Bolsas europeias negoceiam divididas. Ações da AstraZeneca sobem 2,5%
Iene toca mínimos de ano e meio face ao dólar
Juros das dívidas europeias aliviam
Metais preciosos continuam em alta. Ouro e prata batem novos recordes
Petróleo recua. Investidores à espera da resposta dos EUA sobre Irão
Possíveis eleições antecipadas no Japão dão força a ganhos na Ásia
Europa sem rumo atenta a resultados empresariais do bloco
As bolsas europeias estão a negociar sem tendência definida, com as praças do bloco divididas entre ganhos e perdas, apesar de o índice de referência europeu estar a negociar em máximos históricos, prolongando a subida registada desde o início do mês.
O impulso surge sobretudo do setor mineiro, já que esta manhã os metais preciosos estão a bater recordes, numa altura de grande procura por ativos-refúgio entre os investidores, o que tem beneficiado as empresas do setor.
Os investidores estão também atentos a resultados trimestrais das cotadas do bloco, mas espera-se que a atenção se vire depois para uma possível decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre a legalidade das tarifas impostas por Donald Trump.
Nesta manhã, o Stoxx 600 avança 0,28% para novos máximos, nos 612,17 pontos, impulsionado pelas empresas de mineração, "utilities" e da saúde.
Quanto aos resultados por praça, o espanhol IBEX 35 avança 0,65%, o francês CAC-40 ganha 0,48%, o britânico FTSE 100 sobe 0,26%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,54% e o alemão Dax cede 0,8%. O neerlandês AEX cai 0,09%.
Entre os principais movimentos empresariais, a alemã RWE e a escocesa SSE, ambas do setor energético, avançam mais de 1,5%, após terem ganhado contratos do preço de eletricidade garantido no último leilão de energia eólica offshore no Reino Unido.
Já a farmacêutica finlandesa Orion dispara quase 12% para máximos desde outubro, após uma previsão de receitas melhor do que o esperado para 2026. Também a AstraZeneca sobe 2,5% depois de a empresa ter anunciado que tinha chegado a acordo para comprar a Modella AI, sediada em Boston.
O mercado estará atento a mais contas da banca norte-americana: hoje é a vez do Citi, Bank of America e Wells Fargo apresentarem contas. Ontem os números do JPMorgan não impressionaram os investidores, devido a uma quebra nas taxas de investimento. Ainda assim, o setor na Europa ganha 0,5% esta manhã.
Iene toca mínimos de ano e meio face ao dólar
O iene japonês chegou a tocar em mínimos de 18 meses em relação ao dólar esta quarta-feira, devido à especulação de eleições antecipadas no país, que podem abrir caminho para mais estímulos fiscais, levando a que os investidores pesem a possibilidade de as autoridades de Tóquio intervirem no mercado cambial para sustentar a divisa nipónica.
O iene caiu até 0,2%, atingindo 159,45 ienes por dólar, o valor mais baixo desde julho de 2024. A pressão sobre a moeda japonesa foi agravada por um leilão de títulos do governo japonês com maturidade a cinco anos, que atraiu uma procura mais fraca. Entretanto o iene recuperou, estando agora o dólar a ceder 0,24% para 158,76 ienes.
Há vários meses que a moeda japonesa tem desvalorizado em relação a outras moedas e os analistas alertam para a rapidez da movimentação do iene. Só nos últimos dois meses, o iene desvalorizou 3% em relação à "nota verde", mas chegou a tombar 6% em 2024.
Já o dólar segue estável, próximo de máximos de um mês, após os dados da inflação ao consumidor nos EUA, que ficaram em grande parte em linha com as estimativas. O relatório reforçou as expectativas de que a Reserva Federal vai deixar os juros inalterados na reunião deste mês, apesar da pressão constante da Casa Branca para cortes. O euro está inalterado nos 1,1649 dólares e o índice da "nota verde" da DXY cede apenas 0,05% para 99,08 pontos.
Juros das dívidas europeias aliviam
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a aliviar nesta quarta-feira.
As obrigações alemãs a dez anos, tidas como referência para o contexto europeu, negoceiam inalteradas com uma taxa de 2,846%. Já em França, o alívio dos juros é de 0,2 pontos-base para 3,517%. Em Itália o alívio é um pouco superior, de 0,4 pontos-base, para 3,473% de rendibilidade.
A "yield" das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos desce 0,2 pontos para 3,090%. Espanha acompanha a tendência de descida, com os juros da dívida a 10 anos a caírem 0,1 pontos-base para 3,238%.
No Reino Unido, a rendibilidade das obrigações situa-se nos 4,391%, uma descida de 0,5 pontos-base. Nos EUA, as obrigações seguem igualmente a aliviar, neste caso em 1,8 pontos-base, para uma taxa de rendibilidade de 4,162%.
Metais preciosos continuam em alta. Ouro e prata batem novos recordes
Os dados da inflação dos EUA, que manteve-se nos 2,7% em dezembro, deram força às expectativas dos investidores de que a Reserva Federal irá proceder a novos cortes das taxas de juro no decorrer de 2026, ainda que não já na reunião de janeiro. E num contexto de taxas de juro mais baixas, os metais preciosos tendem a beneficiar, por não renderem juros.
Isso e o cenário geopolítico incerto – sobretudo com uma possível intervenção dos EUA no Irão, mas também com o regresso da política de tarifas americanas – estão a dar força à procura por metais preciosos, que na negociação desta quarta-feira bateram novos recordes.
Às 08:36 horas, o ouro avançava 0,94% para os 4.629,80 dólares por onça, enquanto a prata saltava 3,29% para os 89,81 dólares por onça. Durante a negociação, o ouro tocou um novo máximo de 4.639,42 dólares, ao passo que a prata superou mesmo a fasquia dos 90 dólares.
"O receio de que venham a ser aplicadas tarifas à prata levou a que uma grande quantidade de prata ficasse retida nos EUA limitando os fluxos para o mercado global", comenta Liu Shiyao, analista da Zijin Tianfeng Futures, citado pela Bloomberg.
Continua assim a forte valorização dos metais preciosos, que em 2025 já tinham tido um ano estelar: o ouro valorizou 65% e a prata cerca de 150%. David Chao, da Invesco Asset Management, considera que a "proteção contra a inflação ou instabilidade financeiras" vão continuar a dar força aos metais. "É provável que o ouro tenha um desempenho superior ao da prata este ano, devido às recentes incertezas geopolíticas".
Já Ricardo Evangelista, presidente executivo da ActivTrades Europe, sublinha que "os ganhos mais recentes surgem na sequência da divulgação, na terça-feira, dos dados de inflação dos EUA, que ficaram abaixo das expectativas e reforçaram as perspetivas de cortes das taxas de juro, com um número crescente de negociadores a esperar três cortes em 2026. Este cenário cria pressão sobre o dólar norte-americano, apoiando o ouro devido à correlação inversa entre os dois ativos".
Petróleo recua. Investidores à espera da resposta dos EUA sobre Irão
Os preços do petróleo estão a perder terreno nos mercados internacionais, enquanto os investidores esperam pela resposta dos EUA sobre a escalada de protestos no Irão, que podem já ter levado à morte de milhares de civis.
Esta terça-feira, o Presidente Donald Trump apelou a que os iranianos continuassem na rua, prometendo agir "com muita firmeza" perante a situação.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para o mercado dos EUA - perde 0,75% para 60,69 dólares por barril, enquanto o Brent - "benchmark" para a Europa - recua 0,76% para 64,97 dólares, depois de ter ganho 9% nas últimas quatro sessões.
Trump sugeriu que o próximo passo iria depender da reunião do Conselho de Segurança Nacional, que reuniu esta terça-feira, mas sem o presidente dos EUA, de acordo com o Washington Post.
Desta forma, os investidores acompanham de perto a instabilidade no Irão e a possível intervenção norte-americana, que poderia ameaçar a produção de petróleo do país, de aproximadamente 3,3 milhões de barris por dia. O mercado petrolífero iraniano está na mira dos EUA: o Secretário de Energia, Chris Wright, disse à Fox News que Washington seria "com prazer" um parceiro comercial para o petróleo bruto iraniano, caso o regime caísse.
“O mercado continua preso entre a realidade de um excesso de oferta contínuo e a escalada dos riscos geopolíticos”, disse Zhou Mi, analista ouvido pela Bloomberg. “No curto prazo, os acontecimentos no Irão podem desencadear outra onda de oscilações de preços, e qualquer ação militar dos EUA impulsionaria os preços do petróleo”, acrescentou.
Na Venezuela foram retomadas as exportações de petróleo, depois de os EUA terem revogado o embargo sobre os petroleiros do país, que começam agora a reverter os cortes na produção.
Além disso, os "stocks" de crude nos EUA tiveram um aumento significativo na semana passada, de cerca de 5,23 milhões de barris, o que pode também estar a pressionar os preços. Os dados oficiais devem ser hoje divulgados pela Administração de Informação de Energia dos EUA.
Possíveis eleições antecipadas no Japão dão força a ganhos na Ásia
As bolsas asiáticas registaram outra sessão com valorizações, com o índice que as agrega a tocar um novo recorde, numa altura em que a ideia de eleições antecipadas no Japão continua a impulsionar as ações da região.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, poderá vir a reforçar a coligação que lidera, dando seguimento ao mandato com uma diplomacia mais agressiva e políticas pró-estímulo da economia.
Os juros da dívida soberana estão em subida - a "yield" a cinco anos disparou para o nível mais alto desde a primeira emissão, em 2000 - e o iene arrastou-se ainda mais para a zona de risco de intervenção pelo Governo.
Já a praça sul-coreana, que serve como um barómetro das ações de inteligência artificial, subiu pelo nono dia consecutivo, enquanto as ações chinesas recuaram após as autoridades endurecerem as regras de financiamento.
Neste contexto, no Japão, o Nikkei disparou 1,48% para 54.341,23 pontos, tendo tocado pela primeira vez nos 54.487,32 pontos, enquanro o Topix subiu 1,26% para um recorde de 3.644,16 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi somou 0,65% para máximos de 4.723,10 pontos.
Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,76% para 30.941,78 pontos, mas chegou a um recorde de 30.994,81 pontos. Na China, o Shangai Composite voltou a ficar para trás na corrida ao perder 0,31% para 4.126,09 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng pulou 0,42% para 26.962,23 pontos.
Fora da Ásia, os dados de inflação dos EUA aliviaram as preocupações com as pressões sobre os preços, reforçando as expectativas dos investidores de que a Reserva Federal vai esperar até meados do ano para cortar as taxas de juro.
O mercado aguarda ainda uma possível decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre as tarifas recíprocas do presidente Donald Trump esta quarta-feira. O tribunal agendou o segundo “dia da decisão” para hoje, dando outra oportunidade para se pronunciar sobre a legalidade da política comercial de Trump. No entanto, para os analistas consultados pela Bloomberg, é improvável que a decisão tenha consequências a médio prazo.
Nas notícias empresariais, o governo norte-americano está a ponderar voltar a permitir que a Nvidia venda os semicondutores de inteligência artificial H200 para a China, ao divulgar uma série de critérios revistos, de forma a obter a aprovação da Casa Branca.
Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 estavam com poucas alterações.
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