para a Europa - acelera 2,64% para 96,81 dólares por barril, tendo negociado por breves momentos acima dos 97 dólares, isto depois de ter afundado mais de 5% na sessão anterior. Por sua vez, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - ganha 2,7% para 91,06 dólares, enquanto o gás natural negociado em Amesterdão salta 1,76% para 47,42 euros por megawatt-hora.
De acordo com um alto representante de Washington, as forças norte-americanas avançaram com ataques aéreos contra infraestrutura militar iraniana e atingiram vários alvos perto do estreito de Ormuz. Teerão respondeu com o lançamento de uma ofensiva contra uma base militar dos EUA no Médio Oriente - uma nova escalada de tensões que realça o quão frágil é o acordo de cessar-fogo em vigor.
Já na quarta-feira, Donald Trump utilizou as redes sociais para dizer que não estava satisfeito com o estado das negociações com o Irão, depois de a Casa Branca ter negado a existência de um rascunho de acordo que dava o controlo de Ormuz a Teerão e a Omã. "O estreito vai estar aberto a todos", disse, acrescentando que vão ser os EUA a "vigiar a via marítima".
Embora os mercados estejam a precificar a possibilidade de um acordo "com uma forte mentalidade de que o copo está meio cheio", a possibilidade de as partes abandonarem a mesa de negociações "continua a ser um risco evidente", explicou Chris Weston, diretor de investigação da Pepperstone Group, à Bloomberg.
Escalada de tensões no Médio Oriente atira Ásia para pior sessão em semanas
As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira em território negativo, pressionadas pela decisão dos EUA de avançar com uma nova ofensiva militar no Irão, apesar de as negociações de paz para acabar com um conflito que completa hoje três meses continuarem.
O MSCI Asia-Pacific Index, "benchmark" para a negociação asiática, interrompeu uma série de cinco dias consecutivos de ganhos e chegou a cair quase 2% - o pior dia desde 15 de maio. A negociação de futuros indica que as perdas vão alastrar-se aos EUA e à Europa, com o Euro Stoxx 50 a apontar para um recuo em torno dos 0,75%.
Mais uma vez, as autoridades norte-americanas descreveram os ataques como "autodefesa" e as forças iranianas decidiram responder com o lançamento de uma ofensiva contra uma base aérea dos EUA na região. Washington decidiu também sancionar a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, considerando-a uma nova tentativa por parte do Irão de tirar proveito económico dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.
"Os mercados estão a ficar impacientes à espera que este acordo entre os EUA e o Irão se concretize", explica Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, à Bloomberg. "Os últimos ataques parecem claramente incompatíveis com as afirmações de que as negociações estão a correr bem. Este ciclo de avanços e recuos está a começar a esgotar a paciência dos investidores", acrescenta.
O principal índice da Coreia do Sul, o Kospi - "cabeça de cartaz" para a inteligência artificial e que já acelerou quase 100% este ano -, chegou a perder mais de 3% esta madrugada, mas entretanto conseguiu recuperar parcialmente das perdas, encaminhando-se para fechar a sessão com um recuo de apenas 1%. A ajudar a recuperação, o Banco da Coreia decidiu manter as taxas de juro inalteradas e reviu em alta as previsões de crescimento do país.
Nas restantes praças asiáticas, os japoneses Nikkei 225 e Topix cederam 0,52% e 0,43%, respetivamente, enquanto os chineses Hang Seng e Shanghai Composite dividiram-se entre ganhos e perdas, com o primeiro a desvalorizar 1,34% e o segundo a avançar 0,13%. Já o australiano ASX 200 terminou a negociação com um deslize de 1,43%.
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