Fitch imita S&P e sobe "outlook" de Portugal para positivo mas vê défice de 0,8% este ano

Uma semana após a Standard & Poor's ter surpreendido ao elevar a perspetiva da dívida portuguesa de "estável" para "positiva", a Fitch seguiu-lhe os passos.
Justin Lane/EPA
Pedro Curvelo 06 de Março de 2026 às 22:06

A agência de notação financeira Fitch manteve esta sexta-feira o "rating" da dívida portuguesa em A mas elevou a perspetiva de "estável" para "positiva". A Fitch segue, assim, os passos da da dívida soberana portuguesa.

A Fitch justifica a ação com o excedente de 0,4% do produto interno bruto (PIB) que estima que tenha sido alcançado no ano passado, o que compara com a mediana de um défice de 2,9% para os países com a mesma classificação (A). A confirmar-se, assinala, "alargaria um registo de bom desempenho orçamental após um excedente de 1,3% em 2023 e de 0,5% em 2024. O compromisso político alargado para uma disciplina nas contas públicas ao longo de um período extenso melhorou a credibilidade da política orçamental do país".

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Ainda assim, a Fitch perspetiva que este ano Portugal registe um défice em torno dos 0,8% do PIB devido principalmente a "despesa relacionada com as tempestades e a reconstrução, um pico nas despesas com reembolsos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e cortes no IRS e IRC, bem como um aumento dos gastos com salários e pensões". "A incerteza com a dimensão dos custos relacionados com o mau tempo introduz um risco adicional para o desempenho orçamental este ano", admite a Fitch, que "projeta que o défice encolha para 0,5% do PIB em 2027, à medida que se reduzem os efeitos relacionados com as tempestades e as despesas com reembolsos dos empréstimos do PRR diminuam".

A agência prevê que a economia portuguesa cresça 2% este ano, alimentada pelo investimento "à medida que a absorção do PRR acelera". O consumo deverá continuar a mostrar-se robusto, tendo em conta "a resiliência do mercado laboral e as elevadas poupanças", mas as exportações líquidas deverão continuar a pesar, num "contexto de elevada incerteza, incluindo riscos associados às tarifas". 

A Fitch antevê "um pequeno impacto no crescimento das tempestades, mas a incerteza sobre os prejuízos e o 'timing' da reconstrução é elevada", conclui.

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A última avaliação da Fitch à dívida da República aconteceu em setembro passado, quando a agência decidiu elevar a classificação soberana para A, ao mesmo tempo que reviu a perspetiva de positiva para estável. Na primeira revisão de 2025, em março, tinha optado pelo “status quo”. 

Atualmente, tanto a DBRS como a Standard & Poor’s têm o rating de Portugal no quinto patamar mais elevado, ao passo que a Fitch o coloca no sexto nível e a Moody’s ainda o tem no sétimo lugar da tabela.

Notícia atualizada

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