Kiev acusa Rússia de roubar centenas de milhares de toneladas de cereais
- EUA começaram a treinar militares ucranianos na Alemanha
- Ministro alemão diz que o país "não será chantageado pela Rússia"
- Trabalhadores do porto de Amesterdão recusam descarregar navio com petróleo russo
- Kiev acusa Rússia de roubar centenas de milhares de toneladas de cereais
Os Estados Unidos iniciaram na Alemanha a formação militar às forças ucranianas, para que estas aprendam a manusear o equipamento de combate que Washington está a enviar para Kiev, divulgou o Departamento de Defesa (Pentágono) norte-americano.
Os militares ucranianos estão a receber formação sobre o uso de veículos blindados e sistemas de radar que os norte-americanos anunciaram recentemente que estão a transportar para a Ucrânia, referiu o porta-voz do Pentágono, John Kirby.
A mesma fonte especificou que os soldados ucranianos estão a aprender a usar as armas Howitzer, que são fornecidas pelo governo dos EUA ao abrigo dos pacotes de assistência militar.
O ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, disse neste sábado que o Governo não se deixará chantagear pela Rússia, relativamente ao pagamento em rublos pelo fornecimento de gás, e sublinhou necessidade de acabar com dependência energética de Moscovo.
"Não. Não seremos chantageados", respondeu desta forma Christian Lindner, em entrevista ao jornal Mannheimer Morgen, quando questionado se a Alemanha deve pagar o gás em rublos em caso de emergência e, assim, responder à exigência de Vladimir Putin.
Os trabalhadores do porto de Amesterdão recusaram-se a descarregar um barco com petróleo russo -- que havia sido recusado pelos funcionários de outro porto na Suécia - apesar de o governo neerlandês ter alertado não poder legalmente impedir que atracasse.
O navio ancorou na sexta-feira à noite ao largo da costa neerlandesa, com a intenção de entrar hoje no porto de Amesterdão, mas os funcionários do cais recusam-se a descarregá-lo, alegando a situação de guerra na Ucrânia e que a carga de petróleo vem da Rússia, país agressor.
Apesar das sanções impostas à Rússia devido ao conflito armado na Ucrânia, nem o governo neerlandês nem a União Europeia chegaram a acordo sobre o boicote petrolífero a Moscovo.
O ministro neerlandês dos Negócios Estrangeiros, Wopke Hoekstra, explicou na sexta-feira que fora negada a entrada do navio Sunny Ligre na Suécia devido à resistência dos trabalhadores do porto, que se recusarem a descarregar o navio "vinculado à Rússia" e não por determinação das autoridades suecas, acabando o navio por rumar aos Países Baixos.
O Governo ucraniano acusa a Rússia de estar roubar centenas de milhares de toneladas de cereais nos territórios ocupados por forças de Moscovo no leste e no sul do país.
O vice-ministro da Política Agrária, Taras Vysotsky, disse que as tropas russas confiscaram "várias centenas de milhares de toneladas" e acrescentou recear que roubem também o resto, em declarações à agência ucraniana de notícias, a RBC, citadas pela agência espanhola Efe.
Vysotsky disse que nos territórios controlados pelos russos estão armazenadas um milhão e meio de toneladas de cereais, e afirmou que era de esperar que as tropas roubem a maior parte.
Na semana passada, o portal de informação ucraniano LB tinha escrito que na região de Kherson, sob controlo russo, as forças de Moscovo só permitem aos agricultores trabalhar se derem 70% da produção da sua futura colheita.
A guerra na Ucrânia foi um duro golpe para as exportações de trigo e outros cereais, com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) a afirmar que o conflito é o principal motivo pelo qual os preços atingiram o valor mais alto desde 1990.
Antes da invasão da Rússia, 24 de fevereiro, a Ucrânia exportava mensalmente cinco milhões de toneladas de produtos agrícolas através dos portos de Odessa e Mikolaiv, que agora estão bloqueados.
A Ucrânia era o terceiro maior exportador mundial de cevada e estava em quarto e quinto lugar das maiores exportações de aveia e milho, respetivamente.
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