Novos ataques deixam petróleo nos 97 dólares. Dólar ganha terreno como ativo refúgio
Dólar ganha terreno com maior procura enquanto ativo-refúgio
O dólar está a negociar de forma estável nesta quarta-feira, com uma subida dos preços do crude a apoiar a “nota verde”, à medida que os “traders” acompanham os novos desenvolvimentos da guerra no Médio Oriente.
Neste contexto, o índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – soma 0,12%, para os 99,334 pontos.
O Comando Central dos EUA afirmou que o Irão lançou mísseis contra vizinhos regionais, mas que todos falharam em atingir os alvos, e que as forças norte-americanas realizaram ataques na ilha de Qeshm, no Irão, em resposta às tentativas de ataque por parte de Teerão. Os novos ataques ocorreram num momento em que as negociações diplomáticas entre Washington e Teerão permanecem num impasse, mantendo o dólar em vantagem.
A persistência da força do dólar fez com que o iene japonês caísse para o nível de 160 ienes por dólar na quarta-feira – valor que levou autoridades do país a intervir no mercado cambial há cerca de um mês para contrariar a desvalorização da moeda -, mantendo os “traders” em alerta para qualquer intervenção adicional por parte de Tóquio.
Nesta medida, a divisa nipónica já ganhou, entretanto, algum terreno, com o dólar a ceder agora 0,12%, para 159,720 ienes. A ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, afirmou nesta quarta-feira que as autoridades estão preparadas para responder de forma adequada à desvalorização do iene no mercado cambial. Os “traders” aguardam ainda por um discurso do governador do Banco do Japão durante o dia de hoje.
Já por cá, o euro regista uma queda de 0,11%, para 1,162 dólares, enquanto a libra cede 0,08%, para 1,346 dólares.
Dados divulgados na terça-feira revelaram que a inflação na Zona Euro acelerou ainda mais no mês passado, impulsionada pela energia e pelos serviços, reforçando os argumentos já sólidos a favor de um aumento das taxas de juro pelo Banco Central Europeu na sua reunião deste mês.
Ouro recua com "traders" a avaliar novos ataques no golfo e subida do crude
O ouro está a registar perdas na sessão de hoje, com um reacender das hostilidades no golfo a levar a uma subida dos preços do petróleo e a pressionar as perspetivas de um acordo de paz entre Estados Unidos e o Irão.
A esta hora, o ouro cede 0,57%, para os 4.463,180 dólares por onça. No que toca à prata, o metal precioso recua 1,10%, para os 74,270 dólares por onça.
Tanto os EUA como o Irão avançaram com novos ataques militares na região do Médio Oriente, depois de o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ter revelado na terça-feira que a equipa de negociação do Presidente Donald Trump não pôs em cima da mesa a hipótese de um alívio de sanções ao Irão em troca da reabertura do estreito de Ormuz, tendo antes insistido que qualquer alívio das sanções estava condicionado à renúncia de Teerão ao seu programa nuclear.
Nesta medida, os preços do petróleo subiram mais de 1%, aprofundando as preocupações com a inflação e os aumentos das taxas de juro. A presidente da Reserva Federal de Cleveland, Beth Hammack, referiu ontem que o banco central dos EUA poderá ter de aumentar as taxas de juro em breve, caso as pressões inflacionistas, já elevadas, continuem a aumentar.
Os investidores aguardam agora por dados do mercado laboral na maior economia mundial, a serem divulgados ainda hoje, e o relatório de emprego previsto para sexta-feira, para avaliar a trajetória da política monetária da Reserva Federal.
Embora o ouro seja tipicamente visto como uma proteção contra a inflação, tende a perder atratividade num ambiente de taxas de juro mais elevadas.
Petróleo avança mais de 1%. Novos ataques no golfo comprometem via diplomática para resolução da guerra
Os preços do petróleo estão a negociar nesta quarta-feira com valorizações de mais de 1%, à medida que se mantém o impasse nas negociações entre Estados Unidos e o Irão. Também o facto de o Irão ter lançado novos ataques contra o Kuwait e o Bahrein – que não atingiram os alvos pretendidos, segundo as forças armadas norte-americanas – pressionou o sentimento dos “traders”.
O Brent – de referência para a Europa –, soma 1,69%, para os 97,62 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 1,81%, para os 95,46 dólares por barril.
A par dos ataques do lado iraniano, também os EUA realizaram novos ataques contra a ilha de Qeshm, no Irão, em resposta às tentativas de ataque de Teerão.
Nesta medida, o Irão não comunica com Washington há alguns dias, informou a imprensa iraniana na terça-feira, embora Trump tenha afirmado que as negociações têm decorrido de forma contínua, acrescentando à incerteza sobre quando e se haverá a possibilidade de uma resolução diplomática para o conflito que já se arrasta desde o final de fevereiro e que tem mantido o estreito de Ormuz praticamente encerrado, pressionando o mercado energético global.
Noutros pontos, os “stocks” globais de petróleo poderão atingir níveis críticos antes do pico da procura no verão, isto caso a redução dos “stocks” continuar ao ritmo atual, afirmou na terça-feira o chefe da divisão de indústria e mercados petrolíferos da Agência Internacional de Energia.
Ásia toca novos máximos com IA a manter-se no centro das atenções
Os principais índices asiáticos acompanharam o “rally” vivido na sessão norte-americana de terça-feira e fecharam em alta, com os principais índices japoneses, de Taiwan e da Coreia do Sul a fixarem novos recordes, à medida que a procura por cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) se intensificou, consolidando o papel desta área como principal motor dos mercados ao nível global.
Por Taiwan, o TWSE ganhou 1,98%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,66%, enquanto o Shanghai Composite deslizou 0,032%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,15%. Já quanto ao Japão, o Nikkei avançou 2,60% e o Topix pulou 1,99%.
As fabricantes asiáticas de chips alcançaram novos picos depois de o Índice de Semicondutores de Filadélfia ter subido quase 6%, atingindo um novo recorde. O setor tecnológico continuou a ser o centro das atenções.
Mesmo assim, a cautela instalou-se à medida que o petróleo Brent negoceia com valorizações e se fixa acima dos 97 dólares por barril novamente, devido ao pessimismo quanto às perspetivas de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão.
Os investidores ignoraram as preocupações com as valorizações elevadas, apostando que o forte crescimento dos lucros e o abrandamento das tensões geopolíticas continuarão a apoiar os ativos de risco. “A tecnologia continua a dominar o mercado”, sublinhou à Bloomberg o especialista Louis Navellier. “A tendência mantém-se positiva, sendo possível um catalisador para ganhos materiais adicionais com uma resolução [do conflito] com o Irão”, acrescentou.
No que toca a tarifas, os Estados Unidos estão a propor impor taxas de pelo menos 10% sobre as importações da maioria dos principais parceiros comerciais da maior economia mundial, à medida que o Presidente Donald Trump tenta “reconstruir” uma barreira alfandegária abrangente sobre os seus parceiros comerciais depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter derrubado as tarifas recíprocas impostas pelo republicano.
“Existe uma incerteza considerável quanto à possibilidade de a justificação apresentada desta vez vir a ser contestada judicialmente”, afirmou à agência de notícias financeiras Shen Meng, diretor do banco de investimento Chanson & Co., sediado em Pequim. “Por isso, é provável que o impacto global seja limitado”, resumiu.
Pela Ásia, o iene está novamente no centro das atenções, com o dólar a aproximar-se dos 160 ienes - nível que levou à intervenção de autoridades do país para conterem a desvalorização da moeda. Nesta medida, os investidores estão a aguardar pelo discurso previsto do governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, à procura de pistas sobre as perspetivas para as taxas de juro.
Entre os movimentos do mercado, a fabricante japonesa de sanitas Toto pulou mais de 8%, depois de ter anunciado que espera que as despesas nas suas operações relacionadas com chips representem mais de metade do seu investimento total nos próximos anos.
Ainda pelo japão, e depois de o SoftBank Group ter ultrapassado há dias o “market cap” da Toyota para se tornar na empresa mais valiosa em bolsa do país, a capitalização bolsista da Kioxia Holdings (+0,70%) ultrapassou por breves momentos a da Toyota Motor, à medida que o “boom” global da IA reestrutura o panorama empresarial do país.
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