Europa em mínimo de 16 meses. Juros da dívida portuguesa aliviam em contraciclo
Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados durante o dia.
- Banco central da Suíça retira os juros de mínimos históricos
- Medo de recessão penaliza ações europeias
- Juros das dívidas europeias voltam a agravar após alívio causado pelo BCE
- Macron, Scholz e Draghi em Kiev para transmitir mensagem de apoio da Europa
- Petróleo cede com "traders" a ponderarem inflação e produção
- Ouro mantém posição após maior ganho em três meses
- Bancos centrais geram "sell-off" nas bolsas. Wall Street cai mais de 2%
- Pedidos de subsídio de desemprego nos EUA diminuem em 3.000 na semana passada
- Petróleo recua após Fed
- Ouro reforça estatuto de refúgio
- Juros portugueses destoam e aliviam
- Euro ganha 1% face ao dólar
- Europa em mínimo de 16 meses após "sell-off" alimentado por bancos centrais
O Banco Nacional da Suíça (SNB) decidiu avançar com uma subida dos juros de referência para travar a escalada da inflação. O banco central surpreendeu o mercado com o anúncio do primeiro aumento desde 2007, na manhã desta quinta-feira, retirando assim as taxas dos mínimos históricos em que estavam fixadas.
Os decisores de política monetária, liderados pelo presidente Thomas Jordan, juntam-se à onda global de aperto monetário ao subir os juros em 50 pontos base para -0,25%. "A política monetária mais apertado tem como objetivo prevenir que a inflação alastre mais amplamente aos bens e serviços na Suíça", explicou o banco central em comunicado.
A inflação homóloga no país atingiu 2,9% em maio, pressionando uma reação da autoridade monetária. O principal argumento para manter os juros em mínimos históricos prendia-se com o combate contra a valorização do franco suíço, que durava há várias décadas.
No entanto, o banco central está agora mais pessimista quanto à evolução dos preços. O "outlook" para a inflação foi revisto também esta quinta-feira em alta, com o SNB a estimar uma aceleração de 2,8% este ano, 1,9% em 2023 e 1,6% em 2024. Os novos números ficam acima das anteriores projeções: 2,1% este ano e 0,9% nos dois anos seguintes.
Para travar a escalada, poderão seguir-se ainda novas subidas. "Não pode ser afastado que mais subidas na taxa de juro do SNB possam ser necessários no futuro previsível para estabilizar a inflação", refere o mesmo comunicado do banco central, acrescentando que irá manter-se "ativo" no mercado monetário.
Em reação à decisão, o franco suíço ganhou força contra as principais pares. O euro perde 2,1% para 1,01694 francos suíços, no valor mais baixo desde abril. Ao longo das últimas semanas, as várias ações dos bancos centrais para tentar travar a inflação têm determinado o sentimento no mercado cambial.
A Reserva Federal dos EUA subiu também, na quarta-feira, o intervalo da taxa diretora em 75 pontos base, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) avançou com medidas de mitigação para evitar uma crise da dívida após uma reunião de emergência. Após os dois encontros, o euro-dólar segue na linha d'água com o par a negociar nos 1,0393.
Os avanços dos bancos centrais, em especial da Reserva Federal (Fed) norte-americana, estão a dar força perspetiva de que se aproxima uma recessão. Após os encontros desta quarta-feira, os investidores estão a avaliar os passos dados pelos banqueiros e dão sinais de receio.
As ações das tecnológicas europeias recuam mais de 2% e, em conjunto com o setor dos "chips", dão o maior contributo para a queda do Stoxx 600. O índice de referência europeu cai 1,4%.
Entre os índices nacionais, o alemão DAX, o holandês AEX e o grego ASE perdem cerca de 2%. Já o francês CAC 40 recua 1,5% e o espanhol IBEX cede 0,9%. O português PSI, que tinha aberto a acesso no verde, acabou por inverter e segue às 9:00 já em baixa.
As ações até reagiram em alta aos comentários do presidente da Fed, Jerome Powell, que afirmou esta quarta-feira que subidas de juros de 75 pontos base não serão "comuns". No entanto, seguiram-se alertas de "market watchers" que se mostraram céticos quanto à "rally" para continuar face à desaceleração da economia.
Os juros das dívidas da Zona Euro seguem a agravar, num movimento que poderá ser de correção no seguimento das fortes descidas da última sessão. O tombo (que chegou a superar os 40 pontos base nalguns países) deveu-se à garantia dada pelo Banco Central Europeu (BCE) de que irá aplicar medidas anti-crise.
Após uma forte queda na última sessão, a "yield" das Bunds alemãs a 10 anos - a referência para o bloco comunitário - corrigem ao subir esta quinta-feira 11 pontos base, para 1,741%.
No caso de França e de Espanha, o agravamento é da mesma dimensão, para 2,325% e 2,975%, respetivamente. A "yield" da dívida portuguesa a 10 anos avança igualmente 9,8 pontos para 2,94%, enquanto Itália negoceia nos 3,92%.
Depois de se reunir de emergência durante a manhã, o BCE anunciou ontem que vai avançar com medidas para travar a turbulência nos mercados europeus de dívida. A autoridade monetária pretende comprar dívida de forma mais flexível, bem como acelerar a implementação de um novo instrumento "anti-fragmentação".
O Presidente francês, Emmanuel Macron, o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, chegaram esta quinta-feira a Kiev para transmitir "uma mensagem de unidade europeia aos ucranianos", afirmou Macron ao chegar à capital da Ucrânia.
Além dos três líderes europeus, chegou também a Kiev o Presidente romeno, Klaus Iohannis, que também participará num encontro com o Presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Esta viagem "é uma mensagem de unidade europeia aos ucranianos e ucranianas, de apoio para falar do presente e do futuro, porque sabemos que as próximas semanas serão muito difíceis", assinalou Macron, numa breve declaração.
Pelo seu lado, Olaf Scholz afirmou à imprensa alemã, pouco antes da sua chegada a Kiev, que o objetivo da sua viagem é garantir a solidariedade e a continuidade do apoio à Ucrânia perante a invasão russa.
"Mas não só queremos demonstrar solidariedade, como garantir também que a ajuda que estamos a organizar – financeira, humanitária, mas também de armamento – continuará. E que continuaremos com ela quanto tempo seja necessário para a luta pela independência da Ucrânia", disse.
Macron, Scholz e Draghi viajaram juntos durante toda a noite num comboio especial que partiu de uma estação na Polónia, não identificada, de acordo com imagens divulgadas por meios de comunicação alemães e italianos.
Os dirigentes viajaram cada um na sua carruagem, mas mantiveram uma reunião de cerca de duas horas para preparar um encontro que vão manter com o Presidente ucraniano, informou a agência italiana ANSA.
Os meios italianos destacaram as fortes medidas de segurança tanto no comboio como na chegada a Kiev, que ocupou cerca de 300 membros do exército ucraniano.
Esta viagem acontece num momento chave, poucos dias antes do Conselho Europeu de 23 e 24 de junho, do qual a Ucrânia espera um gesto simbólico muito forte, com o apoio da candidatura deste país à União Europeia.
O Palácio do Eliseu insistiu que falta encontrar "um equilíbrio entre as aspirações ucranianas" e as de outros países candidatos à entrada na UE já envolvidos em negociações, além de que "não há que desestabilizar nem fraturar a UE".
Lusa
O petróleo negoceia entre ganhos e perdas ligeiros na manhã desta quinta-feira. Os últimos dias têm sido de volatilidade com os preços da matéria-prima a subirem ontem, após quedas de quase 5% no dia anterior.
O Brent negociado em Londres, que serve de referência às importações portuguesas, recua 0,3% para 118,11 dólares por barril. Já o crude West Texas Intermediate (WTI) perde também 0,3% para 114,93 dólares.
Nas últimas sessões os investidores têm estado a olhar para o "outlook" global de oferta e procura de petróleo, equilibrando as forças entre o impacto da subida de juros da Fed (com consequências para a economia e, nesse sentido, também para o consumo de combustíveis) e a crescente produção por parte dos EUA.
"O petróleo ainda está bastante agitado com os 'traders' a procurarem cautela sobre a capacidade da Fed em reduzir a inflação", diz Stephen Innes, managing partner da SPI Asset Management, à Bloomberg.
A estes fatores junta-se a política de combate à pandemia na segunda maior economia do mundo. "Ao mesmo tempo, a política da China sobre a covid-19 é desafiante para dirigir, mas não está a mostrar alguma agilidade económica para lidar com os confinamentos", acrescenta Stephen Innes.
O ouro teve a maior valorização em três meses em reação ao tombo tanto do dólar como das "yields" das Treasuries norte-americanas no seguimento da reunião da Reserva Federal dos EUA. Apesar de ter subido juros em 75 pontos base (o que não aconteceu há 28 anos), o presidente Jerome Powell garantiu que um aumento de tal dimensão não se tornaria comum.
Taxas mais elevadas tendencialmente diminuem o apelo do ouro (que não paga juros), embora os receios sobre uma desaceleração económica e as persistentes pressões dos preços tenham sustentado a procura pelo ativo-refúgio. As palavras de Powell foram vistas como afastar o cenário de uma série de grandes aumentos. O
De acordo com o "dot plot", a Fed aponta para que a taxa diretora esteja nos 3,4% no final de 2022, 3,8% no final de 2023 e 3,4% no final de 2024.
"O ouro tem sido historicamente considerado como um "hedge" de inflação, embora essa correlação não tenha ocorrido no ano passado, pois os investidores procuraram sobreponderar o dólar norte-americano em vez disso, à medida que as taxas de juros aumentam significativamente", explica David Chao, estratega de mercado global da Ásia-Pacífico (excluindo Japão) na Invesco Ltd, à Bloomberg.
"Ainda assim, a economia global está a desacelerar, como seria esperado, dada a política monetária restritiva das economias desenvolvidas", sublinha. Esta quinta-feira, o ouro segue a valorizar 0,13% para 1.832 dólares por onça.
A agressividade dos bancos centrais em subir juros está a gerar receios nos mercados. Um dia depois da Reserva Federal dos EUA ter avançado com o maior aumento em 28 anos, os bancos centrais de Inglaterra e da Suíça também anunciaram revisões em alta das taxas de referência.
As bolsas globais estão a viver um dia de "sell-off". Em Wall Street, o índice industrial Dow Jones abriu a perder 2,5% para 29.895,50 pontos, enquanto o financeiro S&P 500 recua 2,2% para 3.708,28 pontos. O tecnológico Nasdaq afunda 3% para 10.770,83 pontos.
O "rally" de alívio que se seguiu à decisão da Fed desapareceu com a generalidade das empresas do S&P 500 em baixa. As "big tech" estão entre as maiores perdas face à subida das "yields" das Treasuries.
Os tombos nas ações norte-americanas replicam o desempenho na Europa, onde as principais bolsas caem entre 2% e 3%. O índice de referência Stoxx 600 desvaloriza 2,1%, tal como o português PSI.
"A nossa principal conclusão é que a Fed está 'hawkish'", diz Dennis DeBusschere, fundador da 22V Research. "Powell deixou claro que fazer recuar a inflação é crítico e que o pior erro que se pode cometer é não restaurar a estabilidade dos preços".
A Fed aumentou a taxa dos fundos federais em 75 pontos base, que passa assim para um intervalo entre 1,5% e 1,75%. O "dot plot" – um mapa que mostra como cada representante do banco central estima as mexidas nos juros diretores – aponta para uma subida de 50 pontos base dos juros diretores em todas as restantes reuniões deste ano da Fed, ou seja: em julho, setembro, novembro e dezembro.
"O mercado teve aquilo que pretendia, mas talvez - só talvez - uma subida de 75 pontos base numa economia em rápido enfraquecimento não tenha sido a melhor ideia", referiu Peter Tchir, head of macro strategy da Academy Securities, à Bloomberg.
Já depois disso, o Banco Nacional Suíço anunciou esta quinta-feira a primeira subida de juros desde 2007. A taxa de referência manteve-se negativa, mas a decisão representa uma importante mudança de posição para o banco central, que se tem focado em controlar o franco suíço.
O Banco de Inglaterra - que foi o primeiro grande banco central a subir juros após a pandemia, apesar de manter um ritmo mais ligeiro do que pares como a Fed - decidiu igualmente aumentar a taxa de juro de referência pela quinta vez consecutiva, passando o "benchmark" para 1,25%.
Os novos pedidos de subsídio de desempregos nos Estados Unidos diminuíram em 3.000 na semana concluída em 11 de junho, para 229.000, face à semana anterior, anunciou hoje o Departamento do Trabalho norte-americano.
Na semana precedente, os novos pedidos de desemprego na maior economia do mundo situaram-se em 232.000, após os dados serem revistos, esclareceu o Departamento do Trabalho em comunicado.
O número de novos pedidos de desemprego na semana que terminou em 11 de junho surpreendeu o mercado, já que os analistas previam que se ficassem nos 215.000.
Quanto à média das últimas quatro semanas, que constitui um indicador mais fiável da evolução do mercado laboral, cifrou-se em 218.500 pedidos, contra 215.750 (revistos) na semana anterior.
Lusa
Os preços do petróleo seguem a recuar ligeiramente esta quinta-feira, no rescaldo da maior subida das taxas de juro de referência nos EUA desde 1994 decidida ontem pela Fed.
Já hoje, o Banco de Inglaterra e o Banco da Suíça elevaram as respetivas taxas diretoras, alimentando ainda mais os receios de que muitas das economias ocidentais possam abrandar significativamente ou mesmo entrar em recessão.
O barril de Brent, referência para as importações portuguesas, cai 0,63% para os 117,76 dólares. Já o nova-iorquino West Texas Intermediate (WTI) cede 0,19%, para 115,09 dólares.
"Os principais motivos para a fraqueza do petróleo é a agressividade com que os bancos centrais um pouco por todo o mundo estão a apertar as respetivas políticas monetárias. Isso terá um custo para o crescimento económico e, provavelmente, irá destruir no curto prazo alguma procura por crude", refere Edward Moya, da Oanda, citado pela Bloomberg.
O preço do ouro sobe esta quinta-feira, um dia após a maior subida em mais de três meses, com a mudança nas expectativas quanto à velocidade das subidas das taxas diretoras pela Fed ajuda o metal amarelo a reforçar o seu papel de ativo refúgio por excelência.
A onça de ouro negoceia nos 1.844,28 dólares, uma subida de 0,57%.
"Na verdade, o preço do ouro está a aguentar-se como um campeão", diz Tom Price, analista da Liberum Capital, citado pela Bloomberg. "As perspetivas futuras não são risonhas e são incertas, o que é o fator mais importante para o ouro", acrescenta.
A resiliência do ouro é surpreendente tendo em conta que a política agressiva da Fed tem feito subir as "yields" da dívida norte-americana, o que as deveria tornar mais atraentes do que o metal precioso como refúgio.
"Uma 'mossa' na credibilidade da Fed [em controlar a inflação sem provocar uma recessão] deverá apoiar, embora não o suficiente para um "rally", o ouro", escreve Rhona O'Connell, analista da StoneX, numa nota citada pela Bloomberg. "Por enquanto, o ouro parece ser um terreno para caçadores de pechinchas", conclui.
As "yields" das dívidas soberanas da maioria dos países da Zona Euro agravaram-se esta quinta-feira, no rescaldo da subida de ontem das taxas diretoras pela Fed e após hoje o Banco de Inglaterra e o Banco da Suíça terem aumentado as respetivas taxas de juro de referência.
No entanto, na dívida portuguesa a 10 anos registou-se um ligeiro alívio de 1,8 pontos base na "yield", para 2,817%. A acompanhar Portugal apenas esteve a dívida italiana, que viu os juros baixarem 6,5 pontos base, para 3,734%.
Já nas "bunds" alemãs a 10 anos, "benchmark" do mercado da dívida na Europa, a "yield" avançou 7,2 pontos base, para 1,706%. Também a dívida francesa com igual maturidade viu os juros agravarem-se em 3,8 pontos, para 2,255%, e até nos países do sul, como Espanha e Grécia, as "yields" subiram: 0,3 pontos no país vizinho e 2,1 pontos base no caso helénico, para os 2,876% e 4,233%, respetivamente.
A moeda única europeia avança perante a rival norte-americana depois de maus dados económicos nos EUA divulgados esta quinta-feira, incluindo a construção de casas novas, alimentar os receios de uma recessão na maior economia mundial devido à política agressiva da Fed para controlar a inflação.
O euro ganhava 1,01%, cotando nos 1,0549 dólares.
Mas as divisas que mais estão a valorizar hoje são as moedas-refúgio, como o franco suíço e o iene.
A moeda helvética ganha 1,89% perante o euro e 2,88% face ao dólar depois da inesperada subida das taxas de juro de referência pelo Banco da Suíça.
Já a divisa nipónica valoriza 0,41% perante a moeda única europeia e 1,34% face à "nota verde".
As bolsas europeias encerraram com quedas expressivas esta quinta-feira, na sequência das subidas das taxas de juro de referência decididas pela Fed, ontem, e Banco de Inglaterra e Banco da Suíça, hoje.
O Stoxx600, "benchmark" pan-europeu, recuou 2,47% para os 402,88 pontos, mínimo desde fevereiro de 2021, com todos os setores no vermelho.
O alemão DAX caiu 3,31%, enquanto o parisiense CAC-40 entrou mesmo em "bear market", com a queda de 2,39% a atirar o índice para valores 20% face ao pico de janeiro passado.
O londrino FTSE perdeu 3,14% após a quinta subida consecutiva nas taxas de juro pelo Banco de Inglaterra, enquanto na bolsa de Milão a queda foi de 3,32%. O espanhol IBEX35 acabou por ser o índice menos castigado, ao recuar 1,18%.
Mais lidas