Continua o "sell-off" nas bolsas europeias. Principais índices tombam mais de 2%
Dólar ganha força com conflito no Médio Oriente. Euro cai e negoceia já nos 1,160 dólares
Juros agravam-se de forma expressiva na Zona Euro. Subida dos preços da energia preocupa investidores
BCE fala em risco de "aumento substancial" da inflação com conflito no Médio Oriente
Ouro e prata perdem terreno com subida do dólar
Petróleo e gás natural continuam a escalar com intensificar do conflito no Médio Oriente
Índices asiáticos voltam a tombar com conflito no Médio Oriente. Kospi afunda 7%
"Sell-off" continua pela Europa. Índices tombam mais de 2% em toda a linha
Os principais índices europeus negoceiam com fortes perdas nesta terça-feira, mantendo a tendência já registada no dia de ontem e caminham agora para a maior queda em dois dias consecutivos desde abril de 2025, quando Donald Trump anunciou as tarifas recíprocas que iria aplicar aos seus parceiros comerciais.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – afunda 2,82%, para os 606,06 pontos, depois de ontem ter tido a maior queda intradiária desde novembro.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 3,18%, o espanhol IBEX 35 tomba 3,72%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 3,56%, o francês CAC-40 cede 2,80%, o neerlandês AEX cai 2,89%, ao passo que o britânico FTSE 100 recua 2,43%.
O “sell-off” está a ser generalizado, com todos os setores a caírem de forma expressiva. O índice Euro Stoxx 50, composto pelas 50 maiores cotadas do velho Continente, cai cerca de 3%.
Os bancos estão entre os que mais perderam neste momento, com o setor da banca a tombar 4%, à medida que o HSBC, o Santander e o UniCredit, entre outros, desvalorizam mais de 3%. Ainda assim, para analistas do JPMorgan citados pela Bloomberg, a liquidação registada no setor da banca pode ter ido longe demais, já que a escalada no Médio Oriente teve apenas um impacto direto limitado nos lucros dos bancos de investimento globais até agora.
Noutros setores, o tecnológico recua mais de 3%, assim como o das “utilities”, o industrial, o dos recursos naturais e o do retalho.
O setor energético está, por sua vez, a ter um desempenho superior, com os preços do petróleo e do gás natural europeu a continuarem a escalar nesta terça-feira. A Equinor (+7,51%) está entre as cotadas com maiores ganhos.
O foco dos investidores continua a ser o impacto que o conflito está a causar no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que levanta preocupações sobre o aumento dos preços da energia que, em último caso, poderão levar a um aumento da inflação.
Mathieu Racheter, diretor da Julius Baer, disse à agência de notícias financeiras que os investidores não estão a avaliar o “ruído geopolítico, mas a probabilidade de um choque de oferta de petróleo e gás”. “O risco surge se o petróleo subir acima de 100 dólares por barril e permanecer nesse patamar”, disse Racheter. “Nesse ponto, a conversa mudará da inflação incremental para o risco de estagflação – crescimento mais lento combinado com renovada pressão sobre os preços”, sublinhou o especialista.
Entre os movimentos do mercado, a Zurich Insurance Group desvaloriza mais de 6%, depois de a seguradora ter iniciado uma angariação de capital de 5 mil milhões de dólares para financiar a sua oferta pela seguradora Beazley. Já a Beiersdorf tomba mais de 18%, após a proprietária alemã da marca Nivea ter divulgado um "outlook” dececionante para este ano.
Dólar ganha força com conflito no Médio Oriente. Euro cai e negoceia já nos 1,160 dólares
O dólar está a registar valorizações na sessão desta terça-feira, impulsionado pelos preços mais altos da energia e pela maior procura pela “nota verde” enquanto ativo-refúgio, depois de os ataques dos EUA e Israel ao Irão aumentarem as preocupações em torno de um conflito prolongado e alargado no Médio Oriente.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - avança 0,81%, para os 99,180 pontos. As preocupações de que a inflação mais alta devido ao escalar dos preços da energia poderá atrasar o próximo corte nas taxas de juros pela Reserva Federal norte-americana também seguem a impulsionar o dólar.
Os "traders" estão a acompanhar de perto os desenvolvimentos em torno do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, que está interrompido depois de ataques retaliatórios iranianos terem atingido embarcações na região e membros do Governo do país terem informado que qualquer navio que passe pela via marítima estaria sujeito a ataques.
Nesta linha, um aumento acentuado e prolongado dos preços do petróleo prejudicaria as economias do Japão e da Zona Euro, que dependem fortemente das importações de crude.
A esta hora, o dólar valoriza 0,19%, para os 157,690 ienes, enquanto o euro perde 0,75%, para os 1,160 dólares, sendo que a libra cede 0,87%, para os 1.329 dólares.
Com efeito, o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, disse ao Financial Times que uma guerra prolongada poderia causar um aumento na inflação da Zona Euro. Já pelo Japão, o ministro das Finanças, Satsuki Katayama, sugeriu que a intervenção no mercado cambial continuava a ser uma opção para defender o iene.
Juros agravam-se de forma expressiva na Zona Euro. Subida dos preços da energia preocupa investidores
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar agravamentos expressivos em toda a linha na sessão desta terça-feira, num dia em que as bolsas do Velho Continente seguem a perder terreno. Os investidores estão a ponderar a possibilidade de um confito prolongado no Médio oriente, um cenário que o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE) alertou que poderá aumentar o risco de estagflação na região.
Os mercados passaram agora a apostar que há uma probabilidade de cerca de 30% de que o BCE aumente as taxas de juro até o final do ano. A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Os preços do gás natural (GNL) europeu subiram mais de 60% desde o fecho de sexta-feira. Com efeito, o aumento nos preços da energia poderá ter um efeito nos juros da dívida soberana, como explica à Bloomberg um analista da Fidelity International, que aconselha os investidores a aumentarem antes a exposição ao ouro. Para Salman Ahmed, “esta não é uma guerra em que as obrigações serão os estabilizadores [dos mercados]”.
Nesta manhã, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 8,2 pontos-base, para 3,149%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e avança 8,3 pontos, para 3,216%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 10,7 pontos, para 3,460%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 10,1 pontos, para 3,388%, ao passo que os juros das "bunds" alemãs, referência para a região, somam 6,9 pontos, para os 2,778%.
Fora da Zona Euro, os juros das "gilts" britânicas, também a dez anos, agravam-se em 13,2 pontos-base, para 4,504%.
BCE fala em risco de "aumento substancial" da inflação com conflito no Médio Oriente
O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, considerou que um conflito prolongado no Médio Oriente pode levar à queda persistente no fornecimento de energia e a um aumento substancial da inflação na Zona Euro.
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Ouro e prata perdem terreno com subida do dólar
O conflito no Médio Oriente, que já vai no quarto dia e está a ter cada vez mais ramificações, está a gerar grande incerteza nos mercados bolsistas, com as praças europeias a mostrarem esta segunda e terça-feira uma grande aversão ao risco.
O ouro até chegou a capitalizar com a procura por ativos-refúgio nesta segunda-feira, aproximando-se dos 5.400 dólares, mas na sessão desta terça-feira o metal amarelo está a ser pressionado pela valorização do dólar, o que torna o investimento em ouro mais caro para negociadores noutras divisas.
Neste contexto, o ouro recua 0,56% para os 5.292,27 dólares por onça, enquanto a prata cai 5,20% para os 84,73 dólares por onça.
"O impcato dos acontecimentos geopolíticos, especialmente as guerras, tende a ser antecipado e a refletir-se rapidamente nos mercados. (...) Se a situação não escalar, a influência sobre os metais preciosos poderá diminuir gradualmente ao longo do tempo", analisa Han Xiao, diretor-geral da Zhishui Investment Management, citado pela Bloomberg.
O potencia aumento dos preços da energia, à boleia da subida do preço do petróleo e do gás natural, pode também fazer acelerar a inflação, o que pode levar a ajustes de política monetária, o que no caso dos EUA está a criar dúvidas sobre quando a Reserva Federal (Fed) poderá avançar com novos cortes nas taxas de juro diretoras.
Petróleo e gás natural continuam a escalar com intensificar do conflito no Médio Oriente
O petróleo está a ampliar o aumento nos preços registado na sessão de segunda-feira e negoceia com valorizações de cerca de 4%, à medida que os Estados Unidos (EUA) e Israel intensificam a guerra contra o Irão, que se está a alastrar a outras zonas do Médio Oriente. Já o preço do gás natural europeu continua a escalar na manhã desta terça-feira, tendo subido mais de 60% desde o fecho das negociações do final da semana passada.
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Índices asiáticos voltam a tombar com conflito no Médio Oriente. Kospi afunda 7%
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com perdas expressivas, causando a maior desvalorização em dois dias entre os índices da região desde abril do ano passado, à medida que o Irão intensifica os seus ataques contra os aliados dos EUA no Médio Oriente, impulsionando ainda mais os preços do petróleo e alimentando preocupações com a inflação. Os futuros dos EUA e da Europa seguem a recuar cerca de 1%.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 3,06%, ao passo que o Topix perdeu 3,24%. Já o sul-coreano Kospi tombou 7,24%, depois de um fim de semana prolongado. Na China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 1,15% e o Shanghai Composite cedeu 1,43%. Por Taiwan, o TWSE derrapou 2,20%.
Os investidores continuaram focados no petróleo, com o crude a ampliar os ganhos registados na sessão de ontem, depois de Teerão ter ordenado o fecho do Estreito de Ormuz — via navegável crucial para o transporte de petróleo bruto -, anúncio que foi rejeitado pela Administração norte-americana, causando ainda mais incerteza na região. As preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços da energia levaram os “traders” a reduzir as apostas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal (Fed).
Entre os movimentos do mercado pela Ásia, as ações de empresas exploradoras de carvão chinesas ganharam terreno após os preços do carvão para centrais elétricas terem registado a maior subida em três anos, depois do encerramento sem precedentes da fábrica de gás natural do Qatar – dos maiores exportadores de gás natural para a União Europeu. Nesta linha, a Yankuang Energy (+8,75%), China Coal (+5,74%) e a China Shenhua (+2,41%) valorizaram.
"A minha opinião é que os mercados negociaram ontem à noite como se o conflito fosse relativamente curto. No entanto, essa visão pode ser demasiado otimista”, disse à Bloomberg Nick Ferres, da Vantage Point Asset Management. “Antes do conflito, os mercados já estavam preocupados com a sustentabilidade dos investimentos em IA, com as perturbações e com a forma como eram financiados”, acrescentou o especialista.
Ainda sobre o conflito, o Presidente Donald Trump insistiu que não havia um prazo definido, enquanto o secretário da Defesa, Pete Hegseth, rejeitou a ideia de uma guerra “interminável” com o Irão. Ambos se recusaram a descartar o envio de tropas americanas para o terreno. Já o secretário de Estado Marco Rubio disse que “os golpes mais duros ainda estão por vir por parte das forças armadas dos EUA”.
“Trump intensificou a narrativa em torno do Irão ao dizer ‘O que for preciso’”, referiu à agência de notícias financeiras Anna Wu, da Van Eck Associates. “Isto prolonga os choques de volatilidade”, sublinhou.
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