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Inflação alemã atira Europa para o vermelho e agrava juros na Zona Euro

Acompanhe aqui, minuto a minuto, o desempenho dos mercados durante esta quarta-feira.

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bolsa europa mercados Regis Duvignau / Reuters
01 de Março de 2023 às 17:44
Dados económicos na China levam índices da região aos ganhos. Europa deve seguir tendência e abrir de verde

Os principais índices europeus estão a apontar para um início de sessão em terreno positivo, embora com um ganho ligeiro, depois de ontem as bolsas europeias terem sido penalizadas pela divulgação da inflação em Espanha e França que foi acima do esperado e que deve dar força ao Banco Central Europeu para a manutenção de uma política monetária restritiva.

Os futuros sobre o Euro Stoxx 50 sobem 0,2%.

A influenciar a negociação desta quarta-feira estão dados da atividade industrial na China, que teve a maior subida mensal em dez anos, e que dão força à recuperação deste país e a um aumento da procura.

Hoje os investidores devem ainda avaliar os dados da inflação e do emprego na Alemanha, a maior economia da Zona Euro, bem como o PIB em Itália, na expectativa de descodificarem os próximos passos a tomar pelo BCE.

Na Ásia, a negociação foi positiva, com a China a dar alento aos índices da região e a reforçar expectativas de que o plano de estímulos para a economia do país, que deverá ser apresentado no congresso do partido comunista, poderá também ser incorporado nas ações.

As praças asiáticas registaram em fevereiro o pior mês desde setembro, numa altura em que houve um crescendo de pressão no que toca a tensões geopolíticas e de política monetária.

Na China, Xangai subiu 0,9% e o tecnológico Hang Seng, de Hong Kong, ganhou 3,2%. Já no Japão, o Nikkei valorizou 0,2% e o Topix avançou 0,1%. Na Coreia do Sul os índices não negociaram devido a um feriado.

Atividade industrial na China dá força ao petróleo. Baixa das temperaturas leva gás a valorizar

O petróleo está a valorizar, após a divulgação de dados positivos sobre a atividade industrial na China, que registou a maior subida do mês numa década e que reforça as perspetivas de aumento do consumo por parte do maior importador mundial de crude.

O West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os Estados Unidos, soma 0,77% para 77,64 dólares por barril. Já o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, sobe 0,79% para 84,11 dólares por barril.

Ainda a influenciar a negociação estão dados que mostram uma aumento do consumo na Índia, com subidas de dois dígitos para gasolina e diesel.

"Os preços podem ganhar apoio de sinais de uma recuperação económica do maior importador de crude do mundo", começou por explicar Ravindra Rao, analista da Kotak Securities, à Bloomberg.

"É esperado que o consumo de crude neste país atinja níveis pré-pandemia e pode contribuir para a maior parte da procura mundial", completou.

No mercado do gás, os futuros estão a valorizar com a possibilidade de temperaturas mais frias este mês, com potencial queda de neve na Alemanha e no Reino Unido levando a um aumento no consumo de gás através de aquecimento das casas.

O gás negociado em Amesterdão (TTF) – referência para o mercado europeu – sobe 0,69% para 47,3 euros por megawatt-hora, após dois dias de forte queda.

Ouro ganha e inverte tendência de fevereiro

O ouro está a negociar com ganhos, depois de ter registado em fevereiro a sua pior performance desde meados de 2021, com a negociação a ser penalizada pela possibilidade de subida das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana.

O metal amarelo avança 0,42% para 1.834,51 dólares por onça, numa altura em que vai beneficiando da queda da moeda norte-americana face às principais divisas.

No mês passado, o metal foi atingido pela subida do dólar e da "yield" dos juros do tesouro norte-americanos, uma vez que não rende juros.

Euro segue a valorizar. Yuan ganha com crescimento económico na China

O euro está a negociar em alta face ao dólar, após ter sido divulgada a inflação em Espanha e França, com valores acima do esperado, que levantam expectativas de que o Banco Central Europeu poderá mesmo subir as taxas de juro em 50 pontos base na reunião de março.

A moeda única europeia sobe 0,65% para 1,0645 dólares. Já o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força do dólar face a dez moedas rivais - perde 0,47% para os 104,376 pontos.

"Os dados confirmam as expectativas de que o 'outlook' de crescimento melhorou significativamente na China", afirmou Niels Christensen, analista da Nordea à Reuters, acrescentando que este cenário colocou "o dólar na defensiva". 

Juros agravam-se na Zona Euro com governador do Banco de França a estimar pico das taxas de juro até setembro

Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a agravar-se esta quarta-feira, pressionados pela possibilidade de uma subida de 50 pontos base dos juros diretores pelo Banco Central Europeu.

Esta manhã, o governador do banco da Estónia e membro do Conselho do BCE, Madis Muller, afirmou que seria imprudente o banco central descer rapidamente os custos de empréstimo logo após o pico dos juros.

Também hoje, o governador do banco de França, François Villeroy de Galhau, disse que o BCE deve atingir o pico das taxas de juro até setembro, acrescentando que é esperado que a inflação atinja o pico no primeiro semestre do ano e desça para metade no segundo semestre.

A "yield" das Bunds alemãs com maturidade a dez anos, referência para a região, somam 6,2 pontos base para 2,707%, enquanto os juros da dívida pública italiana crescem 8,1 pontos base para 4,545%. 

Os juros da dívida francesa agravam-se 6,4 pontos base para 3,178%, os juros da dívida espanhola aumentam 6,3 pontos base para 3,657% e os juros da dívida portuguesa aumentam 6,2 pontos base para 3,558%.

Fora da Zona Euro, os juros da dívida britânica a dez anos sobem 5,4 pontos base para 3,876%.

Europa com ganhos com dados da economia chinesa a sustentar a subida

As principais praças do Velho Continente estão a negociar em terreno positivo esta quarta-feira, com os investidores a digerirem resultados das empresas, bem como fortes dados que mostram uma recuperação económica na China.

O índice de referência da região, Stoxx 600, soma 0,12% para 461,66 pontos, com o setor mineiro (3,31%) e automóvel (1,05%) a liderarem os ganhos.

Entre os principais movimentos de mercado, a plataforma de distribuição de fundos Allfunds tomba 13,36% depois de a Euronext, gestora de várias bolsas europeias incluindo a lisboeta, ter retirado uma oferta indicativa de 5,5 mil milhões de euros pela empresa. A Euronext beneficiou da retirada e sobe 8,82%.

Já o BNP Paribas desvaloriza 3,4%, depois de uma notícia da Reuters que dá conta que a Bélgica estará a planear uma venda parcial da sua participação no banco francês, que detém através da SPFI. A Reuters indica que a Bélgica vai vender um terço da sua participação acionista de 7,8%, ou seja cerca de 2,7% do banco.

Os resultados das cotadas europeias estão a chegar ao fim e é esperada uma queda de 5% no lucro por ação, segundo estimam analistas do Citigroup.

"Os resultados têm sido, de uma forma geral, muito fortes, o que a par com a inflação persistente significa que os bancos centrais vão continuar a ser agressivos durante algum tempo, mas a determinada altura o consumo vai parar e as empresas vão começar a sofrer custos financeiros mais elevados, o que pode criar uma bola de neve", sumarizou o analista Alfonso Benito, da Dunas Capital, à Bloomberg, cuja gestora de ativos tem em carteira o menor valor de ativos de risco de sempre.

Entre os principais índices da Europa Ocidental, o alemão Dax soma 0,32%, o francês CAC-40 valorizou 0,24%, o italiano FTSEMIB ganhou 0,47%, o britânico FTSE 100 subiu 0,53% e o espanhol IBEX 35 pulou avança 0,03%%. Em Amesterdão, o AEX regista um acréscimo de 0,37%.

Taxas Euribor sobem a 3, 6 e 12 meses fixando-se em máximos de mais de 14 anos

A taxa Euribor subiu hoje a três, seis e 12 meses para novos máximos de mais de 14 anos, face a terça-feira.

Na terça-feira, as Euribor terminaram o mês de fevereiro com a taxa média nos três prazos a subir mais de 0,19 pontos percentuais face a janeiro.

A taxa Euribor a 12 meses, que atualmente é a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 3,745%, mais 0,020 pontos, um novo máximo desde dezembro de 2008.

Segundo o Banco de Portugal, a Euribor a 12 meses já representa 43% do 'stock' de empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável, enquanto a Euribor a seis meses representa 32%.

Após ter disparado em 12 de abril de 2022 para 0,005%, pela primeira vez positiva desde 5 de fevereiro de 2016, a Euribor a 12 meses está em terreno positivo desde 21 de abril de 2022.

A média da Euribor a 12 meses, entretanto, avançou de 3,338% em janeiro para 3,534% em fevereiro, mais 0,196 pontos.

A taxa Euribor média em fevereiro subiu para 2,640% a três meses, 3,135% a seis meses e 3,534% a 12 meses, que traduzem acréscimos face a janeiro de 0,286 pontos, 0,271 pontos e 0,196 pontos, respetivamente.

No prazo de seis meses, a taxa Euribor, que entrou em terreno positivo em 06 de junho, também avançou hoje, para 3,311%, mais 0,021 pontos do que na terça-feira e um novo máximo desde dezembro de 2008.

A Euribor a seis meses esteve negativa durante seis anos e sete meses (entre 6 de novembro de 2015 e 3 de junho de 2022).

A média da Euribor a seis meses subiu de 2,864% em janeiro para 3,135% em fevereiro, mais 0,271 pontos.

A Euribor a três meses, que entrou em 14 de julho em terreno positivo pela primeira vez desde abril de 2015, subiu hoje, ao ser fixada em 2,783%, mais 0,039 pontos e um novo máximo desde janeiro de 2009.

A taxa Euribor a três meses esteve negativa entre 21 de abril de 2015 e 13 de julho último (sete anos e dois meses).

A média da Euribor a três meses subiu de 2,354% em janeiro para 2,640% em fevereiro, ou seja, um acréscimo de 0,286 pontos.

As Euribor começaram a subir mais significativamente desde 04 de fevereiro de 2022, depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras este ano devido ao aumento da inflação na zona euro e a tendência foi reforçada com o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022.

Na última reunião de política monetária, em 2 de fevereiro, o BCE voltou a subir em 50 pontos base as taxas de juro diretoras, acréscimo igual ao efetuado em 15 de dezembro, quando começou a desacelerar o ritmo das subidas em relação às duas registadas anteriormente, que foram de 75 pontos base, respetivamente em 27 de outubro e em 08 de setembro.

Em 21 de julho, o BCE aumentou, pela primeira vez em 11 anos, em 50 pontos base, as três taxas de juro diretoras.

As taxas Euribor a três, a seis e a 12 meses registaram mínimos de sempre, respetivamente, de -0,605% em 14 de dezembro de 2021, de -0,554% e de -0,518% em 20 de dezembro de 2021.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 57 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

Lusa

Wall Street abre entre ganhos e perdas com pressão da política monetária a ofuscar recuperação económica da China

Wall Street abriu a sessão desta quarta-feira a negociar de forma mista, com a possibilidade de os bancos centrais permanecem com uma política monetária mais "hawkish" durante mais tempo, numa altura em que a inflação tem mostrado a forte robustez das economias europeias e norte-americana.

O Dow Jones cede 0,06%, para os 32.676,47 pontos, enquanto o S&P 500 cai 0,08%, nos 3.967,75 pontos. Já o tecnológico Nasdaq Composite sobe 0,08%, para os 11.464,13 pontos.

A possibilidade de uma política monetária restritiva está a ofuscar a recuperação económica por parte da China, depois de ter sido divulgado hoje que a atividade industrial registou a maior subida mensal em dez anos.

"Há um momento de viragem para o qual todos podemos apontar", referiu o analista Keith Buchanan da Globalt Investments à CNBC.

"O mercado teve um momento em que se aperceber que talvez o mercado de trabalho esteja apertado o suficiente para continuar a dar palco para maior agressividade na subida dos juros diretores", completou o responsável.

Ouro ganha após cair mais de 5% em fevereiro
Ouro ganha após cair mais de 5% em fevereiro

O ouro segue a valorizar, após ter fechado um dos piores meses - com uma queda de 5,3% em fevereiro - desde meados de 2021. A pressionar a matéria-prima esteve a incerteza em torno do caminho da política monetária. Contudo, esta quarta-feira o metal precioso parece ter recuperado algum fôlego, impulsionado por dados económicos robustos na China.

O índice de produção no país asiático cresceu ao nível mais rápido em mais de uma década no mês de fevereiro, o que fez subir a expectativa de um aumento da procura por parte do maior consumidor de ouro. 

O metal amarelo sobe 0,63% para 1.838,48 dólares por onça, ao passo que a platina soma 0,94% para 965,04 dólares e o paládio valoriza 1,34% para 1.437,39 dólares. 

Euro acelera face ao dólar após inflação mais alta do que o esperado na Alemanha

O euro está a valorizar face à divisa norte-americana, estando a subir 0,86% para 1,0667 dólares.

A moeda única europeia ganhou força após ter sido divulgado que a inflação na Alemanha - maior economia europeia - voltou a acelerar em fevereiro para 9,3%, aumentando a pressão sobre o BCE para a continuação da subida das taxas de juro.

Já o índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda contras dez rivais - perde 0,49% para 105,087 pontos.

A divisa norte-americana recuou após os dados de produção na China terem superado as expectativas dos economistas, o que deu força à perspetiva de que a segunda maior economia mundial vai recuperar este ano. 

Petróleo negoceia misto

O petróleo segue a negociar misto, numa altura em que os investidores se dividem entre as preocupações quanto a um aumento das reservas de crude nos Estados Unidos e a recuperação da atividade industrial na China - maior importador de crude no mundo.

O West Texas Intermediate cede 0,04% para 77,02 dólares por barril, enquanto o Brent do Mar do Norte, crude negociado em Londres e referência para as importações europeias, sobe 0,32% para 83,72 dólares por barril.

O "ouro negro" tem sido penalizado pela perspetiva de uma política monetária mais agressiva e de o aumento das reservas de crude nos Estados Unidos - que aumentaram 1,2 milhões de barris na semana passada. Estes dois fatores têm-se sobreposto ao otimismo que a reabertura da China - após anos de confinamento - provocou.

Juros agravam-se na Zona Euro

Os juros das dívidas soberanas na Zona Euro seguem a agravar-se, o que indica uma maior procura dos investidores pelas obrigações. Os mais recentes dados da inflação, mostram que o aumento dos preços no consumidor continua a acelerar em vários países da região, apesar das consecutivas subidas das taxas de juro.

Os mais recentes números dão força à perspetiva de que o Banco Central Europeu vai continuar a aumentar as taxas de juro. 

A "yield" das Bunds alemãs - referência para a região - subiu 5,9 pontos base para 2,704%, enquanto os juros da dívida italiana aumentaram 9,4 pontos base para 4,558%. 

Já os juros da dívida francesa cresceram 6,9 pontos base para 3,183%, os juros da dívida pública espanhola subiram 6,6 pontos base para 3,659% e os juros da dívida portuguesa agravaram-se 6,4 pontos base para 3,561%.

Fora da Zona Euro, os juros da dívida britânica aumentaram um ponto base para 3,832%.

Europa no vermelho após aumento surpresa da inflação na Alemanha

As bolsas europeias encerraram em terreno negativo, para o nível mais baixo em mais de três semanas, depois de ter sido divulgado o valor da inflação alemã.

Ao contrário do que era esperado, a inflação na Alemanha, medida pela variação homóloga do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), acelerou para 9,3% em fevereiro, contrariando as expectativas dos analistas que apontavam para uma inflação de 9% (em janeiro ficou nos 9,2%). Este dado pressiona ainda mais a postura "hawkish" que o Banco Central Europeu (BCE) tem mantido.

O Stoxx 600, referência para a região, fechou a sessão com uma queda de 0,74% para 457,68 pontos, com o setor imobiliário e das utilities (água, luz e gás) a liderarem as perdas. 

Nas principais praças europeias, o alemão Dax perdeu 0,39%, o francês CAC-40 recuou 0,46%, o italiano FTSE Mib cedeu 0,59%, o Aex, em Amesterdão, recuou 0,47% e o madrileno Ibex 35 desvalorizou 0,76%.

Em sentido contrário, apenas o britânico FTSE 100 fechou em terreno positivo, a subir ligeiramente para 0,49%.

Lisboa foi a praça que mais caiu, perdendo 1,44%.

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