Novos ataques deixam petróleo nos 97 dólares. Praças asiáticas batem recordes com euforia da IA
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta quarta-feira.
Petróleo avança mais de 1%. Novos ataques no golfo comprometem via diplomática para resolução da guerra
Os preços do petróleo estão a negociar nesta quarta-feira com valorizações de mais de 1%, à medida que se mantém o impasse nas negociações entre Estados Unidos e o Irão. Também o facto de o Irão ter lançado novos ataques contra o Kuwait e o Bahrein – que não atingiram os alvos pretendidos, segundo as forças armadas norte-americanas – pressionou o sentimento dos “traders”.
O Brent – de referência para a Europa –, soma 1,69%, para os 97,62 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI) – de referência para os EUA – avança 1,81%, para os 95,46 dólares por barril.
A par dos ataques do lado iraniano, também os EUA realizaram novos ataques contra a ilha de Qeshm, no Irão, em resposta às tentativas de ataque de Teerão.
Nesta medida, o Irão não comunica com Washington há alguns dias, informou a imprensa iraniana na terça-feira, embora Trump tenha afirmado que as negociações têm decorrido de forma contínua, acrescentando à incerteza sobre quando e se haverá a possibilidade de uma resolução diplomática para o conflito que já se arrasta desde o final de fevereiro e que tem mantido o estreito de Ormuz praticamente encerrado, pressionando o mercado energético global.
Noutros pontos, os “stocks” globais de petróleo poderão atingir níveis críticos antes do pico da procura no verão, isto caso a redução dos “stocks” continuar ao ritmo atual, afirmou na terça-feira o chefe da divisão de indústria e mercados petrolíferos da Agência Internacional de Energia.
Ásia toca novos máximos com IA a manter-se no centro das atenções
Os principais índices asiáticos acompanharam o “rally” vivido na sessão norte-americana de terça-feira e fecharam em alta, com os principais índices japoneses, de Taiwan e da Coreia do Sul a fixarem novos recordes, à medida que a procura por cotadas ligadas à inteligência artificial (IA) se intensificou, consolidando o papel desta área como principal motor dos mercados ao nível global.
Por Taiwan, o TWSE ganhou 1,98%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,66%, enquanto o Shanghai Composite deslizou 0,032%. Na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,15%. Já quanto ao Japão, o Nikkei avançou 2,60% e o Topix pulou 1,99%.
As fabricantes asiáticas de chips alcançaram novos picos depois de o Índice de Semicondutores de Filadélfia ter subido quase 6%, atingindo um novo recorde. O setor tecnológico continuou a ser o centro das atenções.
Mesmo assim, a cautela instalou-se à medida que o petróleo Brent negoceia com valorizações e se fixa acima dos 97 dólares por barril novamente, devido ao pessimismo quanto às perspetivas de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão.
Os investidores ignoraram as preocupações com as valorizações elevadas, apostando que o forte crescimento dos lucros e o abrandamento das tensões geopolíticas continuarão a apoiar os ativos de risco. “A tecnologia continua a dominar o mercado”, sublinhou à Bloomberg o especialista Louis Navellier. “A tendência mantém-se positiva, sendo possível um catalisador para ganhos materiais adicionais com uma resolução [do conflito] com o Irão”, acrescentou.
No que toca a tarifas, os Estados Unidos estão a propor impor taxas de pelo menos 10% sobre as importações da maioria dos principais parceiros comerciais da maior economia mundial, à medida que o Presidente Donald Trump tenta “reconstruir” uma barreira alfandegária abrangente sobre os seus parceiros comerciais depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter derrubado as tarifas recíprocas impostas pelo republicano.
“Existe uma incerteza considerável quanto à possibilidade de a justificação apresentada desta vez vir a ser contestada judicialmente”, afirmou à agência de notícias financeiras Shen Meng, diretor do banco de investimento Chanson & Co., sediado em Pequim. “Por isso, é provável que o impacto global seja limitado”, resumiu.
Pela Ásia, o iene está novamente no centro das atenções, com o dólar a aproximar-se dos 160 ienes - nível que levou à intervenção de autoridades do país para conterem a desvalorização da moeda. Nesta medida, os investidores estão a aguardar pelo discurso previsto do governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, à procura de pistas sobre as perspetivas para as taxas de juro.
Entre os movimentos do mercado, a fabricante japonesa de sanitas Toto pulou mais de 8%, depois de ter anunciado que espera que as despesas nas suas operações relacionadas com chips representem mais de metade do seu investimento total nos próximos anos.
Ainda pelo japão, e depois de o SoftBank Group ter ultrapassado há dias o “market cap” da Toyota para se tornar na empresa mais valiosa em bolsa do país, a capitalização bolsista da Kioxia Holdings (+0,70%) ultrapassou por breves momentos a da Toyota Motor, à medida que o “boom” global da IA reestrutura o panorama empresarial do país.