Europa recupera fôlego e vive melhor dia desde novembro. ASM dispara 5%
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
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Europa recupera fôlego e vive melhor dia desde novembro. ASM dispara 5%
Após duas sessões de quedas avultadas, os principais índices europeus conseguiram recuperar algum fôlego esta quarta-feira, com o Stoxx 600 a registar o melhor dia desde novembro, numa altura em que os investidores estão mais otimistas em relação ao fim da guerra no Médio Oriente. Apesar de os ataques continuarem, o The New York Times noticiou que o Irão terá abordado indiretamente os serviços secretos norte-americanos para porem termo ao conflito - algo que foi negado por fontes governamentais iranianas, mas constituiu um sinal suficiente para os mercados incorporarem um recuo nas tensões.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, acelerou 1,37% para 612,71 pontos, depois de ter perdido mais de 4% desde o arranque da semana. Os ganhos foram reforçados após o secretário norte-americana da Defesa, Pete Hegseth, ter indicado que espera que os EUA controlem o espaço aéreo iraniano "em menos de uma semana. Os setores das viagens, tecnologia e da banca registaram os melhores desempenhos.
Mesmo com os avanços desta quarta-feira, o principal índice europeu está a encaminhar-se para fechar a pior semana desde abril do ano passado - quando Donald Trump, Presidente dos EUA, revelou ao mundo a sua nova política comercial. No entanto, caso o conflito continue a dar sinais de brevidade, as ações da região têm espaço para continuar a crescer.
"Os mercados estão extremamente sensíveis a qualquer ruído neste momento. Qualquer notícia de que o Irão e os EUA possam iniciar conversações fará com que os preços do petróleo caiam e as ações subam", explica Joachim Klement, diretor de estratégia da Panmure Liberum, à Bloomberg. Os investidores podem ainda estar a conseguir algum conforto com a reação de Wall Street ao estalar do conflito, que o CEO do Goldman Sachs classificou como "benigna".
Entre as principais movimentações de mercado, a ASM disparou 5%, após a fabricante de "chips" ter registado resultados acima das expectativas dos investidores no quarto trimestre do ano, além de ter apresentado um "guidance" para 2026 bastante positivo. Por sua vez, a Insurer também acelerou, com ganhos de 2,6%, depois de ter conseguido superar as previsões de mercado em relação aos lucros nos últimos três meses do ano passado.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganhou 1,74%, o espanhol IBEX 35 avançou 2,49%, o italiano FTSEMIB valorizou 1,95%, o francês CAC-40 cresceu 0,79%, enquanto o neerlandês AEX ganhou 0,99%, ao passo que o britânico FTSE 100 somou 0,80%.
Juros aliviam na Zona Euro. Estabilização do petróleo afasta receios com inflação
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro encerraram a sessão desta quarta-feira com alívios, após dois dias de grandes agravamentos, num dia em que a estabilização dos preços do petróleo está a deixar os investidores mais otimistas em relação ao futuro da política monetária da região. Os "traders" retiraram de vez um corte nas taxas de juro de cima da mesa, mas também já não antecipam uma subida nas taxas diretoras.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, recuaram 0,2 pontos base para 2,748%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade caiu 2,6 pontos para 3,346%. Já em Itália, deslizaram 2,8 pontos para 3,426%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida portuguesa a dez anos cederam 1,3 pontos base para 3,122%, enquanto a "yield" das obrigações espanholas com a mesma maturidade perderam 0,7 pontos para 3,192%.
Fora da Zona Euro, a tendência é mista. Os juros das "Gilts" britânicas cederam 2,9 pontos base para 4,439%, enquanto, nos EUA, a "yield" das obrigações a dez anos negoceia com ganhos de 0,8 pontos para 4,067%.
Dólar corrige de máximos de dois meses. Investidores aguardam desenvolvimentos no Irão
O dólar está a corrigir dos máximos de dois meses atingidos na sessão de terça-feira, negociando agora com perdas pouco avultadas, numa altura em que os investidores antecipam um recuo nas tensões geopolíticas no Médio Oriente. Embora as investidas continuem por parte dos EUA, Israel e Irão, notícias de que Teerão terá contactado os EUA através dos serviços secretos de outro país deixaram os investidores mais otimistas - mesmo depois de o regime anteriormente liderado por Ali Khamenei ter negado uma aproximação.
A esta hora, o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda face às suas principais rivais - recua 0,27% para 1.200,16 pontos, depois de ter atingido máximos de meados de janeiro na terça-feira. O euro avança, agora, 0,15% para 1,1629 dólares, após ter tocado em mínimos de finais de novembro, apoiado por uma aumento das probabilidades do Banco Central Europeu (BCE) vir a ter de subir as taxas de juro - caso o impacto da subida dos preços da energia for prolongado no tempo.
"Embora continue a existir o risco de uma nova escalada, pensamos que o resultado mais provável é um aumento da aversão ao risco no mercado, que provavelmente durará apenas por um curto período de tempo, até que os investidores possam ver um abrandamento das hostilidades", explica Scott Wren, do Wells Fargo Investment Institute, à Bloomberg.
Com o Irão como pano de fundo, os dados económicos dos EUA estão a mostrar pouca influência na negociação da "nota verde". O dólar mostrou pouca reação ao facto do número de postos de trabalho no setor privado ter registado a maior subida em sete meses em fevereiro, com 63 mil postos a serem criados, segundo a empresa de processamento de salários ADP. No entanto, os dados relativos a janeiro foram revistos em forte baixa.
Além do mercado de trabalho, o setor dos serviços norte-americano também se mostra bastante mais resiliente, tendo acelerado à maior velocidade desde meados de 2022. Já os preços no produtor, que têm vindo a cair desde agosto do ano passado, continuaram a trajetória descendente, embora sem a pujança esperada pelos economistas. Em janeiro, o índice recuou 2,1%, acima dos 2% de dezembro, mas abaixo das expectativas de 2,7%.
Ouro com ganhos acima de 1% após queda do dólar. Investidores aproveitam preço mais baixo
O ouro está a negociar em alta esta quarta-feira, apesar de até ter registado algumas perdas no início da sessão, numa altura em que os "dip buyers" (investidores que aproveitam desvalorizações recentes para reforçarem posições) estão a entrar em cena e a suportar os preços da matéria-prima. O metal amarelo está ainda a beneficiar de um dólar em ligeira queda, o que torna a compra do ouro mais apetecível para investidores internacionais.
A esta hora, o metal precioso avança 1,28% para 5.153,80 dólares por onça, depois de ter chegado a valorizar mais de 2%. A reação inicial dos mercados ao estalar do conflito no Médio Oriente passou por fugir para ativos de refúgio, mas, à medida que a "nota verde" valorizava e os investidores precisavam de cobrir perdas nas ações, o ouro acabou por interromper uma série de quatro dias de ganhos e negociar em território negativo.
Além disso, e com uma crise energética a formar-se, os participantes do mercado estão a avaliar o possível impacto da escalada dos preços do crude e do gás natural liquefeito (GNL) na inflação. Caso as metas dos bancos centrais sejam postas em causa, a Reserva Federal (Fed) norte-americana e o Banco de Inglaterra podem vir a ter de adiar novos cortes nas taxas de juro, enquanto o Banco Central Europeu (BCE), que já considerava estar num "bom lugar", pode vir a ser obrigado a apertar a política monetária. O ouro tende a beneficiar de taxas diretoras mais baixas, uma vez que não rende juros.
"[As perdas do ouro na terça-feira] surpreenderam, tendo inicialmente beneficiado da procura por ativos de refúgio", escrevem os analistas da BMO Capital Markets, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "A retração ocorreu quando o aumento dos juros do Tesouro norte-americano devido a preocupações com a inflação, um dólar mais forte e uma liquidação forçada superaram as suas características de refúgio seguro", acrescenta.
Petróleo em queda ligeira após duas sessões a disparar. Perdas travadas após Irão negar contactos com EUA
O barril de petróleo está a negociar em território negativo, embora a queda de preços esteja a ser limitada, após o Irão ter negado as notícias de que os serviços secretos do país contactaram os seus congéneres norte-americanos para pôr um fim ao conflito que estalou no fim de semana. Os preços do crude e do gás natural dispararam nas últimas duas sessões com a destabilização do Médio Oriente, abrindo portas a uma crise energética no mundo.
A esta hora, o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para o mercado norte-americano - recua 0,40% para 74,28 dólares por barril, enquanto o Brent - que serve de referência para a Europa - cede 0,31% para 81,15 dólares. O barril de Brent chegou mesmo a cair mais de 1% esta quarta-feira, depois de o The New York Times ter noticiado um contacto indireto entre o Irão e os EUA, através dos serviços secretos de outro país.
Apesar de os preços do petróleo estarem a cair, ainda existem ameaças às infraestruturas energéticas no Médio Oriente. Esta quarta-feira, a Arábia Saudita confirmou uma tentativa de ataque à sua refinaria de Ras Tanura, além de ter revelado que já está a desviar cargas do Golfo Pérsico para o Mar Vermelho - de forma a tentar conseguir que as operações continuem a funcionar. Na Índia, já há refinarias a suspender as exportações de combustível.
O mercado petrolífero deve continuar a enfrentar volatilidade, até, pelo menos, "existirem provas que o tráfego [no Estreito de Ormuz] volta à normalidade", explica Vandana Hari, fundadora e analista da Vanda Insights, citada pela Bloomberg. Este ponto é crucial para o transporte de petróleo e gás natural liquefeito, com 20% do volume destas matérias-primas consumidas a nível global a passarem pelo estreito.
Os países do Golfo Pérsico dependem deste local de passagem para escoar as suas reservas de crude para o resto do mundo. De forma a garantir que o fluxo continua, apesar de o Irão estar determinado em "estrangular" o estreito, o Presidente dos EUA anunciou na terça-feira que o país iria oferecer escolta e garantias de segurança aos petroleiros e embarcações que queiram atravessar este ponto crucial - o que levou a subida dos preços do crude a desacelerar no final de terça-feira.
Tarifas estão de volta e deixam Wall Street sem rumo. Moderna dispara 6%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta quarta-feira divididos entre ganhos e perdas, num dia em que a política comercial dos EUA volta a ensombrar a negociação e os investidores continuam a reagir aos mais recentes desenvolvimentos da guerra do Irão. As ações estão a ser pressionadas pela decisão da Administração Trump de impor as tarifas globais de 15% já esta semana, acrescentado mais um ponto de disrupção num mercado já bastante volátil.
A esta hora, o S&P 500 negoceia praticamente inalterado, ganhando apenas 0,05% para 6.817,05 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite valoriza 0,44% para 22.615,17 pontos. Já o industrial Dow Jones recua 0,10% para 48.456,31 pontos. Na sessão anterior, as perdas acabaram por ser amenizadas pela decisão do Presidente dos EUA em providenciar escolta e garantias de segurança aos petroleiros e outras embarcações que queiram atravessar o Estreito de Ormuz.
Esta quarta-feira, o jornal The New York Times revelou que os serviços secretos iranianos contactaram a congénere norte-americana, a CIA, para discutir os termos para o fim do conflito - uma notícia, entretanto, já desmentida pelo Irão. Os investidores reagiram inicialmente com ânimo, mas o otimismo acabou por ser limitado pelas declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que afirmou que as tarifas globais devem ser aumentadas de 10% para 15% ainda esta semana.
"Dois dias de compras em baixa estão a limitar as perdas do S&P 500 esta semana”, explica Michael O’Rourke, estratega-chefe de mercados da JonesTrading Institutional Services, à Bloomberg. “A reação mecânica do mercado de ações aos preços do petróleo afastou as recentes preocupações com inteligência artificial (IA) e crédito privado", acrescentou. A reação "benigna" dos investidores ao conflito deixou mesmo o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, surpreendido.
Os mercados globais têm enfrentando dias de grande volatilidade com o estalar do conflito no Irão e a destabilização do Médio Oriente. A guerra levou a um escalar dos preços do petróleo e do gás natural, com o Irão a responder aos ataques dos EUA e Israel com investidas sobre infraestruturas energéticas de outros países e com o "estrangulamento" do Estreito de Ormuz, abrindo a porta para uma nova crise energética. Se o aumento dos preços for sustentando, a inflação nas maiores economias do mundo pode subir e desvirtuar a política monetária dos bancos centrais.
Entre as principais movimentações de mercado, a Moderna acelera 6,41%, após a empresa de biotecnologia ter concordado em pagar à Genevant, uma subsidiária da Roivant Sciences, e à Arbutus 950 milhões de dólares para resolver um litígio relacionado com a sua vacina contra a covid-19. Por sua vez, a GitLab afunda 9,29%, depois de a empresa de software ter previsto um lucro por ação para 2027 que ficou abaixo das expectativas do mercado.
Refinaria de petróleo saudita novamente atacada
A refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, operada pela Saudi Aramco, foi esta quarta-feira alvo de um ataque de drone.
Segundo as agências internacionais de notícias, a informação foi confirmada pelo Ministério da Defesa saudita. O ataque não foi bem sucedido, com o drone a não ter conseguido danificar as infraestruturas da refinaria.
Este é o segundo ataque à refinaria de Ras Tanura em dois dias.
Taxa Euribor sobe a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor subiu esta quarta-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a terça-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,056%, continuou abaixo das taxas a seis (2,135%) e a 12 meses (2,307%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu, ao ser fixada em 2,135%, mais 0,015 pontos do que na terça-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a dezembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,77% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,85% e 25,09%, respetivamente.
No mesmo sentido, no prazo de 12 meses, a taxa Euribor avançou para 2,307%, mais 0,075 pontos.
A Euribor a três meses também subiu ao ser fixada em 2,056%, mais 0,021 pontos do que na terça-feira.
Em 05 de fevereiro, o BCE manteve as taxas diretoras, de novo, pela quinta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 18 e 19 de março em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Índices europeus recuperam terreno depois de dois dias de quedas
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos na manhã desta quarta-feira, à medida que recuperam parte das fortes desvalorizações registadas ao longo do início da semana, com alguns “traders” a aproveitarem para reforçar posições.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,75%, para os 609 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX ganha 0,91%, o espanhol IBEX 35 sobe 0,47%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,79%, o francês CAC-40 pula 0,58%, o neerlandês AEX avança 0,90%, ao passo que o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,28%.
Os preços mais altos do petróleo e do gás no mercado europeu continuam a representar um obstáculo, mas os investidores estão agora a sentir algum alívio dado que as valorizações registadas no preço da energia esta manhã seguem contidas e ainda não superaram os máximos intradiários da sessão de terça-feira. Isto depois de o Presidente norte-americano ter garantido que irá avançar com um plano para escoltar as embarcações que passem pelo Estreito de Ormuz.
Ainda assim, os investidores continuam a prever que o Banco Central Europeu e o Banco de Inglaterra terão agora menos espaço para avançar com flexibilizações da política monetária devido à incerteza em torno do conflito no médio Oriente, que arrisca provocar um novo aumento da inflação na Zona Euro, por força do aumento dos preços da energia.
Entre os setores, o dos recursos naturais, do turismo, tecnologia, automóvel e industrial avançam todos mais de 1%. Já o do imobiliário segue a registar uma perda contida de 0,07% nesta manhã.
Quanto aos movimentos do mercado, os investidores parecem estar agora mais dispostos a correr riscos e a Bitcoin espelha esse sentimento, já que está a subir mais de 4%. Noutros pontos, cotadas do setor petrolífero estão a registar perdas, sendo que a BP recua mais de 2%, a Shell cede 1,41% e a TotalEnergies recua 0,28%.
Juros agravam-se em toda a linha na Zona Euro pela terceira sessão consecutiva
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a registar agravamentos em toda a linha pela terceira sessão consecutiva. Os investidores estão a ponderar a possibilidade de um confito prolongado no Médio oriente, um cenário que o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE) alertou ontem que poderá aumentar o risco de estagflação na região.
Os mercados passaram agora a apostar que há uma probabilidade de cerca de 30% de que o BCE aumente as taxas de juro até o final do ano. A Europa é vista como particularmente vulnerável a uma escalada da guerra no Médio Oriente, uma vez que a região importa quase todo o seu petróleo e a maior parte do seu gás natural, ficando mais exposta do que os EUA, que é um exportador líquido de energia.
Os preços do gás natural europeu estão a ser negociados perto do valor mais alto desde 2023, enquanto o petróleo subiu para 84 dólares por barril. “A dinâmica dos preços da energia continua a dominar os movimentos do mercado obrigacionista”, disse à Bloomberg Hauke Siemssen, do Commerzbank.
Nesta manhã, os juros da dívida portuguesa, com maturidade a dez anos, agravam-se em 2 pontos-base, para 3,155%. Em Espanha a "yield" da dívida com a mesma maturidade segue a mesma tendência e avança 2,7 pontos para 3,226%.
Já os juros da dívida soberana italiana sobem 1,9 pontos, para 3,473%.
Por sua vez, a rendibilidade da dívida francesa agrava-se em 2,6 pontos, para 3,398%, ao passo que os juros das "Bunds" alemãs, referência para a região, somam 3 pontos para os 2,779%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, agravam-se em 3,6 pontos-base para 4,505%.
Euro perde terreno com "traders" a analisarem esperado aumento dos preços da energia
O dólar está a registar desvalorizações contidas na sessão desta quarta-feira, depois de ter estado a valorizar nas últimas sessões, impulsionado pelo aumento dos preços da energia e por uma maior procura enquanto ativo-refúgio.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes - cede 0,08% para os 98,972 pontos.
Face à divisa japonesa, o dólar desvaloriza 0,32% para os 157,240 ienes.
A “nota verde” fixa-se ainda perto de máximos de três semanas, com os investidores a mostrarem algum pessimismo em relação ao euro, uma vez que o conflito no Médio Oriente está a reacender receios de um aumento sustentado dos preços da energia pelo Velho Continente.
Neste momento, o euro recua 0,03% para os 1,61 dólares, depois de ter atingido o seu nível mais baixo desde o final de novembro, depois de dados divulgados na terça-feira terem mostrado que a inflação na Zona Euro acelerou mais rapidamente do que o esperado em fevereiro, antes do início do conflito no Irão. Os mercados estão agora a apostar numa probabilidade de cerca de 30% de que o Banco Central Europeu aumente as taxas este ano.
Ainda pela Europa, a libra soma ligeiros 0,07% para 1,337 dólares. A libra esterlina também está a ser afetada pela perspetiva de um aumento prolongado dos preços da energia, dado que a inflação no Reino Unido, de 3%, ainda está acima da meta de 2% do Banco de Inglaterra.
Ouro avança com ajuda dos "dip buyers"
A negociação de metais preciosos está em terreno positivo nesta quarta-feira, depois de um recuo registado na sessão de terça-feira, com os investidores que aproveitam quebras no preço (conhecidos como dip buyers) a sustentarem a negociação do ouro nesta quarta-feira.
O conflito no Médio Oriente, que vai no quinto dia, tem provocado fortes ondas de choque nos mercados, com destaque para a subida em flecha dos preços das matérias-primas energéticas e para o tombo registado nas bolsas nos primeiros dois dias da semana.
Os metais preciosos têm oscilado entre ganhos e perdas, com a queda no valor a ser justificada acima de tudo pela valorização recente do dólar, o que torna o investimento em metais preciosos mais caro para quem negoceia noutras divisas.
O mercado está a adotar uma "redução de risco nas carteiras", analisa Peter Kinsella, responsável de estratégia cambial na Union Bancaire Privée, citado pela Bloomberg. "É totalmente consistente com o que temos observado em conflitos anteriores".
Neste contexto, às 08:43 horas, o ouro negociava a valorizar 1,68% para os 5.174,14 dólares por onça, enquanto a prata valorizava 4,10% para os 85,38 dólares.
"Acredito que vamos certamente ver uma recuperação do ouro", defendeu ainda Kinsella.
Preço do gás natural negociado na Europa sobe mais de 2%
O preço do gás de referência para os mercados europeus, negociado no TTF – ponto de negociação nos Países Baixos –, fixa-se nesta quarta-feira perto do seu nível mais alto em três anos, enquanto os "traders" avaliam o plano dos EUA para proteger o transporte marítimo que passa pelo Estreito de Ormuz no Médio Oriente, via marítima que tem sido abalada pelo conflito na região.
Os futuros de referência registam neste momento ganhos relativamente modestos, de cerca de 2,14%, para os 55,453 euros por megawatt-hora (contra os cerca de 30 euros no final da semana passada), após um aumento de 70% no início desta semana.
O Presidente Donald Trump disse na terça-feira que os EUA têm a intenção de escoltar os navios que atravessam o Estreito de Ormuz — via por onde passa cerca de um quinto do petróleo e o GNL produzido ao nível global — “se necessário”, mas muitos detalhes sobre este plano ainda não são claros.
Desde o arranque deste ano que o preço do gás natural no mercado europeu já escalou quase 90%, já que as principais infraestruturas energéticas do Médio Oriente estão no centro do conflito, e a situação corre o risco de causar o choque mais grave desde que a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 abalou o comércio global de energia.
Embora os países asiáticos comprem a maior parte do GNL produzido e exportado do Médio Oriente, qualquer perturbação prolongada aumentará a concorrência por fontes alternativas de abastecimento, mantendo os preços elevados em todo o mundo, incluindo na Europa. A crise ainda não se materializou no abastecimento físico da Europa, uma vez que o gás exportado pelo Qatar demora cerca de um mês a chegar ao Velho Continente - e as entregas previstas para março na Europa partiram do país do Golfo antes do início do conflito no dia 28 de fevereiro.
Ainda assim, a região está particularmente vulnerável neste verão, já que precisa de comprar grandes volumes de GNL para reabastecer as reservas. “Com o armazenamento europeu já esgotado e os ‘spreads’ asiáticos a aumentarem, há uma margem limitada e nenhum prazo claro para um cessar-fogo que permita fixar expectativas”, afirmou à Bloomberg Pallav Kant, da Energy Aspects.
China reduz exposição a dívida no Médio Oriente
A China está a reduzir a exposição à dívida do Médio Oriente face ao aumento das preocupações com o conflito na região. Segundo avança a Bloomberg, que cita uma fonte próxima não identificada, um grande banco chinês tomou uma medida invulgar ao restringir o levantamento de um empréstimo bilateral a uma das entidades financeiras do Governo de Abu Dhabi.
Outra instituição financeira estará à procura de compradores para se desfazer de partes de financiamentos sindicados junto de emitentes do Médio Oriente, incluindo o acordo de 4 mil milhões de dólares do fundo soberano ADQ do ano passado.
O braço de gestão de ativos de uma seguradora chinesa está a reduzir as suas participações em títulos de dívida soberanos e ligados ao Estado, incluindo os emitidos pela Saudi Aramco. Entretanto, os operadores de uma instituição chinesa foram instruídos para interromper as negociações com dívida da região a partir de segunda-feira.
A par de vários casos de tentativas de cortar laços financeiros, os reguladores chineses estão a apertar o cerco. A Autoridade Monetária de Hong Kong contactou pelo menos dois bancos locais esta semana para rever a sua exposição a empréstimos e obrigações do Médio Oriente, enquanto a Administração Nacional de Regulação Financeira da China também aconselhou os bancos locais a examinarem as suas atividades de financiamento na região.
A reavaliação por parte dos reguladores e a possível retração dos bancos chineses — que estão atualmente entre os principais financiadores do Golfo — acontece numa altura em que a crise do Irão ameaça remodelar as estratégias de financiamento e injetar novas incertezas nos planos de expansão em todo o Médio Oriente.
Os empréstimos concedidos pelos bancos chineses à região quase triplicaram, atingindo um recorde de 15,7 mil milhões de dólares em 2025, excluindo operações bilaterais, sendo a maior parte destinada à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Petróleo com subida menos expressiva depois de Trump garantir escolta a petroleiros
Os preços do petróleo continuam a valorizar nesta quarta-feira, ainda que o ritmo de subidas tenha atenuado em comparação com as últimas duas sessões, depois de o Presidente norte-americano ter sugerido que a Marinha dos EUA poderá começar a escoltar navios através do Estreito de Ormuz, depois de o Irão ter ameaçado atacar qualquer embarcação que passasse pela via marítima crucial para o transporte de crude.
O West texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – soma 2,78%, para os 76,63 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – valoriza 3,01% para os 83,85 dólares por barril.
Ainda pelo Médio Oriente, e à medida que se intensifica a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão - que se está a alastrar a outros países da região do Golfo -, o Iraque, segundo maior produtor de petróleo bruto da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, reduziu a produção em quase 1,5 milhões de barris por dia, para cerca de metade, devido a limites de armazenamento e à falta de uma rota de exportação, sendo que o país poderá mesmo ter de encerrar a sua produção de quase 3 milhões de barris por dia dentro dos próximos dias, caso as exportações não sejam retomadas.
Já sobre o anúncio de Trump, o Presidente dos EUA referiu ontem que, “aconteça o que acontecer, os EUA vão garantir o livre fluxo de energia para o mundo. Para isso, Trump afirma que a US International Development Finance Corporation (DFC) está disposta a oferecer seguros às embarcações por "um preço bastante razoável", além de pôr mesmo em cima da mesa possíveis escoltas dos petroleiros por parte da marinha norte-americana - "assim que possível". Este anúncio chega numa altura em que as maiores seguradoras marítimas do mundo começaram a deixar de oferecer cobertura contra riscos de guerra para os navios que estão a entrar no Golfo Pérsico.
Nos EUA, os "stocks" de petróleo bruto terão aumentado em 5,6 milhões de barris na semana passada, de acordo com fontes do mercado que citam números do American Petroleum Institute, valor que fica acima dos 2,3 milhões projetados pelo mercado. Os números oficiais serão conhecidos ainda nesta quarta-feira.
"Cocktail tóxico" leva Ásia a fortes perdas. "Benchmark" sul-coreano tem maior "crash" de sempre
Os principais índices asiáticos encerraram a negociação com perdas expressivas pela terceira sessão consecutiva e registaram a maior queda em quase um ano nesta quarta-feira, à medida que as crescentes preocupações com a guerra no Médio Oriente provocam uma fuga dos investidores dos ativos de risco. Já os futuros dos índices de ações apontam para ganhos modestos na Europa e algumas perdas contidas nos EUA, sugerindo que a liquidação poderá ser limitada nestas regiões.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 3,61%, ao passo que o Topix perdeu 3,67%. Já o sul-coreano Kospi tombou 12,06% - a sua maior queda de sempre. Antes de afundar nas últimas sessões, o Kospi era o índice com melhor desempenho do mundo desde o início do ano. Na China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 2,67% e o Shanghai Composite cedeu 0,98%. Por Taiwan, o TWSE derrapou 4,35%.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico caiu 4,5%. “Os mercados asiáticos estão a sufocar com um cocktail tóxico – aumento dos preços da energia, valorização do dólar e tensões geopolíticas que já ninguém consegue ignorar”, disse à Bloomberg Hebe Chen, da Vantage Global Prime. “Isto não é apenas uma retração técnica, mas mais uma capitulação psicológica”, acrescentou o especialista.
Os grandes movimentos nas ações asiáticas contrastaram com outros mercados, depois de o Presidente Donald Trump ter dado garantias sobre a salvaguarda do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, o que ajudou a acalmar os investidores. Os ataques dos EUA e de Israel ao Irão desestabilizaram o Médio Oriente e ameaçam provocar um novo choque de inflação na economia global, com a escalada dos preços do petróleo. Também não se sabe quando ou como a guerra irá terminar, o que aumenta a possibilidade de um conflito prolongado que poderá ter consequências imprevisíveis.
A dependência da Ásia em relação ao petróleo e ao gás do Médio Oriente significa que a extrema volatilidade que se continua a registar nos preços do petróleo provavelmente fará com que as ações da região continuem a cair. “A liquidação no Japão está a ser muito violenta. Os investidores estão agora a realizar lucros nas partes das suas carteiras onde têm ganhos significativos”, sublinhou à agência de notícias Rajeev de Mello, da Gama Asset Management. “A redução do risco é importante, uma vez que os refúgios seguros, como as obrigações, não têm amortecido as quedas nas carteiras dos investidores”.
As ações japonesas estavam a ter um forte desempenho este ano e atingiram níveis recorde com o chamado “Takaichi trade” a impulsionar as ações dos setores dos semicondutores e empresas de defesa. A recuperação continuou depois de o Partido Liberal Democrático, da primeira-ministra Sanae Takaichi, ter alcançado a maior vitória pós-guerra para um único partido nas eleições legislativas japonesas. Mas desde esta quarta-feira que ambos os índices de referência nipónicos já perderam todos os ganhos obtidos desde as eleições antecipadas de 8 de fevereiro.
Entre os movimentos do mercado pela Ásia, a Alibaba caiu mais de 3%, a Samsung derrapou mais de 11%, a Taiwan Semiconductor Company (TSMC) perdeu 3,62% e o Softbank Group tombou mais de 7%.
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