S&P sobe rating da EDP para segundo nível acima de "lixo" após elogios ao plano estratégico

A agência de notação financeira Standard & Poor’s subiu o "rating" da EDP de BBB- para BBB, colocando a classificação da elétrica portuguesa a par da República Portuguesa.
Miguel Stilwell de Andrade , EDP
Paulo Alexandre Coelho
Nuno Carregueiro 16 de Março de 2021 às 15:48

Depois de na passada sexta-feira ter mantido a notação financeira da dívida da República Portuguesa em "BBB", esta terça-feira a Standard & Poor’s (S&P) elevou o rating da EDP para o mesmo nível, que é o segundo nível acima de "lixo".

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Numa nota a justificar a subida da notação de "BBB-" para "BBB", a S&P cita o novo plano estratégico da empresa liderada por Migue Stilweel, que é visto de forma "positiva" pela agência, uma vez que "tem o foco na melhoria da alavancagem financeira", ao mesmo tempo que "acelera o crescimento nas renováveis de baixo risco e redes reguladas – sobretudo nos EUA e na Europa".

A S&P salienta que não estava à espera do aumento de capital de 1,5 mil milhões de euros da EDP Renováveis, nem da emissão de dívida híbrida de 750 milhões de euros da EDP. Mas nota que as duas operações "melhoram de forma significativa o balanço" da EDP.

A agência espera uma "melhoria material" nas métricas financeiras da EDP devido à descida da alavancagem e aumento do EBITDA, realçando que as metas da EDP mostram que a empresa está "comprometida com um ‘rating’ de ‘BBB’".

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A S&P atribui uma perspetiva ("outlook") "estável" ao "rating" da EDP, pois estima que os fundos gerados com a operação da empresa permaneçam acima de 19% do valor da dívida e que o rácio entre a dívida e o EBITDA fique próximo das quatro vezes em 2021 e continue a melhorar em 2022.

Também a contribuir para a visão mais otimista para a EDP está a estratégia de rotação de ativos implementada pela empresa, o que, em conjunto com as operações de financiamento e reforço de capitais, contribuiu para baixar o endividamento da companhia.

A S&P estima que na política de remuneração aos acionistas a EDP adote um "payout" entre 75% e 85%, ou seja, que pague entre 850 e 920 milhões de euros por ano nos próximos dois a três anos.

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Num comunicado sobre esta melhoria no rating, a EDP assinala que a a "S&P reconhece que diversas medidas de proteção às métricas de crédito foram tomadas antecipadamente, melhorando significativamente o balanço da EDP e que o grupo assegurou já parcialmente o financiamento necessário para o ambicioso plano de crescimento".

A última vez que a EDP tinha tido uma classificação de dois níveis acima de lixo por parte da S&P foi em 2011, quando em março desse ano viu a sua notação descer dois degraus, de A- para BBB.

 

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Depois, em fevereiro de 2012, a agência voltou a proceder a um "downgrade". Desceu a notação da EDP em dois níveis, para BB+, colocando assim a elétrica no patamar de "junk" (categoria de investimento especulativo).

 

Foram precisos mais de cinco anos para a EDP regressar a um patamar de investimento de qualidade. Aconteceu em agosto de 2017, quando a Standard & Poor’s subiu o "rating" para BBB- (um nível acima de lixo).

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Agora, em março de 2021, três anos e meio depois de a dívida da EDP ter deixado de ser considerada "lixo", a S&P volta a melhorar a sua notação, em mais um nível, para BBB. Foram precisos nove anos para regressar a esse patamar.

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