Trump admite terminar guerra sem reabrir estreito de Ormuz
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Trump admite terminar guerra sem reabrir estreito de Ormuz
O Presidente dos EUA disse aos seus conselheiros que está disponível para terminar a operação militar contra o Irão mesmo que o estreito de Ormuz se mantenha, em grande parte, fechado, avança esta terça-feira o Wall Street Journal.
Dirigentes da administração disseram ao jornal que Donald Trump esta disposto a deixar a complexa operação de reabertura do estreito para mais tarde, já que esperar para o fazer iria prolongar o conflito quatro a seis semanas para lá do calendário desejado.
De acordo com o jornal, o Presidente norte-americano quer, acima de tudo, enfraquecer a marinha iraniana e o seu arsenal de mísseis, estando disposto depois a tentar retomar o fluxo do comércio pela via diplomática. Se isso falhar, escreve o WSJ, Washington pressionará os aliados na Europa e no Golfo para que assumam a liderança na reabertura do estreito.
Chinesa Cosco consegue que dois cargueiros atravessem Ormuz
Dois cargueiros da estatal chinesa Cosco Shipping e outro navio de propriedade e tripulação chinesa, mas com bandeira do Panamá, conseguiram atravessar o estreito de Ormuz na segunda-feira, segundo o portal de monitorização MarineTraffic.
Os mapas da plataforma mostram que tanto os navios da Cosco "Indian Ocean" e "Arctic Ocean" como o panamiano "Mac Hope" já se encontram em águas a leste de Ormuz, após atravessarem essa via marítima crucial, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos a nível mundial, e que se encontra bloqueada de facto pelo Irão.
As embarcações da Cosco tinham previsto partir rumo à Malásia em meados de março, mas os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, bem como as represálias de Teerão -- também dirigidas contra outros países da região -- deixaram-nas retidas no Golfo Pérsico.
Na sexta-feira, o portal noticioso chinês Caixin informou que ambos os cargueiros tinham iniciado uma tentativa de atravessar Ormuz, mas, segundo a consultora especializada Lloyd's List Intelligence, tiveram de voltar atrás depois de a Guarda Revolucionária iraniana, que anunciou um sistema de portagens, ter-lhes negado a passagem.
O MarineTraffic informou finalmente, ao final da tarde de segunda-feira, sobre o trânsito bem-sucedido: "Após abortarem uma tentativa inicial de travessia na sexta-feira, os cargueiros da Cosco conseguiram atravessar com sucesso o Estreito de Ormuz, um possível sinal de mudança na situação das rotas marítimas comerciais. (...) Trata-se da primeira travessia bem-sucedida de um grande cargueiro desde o início do conflito".
Os dois navios da Cosco transportam contentores maioritariamente vazios e têm como destino declarado Port Klang (Malásia). Já o "Mac Hope" alterou a informação de destino para "China Owner & Crew" ("proprietário e tripulação chineses", em inglês) nos seus sistemas de transmissão.
Na semana passada, a Cosco anunciou que voltaria a aceitar novas reservas de contentores normais com destino a vários países do Médio Oriente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque, segundo um aviso aos clientes.
Um dia depois, o cargueiro "Aquarius" atracou no porto de Sohar (Omã), situado a cerca de 240 quilómetros a sul de Ormuz, com quase 200 mil toneladas de mercadorias destinadas aos países do Golfo.
A consultora Trivium China alertou hoje, porém, para "não tirar conclusões precipitadas": "Por um lado, o Irão insiste que o estreito está aberto à navegação de 'países amigos', incluindo a China (...). Por outro, os navios da Cosco estavam vazios e encontravam-se retidos no Golfo desde o final de fevereiro".
Fontes citadas na semana passada pelo portal Caixin asseguraram que a Cosco deu prioridade ao regresso de cargueiros vazios, uma vez que, caso fossem atacados ao atravessar Ormuz, sofreriam menos danos do que os navios petroleiros que a empresa chinesa tem no Golfo Pérsico, os quais se encontram totalmente carregados.
"Se a Cosco retomar o trânsito para o interior [do Estreito de Ormuz], então saberemos que os seus cálculos mudaram", acrescentou a Trivium.
Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na região têm perturbado a navegação comercial e aumentado custos logísticos, o que provocou uma subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, afetando também a China, onde os combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes.
Ministros da Energia da UE hoje em reunião extraordinária para debater crise
Os ministros da Energia da União Europeia (UE) vão reunir-se hoje num encontro extraordinário por videoconferência para discutir a segurança do aprovisionamento energético devido à crise provocada pelo conflito no Médio Oriente.
O encontro -- que não constava da agenda da presidência cipriota do Conselho e foi anunciado na passada sexta-feira -- surge quando se assinala um mês desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.
A UE enfrenta, assim, uma crise energética marcada não pela escassez imediata de fornecimento, mas pelo aumento acentuado dos preços de energia.
Embora a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás, petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias.
Espera-se que, ainda esta semana, o executivo comunitário avance com medidas para baixar os preços da eletricidade e reforçar a segurança energética, incluindo flexibilizar os apoios estatais para ajudar rapidamente os setores mais afetados e trabalhar com os Estados-membros para reduzir o impacto dos custos dos combustíveis como através da redução de impostos, isto sem prejudicar o investimento em energias limpas.
Ao mesmo tempo, a instituição está a preparar legislação para melhorar as redes elétricas e pretende ainda reforçar e tornar mais flexível o sistema de comércio de emissões, aumentando o financiamento para tecnologias limpas e descarbonização.
A Comissão Europeia pediu na semana passada que os Estados-membros da UE apoiem os consumidores mais vulneráveis devido aos elevados preços energéticos, baixem os impostos sobre a luz e evitem cortes no fornecimento.
Uma vez que o conflito ainda está em curso no Médio Oriente, afeta produtores de petróleo e gás e provoca instabilidade nos mercados internacionais de energia.
Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações (sobretudo de combustíveis fósseis) provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.
O encontro por videoconferência decorre pelas 14:00 de Lisboa.
Países asiáticos procuram crude russo com guerra a pressionar oferta
Os países asiáticos estão a competir cada vez mais pelo petróleo bruto russo, à medida que se agrava a crise energética provocada pela guerra dos Estados Unidos (EUA) e de Israel contra o Irão.
Grande parte do petróleo que passava pelo estreito de Ormuz, agora praticamente bloqueado, destinava-se à Ásia, a região mais atingida pelos choques energéticos. A entrada no conflito dos rebeldes Houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, veio aumentar os riscos para o transporte marítimo.
Para aliviar a pressão sobre o abastecimento global, os EUA levantaram temporariamente as sanções sobre carregamentos de petróleo russo já em trânsito, primeiro para a Índia e depois para outros países.
A procura asiática está a subir e a Rússia continua a lucrar, mas há limites: Moscovo já exporta perto do seu máximo recente e enfrenta dificuldades devido à guerra na Ucrânia e aos ataques contra as suas infraestruturas energéticas.
Antes do conflito com o Irão, China, Índia e Turquia eram os principais compradores de petróleo russo, aproveitando descontos, apesar das sanções ocidentais.
Com o alívio das sanções, países do Sudeste Asiático, como Filipinas, Indonésia, Tailândia e Vietname, começaram a mostrar interesse. As Filipinas importaram petróleo russo pela primeira vez em cinco anos, pouco depois de declararem emergência energética.
No entanto, estes países terão de competir com China e Índia por volumes limitados ainda em trânsito.
As alternativas, como petróleo dos EUA, América do Sul ou África Ocidental, estão demasiado distantes, o que implica tempos de entrega de meses. Isso deixa os países mais pobres em situação difícil.
Nas Filipinas, já se pondera o racionamento de combustível. Há filas longas nos postos de abastecimento e apoios financeiros de emergência para trabalhadores afetados. O país, com 117 milhões de habitantes, dependia quase totalmente do Médio Oriente para as importações de petróleo.
A crise pode agravar a pobreza e serve de alerta para outros países da região.
A declaração de emergência energética é "uma nova fronteira" pela sua escala e dimensão, afirmou Kairos Dela Cruz, do Institute for Climate and Sustainable Cities, citado pela agência Associated Press.
"Isto vai certamente empurrar ainda mais pessoas para abaixo da linha da pobreza", disse.
Vietname e Indonésia também procuram diversificar fornecedores.
A visita do primeiro-ministro vietnamita, Pham Minh Chinh, à Rússia, a 23 de março, incluiu a assinatura de acordos de cooperação em petróleo e gás, bem como em energia nuclear, numa altura em que a subida dos preços do gasóleo começa a pressionar o setor industrial do Vietname.
Na Indonésia, responsáveis afirmaram que "todos os países são possíveis" parceiros no reforço das reservas. Isso inclui a Rússia e o pequeno sultanato petrolífero de Brunei, disse o ministro da Energia indonésio, Bahlil Lahadalia.
A Tailândia, embora menos pressionada, enfrenta subida de preços dos combustíveis, com impactos na indústria, transportes e no custo de vida.
China e Índia já eram grandes compradores de petróleo russo e beneficiaram de uma vantagem inicial no acesso a novos carregamentos. Quando outros países tiveram luz verde, grande parte do petróleo disponível já estava destinado.
Mesmo assim, a Índia pode não conseguir compensar totalmente a quebra de fornecimentos do Médio Oriente, sobretudo com o aumento da procura no verão.
A China, porém, tem grandes reservas estratégicas, o que permite amortecer impactos a curto prazo.
"A Rússia surge como grande vencedora de todo o conflito", afirmou Sam Reynolds, do Institute for Energy Economics and Financial Analysis, com sede nos EUA. Tendo em conta a crise energética, a rapidez de entrega e os preços temporariamente mais baixos, a Ásia tem "um incentivo muito maior para importar petróleo russo", acrescentou.
"Podemos discutir se há aqui um dilema moral, mas penso que isto reflete o facto de os países fazerem o que for necessário para proteger a sua segurança energética", sublinhou.
Líder do parlamento em Teerão nega estar em conversações com Estados Unidos
O presidente do parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, garantiu que não está a negociar com os Estados Unidos (EUA), rejeitando uma alegação feita pelo chefe de Estado norte-americano, Donald Trump.
Numa entrevista ao jornal New York Post, publicada na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estão em conversações com Ghalibaf, antigo comandante da Guarda Revolucionária iraniana.
Mas o líder do parlamento do Irão negou numa mensagem publicada na rede social X quaisquer contactos diretos, o que também foi reiterado por um porta-voz do ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baqaei.
Baqaei disse que não tinha ocorrido qualquer negociação, embora tenha confirmado que intermediários entregaram um conjunto de propostas ao Irão.
O porta-voz disse que Teerão "não esquecerá a traição infligida à diplomacia em duas ocasiões em menos de um ano", referindo-se às conversações indiretas de junho de 2025 e fevereiro de 2026, que antecederam os ataques de Israel e dos EUA.
Mohammad Bagher Ghalibaf, por outro lado, afirmou que as conversações indiretas, iniciadas por Washington com mediação do Paquistão, eram apenas uma fachada para o envio de tropas norte-americanas.
Os Estados Unidos estão a promover "desejos como notícias enquanto ao mesmo tempo ameaçam a nossa nação", acrescentou o dirigente.
Um navio de assalto anfíbio norte-americano, liderando um grupo naval composto por "cerca de 3.500" marinheiros e fuzileiros, chegou à região na sexta-feira.
"O inimigo está a enviar mensagens públicas de negociação e diálogo, enquanto planeia secretamente uma ofensiva terrestre", denunciou Ghalibaf no domingo.
"Os nossos homens aguardam a chegada dos soldados norte-americanos a terra para os atacar, e castigar os seus aliados regionais de uma vez por todas", acrescentou.
Donald Trump, insistiu na rede social que detém, a Truth Social, na segunda-feira, que o país "está em conversações sérias com um novo e mais razoável regime" no Irão.
Ao mesmo tempo, o republicano reiterou as ameaças às instalações elétricas e petrolíferas da República Islâmica, "se não se chegar em breve a um acordo".
Também na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que existem fissuras na liderança do Irão, apontando a diferença entre discurso público e privado dos seus interlocutores iranianos, sobre quem se escusou a fornecer pormenores, alegando razões de segurança.
Em declarações ao canal televisivo ABC News, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que não revelaria a identidade das pessoas com as quais mantém diálogo em Teerão para acordar o fim da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, porque "provavelmente isso lhes causaria problemas com outros grupos dentro do Irão".
"Há lá algumas fraturas internas (na liderança iraniana). E creio que, se há pessoas no Irão que agora, dadas todas as circunstâncias, estão dispostas a encaminhar o seu país numa direção diferente, isso será algo positivo", acrescentou.
Dubai anuncia 237,6 milhões de ajuda às empresas e famílias
As autoridades do Dubai anunciaram segunda-feira a libertação de 237,6 milhões de euros em ajuda financeira para apoiar empresas e famílias no contexto da guerra no Médio Oriente, que afeta as economias do Golfo.
"Aprovámos hoje medidas de apoio no valor de mil milhões de dirhams (237,6 milhões de euros) a favor do setor económico, destinadas a ajudar indivíduos, famílias e empresas a enfrentar estas circunstâncias excecionais", afirmou o gabinete de comunicação do Dubai em comunicado.
As autoridades consideram que "o planeamento governamental a longo prazo reflete o compromisso inabalável de Dubai com os seus cidadãos e residentes".
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques contra o Irão, a 28 de fevereiro, a guerra alastrou a toda a região e, nomeadamente, aos países do Golfo.
O conflito conduziu, em particular, à quase paralisação do estreito de Ormuz, via marítima chave por onde normalmente transita um quinto da produção mundial de petróleo, fazendo disparar os preços dos hidrocarbonetos e perturbando as cadeias de abastecimento.