Ganhos tímidos na Europa. Petróleo sobe com perspetiva de aumento da procura
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados durante esta quinta-feira.
- Euforia em torno da inflação dos EUA prolonga-se à negociação de futuros na Europa e contagia fecho do dia na Ásia
- Gás renova máximos com expectativa de temperaturas "bastante acima do normal" na Europa
- Ouro cai com investidores a avaliar o futuro da política monetária nos EUA
- Euro ganha força contra fraqueza do dólar
- "Yields" dos países do sul aliviam em contraciclo com "benchmark" alemão
- Europa no verde com recuo da inflação nos EUA. Siemens cai com fracos resultados
- Wall Street prolonga ganhos após arrefecimento da inflação
- Ouro valoriza após dados nos EUA
- Euro cresce face a dólar enfraquecido
- Petróleo sobe com estimativas da AIE
- Saúde trava maiores ganhos na Europa
- Juros agravam-se na Zona Euro
A Europa aponta para um arranque de sessão no verde, dando continuidade aos ganhos da última sessão, e depois de as praças asiáticas terem encerrado também em terreno positivo, ainda no rescaldo da divulgação dos números da inflação nos EUA.
Os futuros sobre o Euro Stoxx 50 somam 0,4%, depois de esta quarta-feira o índice ter ganho 0,90%.
Durante a sessão desta quinta-feira, além dos números da inflação, a "earnings season" promete voltar a marcar o dia. Os investidores irãodigerir os resultados da Siemens, Thyssenkrupp, Bilfinger, Novozymes, Rabobank, Zurich Insurance, M&G, Deutsche Telekom e Aegon.
Pela Ásia, o dia também foi marcado pela euforia provocada pelo recuo da inflação nos EUA, com a sessão a terminar predominantemente no verde.
As ações tecnológicas lideraram a sessão, com o Hang Seng em Hong Kong a subir 2,23%. Ainda na China, Xangai cresceu 1,3%. Na Coreia do Sul, o Kospi acumulou 1,3%. Já no Japão o dia encerrou no vermelho, com o Nikkei a derrapar 0,65% e o Topix deslizou 0,17%.
A inflação nos EUA recuou dos 9,1% em junho - um máximo desde novembro de 1981 - para 8,5% em julho. O consenso dos analistas apontava para um valor de 8,7%. Este número alimentou a expectativa de que a Reserva Federal norte-ameriana (Fed) possa abrandar o ritmo da subida das taxas de juro nos próximos meses, como aliás já tinha sido sinalizado depois da última reunião do banco central dos EUA.
O petróleo negoceia na linha de água, um dia depois da notícia de que o oleoduto de Druzhba – que transporta o petróleo russo até à Europa central através da Ucrânia – voltou a funcionar.
A sessão promete ser ainda marcada pela divulgação dos relatórios mensais da OPEP e da Agência Internacional de Energia (AIE), que deve acontecer nas próximas horas.
O West Texas Intermediate, referência para os EUA, negoceia na linha d’ água, mais inclinado para terreno negativo (-0,02%), para 91,21 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte – negociado em Londres – segue o mesmo movimento, mas mais inclinado para o verde (0,02%), para 97,42 dólares por barril.
No final desta quarta-feira regressou ao normal a circulação dos fluxos de petróleo através do braço sul do oleoduto Druzhba, que serve a Hungria, Eslováquia e República Checa.
A Rússia suspendeu a 4 de agosto a exportação desta matéria-prima através desta infraestrutura. Em causa estava a impossibilidade por parte da empresa russa exportadora de petróleo Transneft de realizar o pagamento de um imposto de trânsito à Ukrtransnafta, a empresa ucraniana responsável pelo oleoduto.
O petróleo renovou mínimos de seis meses no início de agosto, com os investidores a temerem que o abrandamento económico reduza a procura por ouro negro. Esta queda apagou todos os ganhos arrecadados pelo petróleo desde o início da guerra da Ucrânia, apesar das sanções impostas contra Moscovo.
Já no mercado do gás, a matéria-prima negociada em Amesterdão (TTF) ganha 3,2% para 212 euros por megawatt, renovando máximos de duas semanas.
Este movimento ocorre depois de a tecnológica Maxar ter divulgado um relatório onde dá conta que as temperaturas na Europa ocidental podem subir para "níveis bastante acima do normal" nos próximos dias, esperando-se por isso um aumento da procura por aparelhos que refresquem ou recondicionem o ar.
Este mercado está a ainda a ser pressionado pela seca no rio Reno, que se antecipa que na sexta-feira se torne intrasitável - devido à falta de água - o que pode prejudicar o transporte de várias "commodities".
O ouro segue a desvalorizar, ainda no rescaldo da divulgação dos números que dão conta do recuo da inflação nos EUA em julho.
O metal amarelo perde 0,29% para 1.787,24 dólares a onça. Prata e paládio seguem esta tendência negativa, enquanto a platina negoceia em terreno positivo.
O abrandamento da inflação norte-americana no mês passado alimentou a expetativa (já criada desde a última reunião da Reserva Federal norte-americana) de que o banco central liderado por Jerome Powell pode abrandar o ritmo da subida das taxas de juro nos próximos meses, com o mercado a apostar num aumento de 50 pontos base (contra os 75 pontos base do último encontro) na reunião de setembro.
Ainda assim, os líderes da Fed em Minneapolis e Chicago fizeram questão de salientar esta quarta-feira que apesar do índice de preços do consumidor ter descido, tal não tem de ser um sinal de abrandamento no ritmo da batalha da Fed contra a inflação.
"A inflação permanece alta de forma inaceitável", reforçou Charles Evans, líder do banco central em Chicagoo, salientando que espera que a Fed aumente "as taxas de juro no resto deste ano e do próximo ano, para garantir que a inflação chegue aos 2%".
Por sua vez, o responsável da Reserva Federal em Minneapolis foi mais específico e apelou para que a taxa de fundos federais chegue a 3,9% este ano e 4,4% até ao final de 2023, de forma a cumprir este objetivo.
O euro soma 0,245 para 1,0324 dólares, numa altura em que a moeda norte-americana perde força.
O índice do dólar da Bloomberg – que compara a nota verde contra dez divisas rivais – derrapa 0,17% para 105,016 pontos, apesar da ala falcão da Reserva Federal norte-americana (Fed) se ter posicionado pela continuação do ritmo acelerado de subida da taxa de fundos federais, independentemente do recuo da inflação em julho.
Tanto Charles Evans, líder do banco central em Chicago, como Neel Kashkari, responsável da Reserva Federal em Minneapolis, salientaram a necessidade de continuar a batalha contra a inflação nos mesmos termos que tem sido levada até aqui, de forma a fazer chegar o índice à meta dos 2%.
O líder do banco central de Minneapolis apelou mesmo para que a taxa de fundos federais chegue a 3,9% este ano e 4,4% até ao final de 2023, de forma a cumprir este objetivo.
Os juros seguem à negociar de forma mista, com as "yields" das dívidas dos países do sul a destoarem do comportamento do "benchmark".
A "yield" das Bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para a Zona Euro – soma 0,4 pontos base para 0,889%.
Já os juros da dívida italiana a dez anos perdem 2,6 pontos base para 2,947%.
Na Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos alivia 1,1 pontos base, enquanto os juros da dívida espanhola com a mesma maturidade subtraem 0,7 pontos base para 1,978%.
A Europa continua a festejar o recuo da inflação nos EUA, com os analistas expectantes que a Reserva Federal norte-americana suavize a sua política monetária para uma abordagem "dovish".
O Stoxx 600, o índice de referência europeu, valoriza 0,13% para 440,47 pontos, depois de esta quarta-feira ter renovado máximos de dois meses. Entre os 20 setores que compõe o índice seguros e energia comandam os ganhos, enquanto imobiliário e serviços públicos lideram as perdas.
Entre os principais movimentos de mercado, a Siemens cai 1,7%, depois de registar um prejuízo de 1,66 mil milhões de euros no terceiro trimestre (a contagem de trimestre da empresa é diferente devido ao calendário fiscal distindo), devido à escassez de componentes, e aos confinamentos contra a covid-19 na China, que acabaram por prejudicar a operação tecnológica.
Por sua vez as ações da Orsted afundam mais de 5% após os resultados do segundo trimestre terem ficado aquém do esperado. Ainda assim a maior administradora parques eólicos offshore do mundo ter revisto em alta as estimativas de ganhos para este ano.
Apesar de esta quarta-feira se ter assistido a uma escalada das ações europeias, devido aos números da inflação nos EUA, analistas como Ipek Ozkardeskaya pedem cautela para o Outlook. "Claro que é bom ver que a inflação [nos EUA] ficou abaixo do esperado, mas [este número] ainda não é uma tendência". O especialista da Swissquote recorda que este abrandamento se deveu sobretudo á queda dos preços da energia, mas que "os preços dos alimentos continuaram a subir".
A sessão promete ainda ser marcada pelas reações à "earnings season". Apesar dos fortes resultados obtidos pelas empresas europeias no segundo trimestre, a Bernstein acredita, citada pela Bloomberg, que esta tendência positiva não deve resistir á alta inflação e apontam para que seja provável que no próximo ano a Europa entre numa recessão leve.
Nas principais praças europeias, Madrid avança 0,35%, Paris soma 0,13% e Milão cresce 0,29%. Já Amesterdão (0,01%) e Frankfurt (-0,08%) negoceiam na linha d’ água. Por cá, a bolsa de Lisboa segue a tendência europeia e arrecada 0,62% com a Galp a comandar os ganhos.
As bolsas norte-americanas arrancaram a sessão desta quinta-feira no verde, prolongando a subida iniciada na quarta-feira após a inflação em julho nos Estados Unidos ter ficado abaixo das previsões dos analistas. O índice de preços no consumidor recuou dos 9,1% no mês anterior para 8,5%, superando os 8,7% previstos pelos especialistas.
A impulsionar o bom arranque da negociação esteve também a Walt Disney, que viu as ações subirem quase 10% no "premarket" após divulgar os resultados do segundo trimestre. A empresa registou receitas de 21,5 mil milhões e lucros de perto de três mil milhões, com as subscrições totais da Disney+ a darem um forte contributo para estes resultados.
O "benchmark" S&P 500 sobe 0,60% para 4.234,40 pontos, enquanto o industrial Dow Jones avança 0,64% para 33.521,19 pontos e o tecnológico Nasdaq valoriza 0,58% para 12.929,58 pontos.
"Vimos desenvolvimentos nos últimos dias que sugerem que o ambiente [económico] está a melhorar - a inflação e índice de preços de produção desceram. Mas, ainda assim, a inflação continua muito elevada. A Reserva Federal norte-americana tem ainda muito trabalho pela frente", afirmou Anthony Saglimbene, estratega-chefe na Ameriprise, à Bloomberg.
O ouro segue a valorizar, um dia após os investidores terem assimilado os dados da inflação, que recuou para os 8,5% em julho depois de no mês anterior ter atingido máximos históricos (9,1%). Logo após serem conhecidos os dados o metal amarelo subiu, à boleia da desvalorização do dólar, mas pouco depois desceu. Agora, o ouro parece ter estabilizado perto da linha dos 1.800 dólares.
O metal amarelo valoriza 0,21% para 1.796,20 dólares por onça, enquanto a platina cresce 2,67% e o paládio sobe 2,17%.
Os investidores acreditam que os dados esta semana divulgados poderão levar a Reserva Federal norte-americana (Fed) a abrandar o ritmo da subida das taxas de juro diretoras. Se antes a aposta era num aumento em 75 pontos base, agora a expectativa é de que seja de 50 pontos base.
"Apesar da melhoria, a inflação ainda está muito acima do objetivo da Fed. Uma leitura pode não ser o suficiente para mudar o rumo do aperto monetário", disse Madhavi Mehta, analista sénio na Kotak Securities, apontando que uma menor pressão inflacionista também reduz a procura pelo ouro, uma vez que é visto como cobertura face ao aumento de preços.
O euro segue a valorizar 0,41% para 1,0341 dólares, numa altura em que o dólar perde força com os sinais de abrandamento da inflação, hoje reforçados com novos dados.
O índice do dólar da Bloomberg – que compara a nota verde contra dez divisas rivais – prolongou as perdas após o inídice de preços no produtor (IPP), ter caído inesperadamente em julho, podendo sinalizar que a pressão inflacionista poderá começar a aliviar. "O recuo do IPP logo após a queda da inflação foi um duplo choque para o dólar", disse Andrew Grosso, analista sénio na Intouch Capital Markets. "Não tenhamos falsas esperanças, a inflação continua muito elevada. A Fed tem muito trabalho pela frente, mas por agora estes dados foram bem recebidos pelos mercados de risco", acrescentou.
"O recuo do IPP logo após a queda da inflação foi um duplo choque para o dólar", disse Andrew Grosso, analista sénio na Intouch Capital Markets. "Não tenhamos falsas esperanças, a inflação continua muito elevada. A Fed tem muito trabalho pela frente, mas por agora estes dados foram bem recebidos pelos mercados de risco", acrescentou.
Os investidores acreditam que a Reserva Federal norte-americana (Fed) poderá abrandar o ritmo da subida das taxas de juro diretoras, apesar de esta quinta-feira a autoridade monetária ter feito saber que vai dar continuadade aos aumentos apesar destes dados.
Os preços do petróleo seguem a ganhar terreno, depois de a Agência Internacional da Energia ter revisto em alta a sua estimativa para o crescimento da procura este ano.
Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que é a referência para as importações europeias, segue a somar 1,29% para 98,66 dólares por barril.
Já o West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, ganha 1,36% para 93,18 dólares por barril.
As bolsas europeias encerraram a negociação com ligeiros ganhos, num dia em que o setor da saúde travou uma maior subida - iniciada à boleia do abrandamento da inflação nos Estados Unidos.
O Stoxx 600, o índice de referência europeu, valorizou 0,06% para 440,16 pontos, depois de esta quarta-feira ter renovado máximos de dois meses.
Entre os 20 setores que compõem o índice, os que mais impulsioaram foram o do petróleo & gás e o da tecnologia.
Já o setor da saúde travou maiores ganhos, com perdas de quase 2%, penalizado sobretudo pela queda das ações da Sanofi, GSK e Haleon, em resultado das potenciais repercussões dos processos nos EUA contra o medicamento descontinuado para a azia Zantac.
Nas restantes praças europeias, Madrid avança 0,33%, Paris soma 0,33% e Milão cresce 0,69%. Já Amesterdão sobe 0,21% e Frankfurt perde 0,05%.
"Agosto pode ser um mês desafiante para os mercados bolsistas, sendo caraterizado por uma baixa liquidez e uma maior vulnerabilidade", apontou Lewis Grant, chefe de ações das ações globais na Federated Hermes.
Os juros estão a agravar-se na Zona Euro, numa altura em que a maioria das bolsas do Velho Continente negociaram em terreno positivo, o que pode estar a significar uma preferência dos investidores por ativos de risco, ao invés de obrigações - que são ativos seguros por excelência.
A "yield" das Bunds alemãs a dez anos – "benchmark" para a Zona Euro – somam 8,2 pontos base para 0,966%.
Já os juros da dívida italiana a dez anos sobem 3,8 pontos base para 3,010%.
Na Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos agrava-se 5,8 pontos base para 1,947%, enquanto os juros da dívida espanhola com a mesma maturidade acrescem 6,6 pontos base para 2,051%.
Ainda na Europa, a "yield" dos juros da dívida britânica foi a que mais se agravou na região, ao atingir máximos da semana passada, isto numa altura em que os analistas estão a avaliar os possíveis planos de um novo primeiro-ministro do país para a política levada a cabo pelo Banco de Inglaterra.
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