Conflito no Médio Oriente atira Europa ao tapete. Seguradora Zurich afunda quase 7%
Juros disparam na Zona Euro. Investidores apostam numa subida das taxas diretoras
Dólar vive melhores sessões desde abril com impulso do conflito no Irão
Guerra no Irão leva ouro a perdas de mais de 6%
Conflito no Médio Oriente não dá descanso aos preços do petróleo. Brent dispara 6%
Guerra no Irão derruba Wall Street. Investidores já só veem um corte nos juros diretores
Iraque já está a reduzir produção de petróleo
Agência Internacional de Energia pronta a estabilizar mercado petrolífero se necessário
Taxa Euribor sobe a três e a 12 meses e desce a seis meses
"Sell-off" continua pela Europa. Índices tombam mais de 2% em toda a linha
Dólar ganha força com conflito no Médio Oriente. Euro cai e negoceia já nos 1,160 dólares
Juros agravam-se de forma expressiva na Zona Euro. Subida dos preços da energia preocupa investidores
BCE fala em risco de "aumento substancial" da inflação com conflito no Médio Oriente
Ouro e prata perdem terreno com subida do dólar
Petróleo e gás natural continuam a escalar com intensificar do conflito no Médio Oriente
Índices asiáticos voltam a tombar com conflito no Médio Oriente. Kospi afunda 7%
Conflito no Médio Oriente atira Europa ao tapete. Seguradora Zurich afunda quase 7%
As principais praças europeias viveram a pior série de duas sessões desde abril do ano passado, numa altura em que o conflito no Médio Oriente se intensifica e os preços da energia disparam, pondo em causa as metas da inflação estabelecidas tanto pelo Banco Central Europeu (BCE) como pela Reserva Federal (Fed) norte-americana. Os investidores já esperam uma subida nas taxas de juro na Zona Euro este ano.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, caiu 3,08% para 604,44 pontos, depois de já ter perdido 1,6% na sessão anterior. Todos os setores - até os ligados à energia - encerraram no vermelho, com a banca e as "utilities" (água, luz e gás) a registarem o pior desempenho. As perdas nas últimas duas sessões já levaram vários índices da região a apagar os ganhos deste ano.
A narrativa em torno de uma possível subida nas taxas de juro por parte do BCE foi reforçada com a subida da inflação acima do esperado em fevereiro, que acabou por acelerar de 1,7% para 1,9% - quando os economistas antecipavam que mantivesse o ritmo no mês passado. O mercado de "swaps" vê agora uma probabilidade de 50% de a autoridade monetária subir as taxas de juro.
Os investidores já não estão só a incorporar nos preços os riscos geopolíticos, mas também a antecipar uma crise energética no continente - uma vez que a economia europeia está bastante dependente das importações de petróleo e gás natural. "O risco aumenta se o petróleo ultrapassar decisivamente os 100 dólares por barril e se mantiver nesse nível", explica Mathieu Racheter, analista da Julius Baer, citado pela Bloomberg. "Nessa altura, a conversa passaria do aumento da inflação para o risco de estagflação – um crescimento mais lento combinado com uma renovada pressão sobre os preços", acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Zurich Insurance Group afundou 6,68% para 536,60 francos suíços, depois de ter iniciado um aumento de capital de 5 mil milhões de dólares para financiar a oferta pela rival britânica Beazley. Por sua vez, a Beiersdorf mergulhou 20,13% para 83,66 euros, a pior sessão de sempre, após a dona da Nivea ter revelado ao mercado previsões para o resto do ano que acabaram por ficar abaixo das expectativas.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perdeu 3,44%, o espanhol IBEX 35 tombou 4,97%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 3,92%, o francês CAC-40 cedeu 3,46%, o neerlandês AEX caiu 2,55%, ao passo que o britânico FTSE 100 deslizou 2,75%.
Juros disparam na Zona Euro. Investidores apostam numa subida das taxas diretoras
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro encerraram a sessão desta terça-feira com fortes agravamentos, numa altura em que a escalada nos preços da energia está a levar os investidores a olharem para o futuro da política monetária da região com mais pessimismo. O mercado de "swaps" já aponta mesmo para uma subida nas taxas de juro este ano por parte do Banco Central Europeu (BCE) - uma narrativa reforçada pelo aumento da inflação acima das expectativas.
As estimativas preliminares da evolução do índice de preços no consumidor (IPC) em fevereiro apontam para uma aceleração da subida dos preços de 1,7% para 1,9%. Os economistas esperavam que a inflação se mantivesse em 1,7%, mas os serviços acabaram por puxar pela inflação, apesar de esta ainda se manter abaixo da meta estabelecida pela autoridade monetária liderada por Christine Lagarde.
O economista-chefe do BCE, Philip Lane, já tinha alertado para estes riscos, ao considerar que um conflito prolongado no Médio Oriente pode levar à queda persistente no fornecimento de energia e a um aumento substancial da inflação na Zona Euro.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, saltaram 4 pontos base para 2,750%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade acelerou 8,5 pontos para 3,372%. Já em Itália, dispararam 10,1 pontos para 3,454%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa a dez anos cresceram 6,7 pontos base para 3,134%, enquanto a "yield" das obrigações espanholas com a mesma maturidade subiram 6,6 pontos para 3,199%.
Fora da Zona Euro, manteve-se a tendência de grandes agravamentos, com os juros das "Gilts" britânicas a escalarem 9,7 pontos base para 4,469%. Nos EUA, a subida é muito menos expressiva, com a "yield" das obrigações a dez anos a crescer apenas 2,3 pontos para 4,057%.
Dólar vive melhores sessões desde abril com impulso do conflito no Irão
O estalar de um novo conflito no Médio Oriente está a dar ao dólar a melhor série de duas sessões consecutivas desde abril do ano passado, quando o pânico inicial em torno das tarifas de Donald Trump começou a desvanecer-se. O crescimento astronómico nos preços da energia está a reviver receios de uma escalada da inflação, que estava finalmente a aproximar-se das metas estabelecidas pelos bancos centrais, levando os investidores a reduzirem as probabilidades de novos cortes nas taxas de juro.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda face a um cabaz de moedas - avança 0,74% para 1.205,01 pontos, atingindo máximos de meados de janeiro deste ano - depois de uma série de políticas erráticas por parte do Presidente dos EUA, nomeadamente as ameaças à soberania da Dinamarca sobre a Gronelândia, ter afundado a "nota verde". A esta hora, o euro recua 0,84% para 1,1589 dólares e a libra cede 0,64% para 1,3322 dólares.
O mercado de "swaps" já só vê a Reserva Federal (Fed) norte-americana a cortar as taxas de juro apenas uma vez este ano, quando no início da semana apontavam para dois alívios. Se o "rally" do dólar tem pernas para andar vai depender muito da duração deste conflito, principalmente depois de Donald Trump, Presidente dos EUA, ter revelado que espera que a guerra dure "quatro a cinco semanas" - mas tudo dependerá se os objetivos militares dos norte-americanos são atingidos ou não.
"Os mercados estão a reavaliar o risco de uma guerra mais prolongada com o Irão", explica Krishna Guha, analista da Evercore, à Bloomberg. "A duração dos preços mais elevados do petróleo e do gás é fundamental" para perceber o caminho a adotar pela Fed - que terá um impacto direto no valor do dólar, acrescenta ainda a analista. Para já, as tensões não parecem estar a estabilizar e a circulação do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude consumido a nível global, deverá continuar bastante limitada.
Guerra no Irão leva ouro a perdas de mais de 6%
O ouro chegou a afundar mais de 6% esta terça-feira, após quatro sessões consecutivas de ganhos expressivos, numa altura em que os investidores avaliam o impacto da guerra do Irão nas perspetivas de cortes das taxas de juro por parte da Reserva Federal (Fed) norte-americana e enfrentam um dólar bastante reforçado face aos seus principais concorrentes. A escalada nos preços da energia está a fazer com que os mercados já só vejam um corte nos juros diretores este ano por parte do banco central dos EUA.
A esta hora, o metal amarelo reduziu ligeiramente as perdas, mas está a ceder 4,61% para 5.077,49 dólares por onça. O ouro tende a perder terreno num ambiente monetária mais restritivo, uma vez que não rende juros. e é normalmente pressionado por um dólar mais forte, que o torna menos atrativo para os compradores internacionais. Por sua vez, a prata chegou a cair quase 13%.
"As experiências de 2022, quando o início da guerra na Ucrânia fez subir os preços do petróleo e, consequentemente, a inflação em todo o mundo, provavelmente servem de modelo neste caso", explica Thu Lan Nguyen, chefe de "research" de câmbio e matérias-primas do Commerzbank, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. Na altura, a Fed respondeu com uma subida rápida nas taxas de juro, que levou a um reforço do dólar e à queda do ouro nesse ano, relembra a analista.
O metal amarelo está a ainda a ser pressionado pelas grandes quedas de outros ativos, como é o caso das ações, com os investidores a liquidarem posições no ouro para cobrirem as perdas registadas. Mesmo assim, numa primeira reação ao estalar do conflito no Médio Oriente, a matéria-prima conseguiu crescer, beneficiando da sua posição histórica como um ativo de refúgio face a um aumento das tensões geopolíticas.
Para já, não se espera que a guerra tenha uma resolução muito rápida. O Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está comprometido em atingir os seus objetivos militares no Irão, estando disposto a prolongar a ofensiva pelo tempo necessário. Israel anunciou uma "onda de ataques" aos centros de comando iranianos e Teerão está a responder com ataques a infraestrutura energética da região.
Conflito no Médio Oriente não dá descanso aos preços do petróleo. Brent dispara 6%
O barril de petróleo está a disparar pelo segundo dia consecutivo, levando, embora de forma momentânea, o crude de referência para a Europa a negociar acima da marca dos 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024. Os preços da matéria-prima continuam a ser impulsionados pelo conflito no Médio Oriente, numa altura em que Israel intensifica os ataques contra o Irão e os EUA prometem uma ofensiva ainda mais pesada.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA - avança 6,15% para 75,61 dólares por barril, tendo chegado a disparar quase 10% para próximo dos 78 dólares. Já o Brent, crude de referência para a Europa, acelera 6,10% para 82,48 dólares por barril, reduzindo ligeiramente os ganhos após ter tocado nos 85,12 dólares esta manhã. Os preços acabaram por subir ainda mais depois de o Iraque ter decidido reduzir a produção em dois campos petrolíferos, incluindo o de Rumaila.
A decisão surge após o Irão ter anunciado que iria fechar o Estreito de Ormuz. Ainda há navios a passar por este ponto estratégico, embora Teerão tenha prometido atacá-los, mas a circulação está bastante limitada. A empresa estatal saudita Saudi Aramco, a maior produtora do mundo de petróleo, já está a analisar formas de desviar a produção para Yanbu, um porto no Mar Vermelho, evitando assim o Golfo Pérsico. Na segunda-feira, a petrolífera já tinha decidido interromper a produção de crude na refinaria de Ras Tanura, após as instalações terem sido atingidas por um drone.
"Com o Estreito de Ormuz ainda inativo, o tempo está a passar", escrevem os analistas do JPMorgan Chase, numa nota a que a Bloomberg teve acesso, alertando para a possibilidade de alguns produtores do Golfo Pérsico reduzirem a produção nas próximas semanas, caso os seus inventários comecem a ficar cheios. Com o segundo dia de negociação após o estalar do conflito já a mais de meio, os mercados não dão sinais de que a situação possa vir a acalmar, à medida que a subida astronómica nos preços da energia ameaça as metas dos bancos centrais para a inflação e o crescimento económico.
O Médio Oriente é a região mais rica do mundo em petróleo, com a capacidade de extrair cerca de 10 milhões de barris por dia, além de contar com grandes volumes de produção de gás natural liquefeito (GNL). Os preços desta matéria-prima na Europa já subiram quase 80% desde o arranque da semana, em grande parte devido à decisão do Catar de suspender a produção na maior instalação de exportação de GNL do mundo, depois de ter sido alvo de um ataque iraniano.
Guerra no Irão derruba Wall Street. Investidores já só veem um corte nos juros diretores
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira com grandes perdas, depois de terem sobrevivido ao impacto inicial da guerra no Irão na segunda-feira, numa altura em que os investidores avaliam as consequências que uma escalada na inflação poderá ter no futuro da política monetária dos EUA. O mercado de "swaps" aponta agora para apenas um corte de 25 pontos-base nas taxas de juro este ano, comparado com os dois alívios que antevia no início da semana.
A esta hora, o S&P 500 cede 1,79% para 6.758,18 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite cai 1,95% para 22.305,54 pontos e o industrial Dow Jones perde 2,13% para 47.862,08 pontos. O impacto do conflito no Médio Oriente nos mercados financeiros vai ser ditado pela duração da guerra, numa altura em que o Presidente norte-americano antecipa que o conflito dure "entre quatro a cinco semanas" - embora admita que possa resvalar para lá desse cronograma. A "maior onda" de ataque ainda está por vir, acrescentou.
"Os riscos inflacionários representados por uma guerra extensa com o Irão estão na mente dos investidores, especialmente porque os analistas mantêm um olhar atento sobre o Estreito de Ormuz", explica Molly Schwartz, estratega do Rabobank, numa nota de "research" a que a Bloomberg teve acesso. "Os aumentos adicionais de preços representados pela transformação da maior região exportadora de petróleo do mundo numa zona de guerra podem colocar a Reserva Federal (Fed) numa posição delicada", acrescenta.
Os mercados antecipam agora um corte nas taxas de juro por parte do banco central apenas em setembro, contra as anteriores expectativas de julho. Os investidores vão estar à procura de novas pistas sobre o futuro da política monetária nas intervenções desta terça-feira de John Williams, Jeffrey Schmid e Neel Kashkari, numa altura em que a Fed se mostra bastante dividida em relação a que caminho adotar. Na última reunião, alguns membros defenderem mesmo uma subida nos juros diretores.
A subida astronómica nos preços do petróleo e do gás, em conjunto com os aumentos nos fretes, podem deixar a meta da inflação da Fed sob ameaça. Além de ter fechado o Estreito de Ormuz, o Irão prometeu atacar qualquer navio que tente passar pelo canal - um ponto crítico para o comércio global, por onde passa cerca de um quinto do crude e do gás consumido a nível mundial.
Entre as principais movimentações de mercado, a Nvidia caiu 2,04% para 178,66 dólares, depois de ter sido noticiado que as autoridades estão a considerar limitar o número de exportações que a fabricante de chips pode fazer para cada cliente chinês. Por sua vez, a Paramount afunda 5,70% para 12,58 dólares, após a Fitch ter decidido cortar para lixo a dívida de longo prazo da empresa e o Financial Times ter noticiado que o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC) norte-americana não irá bloquear o negócio para a aquisição da Warner Bros.
Iraque já está a reduzir produção de petróleo
O Iraque, um dos maiores produtores mundiais de petróleo, iniciou uma paragem de extração no campo de Rumaila, à medida que as unidades de armazenamento do país estão cheias, devido à falta de escoamento de petróleo pela paralisação do Estreito de Ormuz. Esta é mais uma consequência dos conflitos no Médio Oriente, que já vão no quarto dia, após o ataque dos EUA e de Israel contra o Irão.
A informação, avançada pela agência de notícias financeiras Bloomberg, dá ainda conta que o Iraque também está a reduzir a produção num segundo campo petrolífero, apelidado de Qurna 2, cuja produção está agora limitada a 450 mil barris por dia.
Com as empresas e os países a evitarem travessias no Estreito de Ormuz, depois das ameaças de retaliação por parte do Irão, aquele que é um dos principais "corredores" mundiais para a exportação de petróleo está a afetar a normal cadeia de abastecimento do crude e de gás natural. Como consequência, os preços destas matérias-primas energéticas estão a disparar nos mercados.
Agência Internacional de Energia pronta a estabilizar mercado petrolífero se necessário
A Agência Internacional de Energia (AIE) está pronta para ajudar a estabilizar o mercado petrolífero global em consequência do conflito com o Irão, referindo que os países membros detêm mais de mil milhões de barris em reservas de emergência, de acordo com um documento da agência a que a Bloomberg teve acesso.
Embora a produção de petróleo na região permaneça em grande parte inalterada, os fluxos através do Estreito de Ormuz — bem como a produção de gás natural liquefeito (GNL) — foram "significativamente afetados", adverte, no documento datado de 2 de março, a AIE, que está reunida esta terça-feira para discutir a situação no Médio Oriente.
Embora o documento indique que a AIE - que coordena a libertação global de stocks de petróleo durante os períodos de interrupção do mercado - pode fornecer uma oferta adicional ao mercado quando necessário, não menciona quaisquer planos para o fazer e afirma que o mercado está adequadamente abastecido por enquanto.
A organização implementou cinco intervenções do género nos últimos 35 anos: durante a Guerra do Golfo de 1991, os furacões Katrina e Rita em 2005, a revolta líbia de 2011 e duas após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Os contratos futuros de petróleo subiram acima dos 85 dólares por barril pela primeira vez desde julho de 2024, na terça-feira, à medida que os EUA e Israel intensificaram a sua guerra contra o Irão e um incêndio num importante centro de armazenamento nos Emirados Árabes Unidos sublinhou o risco para as infraestruturas energéticas.
A aliança OPEP+ concordou com um aumento modesto da produção no domingo e membros importantes como a Arábia Saudita reforçaram as exportações, mas não foi suficiente para acalmar o mercado. Nos EUA, a Administração Trump não tem planos imediatos para libertar petróleo da reserva de emergência do país, avançou também a Bloomberg na segunda-feira.
Taxa Euribor sobe a três e a 12 meses e desce a seis meses
A taxa Euribor subiu esta terça-feira a três e a 12 meses e desceu a seis meses em relação a segunda-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,035%, continuou abaixo das taxas a seis (2,120%) e a 12 meses (2,232%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, desceu, ao ser fixada em 2,120%, menos 0,011 pontos do que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a dezembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,77% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.
Em sentido contrário, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou hoje para 2,232%, mais 0,003 pontos.
A Euribor a três meses também subiu ao ser fixada em 2,035%, mais 0,009 pontos do que na segunda-feira.
Em 05 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
"Sell-off" continua pela Europa. Índices tombam mais de 2% em toda a linha
Os principais índices europeus negoceiam com fortes perdas nesta terça-feira, mantendo a tendência já registada no dia de ontem e caminham agora para a maior queda em dois dias consecutivos desde abril de 2025, quando Donald Trump anunciou as tarifas recíprocas que iria aplicar aos seus parceiros comerciais.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – afunda 2,82%, para os 606,06 pontos, depois de ontem ter tido a maior queda intradiária desde novembro.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX perde 3,18%, o espanhol IBEX 35 tomba 3,72%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 3,56%, o francês CAC-40 cede 2,80%, o neerlandês AEX cai 2,89%, ao passo que o britânico FTSE 100 recua 2,43%.
O “sell-off” está a ser generalizado, com todos os setores a caírem de forma expressiva. O índice Euro Stoxx 50, composto pelas 50 maiores cotadas do velho Continente, cai cerca de 3%.
Os bancos estão entre os que mais perderam neste momento, com o setor da banca a tombar 4%, à medida que o HSBC, o Santander e o UniCredit, entre outros, desvalorizam mais de 3%. Ainda assim, para os analistas do JPMorgan citados pela Bloomberg, a liquidação registada no setor da banca pode ter ido longe demais, já que a escalada no Médio Oriente teve apenas um impacto direto limitado nos lucros dos bancos de investimento globais até agora.
Noutros setores, o tecnológico recua mais de 3%, assim como o das “utilities”, o industrial, o dos recursos naturais e o do retalho.
O setor energético está, por sua vez, a ter um desempenho superior, com os preços do petróleo e do gás natural europeu a continuarem a escalar nesta terça-feira. A Equinor (+7,51%) está entre as cotadas com maiores ganhos.
O foco dos investidores continua a ser o impacto que o conflito está a causar no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, o que levanta preocupações sobre o aumento dos preços da energia que, em último caso, poderão levar a um aumento da inflação.
Mathieu Racheter, diretor da Julius Baer, disse à agência de notícias financeiras que os investidores não estão a avaliar o “ruído geopolítico, mas a probabilidade de um choque de oferta de petróleo e gás”. “O risco surge se o petróleo subir acima de 100 dólares por barril e permanecer nesse patamar”, disse Racheter. “Nesse ponto, a conversa mudará da inflação incremental para o risco de estagflação – crescimento mais lento combinado com renovada pressão sobre os preços”, sublinhou o especialista.
Entre os movimentos do mercado, a Zurich Insurance Group desvaloriza mais de 6%, depois de a seguradora ter iniciado uma angariação de capital de 5 mil milhões de dólares para financiar a sua oferta pela seguradora Beazley. Já a Beiersdorf tomba mais de 18%, após a proprietária alemã da marca Nivea ter divulgado um "outlook” dececionante para este ano.
Dólar ganha força com conflito no Médio Oriente. Euro cai e negoceia já nos 1,160 dólares
O dólar está a registar valorizações na sessão desta terça-feira, impulsionado pelos preços mais altos da energia e pela maior procura pela “nota verde” enquanto ativo-refúgio, depois de os ataques dos EUA e Israel ao Irão aumentarem as preocupações em torno de um conflito prolongado e alargado no Médio Oriente.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - avança 0,81%, para os 99,180 pontos. As preocupações de que a inflação mais alta devido ao escalar dos preços da energia poderá atrasar o próximo corte nas taxas de juros pela Reserva Federal norte-americana também seguem a impulsionar o dólar.
Os "traders" estão a acompanhar de perto os desenvolvimentos em torno do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, que está interrompido depois de ataques retaliatórios iranianos terem atingido embarcações na região e membros do Governo do país terem informado que qualquer navio que passe pela via marítima estaria sujeito a ataques.
Nesta linha, um aumento acentuado e prolongado dos preços do petróleo prejudicaria as economias do Japão e da Zona Euro, que dependem fortemente das importações de crude.
A esta hora, o dólar valoriza 0,19%, para os 157,690 ienes, enquanto o euro perde 0,75%, para os 1,160 dólares, sendo que a libra cede 0,87%, para os 1.329 dólares.
Com efeito, o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, disse ao Financial Times que uma guerra prolongada poderia causar um aumento na inflação da Zona Euro. Já pelo Japão, o ministro das Finanças, Satsuki Katayama, sugeriu que a intervenção no mercado cambial continuava a ser uma opção para defender o iene.
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