Gronelândia derruba Europa e Wall Street. Ouro e prata renovam máximos
Acompanhe, ao minuto, a evolução dos mercados nesta terça-feira.
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Crise na Gronelândia volta a pintar Europa de vermelho. Wise dispara quase 15%
A escalada nas tensões geopolíticas em torno da Gronelândia arrastaram as principais praças europeias para o vermelho, com Donald Trump a adensar a retórica contra os países europeus que estão contra os seus planos de anexaram o território controlado pela Dinamarca. O Presidente dos EUA tem ainda a França na mira e revelou, esta terça-feira, que está a equacionar aplicar tarifas de 200% contra as importações de champanhe e vinho vindas do país, depois de Emmanuel Macron ter sido bastante crítico das ações do seu homólogo norte-americano.
O Stoxx 600, "benchmark" para a negociação europeia, cedeu 0,70% para 602,80 pontos, depois de já ter desvalorizado 1,2% na sessão anterior. O setor imobiliário foi um dos grandes penalizadores do índice do Velho Continente, enquanto as ações tecnológicas conseguiram sobreviver ao "sell-off" que se regista nos mercados neste momento.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX caiu 1,03%, o espanhol IBEX 35 cedeu 1,34%, o italiano FTSEMIB desvalorizou 1,07%, o francês CAC-40 recuou 1,61%, ao passo que o britânico FTSE 100 deslizou 0,67% e o neerlandês AEX perdeu 0,16%.
Estes movimentos surgem na sequência de um arranque do ano que estava a ser bastante positivo para as ações europeias. O otimismo em torno dos resultados trimestrais das empresas e da economia da Zona Euro tinha catapultado o Stoxx 600 para máximos históricos, mas as ameaças de Trump acabaram por introduzir, mais uma vez, grande volatilidade à negociação. No rescaldo, o banco norte-americano Citi decidiu diminuir a recomendação das ações do continente pela primeira vez em um ano - embora alguns analistas não esperem que o "sell-off" continue por muito mais tempo.
"As ações europeias devem recuperar a longo prazo, uma vez que estamos a falar de empresas de alta qualidade”, afirmou Randeep Somel, gestor adjunto de fundos da M&G Investments, à Bloomberg. “As empresas hoje são mais resilientes do que no primeiro mandato de Trump e do que quando foram feitos os anúncios do 'dia da libertação'", adiciona, referindo-se a abril do ano passado, quando o Presidente dos EUA apresentou a sua nova política comercial.
Entre as principais movimentações de mercado, a empresa de tecnologia financeira Wise disparou 14,63% para 9,56 libras, depois de ter conseguido superar as previsões de rendimento subjacente do mercado, conseguindo tocar nos 424,4 milhões de libras no último trimestre do ano - contra as expectativas de apenas 412 milhões. A empresa britânica espera agora conseguir margens de lucro antes de imposto em torno dos 13% e dos 16% em 2026.
Já as ações da LVMH caíram 2,2% para 570 euros, continuando a ser pressionadas pelas ameaças de Donald Trump a nível de política comercial, que parecem ter França no "olho do furacão".
Juros da dívida da Zona Euro agravam-se
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro agravaram-se esta terça-feira. O mercado está atento à ameaça do Presidente dos EUA de aplicar novas tarifas de 10% a oito países, devido à oposição dos planos dos norte-americanos para a Gronelândia. O mercado está ainda de olho na possível ação militar dos norte-americanos na maior ilha do mundo.
A tendência de agravamento dos juros adensou-se depois da subida da "yield" da dívida japonesa. A possibilidade de que a atual primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, vir a ter maioria no Parlamento para a implementação de estímulos orçamentais no país, está a levar a uma onda de venda das obrigações, que contagia a Europa e os EUA.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, subiram 1,9 pontos-base para 2,857%, enquanto a "yield" das obrigações francesas acelerou 2,7 pontos para 3,525%.
Pela Península Ibérica, a "yield" das obrigações portuguesas e espanholas, também a dez anos, aumentaram 2,4 e 2,7 pontos-base para 3,240% e 3,253%, respetivamente.
Em Itália a tendência de agravamento continuou, com a "yield" do país a avançar 3,4 pontos-base para uma taxa de 3,5%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, dispararam 4,3 pontos base para 4,457%.
Nos EUA, os juros da dívida com maturidade a dez anos pulam 4,8 pontos-base para 4,271%, e, no Japão, a "yield" com o mesmo prazo dispara 9,1 pontos-base para 2,342%.
Euro atinge máximos de três semanas. Bitcoin cai abaixo dos 90 mil dólares
A crise na Gronelândia e as ameaças de Donald Trump à estabilidade das relações dos EUA com a Europa estão a afastar os investidores de ativos norte-americanos - e o dólar tem sido dos mais afetados. Como consequência, o euro atingiu o valor mais elevado em três semanas face à "nota verde", numa altura em que a Casa Branca considera ainda aplicar tarifas de 200% às importações de álcool vindas de França.
A esta hora, o euro avança 0,76% para 1,1735 dólares, enquanto a libra acelera 0,31% para 1,3467 dólares. No entanto, a divisa europeia mais beneficiada é a moeda da Suíça, que salta 1% esta terça-feira, com cada dólar a valer 0,7896 francos suíços. Por sua vez, e apesar de toda a turbulência que se sentiu no mercado obrigacionista japonês, o dólar perde apenas 0,13% para 157,90 ienes.
A moeda norte-americana está ainda a ser pressionada pelo anúncio de que o fundo pensões AkademikerPension, que gere as poupanças dos professores e académicos da Dinamarca, tenciona vender até ao final de janeiro as obrigações americanas que detém, no valor de 100 milhões de dólares. Antes de a decisão ter sido conhecida, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tinha descartado a ideia de que a Europa poderia se desfazer de ativos norte-americanos.
"Os mercados já reagiram, mas há claramente espaço para movimentos ainda maiores se a retórica aumentar", escreve Jim Reid, diretor global de pesquisa macroeconómica e estratégia temática do Deutsche Bank, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. Os movimentos registados nestes últimos dois dias estão a lembrar os investidores da reação dos mercados ao anúncio das tarifas recíprocas, em abril do ano passado, trazendo mais uma vez à tona a estratégica "Sell America".
Nas criptomoedas, a bitcoin caiu de forma temporária abaixo dos 90 mil dólares esta terça-feira, pressionada pelo "sell-off" nos ativos de refúgio. Foi o nível mais baixo em mais de uma semana, embora a moeda digital já tenha conseguido reduzir as perdas parcialmente, caindo agora 2,6% para 90.187,34 dólares.
"Rally" nos metais preciosos sem travões. Ouro e prata renovam máximos
A escalada nas tensões geopolíticas entre EUA e a Europa, com a Gronelândia no "olho do furacão", continua a alimentar o "rally" dos metais preciosos. O ouro ultrapassou, pela primeira vez, a marca dos 4.700 dólares por onça esta terça-feira e continua a somar ganhos, num dia em que também a prata atingiu novos máximos.
A esta hora, o ouro acelera 1,44% para 4,738.03 dólares, tendo mesmo chegado a tocar nos 4.750,94 dólares - um novo recorde. Já a prata recua de máximos históricos ao ceder 0,4% para 94 dólares, depois de ter conseguido valorizar até aos 95,50 dólares, com os investidores a aproveitaram a mais recente subida no preço para procederem à tomada de mais-valias.
Os investidores esperam agora para ver qual será a resposta europeia às ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus que se opõe à anexação da Gronelândia. As taxas alfandegárias devem entrar em vigor no início de fevereiro e, caso Washington não consiga o que quer, irão aumentar para 25% em junho.
"Entramos numa era de nacionalismo de recursos entre as grandes potências", atira Peter Kinsella, diretor global de estratégia cambial da Union Bancaire Privee, numa entrevista à Bloomberg Television. O analista explica que a melhor forma que os investidores têm de aproveitar a escalada das tensões é através da exposição a metais preciosos", em detrimento do mercado cambial.
Ainda em foco está o disparo nas "yields" das obrigações japonesas a longo prazo, que ultrapassaram os 4% pela primeira vez em três décadas. A tendência espalhou-se pela Europa e atravessou o Atlântico, chegando aos EUA, com os investidores receosos dos impactos das políticas orçamentais e fiscais da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Disrupções no Mar Negro levam Brent a negociar acima dos 65 dólares. Preços sobem quase 2%
O barril de petróleo está a valorizar quase 2% esta terça-feira, num dia em que os investidores digerem o impacto das disrupções no abastecimento de crude no Mar Negro e avaliam toda a volatilidade que se sente nos mercados financeiros - com a crise na Gronelândia e os grandes agravamentos no mercado obrigacionista do Japão a dominarem atenções.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – avança 1,95%, para os 60,60 dólares por barril, enquanto o Brent – de referência para o continente europeu – segue a valorizar 1,70%, ultrapassando a marca dos 65 dólares por barril e negociando, a esta hora, nos 65,03 dólares. Os preços estão a ser impulsionados pela decisão do maior produtor de crude do Cazaquistão de interromper a produção em dois grandes campos de petróleo do país, devido a estragos provocados por dois incêndios.
A Reuters noticia que, pelo menos, um dos campos vai estar encerrado por mais sete a dez dias, levando os investidores a recearem no abastecimento da matéria-prima a curto prazo. O Cazaquistão já tinha diminuído a produção de petróleo este mês na sequência de vários ataques de drones a portos localizados na Rússia - e que tiveram impacto no terminal do Caspian Pipeline Consortium (CPC, um consórcio internacional que opera o principal oleoduto para exportar petróleo do Cazaquistão para o mundo).
"O petróleo bruto está a ser negociado a preços mais elevados esta manhã devido às preocupações contínuas em torno dos carregamentos da CPC, que permaneceram limitados após os recentes ataques ucranianos", explica Rebecca Babin, investidor sénior de energia da CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg. "Ao mesmo tempo, os riscos geopolíticos permanecem elevados, mantendo os 'traders' atentos às notícias" sobre a crise na Gronelândia.
Na madrugada desta terça-feira, Donald Trump utilizou a rede social que detém para desferir vários ataques aos principais líderes europeus, que se opõe à anexação do território gronelandês. A Europa tem, em uníssono, rejeitado as pressões do Presidente norte-americano, mas ainda está a avaliar uma resposta às suas ameaças - e, por agora, nada está fora da mesa.
Crise na Gronelândia e choque no Japão levam Wall Street a apagar ganhos do ano
O confronto entre Donald Trump e os líderes europeus pela Gronelândia está a causar grande turbulência em Wall Street. Os principais índices norte-americanos arrancaram a primeira sessão da semana com perdas superiores a 1%, depois de as bolsas do país terem estado encerradas na segunda-feira devido ao dia de Martin Luther King Jr. É a primeira reação ao anúncio de tarifas de 10% a países europeus por parte da Casa Branca, com as quedas a serem acentuadas pelos grandes movimentos registados no mercado obrigacionista japonês.
O S&P 500, "benchmark" norte-americano, abriu a desvalorizar 1,33% para 6.847,85 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite perde 1,73% para 23.112,14 pontos e o industrial Dow Jones desliza 1,33% para 48.703,39 pontos. Os três principais índices dos EUA acompanham, assim, uma tendência que já se tinha começado a desenhar na segunda-feira, com os investidores a reduzirem de forma significativa a exposição ao risco e a apostarem em ativos mais seguros, como o ouro. Com os atuais movimentos, o S&P 500 apaga mesmo os ganhos que tinha registado desde o início do ano.
Pela primeira vez desde novembro do ano passado, o índice do "medo" de Wall Street - o VIX - ultrapassou os 20 pontos. Em causa estão as mais recentes ameaças do Presidente dos EUA a alguns dos países europeus que se opõem ao plano de anexar a Gronelândia - a ilha, localizada entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, pertencente à Dinamarca. Além de uma guerra comercial, os investidores receiam que a disputa pelo território leva a uma implosão da NATO, numa altura em que soldados de vários países aliados estão a realizar exercícios militares na ilha.
"A nossa aposta é que a gravidade acabará por ser contida, uma vez que os investidores estão a apostar numa versão de compromisso", escreve Krishna Guha, diretor de estratégia da Evercore, numa nota a que a Bloomberg teve acesso. "Mas os impactos seriam muito graves se isto tudo descarrilasse, com implicações duradouras - incluindo para o dólar", adiciona. Para já, existem poucos sinais de compromisso, com Donald Trump a ameaçar a França com tarifas de 200% à importação de champanhe.
Do outro lado do mundo, também o Japão está a alimentar o clima de instabilidade que se sente nos mercados. Os juros da dívida do país a longo prazo ultrapassaram esta terça-feira a barreira dos 4% pela primeira vez em mais de três décadas - um sinal negativo dos investidores à possibilidade de que a atual primeira-ministra, Sanae Takaichi, possa ter maioria no Parlamento para a implementação de estímulos orçamentais no país. Os movimentos contagiaram tanto a Europa como os EUA, com a "yield" das "Tresuries" norte-americanas a dez anos - a maturidade de referência - a saltar mais de seis pontos base para 4,29%.
As ações globais, nomeadamente as norte-americanas, têm se mostrado bastante resilientes aos acontecimentos geopolíticos deste arranque de ano, mas parecem ter atingido o seu limite de resistência. Esta semana pode ser decisiva para o mercado dos EUA, com os investidores à espera de uma decisão do Supremo sobre a legalidade das tarifas de Trump, bem como com a Netflix a dar o pontapé de saída para as contas das "big tech" norte-americanas.
Entre as principais movimentações de mercado, a gigante do "streaming" avança 1,80%, enquanto a 3M - um peso pesado do setor industrial - cai 4,30%, depois de ter projetado lucros ajustados para 2026 que ficaram bastante abaixo das expectativas dos analistas.
Taxa Euribor desce a três, a seis e a 12 meses
A taxa Euribor desceu esta terça-feira a três, a seis e a 12 meses em relação a segunda-feira.
Com estas alterações, a taxa a três meses, que baixou para 2,027%, continuou abaixo das taxas a seis (2,151%) e a 12 meses (2,236%).
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, cedeu, ao ser fixada em 2,151%, menos 0,004 pontos do que na segunda-feira.
Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a novembro indicam que a Euribor a seis meses representava 38,6% do 'stock' de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.
Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,84% e 25,17%, respetivamente.
No prazo de 12 meses, a taxa Euribor também baixou, para 2,236%, menos 0,023 pontos do que na sessão anterior.
No mesmo sentido, a Euribor a três meses caiu, ao ser fixada em 2,027%, menos 0,002 pontos.
Em relação à média mensal da Euribor de dezembro, esta voltou a subir a três, a seis e a 12 meses, mas de forma mais acentuada no prazo mais longo.
A média mensal da Euribor em dezembro subiu 0,006 pontos para 2,048% a três meses e 0,008 pontos para 2,139% a seis meses.
A 12 meses, a média mensal da Euribor avançou 0,050 pontos para 2,267%. Na reunião de 18 de dezembro, o Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas diretoras, de novo, pela quarta reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções das mesmas desde que a entidade iniciou este ciclo de cortes, em junho de 2024.
A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 4 e 5 de fevereiro, em Frankfurt, Alemanha.
As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.
Maré vermelha "inunda" bolsas europeias. Stoxx 600 negoceia abaixo dos 600 pontos
Os principais índices europeus negoceiam no vermelho em toda a linha, registando perdas expressivas, com novas preocupações de uma guerra comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a União Europeia (UE) a pesarem sobre o sentimento dos investidores.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – perde 1,32%, para os 599,03 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX cai 1,56%, o espanhol IBEX 35 cede 1,66%, o italiano FTSEMIB desvaloriza 1,57%, o francês CAC-40 recua 1,24%, ao passo que o britânico FTSE 100 perde 1,33% e o neerlandês AEX desliza 0,88%.
As ações europeias atingiram recordes na semana passada, mas acabaram por se afastar de máximos históricos na segunda-feira, depois de Trump ter ameaçado aplicar novas tarifas sobre oito países europeus que se opuseram às suas exigências em relação à Gronelândia. Ainda assim, alguns analistas disseram à Bloomberg que não esperam uma liquidação prolongada das cotadas europeias, já que as perspetivas de resultados das empresas do Velho Continente continuam robustas. “As ações europeias devem recuperar a longo prazo", disse à agência de notícias financeiras Randeep Somel, da M&G Investments. “As empresas são hoje mais resilientes do que no primeiro mandato de Trump e do que quando foram feitos os anúncios do dia da libertação”, acrescentou o especialista.
O otimismo deste analista foi acompanhado por uma pesquisa realizada pelo Bank of America junto de gestores de grandes fundos, que revelaram que um recorde de 95% dos inquiridos espera ganhos nas ações europeias nos próximos 12 meses.
Ainda assim, para já, os investidores estão a assumir uma postura de cautela e a afastar-se de ativos de risco como as ações, à medida que as tensões entre os EUA e os 27 parecem aumentar a cada dia.
Entre os movimentos do mercado, a empresa química Oci NV soma ganhos de mais de 7%, depois de a Câmara Empresarial Neerlandesa ter bloqueado uma votação dos acionistas sobre uma proposta de fusão entre a empresa e a Orascom Construction. Já as ações da LVMH acentuam as perdas registadas ontem e recuam quase 3% neste momento, influenciada por declarações de Trump. Isto depois de o Presidente norte-americano ter ameaçado aplicar uma taxa alfandegária de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A medida tem como objetivo pressionar o Presidente francês, Emmanuel Macron, a aderir ao Conselho de Paz criado pelo republicano.
Bessent tenta aliviar tensão com a Europa
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou esta terça-feira que as relações entre os Estados Unidos e a Europa continuam fortes, pedindo aos parceiros para “respirarem fundo” e deixarem as tensões causadas pela Gronelândia. Leia a notícia completa aqui.
Juros da dívida da Zona Euro agravam-se com Japão e ameaças de Trump
Os juros da dívida soberana dos países da Zona Euro agravam-se em toda a linha, esta terça-feira, acompanhando o disparo das taxas de juro japonesas e com os investidores preocupados com as repercussões comerciais ligadas às ameaças tarifárias do Presidente dos EUA, Donald Trump.
No Japão, a 'yield' das obrigações do Tesouro a 30 anos subiu para um nível sem precedentes de 3,66% e a das obrigações a 40 anos atingiu pela primeira vez a marca dos 4%, depois dos investidores terem reagido negativamente à proposta eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi de cortar impostos sobre os alimentos. A primeira-ministra anunciou a intenção de dissolver a câmara baixa do Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas para 8 de fevereiro.
Por outro lado, a ameaça do Presidente dos EUA de aplicar novas tarifas de 10% a oito países, devido à oposição dos planos dos norte-americanos para a Gronelândia, também pesa sobre os mercados.
Os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, agravam 3,5 pontos-base para 2,873%, enquanto a "yield" das obrigações francesas sobe 3,7 pontos para 3,534% e a italiana avança 4,1 pontos para 3,507%.
“Os mercados parecem estar a assumir uma postura claramente de aversão ao risco face a este novo desenvolvimento em matéria de tarifas”, disse Hebe Chen, analista da Vantage Markets, à Bloomberg Television. “A mensagem-chave é que o risco das tarifas, assim como o risco comercial, não vai desaparecer.”
A tendência de agravamento acontece também na Península Ibérica, com a "yield" das obrigações portuguesas e espanholas, também a dez anos, a agravar 3,2 pontos base e 3,5 pontos base para 3,248% e 3,260%, respetivamente.
Os mercados estão também a digerir a eleição de Boris Vujcic, um "falcão", par aa vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE). O croata é visto como um defensor de uma política monetária mais rígida e focada no combate à inflação, através da subida das taxas de juro.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, somaram 4,1 pontos base para 4,454%.
Franco suíço em alta com tensões sobre a Gronelândia
A ameaça do Presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 10% a um conjunto de oito países europeus já a partir de 1 de fevereiro, por se terem mostrado contra o plano de controlo da Gronelândia por parte dos americanos, está a ter impacto na negociação cambial do dólar.
A incerteza política e económica originada pela nova ameaça tarifária – e que já está a levar à preparação de uma retaliação por parte dos países europeus – tem estado a pesar sobre a negociação do dólar. O índice do dólar americano (DXY), que compara o valor da moeda norte-americana com outras divisas, cai 0,83% para os 98.5670 pontos na manhã desta terça-feira.
A esta hora, o euro segue a valorizar 0,62% para 1,1718 dólares e a libra também segue a avançar 0,47% para 1,3487 dólares. O dólar também recua 0,88% para 0,7905 francos suíços. O dólar perde ainda 0,20% face à divisa japonesa, para 157,80 ienes.
Já noutros pares de câmbio, o euro avança 0,16% para 0,8688 libras e avança 0,42% para 184,89 ienes. O euro cede, no entanto, 0,26% para 0,9263 francos suíços.
A divisa suíça, tida como um refúgio alternativo ao dólar em tempos de maior incerteza, tem nesta semana conseguido capitalizar com a pressão que a guerra tarifária tem exercido sobre o dólar. "O franco suíço é o refúgio seguro de eleição num momento como este. Está correlacionado com o ouro e está parcialmente isento da atual vaga de tarifas. Espero, por isso, que o franco suíço seja o principal beneficiado", comenta Kamakshya Trivedi, líder de negociação cambial no Goldman Sachs, citado pela Bloomberg.
Já o iene desvaloriza face ao euro, numa altura em que a primeira-ministra japonesa, Sanae Taikachi, convocou eleições antecipadas numa tentativa de reforçar a posição do seu partido, o que traz perspetivas de maiores estímulo económico (e despesa para os cofres japoneses), o que tem tirado força à divisa nipónica.
Ouro ultrapassa 4.700 dólares com crise na Gronelândia a alimentar receios de guerra comercial
O ouro ultrapassou os 4.700 dólares por onça, atingindo um máximo histórico e a prata também chegou a um novo recorde, numa altura em que a pressão do Presidente Donald Trump para assumir o controlo da Gronelândia alimentou receios de uma potencial guerra comercial entre os EUA e a Europa.
Os mercados aguardam a resposta europeia à ameaça de Trump de impor tarifas a oito países europeus que se opõem às suas ambições sobre a Gronelândia. Enquanto isso, os investidores olham também para Davos, onde Trump deverá reunir-se com várias partes para discutir o seu plano de assumir o controlo do território dinamarquês.
"O caso da Gronelândia veio lançar combustível sobre um rally que tem ganhado forma há meses", comenta Ole Hansen, estratega do Saxo Bank, citado pela Bloomberg.
O ouro segue a subir 1,12% para 4.723,18 dólares por onça e a prata avança 0,35% para 94,71 dólares, depois de ter tocado um recorde de 94,72 dólares anteriormente na sessão.
Kelvin Wong, analista sénior de mercados da OANDA, disse que o ouro também encontrou suporte com o enfraquecimento do dólar, enquanto persiste a possibilidade de a União Europeia adotar medidas não tarifárias, permitindo que fundos soberanos europeus aproveitem para alienar ativos baseados nos EUA.
Entre outros metais preciosos, a platina subiu 0,6%, para 2.387,55 dólares por onça, enquanto o paládio avançou 0,2%, para 1.845,75 dólares.
Preços do petróleo cedem. "Traders" pesam ameaças de tarifas contra crescimento do PIB na China
Os preços do petróleo seguem a negociar com perdas contidas nesta terça-feira, com os "traders" a acompanharem as ameaças do Presidente Donald Trump de aumentar as tarifas dos EUA sobre produtos de vários países europeus, enquanto um dólar mais fraco e dados económicos melhores do que o esperado vindos da China, maior importador mundial de crude, limitam a queda dos preços.
O West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os EUA – recua 0,49%, para os 59,15 dólares por barril. Já o Brent – de referência para o continente europeu – segue a desvalorizar 0,52% para os 63,51 dólares por barril.
O barril de petróleo está assim a negociar de forma relativamente estável. No fim de semana, os receios de uma nova guerra comercial intensificaram-se depois de Trump ter afirmado que iria impor taxas adicionais de 10% a partir de 1 de fevereiro sobre os produtos importados da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos, Finlândia e Reino Unido, ameaçando ainda com um aumento destas taxas para 25% a partir de 1 de junho se não fosse alcançado um acordo para o controlo da Gronelândia pelos EUA.
A par disso, o mercado petrolífero está a apoiar-se nos dados melhores do que o esperado do PIB chinês do quarto trimestre, divulgados na segunda-feira. A segunda maior economia mundial cresceu 5% no ano passado, atingindo a meta do Governo. A produção das refinarias chinesas em 2025 também subiu, aumentando 4,1% em relação ao ano anterior, enquanto a produção de petróleo bruto cresceu 1,5%, segundo dados do Governo divulgados durante o dia de ontem.
Bolsa de Lisboa abre em queda
A bolsa de Lisboa começa a sessão desta terça-feira em baixa, acompanhando às 08:11 horas a tendência das congéneres de Paris (- 0,76%) e Amesterdão (- 0,21%). O PSI cede 0,59% para os 8.510,61 pontos, depois de na sessão de segunda-feira ter terminado com uma queda 0,90%. Leia a notícia completa aqui.
Ásia fecha sessão com perdas. Futuros de Wall Street apontam para forte queda
Os principais índices asiáticos encerraram a sessão desta terça-feira com perdas em praticamente toda a linha, à medida que as ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas adicionais a vários países europeus reacenderam as preocupações com uma guerra comercial. Os futuros dos índices norte-americanos seguem a ceder mais de 1%, numa primeira reação dos investidores às ameaças de Trump, já que Wall Street esteve ontem encerrado, enquanto pela Europa os futuros do Euro Stoxx 50 perdem cerca de 0,50%, seguindo a tendência de perdas registada ontem.
Pelo Japão, o Nikkei caiu 1,11% e o Topix cedeu 0,84%. O sul-coreano Kospi - índice com grande peso de cotadas ligadas à tecnologia e inteligência artificial – caiu 0,34%, ao passo que o índice de referência de Taiwan ganhou 0,38%. Já pela China, o Hang Seng de Hong Kong desvalorizou 0,37% e o Shanghai Composite deslizou 0,0085%.
À medida que o sentimento entre os investidores se vai deteriorando, a procura por uma série de ativos-refúgio disparou, levando o ouro e a prata a novos recordes.
“Os mercados parecem estar a assumir uma posição muito avessa ao risco em relação a este novo desenvolvimento nas tarifas”, disse à Bloomberg Hebe Chen, analista da Vantage Markets. “A mensagem principal é que o risco das tarifas, bem como o risco comercial, irá manter-se”, acrescentou. O impasse entre os EUA e a Europa surge num momento em que os resultados resilientes das cotadas e o investimento contínuo em inteligência artificial têm sustentado o apetite pelo risco. A direção do mercado depende agora, em parte, da resposta da União Europeia às ameaças do republicano, com o bloco a considerar tarifas sobre 93 mil milhões de euros em produtos norte-americanos.
Pela Ásia, a atenção esteve sobretudo voltada para o Japão, onde a “yield” da dívida soberana com maturidade a 40 anos subiu para 4% na terça-feira, atingindo o nível mais elevado desde 2007 - início desta série. As ações japonesas prolongaram a queda devido a novos receios em relação à política orçamental que será seguida pelo país, após a primeira-ministra Sanae Takaichi ter confirmado que as eleições antecipadas se realizarão no dia 8 de fevereiro. As tecnológicas e os fabricantes de automóveis contribuíram mais para a queda do Topix – com o SoftBank Group a perder mais de 3% e a Nissan a ceder mais de 2%, por exemplo.
Takaichi prometeu ainda reduzir o imposto sobre vendas de alimentos e bebidas, o que leva os investidores a mostrarem-se cada vez mais preocupados com a “falta de disciplina orçamental” da primeira-ministra, escreveu Andrew Jackson, da Ortus Advisors à agência de notícias financeiras. Nesta linha, o especialista refere ainda que “o impacto positivo geral para o consumidor japonês será bastante reduzido quando o iene cair vertiginosamente e os rendimentos dos títulos do governo japonês dispararem”.
Por outro lado, as expectativas de que uma redução de impostos poderá impulsionar o consumo foram um fator favorável para as cotadas do setor dos alimentos, com operadoras de supermercados como Aeon (+5,87%), Daikokutenbussan (+2,96%), entre as que tiveram melhor desempenho no Topix, à semelhança do registado na sessão de ontem.
Já pela China, os “traders” viraram a sua atenção para as ações de empresas do setor elétrico, graças à intensificação da procura global por equipamentos de energia para construir centros de dados para o desenvolvimento da inteligência artificial. As ações da empresa estatal China XD Electric dispararam mais de 8%. Na mesma medida, o Shanghai Guangdian Electric Group e a Henan Senyuan Electric subiram cerca de 10%.
Dados divulgados no domingo também deram força a estas cotadas, já que mostraram que o país exportou transformadores no valor de mais de 9 mil milhões de dólares no ano passado. O valor representa um aumento de cerca de 36% face ao registado em 2024.
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