Ao minutoAtualizado há 40 min10h32

Bolsas europeias em queda pressionadas pelo petróleo e aperto da política monetária

Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quinta-feira.
Bolsas europeias.
AP / Eduardo Parra
Negócios 10:30
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10h12

Europa pinta-se de vermelho com investidores a apontarem para aperto da política monetária

Bloomberg

As principais praças europeias arrancaram mais uma sessão no vermelho, num dia em que a escalada do conflito no Irão - com o ataque a infraestruturas energéticas e a petroleiros na região - fez com que o preço do petróleo de referência para a Europa voltasse a ultrapassar os 100 dólares por barril. Na quarta-feira, a União Europeia já tinha avisado que, caso o crude continuasse a negociar perto desta marca, a inflação poderia chegar aos 3% ainda este ano. 

A esta hora, o Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, recua 0,49% para 599,61 pontos. A banca e o setor automóvel lideram as perdas esta manhã, com a subida do setor químico e mineiro a não ser suficiente para puxar o principal índice europeu para o verde. Desde o arranque do conflito, a volatilidade nas praças europeias tem aumentado em força e está agora em máximos de abril do ano passado. 

"O que se está a ver é o mercado a precificar um cenário prolongado de preços elevados do petróleo", explica Karen Georges, gestora de fundos da Ecofi Investissements, à Bloomberg. "A segurança do transporte marítimo na região é uma grande preocupação, enquanto a libertação das reservas de petróleo de emergência só pode proporcionar um alívio temporário", acrescenta. 

Na quarta-feira, os , de forma a conter a subida nos preços do crude. Trata-se da maior libertação da história da organização, superando os 182 milhões de barris que foram introduzidos no mercado na sequência da crise energética de 2022, provocada pela invasão da Ucrânia por parte da Rússia. 

A mais recente escalada nos preços do petróleo está a levar os investidores a aumentarem as probabilidade de subidas nas taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). O mercado já incorporou um aperto de 25 pontos-base, com os "traders" a apontarem para junho, mas há ainda em cima da mesa uma nova subida na mesma magnitude até ao final do ano, à medida que se vai sentido o impacto da subida nos preços da energia na inflação.

Entre as principias movimentações de mercado, a Zalando dispara 10,74%, depois de a plataforma alemã de moda ter apresentado resultados ao mercado e revelado que a Levi's vai tornar-se o seu primeiro cliente norte-americano. Já a Abivax escala 16,93%, após ter sido noticado que a empresa de biotecnologia concedeu à AstraZeneca acesso exclusivo a informações confidenciais até 23 de março, com o objetivo de formalizar uma oferta.

Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 0,37%, o espanhol IBEX 35 recua 1,09%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 0,41%, o neerlandês AEX recua 0,22%, enquanto o francês CAC-40 cede 0,27%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista perdas de 0,48%.

09h21

Juros agravam-se na Zona Euro. "Yield" alemã atinge máximos de 2023

Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se pela segunda sessão consecutiva, embora em menor magnitude do que a registada na quarta-feira, numa altura em que os investidores se mostram cada vez mais pessimistas em relação ao futuro da política monetária da Zona Euro. 

O mercado já tem incorporado uma subida nas taxas de juro em 25 pontos-base para este ano, que poderá chegar já em junho, mas as probabilidades de um segundo aperto têm vindo a aumentar à medida que os preços do petróleo escalam. Esta quarta-feira, a União Europeia (UE) avisou que, caso o barril de crude continue a negociar em torno dos 100 dólares, a inflação poderá ultrapassar os 3%. 

Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aceleram 0,8 pontos-base para 2,937%, atingindo máximos de outubro de 2023. Já a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade ganham 1,9 pontos para 3,586%, enquanto a das obrigações italianas saltam 2,6 pontos para 3,691%.

Pela Península Ibérica, mantém-se a tendência, com os juros da dívida portuguesa a dez anos a subirem 1,6 pontos-base para 3,354% e os da dívida espanhola a crescerem 1,7 pontos para 3,3422%.

Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas também a dez anos registam um agravamento de 4,1 pontos-base para 4,727%.

08h53

Conflito no Médio Oriente volta a dar força ao dólar

Martin Sterba/AP

O dólar está a valorizar face à grande maioria dos seus principais concorrentes, exceto o iene, beneficiando da posição de ativo de refúgio face à escalada do conflito no Irão. O ataque a dois petroleiros em águas iraquianas e a ameaça às infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico estão a fazer com que os preços do petróleo voltem a escalar esta quinta-feira, tendo o Brent - crude de referência para a Europa - chegado a ultrapassar os 100 dólares por barril. 

Para conter os preços, os de petróleo e destilados, mas o impacto mal se fez sentir nos mercados. Apesar de os 400 milhões de barris que devem vir a ser introduzidos no mercado ultrapassarem por larga margem o movimento de 2022, quando foram libertados 182 milhões, o valor é ainda diminuto comparado com os 20 milhões de barris por dia que estão a ficar por produzir. 

"Os mercados provavelmente perceberam que a libertação sem precedentes das reservas de petróleo também significa um choque sem precedentes no abastecimento de petróleo, pesando sobre o sentimento de risco", explica Carol Kong, estratega do Commonwealth Bank of Australia, à Bloomberg. "As moedas continuam à mercê dos preços do petróleo, com o dólar ainda considerado um refúgio preferencial". 

O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da divisa norte-americana face a uma série de concorrentes - avança 0,14%, tendo chegado a ganhar 0,3% esta madrugada. A "nota verde" encaminha-se, assim, para a segunda sessão consecutiva de ganhos, invertendo em parte as perdas registadas nas primeiras sessões da semana, elevando o seu saldo mensal para 1,47%. A esta hora, o euro recua 0,13% para 1,1552 dólares, enquanto a libra cede 0,21% para 1,3385 dólares. 

A queda da moeda comum europeia está a ser levemente amparada pela perspetiva de uma . Com a União Europeia a alertar para um aumento da inflação acima de 3%, caso os preços do barril de petróleo continuem em torno dos 100 dólares, os mercados já dão como certo um aperto em 25 pontos-base este ano e começam a equacionar um segundo. 

08h46

Ouro estabiliza apesar de crescente pessimismo em torno da política monetária

Mark Baker / Associated Press

O ouro está a negociar praticamente inalterado esta quinta-feira, tendo conseguido inverter as perdas de mais de 1% registadas na madrugada, apesar da mais recente subida nos preços do petróleo, que levou o barril de crude a negociar momentaneamente acima dos 100 dólares. Caso este aumento nos preços da energia seja sustentado, a inflação pode tornar-se mais difícil de domar e os bancos centrais por todo o mundo podem vir a ser obrigados a adotar uma posição mais "hawkish" - o que tende a ser negativo para o metal amarelo. 

A esta hora, o ouro ganha 0,10% para 5.184,73 dólares por onça, isto depois de ter perdido cerca de 0,3% na sessão anterior. Apesar de a inflação nos EUA até ter estabilizado no mês passado, antes do conflito no Irão escalar, as perspetivas para a evolução dos preços não são as melhores e os investidores têm reduzido em grande escala a probabilidade da Reserva Federal (Fed) norte-americana cortar nas taxas de juro este ano.

"As expectativas de pressão sobre os preços reavivaram o dólar e colocaram a flexibilização da Fed no curto prazo de volta na gaveta, pressionando brevemente o ouro num mercado que só pode ter um porto seguro de cada vez", explica Hebe Chen, analista da Vantage Markets, à Bloomberg. Pela Europa, uma subida nas taxas de juro é cada vez mais certa e os

A complicar o cenário para o metal precioso, os investidores estão ainda a usar o ouro como uma fonte de liquidez para compensar perdas noutros ativos - como é o caso das ações, que têm vivido sessões bastante negativas com a perspetiva de uma nova crise energética. Desde o início da guerra, o volume de ouro detido por fundos negociados em bolsa (ETF) diminuiu, embora tenham sido registados novos fluxos na terça-feira, após as participações terem caído na semana passada no maior volume em mais de dois anos.

Mesmo assim, o ouro já valorizou mais de 20% desde o arranque do ano, beneficiando de um aumento das tensões geopolíticas a nível global, das políticas erráticas da Administração Trump (principalmente em torno da questão da Gronelândia) e ainda das ameaças à independência do banco central norte-americano. 

08h12

Dois petroleiros atacados ao largo do Iraque, terminais paralisados

Dois petroleiros foram atacados em águas iraquianas, o que levou à paragem dos terminais petrolíferos do país.

O Iraque identificou os dois navios de transporte de crude como tendo bandeiras das Ilhas Marshall e de Malta, de acordo com a Organização Estatal para o Mercado de Petróleo (SOMO na sigla em inglês).

Em reação aos ataques a Empresa dos Portos do Iraque decidiu parar as operações nos seus terminais petrolíferos, apesar de não terem sido diretamente afetados pelos ataques.

"Este evento impacta negativamente a segurança e a economia do Iraque, e representa uma ameaça à segurança da navegação marítima e atividades petrolíferas nas águas iraquianas", sublinhou a SOMO, citada pela agência de notícias financeiras Bloomberg.

08h00

Petróleo ultrapassa os 100 dólares. Investidores ignoram reservas estratégicas

AP / Jeff McIntosh

O barril de petróleo voltou a ultrapassar, embora de forma momentânea, os 100 dólares esta quinta-feira, num dia em que os preços do crude estão a ser impulsionados pelos ataques a petroleiros no Médio Oriente e pela decisão da China de reforçar as restrições à exportação da matéria-prima. Esta subida acontece apesar de os países membros da , com os EUA a representarem quase metade desse valor. 

O barril de Brent - crude de referência para a Europa - chegou a disparar 10,45% nesta sessão para 101,59 dólares, tendo entretanto reduzido as subidas para 4,62%, nos 96,23 dólares. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência para os EUA, chegou a escalar 9,99% para 95,97 dólares, tendo reduzido para 4,03%, nos 90,77 dólares. A infraestrutura energética dos países do Golfo Pérsico continua sob ameaça e os investidores estão a preferir focar-se nos impactos da guerra no transporte e comercialização do petróleo - em vez de olharem para a quantidade disponível no mercado. 

As refinarias chinesas começaram a cancelar a exportação de combustíveis refinados, como gasóleo e gasolina, com o país focado em preservar o crude que tem para fazer face à escalada de preços. Já na semana passada as principais petrolíferas do país tinham sido instruídas a parar de assinar novos acordos, numa altura em que o Estreito de Ormuz - por onde passa 20% do petróleo e gás natural mundial - está praticamente paralisado. 

"A única coisa que realmente fará com que os preços do petróleo voltem a cair é se realmente assistirmos à reabertura do Estreito de Ormuz", explica Neil Beveridge, diretor de pesquisa da Sanford C. Bernstein, numa entrevista à Bloomberg TV. Os fluxos das reservas estratégicas são "nada comparados com os 20 milhões de barris" por dia que deixaram de ser produzidos devido ao encerramento deste ponto crítico do comércio de crude global, acrescentou o analista.

A somar à pressão, o Omã decidiu evacuar todos os navios de Mina Al Fahal como medida de precaução, um dos poucos portos restantes através dos quais o petróleo bruto do Médio Oriente pode ser enviado para os mercados globais. O Iraque também decidiu suspender as operações nos seus terminais petrolíferos depois de dois navios terem sido alvo de ataques, depois de ter sido um dos primeiros países da região a reduzir a produção de crude. 

07h33

Escalar do conflito no Irão atira Ásia e Europa para o vermelho

As principais praças asiáticas encerraram a sessão desta quinta-feira em território negativo, uma tendência que deve ser seguida pela Europa, num dia em que as ações mundiais estão a ser pressionadas pela escalada do conflito no Médio Oriente e a subida dos preços de petróleo - que voltaram, mais uma vez, a ultrapassar os 100 dólares. Na quarta-feira, , tendo o Bahrein acusado o Irão de atacar os seus reservatórios de combustível e Omã decidido evacuar um terminal de exportação de crude chave para o comércio global. 

O MSCI Asia Pacific encerrou a sessão com perdas de 1,3%, enquanto os futuros do Euro Stoxx 50 apontam para uma abertura com uma desvalorização em torno dos 0,6%. Uma possível crise energética continua a centrar as atenções dos investidores e a União Europeia já antecipa que a inflação possa ultrapassar os 3% ainda este ano, caso o barril de petróleo continue a negociar em torno dos 100 dólares - o que

"Os ataques no Iraque reforçam mais uma vez que não se trata apenas de uma questão de abastecimento. Trata-se cada vez mais da segurança dos fluxos e do choque dos custos de transporte", explica Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. As hostilidades que afetam as atividades de carregamento e as operações portuárias "tornam o transporte de petróleo bruto e condensados mais incerto e mais caro", acrescentou.

A guerra entra agora no seu décimo terceiro dia e, apesar das garantias de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que a guerra vai terminar "muito em breve", os investidores estão agora a apostar num conflito mais demorado. O Irão já veio avisar que, para alcançar um acordo de cessar-fogo, Washington terá de garantir que nem os EUA nem Israel vão continuar a atacar o país no futuro. 

Neste contexto, as principais praças asiáticas voltaram a conhecer o vermelho. O japonês Nikkei 225 caiu mais de 1% esta quinta-feira, enquanto o mais abrangente Topix cedeu 1,32%. Por sua vez, os chineses Hang Seng e Shanghai Composite terminaram a sessão com perdas de 0,76% e 0,10%, respetivamente, enquanto o sul-coreano Kospi - um dos índices mais bem sucedidos do ano passado - desvalorizou 0,48%. 

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