Irão promete atacar centrais elétricas no Golfo. Mísseis obrigam avião de repatriamento a recuar
Mísseis obrigam avião de repatriamento de franceses dos Emirados Árabes Unidos a voltar para trás
Irão promete atacar centrais elétricas do Golfo após ultimato de Trump. "Se atingirem a eletricidade, nós atingimos a eletricidade"
Avião com 147 cidadãos repatriados, a maioria portugueses, aterrou em Lisboa
Avião de reabastecimento norte-americano despenha-se no Iraque
Guerra pode causar pior crise energética das últimas décadas, avisa AIE
Sinopec alerta condutores para maior subida do ano dos combustíveis na China
Starmer discute com Trump necessidade de reabrir Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, falou com o Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a necessidade de reabrir o Estreito de Ormuz para garantir a estabilidade do mercado energético mundial, indicou um porta-voz da Downing Street.
Os líderes abordaram no domingo à noite a situação atual no Irão e, em particular, a importância de reabrir o estreito de Ormuz para retomar o transporte marítimo mundial, disse o porta-voz.
"Concordaram que a reabertura do Estreito de Ormuz é essencial para garantir a estabilidade do mercado energético mundial. Combinaram voltar a falar em breve", acrescentou a mesma fonte.
O primeiro-ministro britânico deverá presidir hoje a uma reunião do comité de emergência Cobra, composto pelos principais ministros, para debater o impacto económico da guerra no Irão.
O Governo britânico salientou que o Reino Unido continua a apoiar as ações defensivas contra o Irão, mas que não será arrastado para a guerra.
Na sexta-feira, o Governo de Starmer informou que autorizou os Estados Unidos a utilizar bases britânicas para operações defensivas específicas neste conflito.
Mísseis obrigam avião de repatriamento de franceses dos Emirados Árabes Unidos a voltar para trás
Um avião da Air France fretado pelo governo francês para repatriar franceses dos Emirados Árabes Unidos (EAU) viu-se obrigado hoje a voltar para trás em pleno voo após "ataques com mísseis na zona", informou o ministro francês dos Transportes, Philippe Tabarot.
"Apesar dos meios mobilizados (...) para continuar o repatriamento dos cidadãos franceses que desejam regressar do Médio Oriente, o voo da Air France fretado pelo Governo para recolher os nossos compatriotas nos Emirados Árabes Unidos foi obrigado esta tarde a regressar devido ao lançamento de mísseis na zona", anunciou Tabarot numa mensagem nas suas redes sociais.
O ministro disse que o Governo francês está "ciente" das "legítimas expectativas" dos franceses nos Emirados Árabes Unidos que querem abandonar o país o quanto antes, "mas o seu regresso só poderá realizar-se em condições de segurança asseguradas", afirmou.
"Esta situação reflete a instabilidade na região e a complexidade das operações de repatriamento", concluiu.
Cerca de 400.000 franceses estavam na região como residentes ou em trânsito quando os Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irão no sábado passado.
Uma das prioridades do chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, é garantir a proteção dos cidadãos franceses na região e o regresso a França daqueles que o desejarem, incluindo os que estão em trânsito, indicaram hoje fontes do Eliseu.
Avião com 147 cidadãos repatriados, a maioria portugueses, aterrou em Lisboa
Um avião fretado à TAP com 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses, em fuga da guerra no irão aterrou hoje em Lisboa às 10:16 no âmbito de uma operação de repatriamento das autoridades portuguesas.
O voo foi fretado pelo Estado português para repatriar os portugueses que pretendem sair de zonas de risco devido à guerra no Médio Oriente.
A aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal transportou 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses e oito de outros países: Alemanha, Itália, Estados Unidos da América, Reino Unido e Peru.
O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, está presente no local para receber os cidadãos repatriados.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a liderança do país.
O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Além da Turquia, incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
Avião de reabastecimento norte-americano despenha-se no Iraque
Um avião de reabastecimento norte-americano despenhou-se no oeste do Iraque, anunciou hoje o Comando Central dos EUA (Centcom), adiantando que a perda do KC-135 "não foi causada por fogo inimigo ou amigo".
"As operações de resgate estão em curso", acrescentou o Centcom em comunicado, referindo que outra aeronave envolvida no acidente aterrou em segurança.
O Centcom referiu ainda que o incidente "ocorreu em espaço aéreo amigo durante a Operação Epic Fury", em que os EUA e Israel têm atacado o Irão.
Não foram fornecidos detalhes sobre o número de pessoas a bordo da aeronave ou o seu estado de saúde atual.
"Mais informações serão fornecidas à medida que os destacamentos ocorrerem", concluiu o Centcom, solicitando paciência enquanto "reúne detalhes adicionais e presta esclarecimentos às famílias dos militares" envolvidos.
A perda do KC-135 marca o quarto acidente aéreo de aeronaves norte-americanas desde o início da guerra contra o Irão, após o abate de três caças F-15 por fogo amigo do Kuwait.
Com 41,5 metros de comprimento e quase 40 metros de envergadura, o Boeing KC-135 "Stratotanker" possui quatro motores e uma capacidade de carga útil até mais de 38 toneladas, dependendo da sua configuração.
Sobre a duração do conflito no Médio Oriente, o presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que a guerra com o Irão está a "avançar rapidamente", reiterando a sua visão otimista sobre o desenvolvimento do conflito, para o qual ainda não apresentou um calendário.
Durante um evento na Casa Branca, o republicano defendeu que "o que é preciso fazer está a ser feito" para alcançar os objetivos dos EUA no Médio Oriente.
A breve referência ao conflito foi feita pelo Presidente durante um evento do Mês da História das Mulheres, ao qual compareceu acompanhado pela primeira-dama Melania Trump.
Antes, Trump tinha declarado que o aumento dos preços do petróleo provocado pela guerra e a interrupção do fluxo através do Estreito de Ormuz trariam "muito dinheiro" aos Estados Unidos, o maior produtor mundial de petróleo.
O presidente tem mantido um tom positivo em relação ao estado da guerra, treze dias depois do lançamento da Operação Fúria Épica contra Teerão, chegando a afirmar, sem provas, que o conflito está ganho, embora diga que a ofensiva vai continuar.
A guerra, na qual morreram sete soldados norte-americanos e que provocou um aumento dos preços da gasolina devido ao bloqueio no Golfo Pérsico, poderá afetar o desempenho de Trump antes das eleições intercalares de novembro, nas quais está em causa a maioria republicana no Congresso.
Irão promete atacar centrais elétricas do Golfo após ultimato de Trump. "Se atingirem a eletricidade, nós atingimos a eletricidade"
O Irão diz que vai atacar as centrais elétricas que abastecem bases norte-amerianas no Golfo se os EUA cumprirem a promessa de "obliterar" a rede elétrica iraniana.
"Estamos determinados a responder a qualquer ameaça com a mesma intensidade que ela provoca em termos de dissuasão. Se atingirem a eletricidade, nós atingimos a eletricidade", pode ler-se num comunicado da Guarda Revolucionária desta amanhã.
Este sábado, Donald Trump deu dois dias ao Irão para reabrir o Estreito de Ormuz - caso contrário veriam as suas centrais elétricas bombardeadas, agravando o conflito que entra agora na sua quarta semana.
Sinopec alerta condutores para maior subida do ano dos combustíveis na China
A estatal chinesa Sinopec alertou hoje os clientes para anteciparem o abastecimento e evitarem horas de maior afluência, perante a maior subida do ano nos combustíveis na China, que entra em vigor à meia-noite.
Segundo estimativas de consultoras do setor, citadas por órgãos de comunicação locais, o aumento poderá situar-se em cerca de 2.200 yuan (cerca de 1.534 euros) por tonelada, o que se deverá traduzir em subidas entre 1,7 e 1,8 yuan (0,21 e 0,22 euros) por litro nas principais gasolinas e no gasóleo.
Para um depósito padrão de 50 litros, o agravamento representará um custo adicional superior a 80 yuan (10 euros) por abastecimento.
A subida, a quinta desde o início do ano, deverá consolidar a tendência de aumento dos preços no país, após quatro anteriores revisões em alta e um ajustamento sem alterações, de acordo com o mecanismo de revisão a cada dez dias úteis, indexado à evolução do crude nos mercados internacionais.
A Sinopec, uma das principais petrolíferas estatais chinesas, enviou mensagens de texto aos seus utilizadores a alertar para uma subida "relativamente elevada" e a recomendar o planeamento das deslocações e o abastecimento antecipado, para evitar concentrações nas estações de serviço.
O aviso, pouco habitual segundo comentários em redes sociais chinesas, reflete a sensibilidade das autoridades e das empresas do setor ao impacto dos preços da energia no consumo diário.
Os mercados asiáticos reagiam com quedas acentuadas ao agravamento da crise no Médio Oriente, com descidas até 3,36% em Hong Kong e perdas superiores a 2% nas bolsas da China continental.
Em paralelo, o preço do petróleo Brent, referência na Europa, mantinha-se em torno dos 110 dólares (95 euros) por barril, impulsionado pelos receios de interrupções no fornecimento a partir do golfo Pérsico.
O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, constitui também uma rota estratégica para a China, já que aproximadamente 45% das suas importações de crude passam por essa via.
O Irão reiterou por várias vezes a possibilidade de bloquear a passagem caso prossigam ataques contra o país, enquanto os Estados Unidos advertiram para eventuais novas ações militares se Teerão mantiver a pressão sobre esta via estratégica.
Guerra pode causar pior crise energética das últimas décadas, avisa AIE
O diretor da Agência Internacional da Energia (AIE), Fatih Birol, alertou esta segunda-feira que o conflito no Irão poderá causar a "pior crise energética das últimas décadas".
Segundo Birol, pelo menos 40 infraestruturas energéticas foram "gravemente ou muito gravemente" danificadas devido à guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.
"O mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência da guerra no Médio Oriente, uma ameaça maior para a economia mundial", advertiu Birol em declarações no National Press Club em Camberra.
"Até ao momento, perdemos 11 milhões de barris por dia, mais do que as duas grandes crises petrolíferas juntas", de acordo com o responsável, que recordou que nos anos 1970, cada uma dessas crises representou uma perda de cerca de cinco milhões de barris diários, ou seja, "10 milhões no total".
Birol acrescentou que esta crise equivale "a duas crises petrolíferas e a um colapso do mercado do gás reunidos", evocando também os efeitos da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
O responsável sublinhou ainda que "nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar neste rumo" e apelou a uma ação coordenada à escala global.
"A economia mundial enfrenta uma ameaça maior, e espero vivamente que este problema seja resolvido o mais rapidamente possível", disse.
O estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, encontra-se bloqueado de facto devido à guerra, desencadeada a 28 de fevereiro por ataques israelo-americanos contra o Irão.
Caso Teerão não reabra a passagem, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou "atingir e aniquilar" centrais elétricas iranianas, "começando pela maior".
Em resposta aos ataques, o Irão tem lançado mísseis e drones contra infraestruturas energéticas em países aliados de Washington e contra navios no Golfo, sobretudo os que se aventuram no estreito.
Na tentativa de conter a escalada do preço do petróleo, os Estados Unidos autorizaram por um mês a venda e entrega de crude iraniano armazenado em navios.
Contudo, Teerão afirmou não possuir qualquer excedente de petróleo bruto em alto-mar.
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